Opinião Esportiva

Edição 02, de 13 de agosto de 2003

 

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Entrevistado: Francisco Russo

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Opinião Esportiva - Obrigado por ter aceito participar desta entrevista, Russo. Desde quando você comanda o FEAR FC?

Francisco Russo - O FEAR tem duas fases distintas, uma no FIFA Soccer e outra no e-Stadium. A do FIFA Soccer começou em outubro de 1997 e durou aproximadamente um ano, que foi o período em que o futebol via FIFA Soccer esteve funcionando em Porto Claro. O time foi recriado, agora no e-Stadium, em dezembro de 2001, após ter participado da cobertura da Copa do Mundo de Pasargada pela Agência Folha.

 

OE - O FEAR já tem muitos meses na liderança do tabelão e-Stadium, e no momento, continua disparado na liderança. A que se deve este sucesso de tão longa data?

FR - O FEAR assumiu a liderança do Tabelao em abril/2002, quando ultrapassou o Africanos Arrancadores de Cabeça, e desde então vem conseguindo se manter no posto, com algumas oscilações em relação à distância para o 2º colocado. Creio que não haja um único fator que tenha propiciado isto, e sim uma combinação de fatores. O FEAR foi um dos times que passaram pelo apocalipse, apesar de ter sido criado apenas algumas semanas antes dele ocorrer. Com isto foi favorecido nesta corrida do Tabelao, já que em janeiro/2002 todos os times partiram do zero novamente. O excelente desempenho da equipe em seu 1º semestre pós-apocalipse, no qual conquistou o Campeonato Portoclarense, a Copa dos Campeões e o Mundial de Clubes, permitiu que esta ascensão ocorresse rapidamente e até que se abrisse uma boa vantagem em relação ao 2º colocado, já que o FEAR buscava a vitória também em seus amistosos, o que não era tão comum na época.

Este foi também um período que contei com um pouco de sorte, pois tinha planejado treinar bastante a equipe durante o mês de janeiro para, em fevereiro, entrar com força na disputa do Campeonato Portoclarense. Por causa destes treinamentos meu time titular da época jogou muito pouco no 1º mês pós-apocalipse, ao contrário da grande maioria dos times do e-Stadium. No final de fevereiro/início de março os primeiros sintomas do preparo físico, algo completamente novo no futebol virtual da época, começaram a ser sentidos por praticamente todos os times, que vinham usando excessivamente os mesmos jogadores desde o início do ano. Entretanto, como grande parte dos titulares havia sido poupada em janeiro, o preparo físico do FEAR continuava muito bom e fazia a diferença em vários jogos. Ao notar estes problemas pude então iniciar um revezamento entre titulares, com preparo bom por não terem jogado em janeiro, e reservas, que por sua vez jogaram pouco em fevereiro. O time ficou bastante homogêneo em relação ao preparo físico e, aliado ao processo de treinamento intensivo que vinha aplicando desde janeiro, levava vantagem contra times de preparo físico inferior, o que também ajudou bastante nesta rápida ascensão.

Com a boa vantagem obtida ainda na temporada 2002/1 no Tabelao e as boas campanhas que o time teve nos torneios seguintes, sempre disputando títulos, o trabalho maior foi de administrar esta vantagem para o 2º colocado. Que em alguns momentos, como agora, superaram os 50 pontos de diferença e em outros esteve a menos de 10 pontos, como em dezembro do ano passado ou no início do último Mundial de Clubes.

 

OE - Em Porto Claro, o FEAR tem encontrado muuitas dificuldades diante da boa qualidade dos adversários. Ainda pode-se dizer que quem manda em Porto Claro é o FEAR?

FR - Segunda que vem, quando terminará o atual Campeonato Portoclarense, poderei te dar uma resposta a esta pergunta. É fato inegável que o FEAR está entre as principais forças do atual futebol portoclarense, o que é na verdade a minha meta. O mais importante não é ser o melhor time mas sim estar entre os melhores, até porque em jogos entre grandes times pequenos detalhes, como escalação da equipe e jogar dentro ou fora de casa, podem ser decisivos para a conquista de uma vitória. Já vi vários times considerados inferiores derrotarem times mais fortes deste modo.

