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WICCA HOJE |
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Satanismo
e a história da Wicca Diane
Vera Em
seu esforço para se desassociarem do Satanismo, os wiccans têm tendido a
distorcer sua própria história. Wicca e Satanismo são de fato categorias
religiosas muito distintas, porém há alguns laços históricos entre os
dois, como até alguns estudiosos wiccans estão finalmente começando a
admitir. (Veja, por exemplo, o livro de Aidan Kelly “Crafting the Art of
Magic” págs. 21-22, 25-26, e 176). Wicca
não é “A Antiga Religião”, ainda que influenciada por várias religiões
antigas. Wicca como nós conhecemos atualmente é derivada da filosofia
oculta do século XIX - incluindo a filosofia do Satanismo literário, entre
outros - projetada em uma Deusa e um Deus (não cristãos), acrescida de um
estilo descristianizado de magia cerimonial da Golden Dawn e folclore britânico
sortido, e mais recentemente reformulado por estudiosos neo-pagãos, e
influenciado pelo feminismo e a ecologia. De qualquer forma diversas partes
da incerta árvore genealógica da Wicca podem ser traçadas ao Satanismo
literário do século XIX, algumas formas têm mais em comum com a Wicca
atual do que o Satanismo atual. O
principal exemplo de que o Satanismo literário influenciou fortemente a
Wicca, especialmente a Wicca feminista, é o livro “La Sorciere” escrito
pelo historiador francês do século XIX, Jules Michelet (publicado em inglês
pela Citadel Press sob o título “Satanism and Witchcraft”). As idéias
de Michelet, como parafraseadas por escritoras feministas como Barbara
Ehrenreich e Deirdre English em seu livro “Witches, Midwives, and Nurses:
A History of Women Healers (Feminist Press, 1973), atuou como um importante
papel no atual movimento pela saúde feminina. (Ao menos Ehrenreich e
English foram honestas o suficiente para listar Michelet na sua
bibliografia). Michelet foi, até onde eu sei, a origem literária da atual
imagem feminista da bruxa como curandeira. Entre outras coisas, ele teorizou
que a caçada as bruxas foi usada pela medicina masculina emergente para
matar as componesas que lhe faziam competição. De
acordo com Jeffrey B. Russell em “A History of Wichcraft”, a Wicca clássica
pré-feminista também retirou indiretamente muitas influências de Michelet.
Michelet foi a principal fonte de inspiração para Margaret Murray, Charles
G. Leland e Sir James Frazer, que a maioria dos wiccans instruídos
reconhecem como influências. (Russell aponta isso, todavia negligencia
informar ao leitor que o livro de Michelet é repleto de descrições
apaixonadas e simpatizantes de Satã e das bruxas medievais. Russell também
propaga o falso mito de que a Wicca não tem nada haver com o Satanismo). Eu
irei deixar para os mais estudados do que eu debaterem o quanto endividados
Murray e Leland foram a Michelet. Em todo caso, a mitologia italiana sobre
bruxaria que Leland apresentou em “Aradia: Gospel of the Witches”
(Originalmente publicado em 1899), uma das maiores fontes da Wicca, contém
alguns elementos da bruxaria diabólica - “Diana amou extensamente seu irmão
Lúcifer, o deus do Sol e da Lua, o deus da Luz, que estava tão orgulhoso
de sua beleza, e por isso foi repelido do Paraíso”. Os Wiccans geralmente
argumentam que “Lúcifer” não é o demônio cristão, mas “o deus do
Sol e da Lua”. (Eu também diferencio Lúcifer de Satã, como fazem muitos
ocultistas). Contudo a declaração de que Lúcifer foi “repelido do Paraíso”
por seu “orgulho” é claramente uma referência ao mito do demônio
cristão. Aradia contém uma mistura de mitologias. Os
wiccans estão corretos em dizer que seu Deus Chifrudo não é Satã, porém
não é historicamente verdadeiro que a imagem cristianizada de Satã é uma
re-interpretação do Deus wiccan. Pelo contrário, o moderno conceito
wiccan do Deus Chifrudo é originário de uma re-interpretação paganizada
da imagem medieval do demônio cristão (como nos escritos recentes de
