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Uma
História de Perseguições
VALIENTE,
DOREEN. An ABC of Witchcraft, Past and Present. St. Martin’s Press,
1973.
No intuito de
tornar a religião cristã um religião universal e ampliar o poder da
Igreja por interesses puramente econômicos, começaram as perseguições
aos adeptos da antiga religião, culminando com tortura e morte de muitos
inocentes. A sociedade começou a se fundamentar em um alicerce cristão,
porém deturpado por interesses diversos, sendo criada a carta "Maleus
Malleficarum" (O Martelo das Bruxas) estipulando condutas típicas que
caracterizariam uma pessoa como "bruxo", e quem fosse considerado
tal, seria condenado. O simples ato de se despir para se banhar em um lago
isolado, um simples olhar de um rapaz "flertando" com uma moça ou
de usar ervas (infusões, chás) para o tratamento de enfermidades, eram
suficientes para acusar uma pessoa de bruxaria...
Esta
era foi conhecida como Era das Fogueiras, onde os acusados (sempre confessos
mediante tortura) eram freqüentemente queimados vivos nas fogueiras. Isto
serviu de exemplo para os que ainda não eram convertidos ao cristianismo.
Muitos
anos após, alguns grupos praticantes da Antiga Religião com prestígio
dentro da sociedade despertaram sua consciência com as perseguições e
começaram a tomar certas atitudes, influenciando altos juizes em várias
porções da Europa. São vários os fatos que contribuiram para o fim das
perseguições.
- Início
do Século 9: Difundiu-se uma crença popular que feiticeiros e bruxos
malignos existiam. Eram vistos como pessoas demoníacas, principalmente
as mulheres, que dedicam suas vidas a prejudicar e matar pessoas através
de feitiçaria e pactos demoníacos. A Igreja Católica da época
oficialmente afirmava que tais bruxos não existiam. Era uma heresia
dizer que eles eram reais. "Por
exemplo, no século 5o., o Conselho eclesiástico de St.
Patrick estabeleceu que 'Um Cristão que acreditasse em vampiros, era o
mesmo que declarar-se bruxo, confesso ao demônio; a lei dizia que
pessoas com crenças não poderiam ser aceitas pela Igreja a menos que
revogue com suas palavras o crime que cometeu.' Um capitólio da
Saxônia (775-790) proclamou estes esteriótipos da crença pagã:
'Se alguém, devoto do Demônio, seguindo as crenças Pagãs, qualquer
homem ou mulher considerado um bruxo, que por sua vez come carne humana,
deverá ser queimado na fogueira [bruxo confesso]... devendo assim
receber a pena capital."
- 906:
Regino de Prum, O abade das Trevas, escreve o "Canon
Episcopi". Ele reforçava a crença da Igreja de que os
bruxos não existiam. Ele afirmava que algumas mulheres desonestas
e confusas podiam voar pelo ar com a Deusa pagã Diana. Embora isto não
acontecesse na realidade; Isto era visto como uma forma de alucinação.
- 975:
Penalidades para bruxaria e uso de curas mágicas tornam-se severas. O
contricionário Inglês de
Egbert preconizava (em parte...): "se
uma mulher realiza bruxaria , encantamentos e [usa] filtros mágicos,
ela deverá se abster de comida por vinte meses.... se matar alguém com
seus filtros, ela se absterá por sete anos.". A Abstenção
consistia apenas de pão e água.
- 1140:
Gratian, um monge italiano, incorporou a Canon
Episcopi na lei canônica.
- 1203:
O movimento Cathar, um grupo de Cristãos Gnósticos, tornou-se popular
na região de Orleans, França e na Itália. Eles foram declarados
Hereges pela Igreja. O papa Inocencio III aprovou uma guerra genocida
contra os Cathars. O último Catar que se tem noticia foi queimado na
estaca em 1321.
- 1227:
O Papa Gregorio IX propôs a Corte de Inquisição para prender,
confessar e executar hereges.
- 1252:
O Papa Inocencio III autorizou o uso da tortura durante o processo de
inquisição.
- 1258:
O Papa Alexandre IV restringiu a inquisição a manter suas investigações
à casos de heresia. Não investigaram crença em feitiçaria a menos
que hereges estivessem envolvidos.
- 1265:
O Papa Clemente IV reafirma o uso da tortura.
- 1326:
A Igreja autoriza a inquisição para investigar casos de bruxaria. Sua
maior contribuição foi o desenvolvimento da "demonologia," a
teoria da origem diabólica da bruxaria e estudo dos demônios.
- 1330:
Aumentou a crença popular que bruxos e feiticeiros malignos são
aliados de Satã, tinham relações sexuais com o demônio, raptavam e
comiam crianças, etc.
- 1347
a 1349: A epidemia de peste negra dizimou uma porção considerável da
população Européia.
- 1430:
Teólogos Cristãos começaram a escrever livros que "provavam"
a existência dos bruxos.
- 1450:
A primeira Grande caçada aos bruxos iniciou na Europa. A Igreja Criou
uma imaginária religião do Demônio, utilizando esteriótipos que
circulavam desde as eras pré-cristãs. Eles afirmavam que os pagãos
que cultuavam Diana e outros Deuses e Deusas eram bruxos maus que
raptavam bebês, matavam e comiam suas vítimas, vendiam suas almas à
satã, faziam pacto com o demônio, voavam pelo ar, realizavam encontros
secretos à noite, causavam impotência e infertilidade às pessoas,
etc. Historiadores afirmavam que estes genocídios religiosamente
incitados foram motivados pelo desejo da Igreja em obter maior número
de adeptos (monopólio exclusivo), ou ainda como "uma
ferramenta de repressão, uma forma de guiar a massa para outras
divindades superiores, um joguete contra mulheres (eram desprezadas), ou
um modo para pessoas comuns de surrupiar colheitas pagãs, gado ou
justificar morte de bebês e crianças." Walter Stephens, um
professor da Johns Hopkins
University, propõem uma nova teoria: "Acho
que os bruxos eram "bodes expiatórios" de Deus."
