REVISTA SUPEREXPERT

 Edição 03 - Ano I - 20 de Dezembro de 2001

Cidade de Jaruara - Estado de Jaruara - Região de Cassiporé - República de Marajó

Editor: Wagner Bacciotti Campodonio


Textos desta edição: 

:: Editorial

:: Coluna do Sapolino

:: Perguntas SuperIntrigantes

:: SuperFrase

:: Vida Natural. Um dia você ainda vai ter uma

:: Poema da Água

:: Paraíso

:: A Década do Meio Ambiente

:: Natureza em SuperDestaque 

 


 

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Editorial


 

Amigos, hoje vou ser bastante resumido nesta editorial, desculpem, mas este final de ano está uma correria só na minha vida macronacional. Gostaria de agradecer à todos os micronacionalistas que têm nos cedido os elogios e sugestões, nos possibilitando melhorar cada vez mais na elaboração da Revista SuperExpert. Um obrigado especial aos meus amigos Nelson Paim (exemplo a ser seguido por todos nós) e Waleska Fernandez (cadê o Oikos Logos? Estou com saudades!!!). Temos como estréia desta edição a coluna Perguntas SuperIntrigantes, que pretende tirar aquelas suas dúvidas relacionadas ao nosso organismo.

Espero que gostem desta 3ª edição, e aqui vai novamente o convite para que vocês juntem-se à nós neste projeto microambiental. Boa leitura!!!

 


Inscrevam-se no curso:

 

ZOOLOGIA DAS AVES

 

UNIVERSIDADE DE JARUARA - MARAJÓ

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COLUNA DO SAPOLINO


Muitos são os MITOS que fazem parte do nosso relacionamento cotidiano com o Meio Ambiente. Tais situações prejudicam o nosso relacionamento com a natureza e impedem-nos de rever nossas atitudes. Acompanhe as REFLEXÕES do nosso amigo Sapolino em cima dos MITOS populares:

 

MITO

...é um luxo e um despropósito defender a vida do mico-leão-dourado e das baleias, enquanto milhares de criancinhas morrem de fome em todo o mundo.

REFLEXÃO

...tal argumento seria válido se, para salvar a vida de inúmeras criancinhas, fosse necessária a extinção de algumas espécies. A situação das crianças famintas e a sobrevivência dos animais não é competitiva nem conflitante. O problema e as soluções para a desnutrição são de outra ordem e a sua importância não diminui a preocupação com as espécies em extinção. Além disso, aqueles realmente interessados na preservação dos micos geralmente também se preocupam com a melhoria das condições de vida das populações carentes; também denunciam as condições sociais injustas e indignas.

E VOCÊ?

Você concorda com a reflexão acima? Tem algo a acrescentar sobre o tema desta edição?

Mande a sua participação: [email protected]

 

 

PERGUNTAS

SUPERINTRIGANTES


 

 

1 - POR QUE A GENTE SOLUÇA?

Soluço é a contração involuntária do músculo do diafragma, responsável pela respiração. O soluço geralmente é causado por uma irritação no nervo frênico responsável por ativar o diafragma, devido a um aumento do volume do estômago. E não é lenda a história de que um susto pode curar o "soluçante", libera adrenalina e ativa o nervo frênico. Outra saida é a água gelada, que provoca o mesmo efeito.

 

 

2 - IH, MEU PÉ DORMIU!!!

Isso acontece porque a compressão do fluxo sanguíneo (ao cruzar as pernas, por exemplo) interrompe o tráfego de impulsos nervosos. "Ao restabelecer o fluxo, acontece uma espécie de "curto circuito" nos impulsos elétricos dos Nervos, daí a sensação de formigamento". Há até um problema conhecido como "paralisia dos amantes". O casal dorme junto e um deles fica em cima do braço do outro. O fluxo sanguíneo pode ficar interrompido por horas, comprometendo por meses ou até para sempre o músculo do braço". A saída para o formigamento é restabelecer o fluxo sanguíneo, movimentando o músculo. Dependendo do caso, é necessário fisioterapia.

 

 Acessando "click árvore" da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Vidágua pode-se doar árvores para recuperar a Mata Atlântica. Uma nova doação pode ser feita a cada 24 horas e o plantio será financiado pelos patrocinadores.

 

 

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SuperFrase


 

"Um homem é verdadeiramente ético apenas quando obedece a sua compulsão para ajudar toda a vida que ele é capaz de assistir e evitar ferir toda a coisa que vive."

