A
Imposição da Fé
ROBINSON
SOARES PEREIRA
Em
nenhum momento da história da Humanidade vimos manifestações tão
diferenciadas
e numa avalancha tão grande como agora se vê em questão de Fé.
São
seitas, correntes filosóficas, doutrinárias, esotéricas, espiritualistas,
autodenominando-se
religiões “salvadoras”, na cata desenfreada de fiéis.
Muitas
dessas correntes utilizam técnicas consagradas de marketing, auto-ajuda,
conhecimento
por alienação mental, com interesses nem sempre
confessáveis.
É o fazer prosélitos a qualquer custo. Conseguem, assim, incutir na
mente
dos freqüentadores que o único caminho que conduz a Deus é onde eles
estão,
em detrimento de todas as outras manifestações de fé, como se Jesus
houvesse,
quando da sua passagem entre nós, criado alguma religião. Propagam
um
Deus discriminatório, vingativo e diretamente interessado no “sucesso
material”
dos seus filhos. Seguem disseminando inverdades, modificam textos
bíblicos,
interpretando-os a seu modo. O pior disso é que conduzem multidões a
equívocos
exorbitantes em nome da Fé. São cegos conduzindo cegos. Vendem
remissões,
curas, equilíbrios materiais e espirituais, esquecendo-se da afirmativa
de
Jesus: “Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes.”1 Se são
portadores
de algum dom, principalmente o da palavra, que tem a força do
convencimento,
deveriam pensar nessa passagem do Mestre Jesus com mais
carinho.
Em
realidade, utilizam esse momento de incertezas em que vive a
Humanidade
para comercializar a Fé. Aproveitam-se dos desequilíbrios materiais
e
espirituais de desesperançados, prometendo livrá-los da exploração do mundo,
para
depois explorá-los dentro das suas Instituições.
Muitos
desses dirigentes conseguem colocar na mente dos seus
“conduzidos”
a necessidade de arregimentarem outros irmãos, pois é preciso
aumentar
o número dos que serão “convertidos” a contribuir, financeiramente, é
claro,
com a “obra de Deus”, tornando-se, muitos deles, extremamente
inconvenientes
no convívio social, querendo impor a sua crença aos outros.
Assistindo
uma palestra em vídeo do Professor Luiz Almeida Marins Filho,
consultor
de várias empresas no Brasil e no Exterior, em determinado trecho no
qual
citava o crescimento das igrejas evangélicas, o renomado professor dizia
que
a grande massa da população necessita de alguém que lhe diga o que pode
e
o que não pode fazer: – “Se fizer tal coisa será reprimido” e assim por
diante.
São
pessoas que gostam de ser conduzidas com pulso firme. Necessitam de
direção
severa.
É
claro que o Espiritismo não compactua com tais correntes religiosas
impositivas.
Até porque, o Espiritismo prega o livre-arbítrio e o amplo direito de
liberdade
de cada um. Não subverte a consciência de ninguém. Como afirmava
Kardec,
a Doutrina Espírita “não se dirige aos que possuem uma fé e a quem
essa
Fé basta”.2
O
que talvez nos esteja faltando é um pouco mais de entusiasmo no
divulgar
a nossa Doutrina. Preparar melhor os nossos oradores, com cursos
específicos
para uma boa oratória, qualificando aqueles que já tenham a boa
vontade
de divulgar a Doutrina Espírita. Não que seja esse trabalho destinado a
arregimentar
novos freqüentadores a todo custo, como fazem outros segmentos
religiosos,
mas a passar para os ouvintes o Espiritismo com alegria e vibração
que
ele requer daqueles que deveriam vivenciá-lo com a emoção dos verdadeiros
cristãos
que seguiram a Jesus de perto. l
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
1
KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap XXVI, item 2, p. 363, 116.
ed.,
Rio
de Janeiro: FEB, 1999.
2 Obras Póstumas, 1a Parte, 28. ed., p. 261, Rio de Janeiro: FEB, 1998.