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ENEM 2008

 

 

1) (ENEN- 2000) As frases abaixo são de dois cidadãos da Roma Clássica que viveram praticamente no mesmo século, quando ocorreu a transição da República (Cícero) para o Império (Ulpiano).

 

“Somos servos da lei para podermos ser livres.” - Cícero

“O que apraz ao príncipe tem força de lei.” – Ulpiano

 

Tendo como base as sentenças acima, considere as afirmações:

 

I. A diferença nos significados da lei é apenas aparente, uma vez que os romanos não levavam em consideração as normas jurídicas.

II.Tanto na República como no Império, a lei era o resultado de discussões entre os representantes escolhidos pelo povo romano.

III. A lei republicana definia que os direitos de um cidadão acabavam quando começavam os direitos de outro cidadão.

IV. Existia, na época imperial, um poder acima da legislação romana.

 

Estão corretas, apenas:

(A) I e II.

(B) I e III.

(C) II e III.

(D) II e IV.

(E) III e IV.

 

 

2) (ENEN- 2000) Os textos abaixo relacionam-se a momentos distintos da nossa história.

 

“A integração regional é um instrumento fundamental para que um número cada vez maior de países possa melhorar a sua inserção num mundo globalizado, já que eleva o seu nível de competitividade, aumenta as trocas comerciais, permite o aumento da produtividade, cria condições para um maior crescimento econômico e favorece o aprofundamento dos processos democráticos. A integração regional e a globalização surgem assim como processos complementares e vantajosos.” (Declaração de Porto, VIII Cimeira Ibero-Americana, Porto, Portugal, 17 e 18 de outubro de 1998)

 

 “Um considerável número de mercadorias passou a ser produzido no Brasil, substituindo o que não era possível ou era muito caro importar.

Foi assim que a crise econômica mundial e o encarecimento das importações levaram o governo Vargas a criar as bases para o crescimento industrial brasileiro.”  (POMAR, Wladimir. Era Vargas – a modernização conservadora)

 

É correto afirmar que as políticas econômicas mencionadas nos textos são:

 

(A) opostas, pois, no primeiro texto, o centro das preocupações são as exportações e, no segundo, as importações.

(B) semelhantes, uma vez que ambos demonstram uma tendência protecionista.

(C) diferentes, porque, para o primeiro texto, a questão central é a integração regional e, para o segundo, a política de substituição de importações.

(D) semelhantes, porque consideram a integração regional necessária ao desenvolvimento econômico.

(E) opostas, pois, para o primeiro texto, a globalização impede o aprofundamento democrático e, para o segundo, a globalização é

geradora da crise econômica.

 

 

3) (ENEN- 2000) Leia o texto abaixo, de John Locke (1632-1704), revela algumas características de uma determinada corrente de pensamento e responda as duas questões a seguir:

 

“Se o homem no estado de natureza é tão livre, conforme dissemos, se é senhor absoluto da sua própria pessoa e posses, igual ao maior e a ninguém sujeito, por que abrirá ele mão dessa liberdade, por que abandonará o seu império e sujeitar-se-á ao domínio e controle de qualquer outro poder? Ao que é óbvio responder que, embora no estado de natureza tenha tal direito, a utilização do mesmo é muito incerta e está constantemente exposto à invasão de terceiros porque, sendo todos senhores tanto quanto ele, todo homem igual a ele e, na maior parte, pouco observadores da eqüidade e da justiça, o proveito da propriedade que possui nesse estado é muito inseguro e muito arriscado. Estas circunstâncias obrigam-no a abandonar uma condição que, embora livre, está cheia de temores e perigos constantes; e não é sem razão que procura de boa vontade juntar-se em sociedade com outros que estão já unidos, ou pretendem unir-se, para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a que chamo de propriedade.” (Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991)

 

 

4) Do ponto de vista político, podemos considerar o texto como uma tentativa de justificar:

 

(A) a existência do governo como um poder oriundo da natureza.

(B) a origem do governo como uma propriedade do rei.

(C) o absolutismo monárquico como uma imposição da natureza humana.

(D) a origem do governo como uma proteção à vida, aos bens e aos direitos.

(E) o poder dos governantes, colocando a liberdade individual acima da propriedade.

 

Analisando o texto, podemos concluir que se trata de um pensamento:

(A) do liberalismo.

(B) do socialismo utópico.

(C) do absolutismo monárquico.

(D) do socialismo científico.

(E) do anarquismo.

 

 

 

5) A figura apresenta as fronteiras entre os países envolvidos na Questão Palestina e um corte, no mapa, da área indicada.