 

Albert Schweitzer

 

Vida natural. Topa???


 

Ou deveria topar, pelo menos. Eu já tive e por duas semanas, estou tendo novamente, numa pequena cidade do interior de São Paulo. Vim para cá para responder uma pergunta que me fiz outro dia, quando estava saindo do trabalho.

Do estacionamento, é possível ver as grandes janelas de vidro de uma academia de ginástica. Às sete da noite, as salas lotadas, dezenas de pessoas correndo nas esteiras, pedalando nas ergométricas e subindo degraus invisíveis. Tudo eletrônico, tudo fechado, todos de costas para a janela, olhando vários monitores de vídeo. A pergunta era óbvia: aonde vão todas essas pessoas?

A lugar nenhum. O movimento não tem sentido de deslocamento. Para andar nas cidades elas não usam pernas, usam rodas. Para subir, nada de degraus, só elevadores. Olham a vida não por janelas, mas monitores.

Na vida natural o movimento sempre tem um sentido. Trepa-se na árvore para alcançar a fruta no galho mais alto, para amarrar a corda do balanço. Caminhar faz parte de uma jornada até algum lugar, para buscar lenha ou alimento. Visitar cachoeiras e fazer longas trilhas significa descer até o vale e subir até a montanha. Todo movimento faz parte de uma ação vital.

Os elementos fazem parte do dia, água, terra, ar e fogo. São lareiras, fogueiras, rios e cachoeiras, hortas e pastos, ventos, chuvas. Pelos mesmos ouvidos que captavam buzinas, trinados. Mugidos, latidos, miados.

É uma festa para os sentidos, uma vontade de ficar calada, o desejo eterno de não fazer nada. E, no entanto, o tempo todo estamos em atividade.

Em algum lugar no caminho da civilização perdemos o bom senso. Não pode ser natural sair de um apartamento, entrar um elevador, ir direto pro carro na garagem, pegar trânsito e finalmente entrar em outra garagem no prédio onde se trabalha e subir o elevador até o escritório. Tudo fechado, com ar condicionado. Comida em pacote, ar respirado. Pra não mencionar as pessoas que se fecham em cápsulas de bronzeamento artificial num país tropical como o nosso, onde o sol de verão nos deixa morenos e o do inverno, nos torna deliciosamente corados...

Claro, nem toda vida permite esse contato com o mato. Mas é preciso lembrar sempre que somos parte da natureza. E que sedução não é afeto, sexo não é poder, dinheiro não é sossego. E que a melhor parte da felicidade não é a cidade, mas é justamente o feliz... 

Texto: Rosana Hermann

 

 


P O E M A     D A     Á G U A



Sou cristalina e fresca,
Salgada e doce.
Todos dependem de mim;
Sou vida.
Existo nas nuvens em forma de gotas,
E quando caio me chamam de chuva.
Existo nos rios, nos lagos, nos mares,
Nas geleiras e até nos lençóis subterrâneos.
Corro nos leitos e pulo de altas quedas;
Banho-te todos os dias e mato sua sede;
Alegro as plantas quando as rego,
E balanço os barcos nos mares.
Você acha que sou farta, por isso me desperdiça.
Você me polui, me maltrata.
Estou morrendo e você nem percebe.

Poema: Kátia Silva Pereira

 

 


 P A R A Í S O



Se esta rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar,
não para automóvel matar gente
mas para criança brincar.

Se esta mata fosse minha,
eu não deixava derrubar.
Se cortarem todas as árvores
onde os pássaros vão morar?

Se este rio fosse meu
eu não deixava poluir.
Joguem esgotos noutra parte,
que os peixes moram aqui.

Se este mundo fosse meu,
eu fazia tantas mudanças
que ele seria um paraíso
de bichos, plantas e crianças.

Poema: José Paulo Paes

 

 

A DÉCADA DO MEIO AMBIENTE


 

Devemos conseguir que os próximos dez anos sejam a Década do Meio Ambiente, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo. Temos apenas uma Terra, e senão a mantivermos saudável e segura, qualquer outro presente que deixarmos para nossos filhos não terá sentido.

 

Podemos e devemos fazer retroceder a maré da poluição e do aquecimento global. Está cada vez mais claro que a poluição coloca em perigo não apenas nossa qualidade de vida, mas também o próprio tecido da vida em nosso planeta. Ainda existem poderosos apologistas da poluição, que insistem sempre com o argumento de que ela é o preço inevitável que devemos pagar por nossa prosperidade. Isso é falso e, pior ainda, um convite a que se continue com políticas de irresponsabilidade ambiental e com desculpas.

