WICCA HOJE

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Textos

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A Wicca não é a Religião da Deusa

Fernando Martins

Uma das distorções e que infelizmente, é propalada até mesmo por representantes de Associações de divulgação da Arte (outro nome dado a Wicca), é que a Wicca seria a religião da Deusa.

A distorção reside na idéia de que partindo desta afirmação, a Wicca seria uma oposição ao poder Patriarcal do Deus cristão.

Esta idéia se baseia em um não entendimento claro, do que ocorria nas antigas crenças pré-cristãs, onde as divindades femininas eram reverenciadas prioritariamente por conta de suas ligações com a terra. Nada mais importante para os antigos pagãos do que o cultivo da terra, pois dela se retirava o alimento que os mantinham vivos. No entanto, estas divindades eram reverenciadas PRIORITARIAMENTE e não tão somente.

Como bem diz John Michell, em The Earth Spirit, Ed. Avon Books: “antes da civilização se instalar, a terra é uma divindade universal... uma criatura viva, uma fêmea porque recebe a energia do sol, é animada por meio deste e tornada fértil... O elemento mais antigo e mais profundo em qualquer religião é o culto ao espírito da terra em seus muitos aspectos.”

Vemos que o autor cita a terra, a fêmea prioritariamente mas não somente, uma vez que o aspecto solar entra aí como aquele que anima, que fecunda, o aspecto masculino.

Por isto nós wiccan dizemos que a Wicca é matrifocal e não matriarcal. O foco maior é no aspecto feminino, sem no entanto, esquecer o aspecto masculino que compõe o quadro e não é por outra razão que evocamos em rituais básicos, o Casal Divino, a Deusa e o Deus. Deus este ao mesmo tempo seu filho, pois dela nasce e seu consorte, pois a ela fecunda.

Esta polaridade remete ao equilíbrio dos aspectos que temos que buscar em nós. Jung já os definia como Anima e Animus. Todos temos dentro de nós tanto o aspecto feminino quanto o masculino.

Em toda mitologia, de qualquer cultura pré cristã, verificaremos a figura de uma deusa principal que estará sempre ligada a terra, ou sendo a razão da própria origem de tudo, como as divindades primordiais gregas Geia ou Gaia, ou sendo a deusa da fertilidade, como Deméter na grécia,  Astarte dos fenícios, Pachamam dos incas, Ishtar dos babilônicos, dentre outras tantas.

Não há o que se falar da Wicca ser a religião da Deusa, pois estaremos aí descaracterizando um dos aspectos mais belos desta religião que é o equilíbrio entre os pólos. Estaríamos fazendo como cristãos às avessas, negando o aspecto masculino para priorizar o feminino.

Esta distorção não surgiu do nada. Na verdade é uma concepção norte americana, criada na década de 70, por feministas que pegaram a Wicca como bandeira ideológica. Com a adesão de homossexuais masculinos que viam na Wicca uma orientação religiosa adequada e que explicava o seu “espírito feminino”, Covens foram criados em terras americanas com esta direção.

Como tudo que nasce lá vem parar aqui...

As distorções não acabam aí, pois para remendar o erro, os Sabás, que são celebrações solares passam a ser celebrados em nome de Divindades femininas e de certo, nomes como Lughnasad (o festival do deus Lugh) ou Beltane (o fogo do deus Bel) perdem o sentido.

Como vemos, a Wicca na verdade, é a religião sim, do equilíbrio, do aspecto feminino em comunhão com o masculino. A religião da Deusa e do Deus.

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