Adaptado da revista Hérodote, números 29 e 30.

 

 

Com base na análise dessa figura e considerando o conflito entre árabes e israelenses, pode-se afirmar que, para Israel, é importante manter ocupada a área litigiosa por tratar-se de uma região

 

(A) de planície, propícia à atividade agropecuária.

(B) estratégica, dado que abrange as duas margens do rio Jordão.

(C) habitada, majoritariamente, por colônias israelenses.

(D) que garante a hegemonia israelense sobre o mar Mediterrâneo.

(E) estrategicamente situada devido ao relevo e aos recursos hídricos.

 

 

6) O franciscano Roger Bacon foi condenado, entre 1277 e 1279, por dirigir ataques aos teólogos, por uma suposta crença na alquimia, na astrologia e no método experimental, e também por introduzir, no ensino, as idéias de Aristóteles. Em 1260, Roger Bacon escreveu: “Pode ser que se fabriquem máquinas graças às quais os maiores navios, dirigidos por um único homem, se desloquem mais depressa do que se fossem cheios de remadores; que se construam carros que avancem a uma velocidade incrível sem a ajuda de animais; que se fabriquem máquinas voadoras nas quais um homem (...) bata o ar com asas como um pássaro. (...) Máquinas que permitam ir ao fundo dos mares e dos rios” (apud. BRAUDEL, Fernand. Civilização material, economia e capitalismo: séculos XV-XVIII, São Paulo: Martins Fontes, 1996, vol. 3.).

 

Considerando a dinâmica do processo histórico, pode-se afirmar que as idéias de Roger Bacon

 

(A) inseriam-se plenamente no espírito da Idade Média ao privilegiarem a crença em Deus como o principal meio para antecipar as descobertas da humanidade.

(B) estavam em atraso com relação ao seu tempo ao desconsiderarem os instrumentos intelectuais oferecidos pela Igreja para o avanço científico da humanidade.

(C) opunham-se ao desencadeamento da Primeira Revolução Industrial, ao rejeitarem a aplicação da matemática e do método experimental nas invenções industriais.

(D) eram fundamentalmente voltadas para o passado, pois não apenas seguiam Aristóteles, como também baseavam-se na tradição e na teologia.

(E) inseriam-se num movimento que convergiria mais tarde para o Renascimento, ao contemplarem a possibilidade de o ser humano controlar a natureza por meio das invenções.

 

 

I - Para o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), o estado de natureza é um estado de guerra universal e perpétua. Contraposto ao estado de natureza, entendido como estado de guerra, o estado de paz é a sociedade civilizada.

 

Dentre outras tendências que dialogam com as idéias de Hobbes, destaca-se a definida pelo texto abaixo.

 

II - Nem todas as guerras são injustas e correlativamente, nem toda paz é justa, razão pela qual a guerra nem sempre é um desvalor, e a paz nem sempre um valor. BOBBIO, N. MATTEUCCI, N PASQUINO, G. Dicionário de Política, 5ª ed. Brasília: Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2000.

 

 

7) Comparando as idéias de Hobbes (texto I) com a tendência citada no texto II, pode-se afirmar que:

 

(A) em ambos, a guerra é entendida como inevitável e injusta.

(B) para Hobbes, a paz é inerente à civilização e, segundo o texto II, ela não é um valor absoluto.

(C) de acordo com Hobbes, a guerra é um valor absoluto e, segundo o texto II, a paz é sempre melhor que a guerra.

(D) em ambos, a guerra ou a paz são boas quando o fim é justo.

(E) para Hobbes, a paz liga-se à natureza e, de acordo com o texto II, à civilização.

 

 

8) Tropas da Aliança do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) invadiram o Iraque em 1991 e atacaram a Sérvia em 1999.

Para responder aos críticos dessas ações, a OTAN usaria, possivelmente, argumentos baseados

 

(A) na teoria da guerra perpétua de Hobbes.

(B) tanto na teoria de Hobbes como na tendência expressa no texto II.

(C) no fato de que as regiões atacadas não possuíam sociedades civilizadas.

(D) na teoria de que a guerra pode ser justa quando o fim é justo.

(E) na necessidade de pôr fim à guerra entre os dois países citados.

 

 

9) O texto abaixo reproduz parte de um diálogo entre dois personagens de um romance.

 

- Quer dizer que a Idade Média durou dez horas? – Perguntou Sofia.