Margaret Murray). É verdadeiro que a imagem medieval do demônio cristão,
incorpora versões distorcidas de deuses antigos (não só os chifres, ex.:
o tridente que foi retirado de Poseidon/Netuno). Porém a imagem wiccan do
Deus Chifrudo não é uma continuação direta de alguma religião antiga, e
pelo menos um aspecto chave não veio de outra fonte senão do conceito
medieval do demônio cristão como manifestado nas caçadas às bruxas. A idéia
de um Deus Chifrudo associado especificamente com a bruxaria é derivada da
caçadas as bruxas pelos cristãos, e não de outra fonte prévia. Na religião
pré-cristã européia, havia deusas associadas a bruxaria (ex: Hécate),
mas Pan e outros deuses com chifres não eram associados a bruxaria, até
onde eu sei. Muito da própria imagem wiccan é baseada na re-interpretação
paganizada da alegada adoração ao demônio, do que realmente na religião
antiga. Muito da terminologia e da imagem wiccan (ex: as palavras “bruxa/witch”,
“coven”, e “sabbat”), são usadas por causa do falso mito wiccan de
que sua religião é sobrevivente de uma religião medieval secreta que foi
alvo dos caçadores de bruxas. (negligenciando a origem lingüística desses
termos que vieram da caçada às bruxas). A idéia relatada que os modernos
wiccans continuam sob o perigo de serem confundidos com satanistas é, ao
menos parcialmente, uma profecia de próprio preenchimento. Poucas pessoas
iriam confundir Wicca moderna com Satanismo, se a Wicca não usasse tantos
termos derivados da caçada às bruxas e outras pompas popularmente
associadas a bruxaria diabólica. Minha
questão aqui não é dizer que os wiccans não devem usar os termos
“bruxa/witch”, “coven” e “sabbat”. A questão é que se eles
usam essas e outras pompas da bruxaria diabólica, eles devem aceitar as
conseqüências. Por exemplo, quando explicando que Wicca não é Satanismo,
deveriam confirmar a real razão para a confusão: que wiccans escolheram se
identificar com as vitimas das caçadas às bruxas na Europa medieval e por
isso usam sua terminologia. Wiccans certamente não deveriam responsabilizar
os satanistas por suas próprias dificuldades de relações públicas, como
alguns wiccans fazem. Wiccans me aborrecem quando na tentativa de se
distanciarem do Satanismo, difundem concepções populares errôneas sobre
Satanismo (ex: dizendo: “Nós não somos satanistas!” em um tom dando a
entender que satanistas são monstros, ou dizendo “Nós não somos
satanistas!” como se estivessem dizendo “Nós não sacrificamos bebês.”
- a última declaração pode ser dita separadamente e é um ponto óbvio de
transgressão da “Wiccan Rede” e/ou lei do retorno triplo). Voltando
a história da Wicca. Além de Murray, Leland, e outros escritores de
bruxaria, outra principal fonte da Wicca é Aleister Crowley. Muitos wiccans
esclarecidos (ex. os Farrars e Doreen Valiente) compreendem que os rituais
de Gardner foram altamente baseados em rituais de Crowley, entretanto eles
tendem a retrucar “Crowley não era um satanista”. Crowley
não era um satanista, porém ele estava definitivamente dentro do
simbolismo satânico, assim como estava dentro de zilhões de outras coisas.
Em alguns escritos defensores do Neo-Paganismo (ex. o livro da “The Church
of All Worlds”, “Witchcraft, Satanism, and Occult Crime: Who's Who and
What's What”), é alegado que Crowley não era satanista nem pagão, mas
somente mago cerimonial judaíco-cristão. O fato é que Crowley era muito
eclético, podemos listar magia cerimonial da Golden Dawn, Qabalah, Grimórios
medievais, Egito e Grécia antiga e Yoga. Crowley deu ênfase a elementos egípcios,
inferiorizou os elementos cristãos, e adicionou muitas outras coisas em sua
mistura, incluindo muita imagem satânica (tal como sua invocação de Satã
no Liber Samekh, isso sem mencionar sua constante alto-definição de
“Besta 666”). Alguns irão insistir que o simbolismo satânico de
Crowley era meramente uma brincadeira, porém as atitudes de Crowley se
encaixam bem dentro da tradição do Satanismo literário do século XIX.
