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ÉTICA E WICCA

Fernando Martins – [email protected]

O acúmulo de conhecimento é característica do ser humano. Sabemos que é esta capacidade um dos diferenciais que distingue sua espécie das demais espécies animais. Talvez por isto a valorização exacerbada desta capacidade. Podemos pensar, que a valorização desta capacidade serve quando muito, para enaltecer sua própria existência perante seus iguais, uma vez que a natureza em volta, em sua intrínseca e subjetiva sabedoria, adentra os séculos e percorre a sua existência sem dela sabe-la.

Nos diz Nietzche em seu texto “Introdução Teorética sobre a Verdade e a Mentira no Sentido Extra-Moral”, através de uma fabula introdutória: “Num ponto qualquer do universo, houve uma vez uma estrela na qual animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais arrogante e mais enganoso da historia universal: mas foi apenas um minuto. Depois de alguns suspiros da natureza, a estrela congelou e os animais inteligentes morreram”. Segue Nietzche referindo-se a esta fábula: “Esta é a fabula que alguém poderia inventar, sem conseguir contudo, ilustrar que lamentável exceção, vaga, fugitiva e vã, o intelecto humano constitui no seio da natureza. Houve eternidades em que ele não existiu; e se o mesmo acontecesse agora, nada se passaria. Pois não há para este intelecto uma missão mais vasta que exceda a vida humana. É apenas humano e só tem o seu possuidor e produtor para o tomar tão pateticamente como se os eixos do mundo se movessem à sua volta. Ma se nos pudéssemos entender com a mosca, conviríamos que também ela evolui no ar com o mesmo pathos e sente voar nela o centro deste mundo”.

Vemos aí, que o conhecimento é fruto humano, e como já dito, sua valorização é algo enaltecedor para si mesmo e queria aqui dizer, que não só apenas isto, mas também, pois muitos assim pensam, como garantia de ações certas e benéficas.

Até que ponto, esta última afirmativa corresponde a realidade? Como podemos garantir que o saber é sempre algo que conduza o homem positivamente?

Vem de Pierre Bordieux, a distinção entre os usos dos saberes os quais denominou saber cínico e clínico.

Entramos aí no campo da ética.

O mal uso do conhecimento é um gesto anti ético e esta possibilidade, gera preocupação em vários segmentos. No campo das ciências por exemplo, temos aí a discussão sobre qual será o destino dado ao mapeamento genético ou das manipulações genéticas. Neste ano, ano de eleições no País, pensamos nos discursos politicamente corretos dos candidatos sem saber o quão éticas são suas intenções. Na psicologia, particularmente na psicanálise, que já é indevidamente praticada via internet !!!, temos claramente a utilização do que Bordieux chamou de saber cínico.

No campo religioso de maneira geral, e na Wicca que é o nosso caminho, devemos nos ater sempre no que é dito e em quais serão as intenções de quem proferiu as palavras.

A carência de um conforto espiritual, de uma luz segura na qual se possa confiar, é hoje uma realidade social. O homem perdido está e nesta sua confusão, torna-se fácil presa da manipulação de detentores de um saber que por vezes não são adequadamente utilizados e muitas vezes não direcionados para o caminho que se busca.

O crescimento da Wicca leva ao surgimento de tantos sacerdotes e tantos pseudo mestres, que das duas uma, ou a pessoa que busca se desilude quando percebe a incoerência e falta de lógica dos ditos detentores do saber ou simplesmente, enveredam nos caminhos infrutíferos do engano.

Neste último caso, só o tempo para desvelar os véus da ilusão. Só o tempo para trazer a clareza necessária para aquele que confiou sair das trevas do engano.

Pensemos nisto. Busquemos o conhecer mas principalmente, busquemos acima de tudo, saber lidar com o conhecimento que nos adquirimos no decorrer do tempo.

O país e o mundo precisam descobrir a grandeza e a importância desta palavra, ÉTICA.

 

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