- Se cada hora valer cem anos, então sua conta está certa. Podemos imaginar que Jesusnasceu à meia-noite, que Paulo saiu em peregrinação missionária pouco antes da meianoitee meia e morreu quinze minutos depois, em Roma. Até as três da manhã a fé cristã foi mais ou menos proibida. (...) Até as dez horas as escolas dos mosteiros detiveram o monopólio da educação. Entre dez e onze horas são fundadas as primeiras universidades.  Adaptado de GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia, Romance da História da Filosofia. São Paulo: Cia das Letras, 1997.

 

O ano de 476 d.C., época da queda do Império Romano do Ocidente, tem sido usado como marco para o início da Idade Média. De acordo com a escala de tempo apresentada no texto, que considera como ponto de partida o início da Era Cristã, pode-se afirmar que

 

(A) as Grandes Navegações tiveram início por volta das quinze horas.

(B) a Idade Moderna teve início um pouco antes das dez horas.

(C) o Cristianismo começou a ser propagado na Europa no início da Idade Média.

(D) as peregrinações do apóstolo Paulo ocorreram após os primeiros 150 anos da Era Cristã.

(E) os mosteiros perderam o monopólio da educação no final da Idade Média.

 

 

 

10) Rui Guerra e Chico Buarque de Holanda escreveram uma peça para teatro chamada Calabar, pondo em dúvida a reputação de traidor que foi atribuída a Calabar, pernambucano que ajudou decisivamente os holandeses na invasão do Nordeste brasileiro, em 1632.

- Calabar traiu o Brasil que ainda não existia? Traiu Portugal, nação que explorava a colônia onde Calabar havia nascido? Calabar, mulato em uma sociedade escravista e discriminatória, traiu a elite branca?

 

Os textos referem-se também a esta personagem.

Texto I: “...dos males que causou à Pátria, a História, a inflexível História, lhe chamará infiel, desertor e traidor, por todos os séculos” Visconde de Porto Seguro, in: SOUZA JÚNIOR, A. Do Recôncavo aos Guararapes. Rio de Janeiro: Bibliex, 1949.

 

Texto II: “Sertanista experimentado, em 1627 procurava as minas de Belchior Dias com a gente da Casa da Torre; ajudara Matias de Albuquerque na defesa do Arraial, onde fora ferido, e desertara em conseqüência de vários crimes praticados...” (os crimes referidos são o de contrabando e roubo). CALMON, P. História do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1959.

 

Pode-se afirmar que:

(A) A peça e os textos abordam a temática de maneira parcial e chegam às mesmas conclusões.

(B) A peça e o texto I refletem uma postura tolerante com relação à suposta traição de Calabar, e o texto II mostra uma posição contrária à atitude de Calabar.

(C) Os textos I e II mostram uma postura contrária à atitude de Calabar, e a peça demonstra uma posição indiferente em relação ao seu suposto ato de traição.

(D) A peça e o texto II são neutros com relação à suposta traição de Calabar, ao contrário do texto I, que condena a atitude de Calabar.

(E) A peça questiona a validade da reputação de traidor que o texto I atribui a Calabar, enquanto o texto II descreve ações positivas e negativas dessa personagem.

 

 

 

11) O Protocolo de Kyoto . uma convenção das Nações Unidas que é marco sobre mudanças climáticas,  estabelece que os países mais industrializados devem reduzir até 2012 a emissão dos gases causadores do efeito estufa em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta estabelece valores superiores ao exigido para países em desenvolvimento. Até 2001, mais de 120 países, incluindo nações industrializadas da Europa e da Ásia, já haviam ratificado o protocolo. No entanto, nos EUA, o presidente George W. Bush anunciou que o país não ratificaria .Kyoto., com os argumentos de que os custos prejudicariam a economia americana e que o acordo era pouco rigoroso com os países em desenvolvimento. Adaptado do Jornal do Brasil, 11/04/200.

 

Na tabela encontram-se dados sobre a emissão de CO2

 

 

Considerando os dados da tabela, assinale a alternativa que representa um argumento que se contrapõe à justificativa dos

EUA de que o acordo de Kyoto foi pouco rigoroso com países em desenvolvimento.

 

(A) A emissão acumulada da União Européia está próxima à dos EUA.

(B) Nos países em desenvolvimento as emissões são equivalentes às dos EUA.

(C) A emissão per capita da Rússia assemelha-se à da União Européia.

(D) As emissões de CO2 nos países em desenvolvimento citados são muito baixas.

(E) A África do Sul apresenta uma emissão anual per capita relativamente alta.