(Na maioria das mais sofisticadas formas de Satanismo, o nome “Satã” é
entendido em um sentido irônico). Outros irão explicar que a maior parte
do simbolismo satânico de Crowley pode ser re-interpretado em termos pagãos,
porém isso também é verdadeiro em muitas formas de Satanismo. Há
também uma possibilidade de que a Wicca tenha pego emprestado idéias de
escritos sobre reais satanistas no fim do século XIX e início do século
XX. No livro “Crafting the Art of Magic”, Aidan Kelly diz que Gerald
Gardner retirou conceitos chaves de descrições da bruxaria do povo Ozark,
incluindo Satanismo popular, no livro “Ozark Superstition” de Vance
Randolph em 1947. Eu irei admitir que as conclusões de Kelly foram
desafiadas por outros wiccans esclarecidos historicamente. Claro,
se Gardner fosse influenciado por Randolph, ele provavelmente assumiria que
as bruxas satânicas populares eram “realmente” pagãs e que Randolph as
representou erroneamente como satanistas. Porém a suposição de Gardner não
estaria necessariamente correta. Um bruxa (pela inculta visão popular)
seria de longe mais parecida com (1) uma satanista ou (2) uma devota embora
cristã heterodoxa, do que alguém que tenha preservado uma antiga religião
pagã intacta. Vários costumes pagãos certamente sobreviveram, porém isso
é bem diferente da sobrevivência intacta de uma religião pagã, pelo qual
há muita pouca evidência. (Para uma critica da alegada evidência da
sobrevivência pagã, veja o livro “A Razor for a Goat” de Elliot Rose.
Concernente a um possível culto medieval muito diferente do que Murray
teorizou, veja o livro “The Night Battles” de Carlo Ginzburg.
Concernente a bruxas hereditárias contemporâneas, muitas delas são cristãs,
veja o livro “Bluenose Magic” por Helen Creighton. Para a um exemplo de
grimório decididamente não pagão que é muito popular entre bruxas européias
hoje em dia, veja o livro The Sixth e Seventh Books of Moses”, disponível
em algumas botânicas). Algumas
formas de Wicca podem ter sido influenciadas por satanistas mais diretamente
do que via Murray, Leland, Crowley, Ehrenreich/English, e possivelmente
Randolph. Dois exemplos possíveis: (1)
Wiccans historicamente instruídos têm debatido qual papel, se algum, foi
exercido no desenvolvimento da Wiccan moderna por um inglês trabalhador
rural do século XIX chamado George Pickingill que tinha fama de ser um
bruxo. Aidan Kelly, que não acredita que Pickingill contribuiu em algo para
Wicca, descreve Pickingill como “um bruxo popular inconstante e
satanista”. A afirmação que Pickingill exerceu um papel principal foi
originalmente feita por “Lugh” em um jornal chamado “The Wiccan” em
1974. “Lugh”, que alegou ser um bruxo hereditário, descreveu Pickingill
como “A maior autoridade que já existiu no mundo em Bruxaria, Satanismo e
Magia Negra” (citado por Doreen Valiente em “Rebirth of Wichcraft”). (2)
Starhawk foi iniciada por Victor Anderson, que outrora pertenceu a um coven
cuja forma de bruxaria incluía uma forma de “Satanismo literário” (ou
pelo menos uma religião similar ao “Satanismo literário”); ou assim
diz Kelly, baseada em uma pesquisa de Valerie Voigt. Mesmo
que Kelly esteja correta ou não sobre Victor Anderson, e mesmo que
Pickingill tenha ou não algo haver com a Wicca, não deve ser considerado
improvável que algumas tradições de Wicca tenham se originado como formas
de Satanismo e então gradualmente foram se afastando do Satanismo.