 

OE - Como está sua equipe no Campeonato Portooclarense que está sendo disputado no momento?

FR - O FEAR é atualmente líder do torneio, estando 3 pontos a frente do Gênios, que é o 2º colocado. Restam apenas 2 rodadas para o término da competição, sendo que nesta reta final enfrento o Gênios na sexta e o Luz de Campos Bastos na segunda. FEAR e Gênios são os únicos times ainda em condições de conquistar o título.

 

OE - Muito se discute sobre esquemas tátticos, como forma de surpreender os adversários. Para você, qual o melhor esquema tático a ser seguido? Este esquema deve ser modificado a depender do adversário ou não?

FR - Não existe um esquema tático ideal e sim um esquema tático que se adeque melhor aos seus jogadores e ao esquema a ser utilizado pelo seu adversário. Nos últimos meses o FEAR tem variado bastante de tática em seus principais jogos, se baseando quase sempre na escalação tática do adversário. Esta análise tática é fundamental na definição de qual esquema utilizar na partida, ao menos para mim.

 

OE - Com a recente mudança feito pelo Figueirra no sistema e-Stadium, acertando os pontos da moral dos jogadores, você acha que a situação geral melhorou, ou a dose foi muito amarga?

FR - Creio que a mudança foi mais visualmente impactante do que qualquer outra coisa, já que houve o claro choque de encontrar seu elenco inteiro com moral verde e, de uma hora para outra, vê-lo todo ou praticamente todo com barra de moral no amarelo, laranja ou até pior. Particularmente nunca dei muito valor à moral dos jogadores como item crucial do e-Stadium, então não acredito que esta mudança de cores tenha mudado algo em relação ao desempenho do jogador nas partidas.

 

OE - Muitas equipes já estão se preparando deesde já para disputar o Mundial de Clubes, a partir de outubro. Como estão os preparativos do FEAR? Se é que o clube está pensando a média distância...

FR - Com o término do Campeonato Portoclarense na próxima segunda o FEAR vai se dedicar exclusivamente à preparação para o próximo Mundial de Clubes. O preparo físico de alguns reservas importantes já vem sendo recuperado nas últimas semanas e a intenção é intensificar os treinamentos da equipe, especialmente os atuais reservas, neste período. É bem possível que a distância para o 2º colocado no Tabelao caia neste período, já que a prioridade não será conquistar o torneio organizado pela APF antes do Mundial de Clubes.

 

OE - Para você, qual é a micronação que é a ggrande potência futebolística da atualidade, levando-se em consideração a organização interna, participação dos técnicos e nível técnico das equipes?

FR - Porto Claro, seguido por Marajó.

 

OE - Fazendo um bate-bola sobre o futebol miccronacional, nos dê sua opinião sobre:

- Melhor time da atualidade: O Gênios vem muito bem nos últimos meses.

- Time que será revelação em poucos meses: Duchamps, já na próxima Liga PAM.

- Time que tem decepcionado: Real Betaras. Esperava mais de sua participação no Campeonato Portoclarense.

- Técnico mais chato: Bernardo Vilela. Insuperável, apesar de ser rubro-negro.

- Sistema e-Stadium: Provocou uma revolução no micronacionalismo. Mas, como sistema, ainda pode melhorar.

- CMF: É a única organização micronacional de grande porte que realmente funciona e não fica apenas incluindo países-membros. Mas enquanto as picuinhas pessoais dominarem continuará sendo uma grande dor de cabeça.

 

OE - O Caso Bugória, na sua opinião, foi uma fato isolado ou um sintoma a ser melhor combatido?

FR - É um fato que pode acontecer de novo, o que requer certos cuidados. Por isso mesmo o papel da Fiscalização é importantíssimo hoje em dia dentro do futebol virtual, justamente para averiguar se casos do tipo voltarão a acontecer no futuro.

