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Cinema
mudo
Porto Alegre, 5 de novembro de 2000. |
No ínicio do século XX, o cinema já era uma indústria. Tinha deixado de ser apenas diversão e se transformado em uma máquina de fazer dinheiro. O cinema se expande para diferentes partes do mundo.
Os filmes ainda eram mudos. Para que não existissem dúvidas, uns rótulos nos meios das cenas iam explicando a ação ou os diálogos. E em algumas ocasiões, um pianista dava o toque musical aos espetáculos. As barracas do início do cine se transformaram em salas elegantes e espaçosas, onde as classes mais altas da sociedade começaram a freqüentar.
Para atrair e satisfazer essa classe, começaram a ser produzidos filmes mais cultos. Na França, esse projeto foi conhecido como "Films d'Art". Esses filmes eram baseados em obras literárias onde atuavam famosos atores de teatro. Na França, Charles Pathé marca o início da industrialização do cinema. Os filmes produzidos por ele conseguiram um bom nível de qualidade graças a direção de Ferdinand de Zecca, a quem se deve os filmes "A Paixão" (1902) e o "Assassinato do Duque de Guisa" (1904)
Foi nas salas de Pathé que estreou um dos grandes nomes da comédia: Max Linder, aquele que inspirou Chaplin. Mas o reino de Pathé foi invadido por outro francês, Léon Gaumont. E Gaumont contratou o diretor Louis Feuillade, que se especializou nos filmes de terror.
Seguindo o sucesso francês, na Inglaterra aparece a chamada "Escola de Brighton", formada pelos fotógrafos Smith, Williamson e Collins, que se interessam pelos temas bélicos.
Mas é nos Estados Unidos que se obtém maior lucro. Em 1903, o filme "Assalto e Roubo de um Trem", de Edwin Porter, inaugura o cine do Oeste.
Observando que o cinema era um espetáculo popular que superava as barreiras sociais e idiomáticas, em um país formado por centenas de línguas e etnias, o fator negócio entra em ação. Com o fim de monopolizar o mercado cinematográfica e acabar com seus competidores, Edison envia seus advogados em cima dos exploradores do aparelhos cinematográficos. Essa fase (1897 - 1907) foi conhecida como a guerra das patentes. Depois de inúmeros processos, fechamento de salas, confiscação de aparelhos Edison chega a vitória. Para fugir das perseguições jurídicas de Edison, os produtores independentes resolvem ir para outro lado do país, a Califórnia. Ali, nesta terra distante do centro econômico do país, surge Hollywood.
Fora dos Estados Unidos, outros países despontam como grande produtores cinematográficos. Entre eles estava Itália. O filme de maior sucesso neste país foi "Cabiria", dirigido por Giovanni Pastrone em 1913. Grandes cenários, muitos extras encarnando aos romanos e aos cartageneses garantiram uma produção colossal para a época. Uma concepção de cine que sem dúvida influenciou os cineastas norte americanos.
David Wark Griffith deu o próximo passo para o crescimento do cinema. Sua forma original de narrar um filme revolucionaram a sétima arte. Suas principais obras foram: "O Nascimento de uma Nação" (1914) e "Intolerância" (1915), Griffith dividia os filmes em sequências, mostrava ações em paralelo, mudava o local do ângulo da câmara, variava os planos, usava o flash-back ou narração de feito antigo. Mas, sobre tudo Griffith assumiu que a montagem era o instrumento mais importante do cinema desta epócanão apenas para organizar as sequências, mas para emocionar o público.
Griffth chegou a influenciar jovens cineastas de diferente partes do mundo. Na Russia sua influência é clara nos trabalhos de Dziga Vertov - criador do kino-glaz (cine-olho)-e Serguei M.Eisenstein.
Nesta mesma época, aparecem outros diretores que perceberam que o cinema além de um poderoso meio de comunicação em massa, poderia servir com meio de expressão dos sentimentos humanos, como: anseios, angustias ou fantasias. Utilizando para isto, uma estética inovadora. Na Alemanha, os estilos "expressionistas" e "kammerspiel" surpreendem pelos seus produtos ambientados em cenários irreais ou futuristas. Entre alguns títulos representativos estão: "Metrópolis" (1926) e "M. o vampiro de Dussldorf" (1931) de Fritz Lang e "Nosferatu" (1922) de F.W. Murnau.
Na França, destacaram-se os trabalhos de Louis Delluc, L'Herbier e Epstein. Este último dirigiu " A queda da casa Usher" (1927). A margem deste movimento destacaram também Abel Gance - Napoleon (1927) -, filme cuja a técnia se antecipou ao Cinerama e não podemos esquecer Jacques Feyder, diretor de "Atlântica" (1921).
Na espanha se destaca o estilo "surrealista", que buscaba expressar o subconsciente de maneira poética. Os nomes de destaque neste estilo foram o cineasta Luis Buñuel e o pinto Salvador Dalí.
Nos Estados Unidos o cinema busca principalmento o lucro e não a estética ou a poesia visual, como acontece na Europa. Hollywood, nesta época já havia se convertido no centro industrial cinematográfico mais próspero dos E.U.A. Grandes empresas se reuniram levantando seus estúdios onde, além de filmar seus filmes, era construido uma atmósfera de lenda ao redor de seus ídolos. Os atores e atrizes se convertem em mito. Este é o caso de Lilian Gish, Gloria Swanson, John Barrymore, Lon Chaney, John Gilbert, Douglas Fairbanks, Lon Chaney, John Gilbert, Mary Piuckford, Maer West e Rodolfo Valentino.
Durante a Guerra na europa e aproveitando a queda nas produções européias, Hollywood conseguiu dominar o mercado mundial do cinema. Os anos 20, foi a época dourada do cinema mudo americano: espetáculos, grandes atores, diferentes estilos...Entre esses estilos, teve destaque o slapstick ou o cinema cômico, cheios de bolos na cara, quedas, enfim puro pastelão. Foi nesta onda, quando Mack Sennett descubriu ao Chaplin, Lloyd, Turpin, Langdon, entre outros.
Entre essas grandes atores cômicos devemos destacar Charlot e Keaton. Grandes palhaços e ao mesmo tempo críticos de uma sociedade dura, fizeram rir crianças e adultos de diferentes gerações.
Dos grandes estúdios surgem grandes produções, algumas espetaculares como as do diretor Cecil B. de Mille: "Os dez mandamentos" (1923) ou o "Rei dos reis" (1927).
Em 06 de outubro de 1927, algo maravilhoso acontece: o cinema começa a falar!!!

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