 

 

12) Considere o papel da técnica no desenvolvimento da constituição de sociedades e três invenções tecnológicas que marcaram esse processo: invenção do arco e flecha nas civilizações primitivas, locomotiva nas civilizações do século XIX e televisão nas civilizações modernas.

 

A respeito dessas invenções são feitas as seguintes afirmações:

I. A primeira ampliou a capacidade de ação dos braços, provocando mudanças na forma de organização social e na utilização de fontes de alimentação.

II. A segunda tornou mais eficiente o sistema de transporte, ampliando possibilidades de locomoção e provocando mudanças na visão de espaço e de tempo.

III. A terceira possibilitou um novo tipo de lazer que, envolvendo apenas participação passiva do ser humano, não provocou

mudanças na sua forma de conceber o mundo.

 

Está correto o que se afirma em:

 

(A) I, apenas.

(B) I e II, apenas.

(C) I e III, apenas.

(D) II e III, apenas.

(E) I, II e III.

 

 

13) A leitura do poema Descrição da guerra em Guernica traz à lembrança o famoso quadro de Picasso.

 

Entra pela janela

o anjo camponês;

com a terceira luz na mão;

minucioso, habituado

aos interiores de cereal,

aos utensílios que dormem na fuligem;

os seus olhos rurais

não compreendem bem os símbolos

desta colheita: hélices,

motores furiosos;

e estende mais o braço; planta

no ar, como uma árvore

a chama do candeeiro.

(...)

Carlos de Oliveira in ANDRADE, Eugénio.

Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa. Porto: Campo das Letras, 1999.

 

Uma análise cuidadosa do quadro permite que se identifiquem as cenas referidas nos trechos do poema.

 

 

Podem ser relacionadas ao texto lido as partes:

(A) a1, a2, a3

(B) f1, e1, d1

(C) e1, d1, c1

(D) c1, c2, c3

(E) e1, e2, e3

 

 

 

14) Leia os textos:

 

Comer com as mãos era um hábito comum na Europa, no século XVI. A técnica empregada pelo índio no Brasil e por um português

de Portugal era, aliás, a mesma: apanhavam o alimento com três dedos da mão direita (polegar, indicador e médio) e atiravam-no para dentro da boca.

Um viajante europeu de nome Freireyss, de passagem pelo Rio de Janeiro, já no século XIX, conta como nas casas das roças despejam-se simplesmente alguns pratos de farinha sobre a mesa ou num balainho, donde cada um se serve com os dedos, arremessando, com um movimento rápido, a farinha na boca, sem que a mínima parcela caia para fora.. Outros viajantes oitocentistas, como John Luccock, Carl Seidler, Tollenare e Maria Graham descrevem esse hábito em todo o Brasil e entre todas as classes sociais. Mas para Saint-Hilaire, os brasileiros.lançam a [farinha de mandioca] à boca com uma destreza adquirida, na origem, dos indígenas, e que ao europeu muito custa imitar..

 

Aluísio de Azevedo, em seu romance Girândola de amores (1882), descreve com realismo os hábitos de uma senhora abastada que só saboreava a moqueca de peixe .sem talher, à mão..

 

Dentre as palavras listadas abaixo, assinale a que traduz o elemento comum às descrições das práticas alimentares dos brasileiros

feitas pelos diferentes autores do século XIX citados no texto.

 

(A) Regionalismo (caráter da literatura que se baseia em costumes e tradições regionais).

(B) Intolerância (não-admissão de opiniões diversas das suas em questões sociais, políticas ou religiosas).

(C) Exotismo (caráter ou qualidade daquilo que não é indígena; estrangeiro; excêntrico, extravagante).

(D) Racismo (doutrina que sustenta a superioridade de certas raças sobre outras).

(E) Sincretismo (fusão de elementos culturais diversos, ou de culturas distintas ou de diferentes sistemas sociais).

 

 

 

15) Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) compara, nos trechos, as guerras das sociedades Tupinambás com as chamadas guerras de religião dos franceses que, na segunda metade do século XVI, opunham católicos e protestantes:

 

(...)” não vejo nada de bárbaro ou selvagem no que dizem daqueles povos; e, na verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra. (.) Não me parece excessivo julgar bárbaros tais atos de crueldade [o canibalismo] , mas que o fato de condenar tais defeitos não nos leve à cegueira acerca dos nossos. Estimo que é mais bárbaro comer um homem vivo do que o comer depois de morto; e é pior esquartejar um homem entre suplícios e tormentos e o queimar aos poucos, ou entregá-lo a cães e porcos, a pretexto de devoção e fé, como não somente o lemos mas vimos ocorrer entre vizinhos nossos conterrâneos; e isso em verdade é bem mais grave do que assar e comer um homem previamente executado. (.) Podemos portanto qualificar esses povos como bárbaros em dando apenas ouvidos à inteligência, mas nunca se compararmos a nós mesmos, que os excedemos em toda sorte de barbaridades” MONTAIGNE, Michel Eyquem de, Ensaios, São Paulo: Nova Cultural, 1984.