Atualmente, há ocultistas que começaram como satanistas e eventualmente se
tornaram Wiccans ou outros tipos de neo-pagãos. Seria muito estranho se o
entendimento de Wicca de tais pessoas não fossem de um todo influenciado
por suas experiências prévias com o Satanismo. Formas
teístas de Satanismo têm uma tendência natural de gerar novas religiões
não satânicas. Se você rejeita a teologia cristã (como todos os
satanistas inteligentes fazem), e venera Satã como um entidade ou força (não
como somente um símbolo como no Satanismo LaVeyísta), então uma questão
inevitavelmente aparecerá: Quem e o que é “Satã”? Diferentes formas
de Satanismo tem diferentes respostas para essa pergunta. Uma das respostas
mais fáceis é re-interpretar Satã como uma entidade pré-cristã,
geralmente Set ou Pan. Contudo, uma vez que você equipara Satã com uma
divindade antiga específica, você estará dando o primeiro passo para sair
do Satanismo. Você não estará mais venerando Satã, você estará
venerando uma divindade pagã com tonalidades satânicas. E então, uma vez
que desenvolveu seu sistema de crença paganizada, as tonalidades satânicas
se tornaram eventualmente menos importantes, ou vistas assim. Esse
aparentemente foi o caso com o “Temple of Set”, um ramo saído da
“Chuch of Satan” de LaVey. (Setianos discordam de serem chamados de
“Satanistas”). Parece que não é de todo improvável que algumas formas
de Wicca, com todas essas pompas da Bruxaria Diabólica, tenham uma origem
similar. Um grupo de satanistas teístas que equiparam Satã com Pan, com
alguns satanistas fazem, provavelmente se envolveriam em uma direção
semelhante a Wicca. Voltando
a falar sobre as pompas da Bruxaria Diabólica usada pela Wicca. A própria
imagem da Wicca é baseada nos registros das caçadas às bruxas,
re-interpretando as alegadas atividades diabólicas que foram acusadas como
sendo a adoração a um “deus pagão chifrudo”. A Wicca desde modo faz
um novo uso da mesma fonte que satanistas têm usado por séculos. Um
pergunta interessante: Por que reconstruir uma “Velha Religião” deste
modo, ao invés de buscar registros de religiões realmente antigas? Outras
formas de Neo-Paganismo (ex. Asatru e neo-Druidismo), que se baseiam mais no
que é conhecido sobre reais religiões antigas, são de longe menos prováveis
de serem confundidas com Satanismo do que a Wicca. Por que os Wiccans
insistem em usar palavras como “bruxa/witch” e “coven” quando
poderiam perfeitamente usar outras palavras menos “chamativas”? Apesar
das pompas da Bruxaria Diabólica, ou talvez em parte por causa delas, a
Wicca é mais popular do que qualquer outra forma de Neo-Paganismo.
Certamente a terminologia “chamativa” da Wicca ajudou a ganhar mais
publicidade do que o contrário. Representantes wiccans reclamam algumas
vezes pelo fato de que os jornalistas só os entrevistam no Halloween, porém
as outras pequenas facções religiosas não chegam nem perto da liberdade
publicitária da Wicca em nenhuma época do ano, nem mesmo no Halloween. E,
julgando pelo modo que os Wiccan insistem em repetir “Nós não somos
satanistas!” mais freqüente do que eles realmente são acusados de serem
satanistas, parece lógico suspeitar que pelo menos alguns estão usando
palavras e imagens popularmente associadas ao Satanismo como modo de chamar
atenção, e/ou porque eles se divertem se sentindo desobedientes. (Eu de
fato escutei alguns wiccans dizerem que se a palavra “bruxa/witch” se
tornasse muito respeitável, ela perderia algo de seu poder). Satanistas
modernos tem a impressão de que a base de atração da Wicca jaz em uma
combinação paradoxal (alguns diriam hipócrita) do uso de conotações satânicas
e a negação das mesmas. Deste modo, satanistas tendem a considerar a Wicca
como uma distorção do Satanismo. Eu
pessoalmente não considero a Wicca como uma distorção. Na minha opinião,
o uso pelos wiccans de pompas derivadas das caçadas às bruxas são
tampouco mais nem menos legítimas do que o uso das mesmas por satanistas. E
a Wicca, como uma religião, tem muito mais substância para isso do que
somente essa semelhança superficial deliberadamente adotada da Bruxaria
Diabólica. Mas
eu estou muito irritada com essas intermináveis declarações de que
“Wicca não tem nada haver com Satanismo!”. Eu não daria importância
se os wiccans meramente dissessem que Wicca não é Satanismo (ao menos se
fizessem isso sem a repetição desnecessária). É verdadeiro que Wicca não
é Satanismo, mas historicamente não é verdadeiro que a Wicca “não tem
nada haver com” Satanismo. Nem é verdadeiro que a Wicca não tem nada em
comum com o Satanismo. Algumas formas de Wicca e Neo-Paganismo tem muito em
comum com (algumas formas de) Satanismo. Curiosamente,
das muitas formas de Neo-Paganismo baseadas na Wicca, uma das mais “satânicas”
(em termos de Satanismo literário do século XIX) é a religião feminista
da Deusa, apesar de sua freqüente omissão do “Deus Chifrudo”. Veja,
por exemplo, alguns dos escritos de Mary Daly. Quando é para inverter e
parodiar o simbolismo cristão, Daly faz melhor do uma Missa Negra escrita
antigamente. Daly também recupera e venera quase todas as categorias
femininas demonizadas concebíveis, de fúrias até feiticeiras. E não
podemos esquecer as muitas feministas que veneram Lilith, um demônio
feminino do folclore judaico equivalente ao Satã cristão. Lilith não
chegou ao status de anti-deus, porém por outro lado seu mito é quase idêntico
ao do Satã cristão: banida por seu orgulho, ela se tornou um pavoroso demônio
e foi associada aos pecados humanos, principalmente os relacionados ao sexo.
