Big Brother

Com dezenas de milhares de pro­fessores leigos, milhões de analfa­betos, salário mínimo abaixo do mí­nimo necessário para uma sobrevivência digna, saúde precária não atendendo sequer às necessi­dades básicas da idade média, uma dívida externa impossível de ser paga, mesmo sacrificando toda po­pulação menos aquinhoada, o Brasil é sempre um país apontado na possibilidade de vir a transformar-se qua­litativamente em futuro próximo.

Em meio a este quadro delicado e complexo, nossos meios de comuni­cação televisivos sempre furtam-se à possibilidade de colaborar minima­mente para a contribuição no sentido de resolver questões sociais eternas. Fundamental para a resolução dos nossos problemas sociais, educação e cultura devem ser concebidas em perspectivas mais humanamente comprometidas por parte dos meios de comunicação. Não obstante, o que acontece é, notoriamente, o inverso: totalmente descompromissada em re­lação aos seres humanos que ajuda a formar, nossa mídia "volta as cos­tas" para o aspecto socialmente rele­vante de nossa situação e, ironica­mente, apresenta uma alternativa assaz degradante: individualismo nar-císico e alienado como forma "alter­nativa" de sobreviver em meio à bar­bárie competitiva que nos dilacera.

Alguns programas televisivos incor­poram em sua essência a promoção do modo de vida selvagem e alie-nante acima assinalado. Seria até desnecessário enumerar os tantos exemplos da corporificação de um projeto de vida que elegem exclusão e exposição desmesurada como re­gras norteadoras de conduta - lógica esta nem sempre entendida por mui­tos espectadores -, mas eles exis­tem em grande quantidade e reve­lam-se sempre muito capazes para manter os telespectadores juntos aos seus aparelhos de tv incontáveis ho­ras diárias.

Vanderlei Nunes Genro - Sapucaia do Sul

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