 

De acordo com o texto, pode-se afirmar que, para Montaigne,

 

(A) a idéia de relativismo cultural baseia-se na hipótese da origem única do gênero humano e da sua religião.

(B) a diferença de costumes não constitui um critério válido para julgar as diferentes sociedades.

(C) os indígenas são mais bárbaros do que os europeus, pois não conhecem a virtude cristã da piedade.

(D) a barbárie é um comportamento social que pressupõe a ausência de uma cultura civilizada e racional.

(E) a ingenuidade dos indígenas equivale à racionalidade dos europeus, o que explica que os seus costumes são similares.

 

 

 

16)

 

De acordo com a história em quadrinhos protagonizada por Hagar e seu filho Hamlet, pode-se afirmar que a postura de Hagar:

 

(A) valoriza a existência da diversidade social e de culturas, e as várias representações e explicações desse universo.

(B) desvaloriza a existência da diversidade social e as várias culturas, e determina uma única explicação para esse universo.

(C) valoriza a possibilidade de explicar as sociedades e as culturas a partir de várias visões de mundo.

(D) valoriza a pluralidade cultural e social ao aproximar a visão de mundo de navegantes e não-navegantes.

(E) desvaloriza a pluralidade cultural e social, ao considerar o mundo habitado apenas pelos navegantes.

 

 

 

 

17) A Propaganda pode ser definida como divulgação intencional e constante de mensagens destinadas a um determinado auditório visando criar uma imagem positiva ou negativa de determinados fenômenos. A Propaganda está muitas vezes ligada à idéia de manipulação de grandes massas por parte de pequenos grupos. Alguns princípios da Propaganda são: o princípio da simplificação, da saturação, da deformação e da parcialidade. (Adaptado de Norberto Bobbio, et al. Dicionário de Política).

 

Segundo o texto, muitas vezes a propaganda

 

(A) não permite que minorias imponham idéias à maioria.

(B) depende diretamente da qualidade do produto que é vendido.

(C) favorece o controle das massas difundindo as contradições do produto.

(D) está voltada especialmente para os interesses de quem vende o produto.

(E) convida o comprador à reflexão sobre a natureza do que se propõe vender.

 

 

 

18) Observe as duas afirmações de Montesquieu (1689-1755), a respeito da escravidão:

 

A escravidão não é boa por natureza; não é útil nem ao senhor, nem ao escravo: a este porque nada pode fazer por virtude; àquele, porque contrai com seus escravos toda sorte de maus hábitos e se acostuma insensivelmente a faltar contra todas as virtudes morais: torna-se orgulhoso, brusco, duro, colérico, voluptuoso, cruel.

Se eu tivesse que defender o direito que tivemos de tornar escravos os negros, eis o que eu diria: tendo os povos da Europa exterminado os da América, tiveram que escravizar os da África para utilizá-los para abrir tantas terras. O açúcar seria muito caro se não fizéssemos que escravos cultivassem a planta que o produz. (Montesquieu. O espírito das leis.)

Com base nos textos, podemos afirmar que, para Montesquieu,

 

(A) o preconceito racial foi contido pela moral religiosa.

(B) a política econômica e a moral justificaram a escravidão.

(C) a escravidão era indefensável de um ponto de vista econômico.

(D) o convívio com os europeus foi benéfico para os escravos africanos.

(E) o fundamento moral do direito pode submeter-se às razões econômicas.

 

 

 

19) O mapa abaixo apresenta parte do contorno da América do Sul destacando a bacia amazônica. Os pontos assinalados representam fortificações militares instaladas no século XVIII pelos portugueses. A linha indica o Tratado de Tordesilhas revogado pelo Tratado de Madri, apenas em 1750.

 

Adaptado de Carlos de Meira Mattos. Geopolítica e teoria de fronteiras.

 

Pode-se afirmar que a construção dos fortes pelos portugueses visava, principalmente, dominar:

 

(A) militarmente a bacia hidrográfica do Amazonas.

(B) economicamente as grandes rotas comerciais.

(C) as fronteiras entre nações indígenas.

