A cárie
dentária e a doença periodontal (doença de gengiva) são problemas
de saúde bucal comuns em todo o mundo. Elas ocorrem entre 50% e 99%
das pessoas na maioria das comunidades. Para medir a incidência
dessas doenças no planeta foi criado um método de avaliação que é
aceito por toda a comunidade internacional como indicador do perfil da
saúde bucal, denominado DMFT em inglês ou CPO-D em português. Essa
sigla é uma representação numérica que indica a prevalência de cárie
dental no indivíduo (ou em uma determinada população estudada) e é
calculada a partir da quantidade de dentes cariados (C), de dentes
perdidos (P) e de dentes obturados (O).
Os
países que seguem o programa de saúde bucal da Organização Mundial
de Saúde (OMS) fazem periodicamente essas avaliações (denominados
levantamentos ou estudos epidemiológicos) por meio das quais se pode
aferir a média de cárie por pessoa no país e com isto avaliar a
eficácia dos programas governamentais de prevenção em saúde bucal
e planejar outras ações (http://www.whocollab.od.mah.se/expl/orhdmft.html).
Em
1999, a apuração indicou que existem 2,2 dentes cariados por indivíduo
em todo o mundo (http://www.who.int/ncd/orh/index.htm).
A OMS tem esses índices de avaliação em vários países e podem ser
obtidos pela Internet através do site (http://www.whocollab.od.mah.se/countriesalphab.html).
Os números também estão organizados por região no endereço (http://www.whocollab.od.mah.se/amro.html).
As
medidas preventivas básicas que, por sua simplicidade e comprovada
eficácia, têm sido disseminadas pela OMS e outros diversos
organismos internacionais além das entidades representativas dos
profissionais de odontologia e governos de todo o mundo são:
Com
esses cuidados, o nível dessas doenças tem reduzido drasticamente
nos países industrializados. Já entre os países pobres e em
desenvolvimento ainda são muitas as comunidades que carecem de assistência
básica odontológica persistindo índices de cárie dental e doença
periodontal ainda bastante elevados (http://www.who.int/ncd/orh/index.htm)
.
Como
os problemas variam de região para região (na África por exemplo, a
falta de assistência básica é evidente, e no sudeste Asiático o
problema crescente é o do câncer bucal), a OMS tem estimulado cada
uma de suas regionais a desenvolver programas e estratégias próprios
baseados no programa de avaliação periódica, que dá atenção
especial às necessidades das comunidades mais carentes. (http://www.who.int/ncd/orh/orh_act.htm)
Entre
as sugestões de prevenção da saúde bucal propostas pela OMS,
algumas foram testadas e as experiências estão relatadas no site da
organização em Genebra. Um deles é chamado de ATRAUMATIC
RESTORATIVE TREATMENT (ART), uma técnica simples que inclui prevenção
e tratamento realizados por qualquer pessoa previamente treinada. O
leite fluoretado é outra forma de prevenção e redução de cárie
dentária proposta pela OMS que desenvolveu essa experiência na
China. Além disso a Organização ainda propõe o uso de creme dental
com flúor baseado na experiência desenvolvida na Indonésia(http://www.whocollab.od.mah.se/expl/projects.html)
e a fluoretação da água de consumo público, proposta já bastante
disseminada em todo o mundo que surgiu a partir do estudo da OMS
realizado sobre esse tema descrito no endereço: (http://www.whocollab.od.mah.se/wpro/laos/data/laosfluoride.html
Paralelamente
ao trabalho de prevenção, a OMS estabelece metas como forma de
avaliação e de estabelecer parâmetros para a melhoria da saúde
bucal das populações. Essas metas estão baseadas na avaliação
padrão do DMFT (ou CPO-D).
Para
o ano de 2000, os países devem atingir as seguintes marcas:
Meta
número 1: "50% das crianças de 5 anos de idade livres de cárie."
Meta
número 2: "Valor do índice CPO-D menor ou igual a 3,0 aos 12
anos de idade."
Meta
número 3: "Aos 18 anos de idade, 85% das pessoas devem
apresentar todos os dentes permanentes irrompidos presentes (P =
0)."
Meta
número 4: "Na faixa etária de 35-44 anos, 75% das pessoas
devem apresentar pelo menos 20 dentes em condições
funcionais."
Meta
número 5: "Na faixa etária de 65-74 anos, 50% das pessoas
devem apresentar pelo menos 20 dentes em condições
funcionais."
Fonte:
(Federation Dentaire Internacionale - Global Goals for Oral Health
in the year 2.000. Int. Dent. J., 32(1):74-7, 1982)
As
metas da OMS para o ano 2010 já foram definidas. Destaca-se o CPO-D
que, aos 12 anos de idade, não deverá ser maior que 1,0.
O
BRASIL E A SAÚDE BUCAL
De acordo com
dados do Ministério da Saúde (MS) disponíveis no site da ÁREA TÉCNICA
DE SAÚDE BUCAL (http://www.saude.gov.br/programas/bucal/principal.htm),
em 1986, foi realizado o primeiro levantamento epidemiológico de âmbito
nacional em saúde bucal, sendo levantados dados referentes à cárie
dental, doença periodontal e necessidade de próteses. Tal estudo
mostrava que a criança brasileira aos 12 anos apresentava em média 6
a 7 dentes atacados pela doença cárie (portanto, um índice CPO-D
entre 6 e 7).
Decorridos
10 anos da pesquisa, em 1996, outro levantamento nacional foi
realizado pelo MS nas capitais brasileiras, pesquisando somente a cárie
dental em escolares de 6 a 12 anos. Observou-se que aquele índice CPO-D
aos 12 anos obtido em 1986 teve uma redução da ordem de 53,9% na
população estudada, atingindo praticamente os parâmetros da OMS
para o ano 2000 que é de um índice CPO-D menor ou igual a 3,0.
Mas
em algumas capitais ainda persistem índices elevados de doenças
bucais como, por exemplo, Porto Velho (CPO-D médio 4,99), Rio Branco
(4,37), Boa Vista (6,30), Belém (4,49), Palmas (4,62), São Luiz
(3,51), Natal (3,78) e João Pessoa (3,94).
Neste
ano, o MS, com o apoio de entidades ligadas á odontologia, estará
realizando o SB2000 – CONDIÇÕES DE SAÚDE BUCAL DA POPULAÇÃO
BRASILEIRA NO ANO 2000 um novo levantamento epidemiológico de cárie
dental, doença periodontal, má oclusão, fluorose e uso e
necessidade de próteses, onde serão examinadas 175.000 pessoas
envolvendo do bebê ao idoso, em 250 municípios de todo o país.
Este
levantamento irá produzir informações da situação real das condições
de saúde bucal do brasileiro e irá subsidiar o planejamento e avaliação
das ações de saúde bucal nos diferentes níveis de gestão do
Sistema Único de Saúde (SUS).
O Professor
Doutor Paulo Capel Narvai da Universidade de São Paulo (USP) e membro
do Comitê Técnico-científico de assessoramento à Área Técnica de
Saúde Bucal do Ministério da Saúde (mailto:[email protected])
comenta cada uma das metas traçadas pela OMS no artigo "O Brasil
e as metas da OMS para 2000", disponibilizado na Internet no
endereço: (http://www.jornaldosite.com.br/anteriores/capel5.htm).