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A educação espartana (a agogê)
Em seu próprio
significado, a palavra que os espartanos aplicavam para a educação já
dizia tudo: agogê, isto é, “adestramento”, Dos 12 aos 15 anos instruíam-nos nas letras e nos cálculos e, naturalmente, no canto de hinos patrióticos do poeta Tirteu que ressaltavam a bravura e a coragem. Na etapa final, entre os 16 e 20 anos, quando denominados de eirén, um pouco antes de entrarem no serviço da pátria, eram adestrados nas armas, na luta com lanças e espadas, no arco e flecha. Então lhes aumentavam a carga dos exercícios e a participação de operações militares simuladas nas montanhas ao redor da polis. Como observou Plutarco, o objetivo era de que sempre andassem “como as abelhas que sempre são partes integrantes da comunidade, sempre juntas ao redor do chefe... parecendo consagradas inteiramente à pátria”. [...] Desse modo, a educação era para os espartanos a aprendizagem da disciplina. As pessoas idosas vigiavam os jogos, que na maior parte do tempo proporcionavam aos jovens motivos para altercações e conflitos. Com isso podiam tomar conhecimento do caráter de cada jovem, da sua coragem e da sua atuação nas competições. Os jovens não aprendiam as letras senão na medida do estritamente necessário. Todo o resto da educação visava prepará-los para saberem deixar-se conduzir, em combate. À medida que avançavam na idade, eram-lhes atribuídos mais exercícios. Eram rapados por completo, habituados a caminharem descalços e a treinar completamente nus a maior parte do tempo. Aos doze anos deixavam de usar a túnica e apenas tinham um manto para todo o ano. Andavam sujos, ignorando os banhos, salvo em certos dias festivos do ano. Dormiam em conjunto, em grupos e por seções, sobre esteiras que eles próprios preparavam, partindo com as mãos, sem ajuda de qualquer instrumento, as extremidades dos juncos (tipo de planta) que cresciam ao longo do rio Eurotas. No inverno, juntavam cardos (planta que se diz libertar algum calor) - aos juncos de seus leitos". A fim de dotar de coragem os seus infantes, os legisladores espartanos criaram a críptia, um “esquadrão de extermínio”, que estimulava os jovens selecionados a caçarem, sozinhos ou em grupos, os hilotas, os escravos que por acaso haviam fugido ou que, de alguma forma, representassem uma ameaça à segurança da sociedade espartana. Localizados, eram mortos pela espada ou pela lança, armas que o bando de jovens sempre traziam consigo. Na verdade, as operações da críptia não passavam de assassinatos permitidos pelo Estado. Cultivando a excelência da força física, que fazia com que Esparta quase sempre arrebatasse os louros nos jogos olímpicos, atuavam em bandos liderados por um líder de esquadra (proteiras), uma espécie de sargento instrutor, que lhes ensinava as táticas da arte da sobrevivência. A essa altura do agogê, perfilava-se o que Esparta desejava do seu jovem: silencioso, disciplinado, antiintelectual e antiindividualista, obediente aos superiores, vigoroso, ágil, astuto, imune ao medo, resistente às ao frio ou calor e aos ferimentos, odiando qualquer demonstração de covardia, fiel ao espírito de equipe e fanaticamente dedicado à cidade, à polis, à pátria.
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