(D) o escoamento da produção agrícola.

(E) o potencial de pesca da região.

 

 

 

20) A seguir são apresentadas declarações de duas personalidades da História do Brasil a respeito da localização da capital do país, respectivamente um século e uma década antes da proposta de construção de Brasília como novo Distrito Federal.

 

Declaração I: José Bonifácio

Com a mudança da capital para o interior, fica a Corte livre de qualquer assalto de surpresa externa, e se chama para as províncias centrais o excesso de população vadia das cidades marítimas. Desta Corte central dever-se-ão logo abrir estradas para as diversas províncias e portos de mar. (Carlos de Meira Matos. Geopolítica e modernidade: geopolítica brasileira.)

 

Declaração II: Eurico Gaspar Dutra

Na América do Sul, o Brasil possui uma grande área que se pode chamar também de Terra Central. Do ponto de vista da geopolítica sul-americana, sob a qual devemos encarar a segurança do Estado brasileiro, o que precisamos fazer quanto antes é realizar a ocupação da nossa Terra Central, mediante a interiorização da Capital. (Adaptado de José W. Vesentini. A Capital da geopolítica.)

 

Considerando o contexto histórico que envolve as duas declarações e comparando as idéias nelas contidas, podemos dizer que:

 

(A) ambas limitam as vantagens estratégicas da definição de uma nova capital a questões econômicas.

(B) apenas a segunda considera a mudança da capital importante do ponto de vista da estratégia militar.

(C) ambas consideram militar e economicamente importante a localização da capital no interior do país.

(D) apenas a segunda considera a mudança da capital uma estratégia importante para a economia do país.

(E) nenhuma delas acredita na possibilidade real de desenvolver a região central do país a partir da mudança da capital.

 

 

21) A primeira imagem abaixo (publicada no século XVI) mostra um ritual antropofágico dos índios do Brasil. A segunda mostra Tiradentes esquartejado por ordem dos representantes da Coroa portuguesa.

 

(Theodor De Bry

-século XVI)

(Pedro Américo.

Tiradentes esquartejado, 1893)

                                                               

 

A comparação entre as reproduções possibilita as seguintes afirmações:

 

I. Os artistas registraram a antropofagia e o esquartejamento praticados no Brasil.

II. A antropofagia era parte do universo cultural indígena e o esquartejamento era uma forma de se fazer justiça entre luso-brasileiros.

III. A comparação das imagens faz ver como é relativa a diferença entre “bárbaros” e “civilizados”, indígenas e europeus.

 

Está correto o que se afirma em:

 

(A) I apenas.

(B) II apenas.

(C) III apenas.

(D) I e II apenas.

(E) I, II e III.

 

 

22) Jean de Léry viveu na França na segunda metade do século XVI, época em que as chamadas guerras de religião opuseram católicos e protestantes. No texto abaixo, ele relata o cerco da cidade de Sancerre por tropas católicas.

 

(…) desde que os canhões começaram a atirar sobre nós com maior freqüência, tornou-se necessário que todos dormissem nas casernas. Eu logo providenciei para mim um leito feito de um lençol atado pelas suas duas pontas e assim fiquei suspenso no ar, à maneira dos selvagens americanos (entre os quais eu estive durante dez meses) o que foi imediatamente imitado por todos os nossos soldados, de tal maneira que a caserna logo ficou cheia deles. Aqueles que dormiram assim puderam confirmar o quanto esta maneira é apropriada tanto para evitar os vermes quanto para manter as roupas limpas (...).

 

Neste texto, Jean de Léry

 

(A) despreza a cultura e rejeita o patrimônio dos indígenas americanos.

(B) revela-se constrangido por ter de recorrer a um invento de “selvagens”.

(C) reconhece a superioridade das sociedades indígenas americanas com relação aos europeus.

(D) valoriza o patrimônio cultural dos indígenas americanos, adaptando-o às suas necessidades.

(E) valoriza os costumes dos indígenas americanos porque eles também eram perseguidos pelos católicos.

 

 

23) O texto abaixo é um trecho do discurso do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pronunciado quando da declaração de guerra ao regime Talibã:

 

Essa atrocidade [o atentado de 11 de setembro, em Nova York] foi um ataque contra todos nós, contra pessoas de todas e nenhuma religião. Sabemos que a Al-Qaeda ameaça a Europa, incluindo a Grã-Bretanha, e qualquer nação que não  compartilhe de seu fanatismo. Foi um ataque à vida e aos meios de vida. As empresas aéreas, o turismo e outras indústrias foram afetadas e a confiança econômica sofreu, afetando empregos e negócios britânicos. Nossa prosperidade e padrão de vida requerem uma resposta aos ataques terroristas. (O Estado de S. Paulo, 8/10/2001)

Nesta declaração, destacaram-se principalmente os interesses de ordem:

 

(A) moral.

