A proclamação da República
Foram os militares que proclamaram a República, com o Marechal Deodoro da Fonseca em 15 de novembro de 1889. Mas isso não significa que fizessem isso sozinhos. Contaram com o apoio de diversos outros setores sociais que estavam descontentes com a Monarquia. Entre esses setores, podemos citar a classe média urbana, setores ligados à indústria, fazendeiros prósperos que detinham o poder econômico, mas não tinham o poder político e também os antigos donos de escravos que estavam a caminho da ruína econômica e profundamente descontentes com a abolição.
Os militares, em especial o exército, estavam descontentes com a Monarquia por que não se sentiam valorizados. O exército brasileiro somente profissionalizou-se na Guerra do Paraguai. Até então, ou era composto de mercenários ou fazia parte do exército português que veio junto com o Governo de D. João VI.
Do período regencial ao longo do reinado de D. Pedro II, a principal força armada do governo era a Guarda Nacional, cujas funções eram a defesa interna do território nacional. Os chefes dessa organização eram civis, grandes proprietários com poderes de armar seus capangas, que ganhavam do governo o título de coronéis.
Entre a Guarda Nacional e o Exército, o prestígio maior para a monarquia ficava com a primeira. E o Exército disputava com ela funções de proteger o território. Além de ser contra a Guarda Nacional, o Exército tinha outras formas de recrutar seus chefes. A existência de uma escola Militar em Porto Alegre e no Rio de Janeiro possibilitava que membros das classes médias ascendessem aos mais altos postos do oficialato. Outra forma era a honra ao mérito por façanhas de guerra. Na época da proclamação da Republica, muitos oficiais eram veteranos da Guerra do Paraguai. Essa guerra, de modo geral, criou nos militares um sentimento de honra e de dever em relação à pátria.
A escola militar de Porto Alegre foi influenciada pela filosofia do positivismo. O positivismo, que não tem nada a ver com pensamento positivo, acreditava que a sociedade, tal como as espécies em Charles Darwin, evoluíam naturalmente. A história e a sociedade seriam regidas por leis invariáveis que caberia ao pesquisador descobri-las. Os militares, influenciados pelo positivismo, acreditavam-se os condutores da evolução brasileira. E essa evolução teria que acontecer a qualquer custo mesmo que pela força, daí o lema na bandeira: ‘Ordem e Progresso’. A República, em relação à monarquia, era vista como parte dessa evolução.
Durante o final do segundo reinado, o Brasil experimentou uma diversificação em sua economia, apareceram industrias e cidades se desenvolveram. Surgiram classes médias urbanas que tiveram contato com filosofias européias que pregavam a idéia de República. Essas classes médias eram profissionais liberais como advogados jornalistas e funcionários públicos.
Entre as classes dominantes, também houve descontentamento com a monarquia. Os cafeicultores do Vale da Paraíba, em São Paulo, não conseguiram acompanhar a mesma produtividade dos cafeicultores do oeste paulista. Os primeiros tiveram sua produtividade reduzida com a mão de obra imigrante, permanecendo dependentes da mão de obra escrava. Assim, a abolição não lhes agradou em nada.
Outro fator importante foi a dissociação entre poder político e poder econômico. O poder político durante a monarquia permaneceu nas mãos das velhas classes tradicionais ligadas a economias decadentes, como o açúcar, e ao mundo rural. Mas surgiam setores ascendentes, não só os cafeicultores do oeste paulista como também os setores ligados ao mundo urbano, a indústria e ao mercado financeiro. Esses setores detinham o poder econômico mas não se achavam representados no governo monárquico.
Assim, a monarquia, perdendo apoio de diversos setores na sociedade, não conseguiu manter-se para um terceiro reinado, que seria da princesa Isabel.