O in�cio.
Comecei a tocar por acaso em outubro de 1998.
Um amigo foi convidado a tocar algumas m�sicas
no intervalo da escola onde eu estudei, e nos
dias que antecederam esta homenagem que seria
feita aos professores, uma amiga em comum
descobriu que eu tinha uma poesia que havia feito
� minha m�e numa �poca em que a sa�de dela estava
muito fr�gil. Esta poesia foi musicada por este
meu amigo, que poucos dias depois me fazia companhia
no palco da mesma escola, por�m j� com formato de
banda. Tudo bem, eu me rendo: eram 3 viol�es e
n�s dois cantando. N�o tinha baixo nem bateria, mas
era tudo "amplificado" e no palco principal da escola.
E a inexplic�vel sensa��o de ter 4 frases minhas cantadas
por mais de 500 vozes naquela manh� de outubro me deu a
certeza de que eu estava come�ando uma nova etapa na minha
vida: a de m�sico.
A primeira banda.
Com um punhado de letras minhas musicadas pelo Gilnei (aquele
meu amigo do in�cio da hist�ria) come�amos a nos apresentar
nos intervalos das escolas. Inicialmente para os professores,
depois ganh�vamos espa�o nos per�odos vagos ou em per�odos de
educa��o f�sica, onde o pessoal ficava fora das salas de aula.
Era uma estranha sensa��o tocar m�sicas desconhecidas de todos
para todos os desconhecidos que estavam ali. Mas na maior parte
das vezes, a galera gostava. O que me dava muita vontade de
continuar.
Ap�s esta primeira s�rie de apresenta��es, o Giovane (irm�o g�meo
do Gilnei) foi convidado a tocar com a gente. Nesta etapa come�amos
a criar arranjos, solos e come�ou a tomar cara de banda. Pra ter uma
banda precisava de um nome: SQV, que eram as iniciais de uma m�sica
chamada "S� Quero Voc�".
Explicar este nome era muito desconfort�vel por motivos �bvios. Dizer
"S� Quero Voc�" para um outro cara que perguntar o motivo do nome
da banda n�o era legal. Reza a lenda que o Giovane (baixista) afirmava
que SQV significava "Selvagens Querendo Viver" pois isso imprimia ar
her�ico � banda, mas quando sub�amos no palco pra cantar nossas m�sicas
falando de amor, saudade e coisas do g�nero, o "macharedo" achava
estranho. Em compensa��o as "gurias" adoravam.
E assim permanecemos por mais de dois anos. Apesar do constante entra-e-sai
de componentes, a banda sempre girava em torno de n�s tr�s: Eu, Gilnei e
o Giovane. Entre estas mudan�as, achamos um baterista muito bom de
apenas 13 anos de idade. Eu fiquei desconfiado por ele ser t�o novo, mas
quando o vi tocar, esqueci o lance da idade. O Vini era fera.
Esta forma��o foi a que mais fez shows e projetou a banda � um patamar
mais elevado. Tocamos na TVCOM (RBS TV), Festa do Peixe (Tramanda�), v�rias
escolas, shows de ver�o na praia. Parecia que iria decolar, mas
infelizmente n�o decolou. Houve alguns desentendimentos e a banda prosseguiu
comigo e com o Vini. Agregamos o C�ssio e o Toninho � SQV e seguimos a estrada.
A segunda fase.
Fizemos alguns shows importantes com este quarteto em 2001: Festa do Peixe (Tramanda�),
Shows de ver�o, Feira do Livro de Canoas, e quando tudo parecia bem, quando est�vamos
prestes a finalizar um cd demo a banda simplesmente deixou de existir. N�o sei
explicar, mas ningu�m ligou pra ningu�m ap�s a grava��o deste cd e assim foi o
ponto final da SQV. Uma hist�ria muito bonita que hoje guardo em v�rias can��es
e fotos que ficaram gravados fisicamente e tamb�m na mem�ria.
A segunda banda.
Quase um ano ap�s o "fim" da SQV, o C�ssio me ligou num domingo � noite dizendo que
estava passando em casa pra me pegar para fazer um ensaio com a "banda nova".
Fiquei meio assustado, mas fui. Era 5 caras muito bons: o Luciano (baixo), a Grazi (teclados),
Augusto (bateria), C�ssio (guitarra) e Cleiton (guitarra). Nossa proposta era fazer
shws tocando m�sicas de bandas pop rock conhecidas no cen�rio nacional. Pra mim foi um
choque, pois a primeira vez que cantei em p�blico foi pra cantar uma can��o minha.