(B) militar.

(C) jurídica.

(D) religiosa.

(E) econômica.

 

 

 

24) Os Jogos Olímpicos tiveram início na Grécia, em 776 a.C., para celebrar uma declaração de paz. Na sociedade contemporânea, embora mantenham como ideal o congraçamento entre os povos, os Jogos Olímpicos têm sido palco de manifestações de conflitos políticos. Dentre os acontecimentos apresentados abaixo, o único que evoca um conflito armado e sugere sua superação, reafirmando o ideal olímpico, ocorreu:

 

(A) em 1980, em Moscou, quando os norte-americanos deixaram de comparecer aos Jogos Olímpicos.

(B) em 1964, em Tóquio, quando um atleta nascido em Hiroshima foi escolhido para carregar a tocha olímpica.

(C) em 1956, em Melbourne, quando a China abandonou os Jogos porque a representação de Formosa também havia sido convidada para participar.

(D) em 1948, em Londres, quando os alemães e os japoneses não foram convidados a participar.

(E) em 1936, em Berlim, quando Hitler abandonou o estádio ao serem anunciadas as vitórias do universitário negro, Jessé Owens, que recebeu quatro medalhas.

 

 

25) Brasil

O Zé Pereira chegou de caravela

E preguntou pro guarani da mata virgem

― Sois cristão?

― Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!

Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

― Sim pela graça de Deus

Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!

E fizeram o Carnaval

(Oswald de Andrade)

 

Este texto apresenta uma versão humorística da formação do Brasil, mostrando-a como uma junção de elementos diferentes.

Considerando-se esse aspecto, é correto afirmar que a visão apresentada pelo texto é

 

(A) ambígua, pois tanto aponta o caráter desconjuntado da formação nacional, quanto parece sugerir que esse processo, apesar de tudo, acaba bem.

(B) inovadora, pois mostra que as três raças formadoras – portugueses, negros e índios – pouco contribuíram para a formação da identidade brasileira.

(C) moralizante, na medida em que aponta a precariedade da formação cristã do Brasil como causa da predominância de elementos primitivos e pagãos.

(D) preconceituosa, pois critica tanto índios quanto negros, representando de modo positivo apenas o elemento europeu, vindo com as caravelas.

(E) negativa, pois retrata a formação do Brasil como incoerente e defeituosa, resultando em anarquia e falta de seriedade.

 

 

 

26) O movimento hip-hop é tão urbano quanto as grandes construções de concreto e as estações de metrô, e cada dia se torna mais presente nas grandes metrópoles mundiais. Nasceu na periferia dos bairros pobres de Nova Iorque. É formado por três elementos: a música (o rap), as artes plásticas (o grafite) e a dança (o break). No hip-hop os jovens usam as expressões artísticas como uma forma de resistência política. Enraizado nas camadas populares urbanas, o hip-hop afirmou-se no Brasil e no mundo com um discurso político a favor dos excluídos, sobretudo dos negros. Apesar de ser um movimento originário das periferias norte-americanas, não encontrou barreiras no Brasil, onde se instalou com certa naturalidade – o que, no entanto, não significa que o hip-hop brasileiro não tenha sofrido influências locais. O movimento no Brasil é híbrido: rap com um pouco de samba, break parecido com capoeira e grafite de cores muito vivas. (Adaptado de Ciência e Cultura, 2004)

 

De acordo com o texto, o hip-hop é uma manifestação artística tipicamente urbana, que tem como principais características:

 

(A) a ênfase nas artes visuais e a defesa do caráter nacionalista.

(B) a alienação política e a preocupação com o conflito de gerações.

(C) a afirmação dos socialmente excluídos e a combinação de linguagens.

(D) a integração de diferentes classes sociais e a exaltação do progresso.

(E) a valorização da natureza e o compromisso com os ideais norte-americanos.

 

 

 

27)

 

Constituição de 1824

“Art. 98. O Poder Moderador é a chave de toda a organização política, e é delegado privativamente ao Imperador (…) para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência, equilíbrio, e harmonia dos demais poderes políticos (...) dissolvendo a Câmara dos Deputados nos casos em que o exigir a salvação do Estado.”