Para ser honesta, devo mencionar que nem todas as feministas adoradoras da
Deusa são influenciadas por Mary Daly ou veneram Lilith. Porém a
contracultura feminista, por ser uma contracultura, tende geralmente incluir
uma dose extra de rebeldia “demoníaca” além do que é encontrado na
Wicca clássica (ex. Títulos de revistas como “Sinister Wisdom”). Todos
esses paralelos com o Satanismo refletem o tema central essencialmente satânico
de algumas formas de religiões feministas da Deusa: auto-liberação de uma
ordem “espiritual” imposta pela sociedade - ainda que a religião da
Deusa seja completamente não satânica pelos critérios da maioria dos
satanistas modernos. As
primeiras escritoras feministas sobre religião tiveram uma atitude muito
amigável a respeito de Satanismo do que é comum nos dias de hoje. Até
onde eu sei, a primeira escritora feminista que escreveu sobre Bruxaria e
religião da Deusa foi a líder do sufrágio feminino Matilda Joslyn Gage.
Seu livro “Woman, Church, e State” contém uma descrição entusiástica
de uma Missa Negra medieval camponesa, baseada nos relatos de Michelet. Eu
tenho esperança de que os Wiccans e adoradoras da Deusa de hoje irão parar
de temer reconhecer que, assim como o cristianismo pegou muito da misteriosa
religião grega ainda que seja uma religião muito diferente dos mistérios
gregos, a Wicca e a religião da Deusa retirou muita inspiração do
Satanismo, sendo entretanto religiões muito diferentes. A honestidade de
Kelly é animadora. Se os satanistas de hoje são algumas vezes rudes com
wiccans, bem, como você reagiria com um grupo de indivíduos que saíram de
seu caminho para renegar suas próprias raízes, para assim repudiar você? O
que é especialmente irritante é o modo que muitos wiccans declaram a
palavra “Bruxaria/Witchcraft” como sendo um nome para sua própria
religião, definindo não somente a “Wicca” mas também a
“Bruxaria/Witchcraft” como uma religião distinta do Satanismo. Me
perdoem, mas “Bruxaria/Witchcraft” não é uma religião. Há bruxas por
todo mundo, em diferentes culturas. Elas todas não pertencem a uma religião
única. Uma bruxa pode ser de qualquer religião. Uma de minhas bisavós era
uma “bruxa de água” que dizia onde cavar poços. Ela era uma devota
cristã. Se uma cristã pode ser bruxa, então uma satanista também pode.
Havia tanto cristãs e satanistas chamando si mesmas de bruxas muito antes
de que os wiccans atualmente. (Veja os livros de Randolph e Creighton, por
exemplo). Assim eu realmente gostaria que os wiccans parassem de usar a
palavra “Bruxaria/Witchcraft” como nome para sua religião específica.
Eu não desejo que os wiccans parem do usar a palavra
“Bruxaria/Witchcraft”, eu apenas rejeito a idéia de que somente as
wiccans (ou pelo menos pagãs) são bruxas verdadeiras, e portanto
satanistas não podem ser bruxas. Encorajo
os Wiccans a chamarem sua religião de “Wicca”, uma palavra arcaica que
eles mesmos ressuscitaram. Outro bom nome seria “Bruxaria neo-Pagã”,
algo sugerindo que sua religião é um ramo da Bruxaria/Witchcraft, e não a
Bruxaria/Witchcraft como um todo. Deste modo, seria correto dizer,
“Bruxaria neo-Pagã não é Satanismo”, considerando que é errado dizer
que “Bruxaria (em geral) não é Satanismo”. Também
seria ótimo se os wiccans parassem de fazer pronunciamentos inexatos sobre
o que Satanismo é, assim como, “Satanismo é uma forma de Cristianismo”
ou “Para ser satanista, você precisa acreditar no Deus cristão”.
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