 

Se fizermos os investimentos corretos, se fizermos as escolhas responsáveis, não teremos de optar entre a economia e o meio ambiente. O meio ambiente nos Estados Unidos hoje está mais limpo do que estava há uma geração. Ao mesmo tempo, entramos no mais longo período de crescimento econômico de toda nossa história.

 

Passaram-se sete anos desde que, pela primeira vez, nos reunimos com os principais fabricantes de veículos para criar uma Associação para uma Nova Geração de Veículos. Nossa meta era a de trabalhar com os melhores fabricantes para obter veículos tês vezes mais eficientes do que os que tínhamos na época, sem sacrificar nem o rendimento, nem a segurança, nem o custo. Podemos, agora, olhar `frente, para uma data dentro de três ou quatro anos, quando serão produzidos em massa automóveis com muito mais eficiência quanto ao emprego de combustível. Também podemos olhar para o dia em que as famílias poderão comprar carros com uma singular nova tecnologia. Seus motores utilizarão água e aumentarão em 4.000% a eficiência em relação ao consumo de combustível.

 

Esta nova associação persegue uma estratégia contra a poluição que deve passar pela nossa economia, e a de todo mundo, nos próximos anos. Uma estratégia que vê as pessoas como aliadas, não adversárias, quando se deve enfrentar os desafios ambientais. Um enfoque que desenvolve nossa responsabilidade para com os demais, para com o ar, a água e a terra que temos em comum, através das fronteiras e das gerações. Na Década do Meio Ambiente, devemos formar associações com toda indústria que queira produzir caminhões mais eficientes quanto ao consumo de combustível, embora os
críticos digam que isso nunca poderá ser feito.

 

Temos de fazer com que o livre mercado seja um amigo do meio ambiente, não seu inimigo, e investir mais na conservação dos recursos naturais, na energia renovável e nas tecnologias de rápido crescimento que combatem a poluição. Necessitamos fazer com que sejam cumpridas normas rigorosas, realistas e factíveis para reduzir o smog e a fumaça negra, bem como estender o direito a saber o que acontece em toda área onde a poluição de qualquer tipo ameace a saúde pública. Temos de proteger nossas florestas,
nossos rios e nossas terras públicas.

 

Devemos enfrentar os persistentes desafios que se apresentam em matéria ambiental. Devemos continuar com a proibição dos produtos químicos que corróem nossa camada de ozônio e nos expõem aos perigosos e cancerígenos raios ultravioletas. Se enfrentarmos decididamente este desafio, temos a possibilidade de fechar por completo o buraco na camada de ozônio existente sobre a Antártida dentro das próximas duas gerações.

 

É preciso darmos passos decisivos - não apenas nos Estados Unidos, mas em todos os países - contra o aquecimento global. Embora ainda não exista um consenso neste assunto, creio que Washington tem de ratificar o Protocolo de Kyoto, o que nos comprometeria a realizar significativas reduções nas emissões de gases causadores do efeito estufa. Temos de assegurar que todas as nações desenvolvidas e em desenvolvimento se comprometam a cumprir com a parte que lhes toca. Podemos combater o aquecimento global de um modo que contemple a criação de postos de trabalho, ao fomentar a existência de um mercado global para as novas tecnologias no setor energético, que, se espera, possa alcançar os US$ 10 bilhões nas próximas duas décadas.

 

Estes desafios não são fáceis. E, para mim, nunca existiram sem controvérsias. Há mais de uma década, quando me propus a escrever um livro sobre ecologia (Eearth in the Balance), percebi que era politicamente tolo manifestar de forma tão clara um compromisso com a proteção ambiental, posto por escrito em forma aberta e sem restrições. Mas, para mim, o compromisso com o meio ambiente sempre foi além do político, é uma profunda obrigação moral.

 

É necessário que façamos o correto para nosso meio ambiente, porque este compreende tudo o que tem a ver com nossas vidas, desde a simples segurança de que a água que bebemos seja potável até a mais sinistra e ameaçadora redução das camadas de gelo nos extremos da Terra. A Terra está por um fio. Podemos e devemos salvá-la, e isso representa uma grande responsabilidade para nossa geração. Devemos nos colocar já a executar e concluir esta urgente tarefa.

 

Texto: Al Gore

 

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