No Mundo

Contemplas, filho meu, com deslumbrada admiração, as fulgurantes ex-pressões

da inteligência culta, e reconheces, acanhado, que são modestos os

teus conhecimentos.

Vês com reverencial atenção os celebrados detentores do poder político, e

observas que estás longe de ostentar tão vastos cabedais de liderança.

Verificas, entusiasmado, a maravilhosa atuação dos grandes artistas, e percebes

quão distanciado te encontras dos seus primores de genialidade.

Enlevam-te as demonstrações de glorioso poder de quantos se alçam em

proeminência na sociedade humana, e admites que te inseres no rol dos inumeráveis

anônimos da multidão.

Não sofras por isso, nem te imagines improdutivo ou inútil. Lembra-te de

que o Divino Senhor não procurou, para o seu sublime apostolado, os sábios da

Terra, os potentados do tempo, os ases das elites privilegiadas. Buscou os pescadores

mais humildes do Lago, os corações mais simples e mais doces, as almas

mais desprendidas e sinceras.

Foi a eles que enviou a disseminar os seus ensinos e anunciar as primícias

do Reino de Seu Pai. E foi no solo dos seus nobres sentimentos que fincou os

alicerces do seu Evangelho de Luz.

Basta-te seguir, no silêncio dos bons exemplos e na singeleza das palavras

alentadoras e fraternas, as luminosas pegadas do Mestre, para que o Céu opere,

através de ti, os mais sublimes milagres de graça e de amor.

A riqueza divina oculta-se no mundo, ainda envolto nas trevas da ostentação

e do egoísmo, anestesiado pelas enganosas aparências do falso poder. Por

isso, a bondade fecunda, que reanima e redime, ainda calça, na Terra, as sandálias

da humildade e da pobreza, nos caminhos empedrados da desolação. l

LETÍCIA

(Página psicografada por Hernani T. Sant’Anna, no Grupo Ismael, da Federação Espírita Brasileira,

em 15-10-1992.)

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