 

OE - O futebol, depois deste escândalo, ficouu mais competitivo ou mais previsível?

FR - Muito mais previsível. Os antigos times médios estão tendo que suplantar a ausência dos grandes extintos e ainda não houve tempo suficiente para que times pequenos ocupassem a lacuna deixada justamente pelos times médios, que eram aqueles que davam uma maior competitividade aos torneios. Mas a tendência é que, com o passar dos meses, esta situação melhore aos poucos.

 

OE - Você é um dos representantes da APF na CCMF. O que você tem a nos dizer sobre a atual gestão de Tênecles, frente a CMF? O que você sugere de mudanças?

FR - A atual gestão ainda está devagar, quase parando. Acho válida a iniciativa do Tênecles de promover uma revisão completa no estatuto da CMF, mas a entidade não pode ficar apenas nisso. Existem propostas apresentadas há semanas que ainda nem entraram em debate. Sem demonstrações de atividade por parte de seus principais dirigentes a entidade como um todo murcha, havendo menor participação dos próprios representantes não apenas em debates, que acabam nem acontecendo, mas também nas próprias votações realizadas.

 

OE - O que falta para o futebol micronacionall melhorar ainda mais em termos de emoção, ou técnica, etc?

FR - Rivalidade. Jogar uma partida, vencer e sacanear seu adversário, ou ser sacaneado por ele em caso de derrota. Esta rivalidade cria ainda mais motivação para seguir em frente no futebol virtual, pois você tem um motivo extra para melhorar cada vez mais. Quer um exemplo? Hoje o Gênios derrotou o Luz de Campos Bastos, fora de casa. Imagina quantas e quantas vezes Saes não deve ter ouvido uma piadinha do Euber sobre o assunto? Eu, que estou de fora, só pela comemoração que o Euber fez após o jogo e pelo que conheço de ambos já consigo imaginar. Isso é que traz emoção a qualquer campeonato, criar em torno de um confronto um clima onde ninguém quer perder porque sabe que, se acontecer, vai ter que aguentar as gozações do adversário. O futebol virtual não pode ser apenas apertar um botão e simular sua partida do dia, isso é muito sem graça. É justamente a disputa, e a rivalidade que nasce desta disputa, que dá graça ao jogo.

 

OE - O nível e abordagens das discussões na CCMF, atualmente, estão de boa qualidade?

FR - No momento existem pouquíssimas discussões na CMF. Porém desde que o Bernardo assumiu a Presidência da CMF, ainda antes da eleição do Tênecles, teve uma boa melhora. O grande problema é que, usando um termo bastante comum em Porto Claro, a CMF deve ser técnica e não política, e muitas vezes ela não é assim. Isso acaba causando desentendimentos que agravam ainda mais as picuinhas pessoais entre representantes e, às vezes, até mesmo entre micronações.

 

OE - Obrigado pela entrevista, Russo! Por favvor, deixe um recado aos nossos leitores:

FR - Agradeço a oportunidade e desejo longa vida ao jornal. Até porque se um dia as gigantescas dívidas pendentes do Correio Esportivo derem um fim ao jornal ao menos tenho outro lugar onde bater para pedir emprego :-)

 

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Opinião Esportiva - Nº 02

 

Jornalista responsável:

Wagner Bacciotti Campodonio

(Marajó)

 

Entrevistado de hoje:

Francisco Russo

(Técnico do FEAR FC, de Porto Claro; Representante da APF na CMF)

 

Opinião Esportiva é um encarte integrante do jornal Plantão do Futebol mas que tem distribuição com periodicidade diferenciada. O Opinião Esportiva tem como proposta de trabalho realizar entrevistas com técnicos ou outros micronacionalistas envolvidos com o futebol micronacional.

 

Se você tiver sugestões ou críticas a fazer, a forma de contato é através do email [email protected]

 

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