FILOSOFIA Prof. ALEXANDRE LOBO
A razão e seus instrumentos
Segundo uma das definições filosóficas do dicionário Aurélio, razão significa “faculdade de conhecer o real, por oposição ao que é aparente ou acidental”. Ou seja, a razão é a atividade mental de conhecer o real, o que as coisas realmente são em suas essências. Neste sentido, o conhecimento racional se propõe a libertar-se do que é superficial e aparente.
É atribuído aos gregos antigos o início do pensamento racional porque são eles que rompem com o conhecimento mitológico inaugurando tanto o pensamento filosófico quanto o científico. É a filosofia a disciplina que busca critérios de estabelecer e mesmo reconhecer a verdade ao conhecer as coisas e os fenômenos como eles realmente são. O pensamento mitológico não é considerado racional porque, ao invés de investigar as coisas e os fenômenos como eles realmente são, passam a explica-los por meio de elementos que lhes são externos como as divindades.
O pensamento racional opõe-se as emoções, as sensações e, de certa forma, aos impulsos, pois acredita sempre na possibilidade de explicações para os fenômenos e baseia-se sempre em justificativas. Um comportamento racional, por exemplo, é aquele que é capaz de justificar seus motivos e estabelecer seus objetivos, ao contrário do comportamento emocional, que, aparentemente, não tem motivos e segue os impulsos que escapam da total compreensão. Desta forma, pode-se dizer que o mito construía-se a partir do medo dos seres humanos frente aos fenômenos da natureza que não conseguiam compreender ou controlar.
Em busca da chamada verdade, os filósofos estabeleceram algumas regras de obtê-las. Entre os gregos, está Aristóteles com o desenvolvimento da lógica e do princípio de causalidade. A lógica é constituída por três princípios básicos: a) princípio de identidade: um ser é sempre igual a si mesmo A=A, b) impossível um ser não ser igual a si mesmo A não A, c) terceiro excluído, se duas preposições com o mesmo sujeito, sendo uma com um predicativo afirmativo e outra com o predicativo negativo, uma é necessariamente falsa. Podemos aplicar o princípio da lógica da seguinte forma: se A=B e B=C, logo A=C, ou se B#E, logo, A e C são #E ,ou ,Sócrates é homem, todos os homens são mortais, logo, Sócrates é mortal. O princípio de causalidade consiste em estabelecer que tudo tem sempre uma causa e uma conseqüência. Por exemplo, se chutei uma pedra com força é por que estava irritado, se estava irritado é por que briguei com alguém e ai por diante.
Além da lógica, outras fontes de conhecimento nos informam sobre o mundo. Podemos conhecer algo novo tanto pela forma dedutiva, indutiva quanto a forma intuitiva. Quanto a forma dedutiva, trata-se de conhecer algo que é particular a partir de uma idéia geral. Se eu sei que um triângulo tem três lados, posso reconhecer qualquer um, se tiver os três lados iguais ou apenas dois. Independente de quantos tipos de triangula existirem, serei capaz de reconhece-lo, uma vez que possuo a idéia geral de triangulo.
A forma indutiva constrói o conhecimento de forma inversa da dedutiva. Parte-se de experiências particulares para a construção de uma teoria geral. Se, por exemplo, observarmos em um dia que a água congela a baixa temperatura, depois, um suco de laranja e em um outro dia uma xícara de café, formularemos a teoria segundo a qual os corpos em estado líquido, submetido em baixa temperatura, tendem a entrarem para o estado sólido, ou seja, a congelarem.
Já a intuição, no sentido filosófico, é quando percebemos algo de forma imediata, o que na psicologia chamamos de insight. É aquele momento em que parece que percebemos tudo de uma só vez, mas que já tínhamos alguns indícios ou suspeitas anteriormente, quase como na indução, mas a diferença é que na intuição, percebemos de forma imediata.