A primeira vez que subi num palco foi pra tocar uma can��o minha. E de repente ter que
mudar radicalmente era algo que eu n�o esperava, mas aceitei o desafio.
Come�amos a ensaiar exaustivamente. Valeu a pena, pois confirmava a cada ensaio que eles
eram muito bons. E com isso vinha a certeza de que n�o poder�amos desperdi�ar tantos
talentos fazendo apenas releituras daquilo que todo mundo j� conhece. Comecei a introduzir
m�sicas minhas no set list, come�amos a fazer shows. Mas infelizmente lidar com pessoas �
bem mais dif�cil do que lidar com guitarras e teclados. Sendo assim a conviv�ncia de
alguns dos integrantes tornava imposs�vel a tarefa de conviver nos mesmos 6 metros quadrados
onde ensai�vamos. Resultado: sa� da banda, foi cada um para o seu lado e a "Efeito Kamikaze"
morreu na casca. Uma pena. Mas que fique claro: dos que n�o sumiram de vez, sou amigo de todos
os ex-colegas de banda.
CAMINHO INVERSO
A CAMINHO INVERSO � o que eu costumo chamar de projeto eterno. � o nome que eu considero perfeito,
onde posso idealizar meu set list ideal contendo somente composi��es minhas algumas raras da
"Engenharia Hawaiiana", banda esta que sou admirador desde os meus 11 anos, no distante 1990.
Infelizmente a Caminho Inverso fez apenas um show. Foi em 2003 na Feira do Livro de Canoas.
O que mais me emociona neste "projeto" (odeio esta defini��o) � a forma��o da banda: Voz e guitarra (Wander);
baixo (Toninho) que tocou na segunda fase da SQV; Guitarra (Thiago Fagundes) que tocou viol�o nos primeiros
shows da SQV e Adriano Riela (Bateria) que tamb�m participou no in�cio da SQV. E este show foi t�o
emblem�tico que l� no meio da galera surge o Gilnei, o cara com o qual eu comecei a minha hist�ria
na m�sica. Sem v�-lo h� muito tempo e sem ensaio algum o chamei para cantar "Olhando a noite pela Janela"
que eu compus em forma de poesia em 1997 e ele a musicou em 1998. Foi realmente emocionante.
A volta
Deste ent�o fiquei 6 anos sem subir num palco. Continuei compondo e planejando shows e grava��es com a
CAMINHO INVERSO mas nunca sa�a do papel. At� que no in�cio de 2009 fui convidado a tocar baixo pelo
Gilnei na banda dele, chamada "Sob Neblinna". Fizemos alguns shows; Estava tudo muito bom, tudo muito bem
at� que dois dos integrantes resolvem "ter uma conversa" com a banda. Meus 30 e poucos anos me disseram que
nunca sai nada de bom nestas conversas. Resultado: discordando da tal da conversa resolvi sair da banda.
Logo na sequ�ncia entrei para uma banda chamada "Vibra��o Positiva" formada por: Voz e viol�o (Guilherme),
Viol�o e voz (Jeferson); Bateria (Priscila) e eu (baixo, teclado, viola caipira, viol�o, voz e harm�nica).
A banda me preenchia musicalmente, por�m alguns problemas pessoais com todos os integrantes da banda
nos fizeram parar por um tempo e na hora de voltar o pique n�o era mais o mesmo. Resultado a banda se desfez.
CONCLUS�O
Depois de 12 anos envolvido com este mundo underground e financeiramente ingrato chego a uma conclus�o:
tudo valeu a pena. Todos os acertos, os erros, as brigas. Pois hoje olho pra tr�s e vejo que n�o
acumulei grana nem fama. Mas acumulei hist�rias, pessoas que marcaram a minha vida de uma forma diferente.
A m�sica tem esse poder de divis�o e comunh�o quase que simult�neos. Compus em torno de 100 m�sicas e discordo
veementemente da maioria das coisas que nelas escrevi, mas quando as escrevi n�o era o "eu" que sou hoje. Por�m,
era exatamente o "eu" daquele momento, daquele dia nublado ou daquela noite estrelada. Fui totalmente
sincero com tudo o que eu compus at� hoje.