E ainda, o modo de explicar o mal no mundo era atribuir a causa a bruxos
e demônios.
- 1450:
Johann Gutenberg inventou a imprensa, facilitando a propagação das
leis da Igreja e aumentando a insatisfação popular à imagem dos
bruxos; isto facilitou em muito a caçada às bruxas.
- 1474:
O Papa Inocencio VIII publicou um bula papal condenando bruxos.
- 1480:
Thomas de Brabant escreve o livro "Formicarius", que descreve
a prossecução de um homem por bruxaria. Cópias deste livro foram
anexadas ao Malleus
Maleficarum anos mais tarde.
- 1486-1487:
Inquisidores (Heinrich Kraemer) e Jacob Sprenger publicam o Malleus
Maleficarum (O martelo das bruxas). Este é um fascinante estudo
destes autores que odiavam mulheres. Ele descreve as práticas e
condutas típicas para os bruxos, e métodos para obter confissão,
sendo posteriormente abandonado pela Igreja. Entretanto este tornou-se a
"bíblia" destas cortes seculares que condenavam bruxos.
- 1500:
Durante o 14th século, constatou-se 38 acusações contra
bruxos e feiticeiros na Inglaterra, 95 na França e 80 na Alemanha.
A caça aos bruxos foi acelerada. "Pela
escolha de conceder suas almas à práticas demoníacas teriam cometido
crimes contra o homem e contra Deus. a gravidade deste duplo crime
denominado a bruxaria como um crime excepcional, permitindo a suspensão
de seus direitos de modo a punir por sua culpa." Testemunhos
de crianças foram aceitos. A tortura largamente foi utilizada com a
finalidade obter confissões. A falta de consistência nas confissões
também foi aceita como prova de culpa.
- 1517:
Martin Luther fixou suas 95 teorias na porta da Catedral de Wittenburg,
Alemanha. Isto instigou a reforma Protestante. Nos Países Católicos,
as cortes continuavam a queimar bruxos. Em Protestantes, eles eram
enforcados. Alguns países protestantes não admitiam a tortura.
- 1550
a 1650: Perseguições alcançaram seu pico nesta década. Estes foram
chamados de "TEMPOS ARDENTES." Foram muito concentrados no
leste França, Alemanha e Suiça. As perseguições ocorreram com maior
frequência em locais onde havia conflitos entre Católicos and
Protestantes. Ao contrário da opinião pública, os bruxos suspeitos
foram perseguidos pelas cortes -- especialmente àqueles envolvidos com feitiçaria
maligna. Somente uma minoria respondia às autoridades da Igreja.
- 1563:
Johann Weyer (b. 1515) publica um livro que agride as crenças pagãs.
Chamado de "De Praestigiis Daemonum" (Queda das almas),
preconizava a não existência dos bruxos, mas que Satan forçava que
eles o seguissem. Ele rejeitava as confissões obtidas sobre tortura e
violência. Ele recomendava tratamento médico ao invés de tortura e
execução .
- 1580:
Jean Bodin escreve "De la
Demonomanie des Sorciers". Ele afirmava que era
necessário punir os bruxos. Nenhum bruxo acusado deveria ser liberto se
tivesse evidencia que ela seria culpada. Se o inquisidor esperasse por
evidências concretas, nenhum bruxo seria preso, acreditavam eles.
- 1584:
Reginald Scot publicou um livro que estava à frente de seu tempo. In Discoverie
of Witchcraft, ele afirmava que os poderes sobrenaturais não
existiam. E mais: que as bruxas não existiam.
- 1608:
Francesco Maria Guazzo publica o "Compendium
Maleficarum." Este discute pactos entre bruxos e satã, a
magia que os pagão utilizam para prejudicar pessoas, etc.
- 1609:
Pânico contra bruxos na região Basca, Espanha. La Suprema, o corpo
governamental da Inquisição espanhola, reconheceu o acontecido e
publicou o Edital de Silência
que proibia a discussão sobre bruxaria. O pânico da população
desapareceu.
- 1610:
Cessa a perseguição aos bruxos na Holanda, provavelmente devido ao
livro de Weyer, 1563.
- 1616:
Uma segunda perseguição às bruxas foi em Vizcaya. Novamente um
Edital de Silêncio foi publicado pelo Tribunal de Inquisição.
Entretanto o rei aboliu o edital e 300 bruxos confessos foram queimados
vivos.
- 1631:
Friedrich Spee von Langenfield, um sacerdote jesuíta, escreve "Cautio
criminalis". Ele condena as caçadas à bruxos e
perseguições em Wurzburg, Alemanha. Ele diz que o prisioneiro é
confesso somente devido à torturas e não define a realidade.
- 1684:
Foi executado na Inglaterra o último acusado de bruxaria.
- 1690's:
Cerca de 25 pessoas morreram durante à louca caçada aos bruxos em
Salem, MA: um deles foi pisoteado devido a ele não entrar em
processo de confissão; alguns morreram nas prisões, o restante foi
enforcado. Não houveram novas perseguições na nova Inglaterra
- 1745:
França cessa a execução de Bruxos.
- 1775:
Alemanha cessa a execução de Bruxos.
- 1782:
Suiça cessa a execução de Bruxos.
- 1792:
A Polônia cessa a execução de Bruxos; O último país da Europa que a
realizava.
- 1830:
A Igreja finda a perseguição aos bruxos na América do Sul.
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