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Entendendo o Renascimento através da pintura Roberto Kusmini
Jan van Eyck, O casameno dos Arnolfini (1434) Óleo sobre madeira; 82 × 60cm. National Gallery, Londres. 1) O homem
construindo o espaço
A perspectiva como a projeção em uma superfície bidimensional de um
determinado fenômeno tridimensional. Para ser representada na forma de
um desenho (conjunto de linhas, formas e superfícies) devem ser aplicados
mecanismos gráficos estudados pela Geometria descritiva, os quais permitem
uma reprodução precisa ou analítica da realidade tridimensional. A imagem é
construída a partir de um único ponto fixo e imóvel. Este olho que
organiza e hierarquiza os objetos plásticos. É um olhar humano sobre o
mundo, um olhar laicizado, ou seja, é a perspectiva única e exclusiva do
próprio homem. A valorização do olhar humano chamamos de
Antropocentrismo.
2) O espaço racional
O espaço pictórico é um espaço racional e rigidamente construído para
determinar o lugar exato do homem e dos objetos na tela. Um pouco atrás,
na frente, ao lado, menor, maior, tudo para dar a sensação de volume e
perspectiva, daquilo que está perto e os mais distante. Os termos técnicos
são sobreposição, profundidade, ponto-de-fuga, volume, proporção etc. Para
obter essa ilusão em nossa visão, utiliza-se estudos óticos, cálculos
matemáticos, efeitos da luz, geometria. O uso de técnicas racionais pelos
renascentistas define outra característica do período, o
Racionalismo.
3) Apreso pelos detalhes
O homem representado é laico, único e particularizado nas suas formas e
expressão mais características que difere de outros homens. Procura-se
pintar o sujeito em sua máxima individuação, para que a imagem seja
referência imediata do modelo original. Esse processo denota outra
característica do renascimento, o Individualismo.
4) Valorização da cultura clássica
Quando se olha uma tela renascentista tem-se a sensação de uma imitação da
realidade, o que se chama de figuração mimética, em que o homem e a
natureza são estudados, valorizados e idealizados. Os renascentistas não
foram os primeiros a ter esse ideal, os gregos seguidos dos romanos já o
fizeram, aliás estudiosos no final da Idade Média descobriram esse ideal
clássico e passaram a cultivá-lo. O gosto pelo ideal clássico se propagou
pelo renascimento, caracterizando o Humanismo.
5) Cultura materialista
Diferente da espiritualidade medieval, os renascentistas se interessaram
pela matéria, da mesma forma que se importavam com a quantidade que
dinheiro podia comprar. Viviam e reproduziam um mentalidade capitalista.
Aqui a razão dada por Deus deveria ser usada para conhecer o mundo criado
por Ele. A filosofia natural buscava a compreensão dos fenômenos (humano e
natureza) ligados a matéria. Era o espírito
cientifico.
Na tela acima, o pintor, inserido nessa cultura renascentista, retratou a
materialidade dos objetos:
Muito embora todos os diferentes elementos estejam fortemente carregados
de significados, este é talvez o detalhe mais importante da obra. No
espelho se acham duas figuras refletidas, que não aparecem na sala, as
quais representam o pintor e um jovem não identificado, testemunhas do
casamento. O espelho é convexo e, ao mesmo tempo, reflete o teto e o piso;
ultrapassa as paredes, como se estas fossem transparentes, e vai buscar,
do lado de fora, o céu e o jardim, que só seriam visíveis a quem estivesse
em frente à janela. No alto do espelho, Eyck escreveu: “Johannes van Eyck
esteve aqui – 1434.” Rodeando o espelho, cenas da vida de Cristo,
completando o ambiente místico. E contrariando uma vez mais a lógica, à
esquerda existe um enfeite e, à direita, um espanador.
b)
Detalhe das sandálias
Estamos no ano de 1434, vivendo usos e costumes da Idade Média. Aqui, as
sandálias indicam uma mulher com os pés no chão, numa atitude respeitosa
de humildade e submissão ao noivo. No primeiro plano, os pés da mulher não
aparecem.
c) Detalhe do cão
O que faz o cão intruso, numa cerimônia de casamento, se interpondo entre
os noivos e os supostos convidados? Nenhum animal é tão fiel ao dono
quanto o cão. Então, segundo algumas interpretações, sua presença no
quadro é um emblema de fidelidade, submissão e amor.
d)
Detalhe do candelabro
O dia está claro e a sala, bem iluminada. Primeiro detalhe: o candelabro,
apesar disso, se acha aceso. Segundo detalhe: nele há apenas uma vela
acesa e os outros suportes se acham vazios. Para uns, a vela representa a
chama nupcial que não se apaga; para outros, é o olho divino colocado
sobre o casal.
e)
Detalhe da câmara nupcial
A câmara nupcial, com cortinas vermelhas, evoca o ato físico do amor que,
de acordo com a doutrina cristã, completa a perfeita união de um homem e
uma mulher. |
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1.2 |
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