 

Frei Caneca

“O Poder Moderador da nova invenção maquiavélica é a chave mestra da opressão da nação brasileira e o garrote mais forte da liberdade dos povos. Por ele, o imperador pode dissolver a Câmara dos Deputados, que é a representante do povo, ficando sempre no gozo de seus direitos o Senado, que é o representante dos apaniguados do imperador.” (Voto sobre o juramento do projeto de Constituição)

 

Para Frei Caneca, o Poder Moderador definido pela Constituição outorgada pelo Imperador em 1824 era:

 

(A) adequado ao funcionamento de uma monarquia constitucional, pois os senadores eram escolhidos pelo Imperador.

(B) eficaz e responsável pela liberdade dos povos, porque garantia a representação da sociedade nas duas esferas do poder legislativo.

(C) arbitrário, porque permitia ao Imperador dissolver a Câmara dos Deputados, o poder representativo da sociedade.

(D) neutro e fraco, especialmente nos momentos de crise, pois era incapaz de controlar os deputados representantes da Nação.

(E) capaz de responder às exigências políticas da nação, pois supria as deficiências da representação política.

 

 

 

28) A questão étnica no Brasil tem provocado diferentes atitudes:

 

I. Instituiu-se o “Dia Nacional da Consciência Negra” em 20 de novembro, ao invés da tradicional celebração do 13 de maio.

Essa nova data é o aniversário da morte de Zumbi, que hoje simboliza a crítica à segregação e à exclusão social.

II. Um turista estrangeiro que veio ao Brasil, no carnaval, afirmou que nunca viu tanta convivência harmoniosa entre as diversas etnias.

 

Também sobre essa questão, estudiosos fazem diferentes reflexões:

 

Entre nós [brasileiros], (...) a separação imposta pelo sistema de produção foi a mais fluida possível. Permitiu constante mobilidade de classe para classe e até de uma raça para outra. Esse amor, acima de preconceitos de raça e de convenções de classe, do branco pela cabocla, pela cunhã, pela índia (...) agiu poderosamente na formação do Brasil, adoçando-o. (Gilberto Freire. O mundo que o português criou.)

 

[Porém] o fato é que ainda hoje a miscigenação não faz parte de um processo de integração das “raças” em condições de igualdade social. O resultado foi que (...) ainda são pouco numerosos os segmentos da “população de cor” que conseguiram se integrar, efetivamente, na sociedade competitiva. (Florestan Fernandes. O negro no mundo dos brancos.)

 

Considerando as atitudes expostas acima e os pontos de vista dos estudiosos, é correto aproximar:

 

(A) a posição de Gilberto Freire e a de Florestan Fernandes igualmente às duas atitudes.

(B) a posição de Gilberto Freire à atitude I e a de Florestan Fernandes à atitude II.

(C) a posição de Florestan Fernandes à atitude I e a de Gilberto Freire à atitude II.

(D) somente a posição de Gilberto Freire a ambas as atitudes.

(E) somente a posição de Florestan Fernandes a ambas as atitudes.

 

 

 

29) Algumas transformações que antecederam a Revolução Francesa podem ser exemplificadas pela mudança de significado da palavra “restaurante”. Desde o final da Idade Média, a palavra restaurant designava caldos ricos, com carne de aves e de boi, legumes, raízes e ervas. Em 1765 surgiu, em Paris, um local onde se vendiam esses caldos, usados para restaurar as forças dos trabalhadores. Nos anos que precederam a Revolução, em 1789, multiplicaram-se diversos restaurateurs, que serviam pratos requintados, descritos em páginas emolduradas e servidos não mais em mesas coletivas e mal cuidadas, mas individuais e com toalhas limpas. Com a Revolução, cozinheiros da corte e da nobreza perderam seus patrões, refugiados no exterior ou guilhotinados, e abriram seus restaurantes por conta própria. Apenas em 1835, o Dicionário da Academia Francesa oficializou a utilização da palavra restaurante com o sentido atual.

 

A mudança do significado da palavra restaurante ilustra:

 

(A) a ascensão das classes populares aos mesmos padrões de vida da burguesia e da nobreza.

(B) a apropriação e a transformação, pela burguesia, de hábitos populares e dos valores da nobreza.

(C) a incorporação e a transformação, pela nobreza, dos ideais e da visão de mundo da burguesia.

(D) a consolidação das práticas coletivas e dos ideais revolucionários, cujas origens remontam à Idade Média.

(E) a institucionalização, pela nobreza, de práticas coletivas e de uma visão de mundo igualitária.

 

3.5

 

             
   

 

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