O Mundo Vai Acabar?


 

 

Volta e meia ouve-se esta pergunta: o mundo vai acabar?

Quando se indaga dos motivos dessa preocupação, respondem: está escrito na Bíblia. Os mais informados detalham que está escrito no Apocalipse. a

As preocupações com profecias levam os homens a acreditar em muita tolice.

As profecias de Nostradamus, tão badaladas, possuem inúmeras interpretações.

Tenho um livro que analisa essas profecias que diz que a Alemanha Oriental teria uma grande participação, nos acontecimentos do fim do mundo. O que acabou foi ela e não o mundo.

Se pedirmos que nos digam o que significa apocalipse, dizem, com toda segurança: apocalipse é o fim do mundo.

Os menos jovens, não digo mais velhos para não ofender ninguém, devem ter ouvido muitas vezes o refrão: dos mil passou, dos dois mil não passará. A razão deste ditado é que, na idade média, havia uma crença generalizada que o mundo ia acabar no ano 1.000. Houve até fome em determinadas regiões pois muitos deixaram de plantar no ano 999, considerando que, se o mundo ia acabar, não haveria colheita possível.

O mundo não acabou, mas transferiram a desgraça para o ano 2.000, sempre com a mesma desculpa: está no Apocalipse.

Vários enganos estão na afirmativa acima.

Apocalipse não é fim do mundo. Esta palavra vem do grego apokalypsis que significa revelação.

Outro engano é a afirmativa de que nele está previsto o fim do mundo. Não é verdade.

O problema é que poucos o lêem e destes, menos ainda vão até o fim. Quem vai, não só não encontra esta afirmativa como, pelo contrário, encontra a afirmativa de que o mundo, após os fatos ali figurados, vai continuar existindo. O capítulo 21 tece comentários sobre o mundo, em sua nova fase, fala de como serão as suas nações, do procedimento dos seus dirigentes e de uma vida feliz para todos os povos.

A afirmativa de que está na Bíblia que o mundo vai acabar é tão falsa como a afirmativa de que Maria Madalena foi prostituta. Não é verdade, como demonstrei em um dos capítulos deste livro.

A revelação recebida por João, o Evangelista, é escrita conforme a cultura da época, cheia de simbolismos como as estrelas que caem do céu e outras figurações, que nós sabemos, não podem ser levadas ao pé da letra. Tudo bem ao gosto não só do povo judeu, mas como de todos os povos orientais.

Era a época da crença em coisas mágicas ou mitológicas, muitas dessas coisas ainda perduram até os tempos atuais na astrologia, numerologia e outras práticas chamadas de ocultismo que, é bom dizer, o Espiritismo não aceita.

Aqui um comentário a parte do tema. Há quem confunda o fato de o Espiritismo não condenar nada com aceitar tudo. Houve até uma senhora, que se diz espírita, que me afirmou que acende vela em casa, acompanha procissão e vai a missa, porque o Espiritismo aceita tudo. Não aceita tudo não, apenas não condena, o que é muito diferente.

Mas voltemos ao Apocalipse.

Os cavalos coloridos citados no capítulo 6, por exemplo, são símbolos das falhas morais da época de transição planetária a que se reporta a revelação. Sim, isso mesmo, transição, mudança e não fim do mundo.

Vamos analisa-los, invertendo a ordem do cavalo branco.

O cavalo vermelho simboliza a tirania, a força, a violência, a guerra, a desunião, a prepotência; o cavalo preto significa a ganância, a ambição, a usura, o desequilíbrio social; o cavalo amarelo a corrupção, a depravação, as suas conseqüências como a fome, as doenças por inoperância e desonestidade dos responsáveis pela saúde pública, as mazelas morais e suas decorrências, como a AIDS etc. ou seja representam um quadro perfeito e atual do aspecto moral da humanidade. O cavalo branco representa o bem, os princípios morais do Evangelho que, após os fatos ali narrados, prevalecerão no mundo.

Essa mudança é dolorosa e os capítulos 7, 8 e 9 tratam dos padecimentos dessa época e muito se interpreta buscando coisas materiais, com a idéia de um castigo que vem de fora. Da vingança de um Deus inclemente que não hesita em destruir sua própria obra.

A figura da besta do Apocalipse é um exemplo dessa busca de coisas materiais.

Inúmeras criaturas já foram identificadas com a besta, entre outras, podemos citar: Napoleão, Hitler, o comunismo e até certos papas que, segundo alguns protestantes, seriam a própria encarnação da besta. Houve quem descobrisse uma relação entre o número da besta, 666, e o papado. Utilizando os títulos de "VICARIVS GENERALIS DEI IN TERRIS", "VICARIS FILII DEI" e "DVX CLERI" que significam "Vigário Geral de Deus na Terra", Vigário do Filho de Deus" e "Príncipe do Clero", basta ao pesquisador a paciência de somar os algarismos romanos encontrados em cada um desses títulos do papa para encontrar o número 666, o da besta, em cada um deles.

Se procurarmos, vamos encontrar na literatura espírita comentários a respeito desse tema que provoca pavor em tantas pessoas.

Com relação a essas possíveis previsões apocalípticas de fim de mundo, Kardec consultou os espíritos, em 7 de maio de 1856. Em resposta obteve a informação de que não haveria "nenhum cataclismo de ordem material". Cinco dias depois, em 12 de maio, tratando do mesmo assunto foi informado pelos espíritos que não haveria: "nem dilúvio nem abrasamento do vosso planeta nem outros fatos desse gênero".

Problemas naturais como abalos, inundações, secas, tufões etc. continuariam existindo como sempre existiram, mas de âmbito local, nada de cataclismos universais.

Em 25 de abril de 1866, Kardec faz um resumo, em sete páginas, de comunicações recebidas sobre o mesmo tema: o fim do mundo.

São conclusivas: os cataclismos de que trata o Apocalipse não são físicos, são cataclismos morais. O que desaparecerá será o reino do mal substituído pelo reino do bem e isso se fará de forma paulatina, através do processo reencarnatório.

Nascerão mais crianças propensas ao bem e os maus a medida em que desencarnarem vão sendo impedidos de reencarnarem no planeta. O processo é lento, pois é preciso dar uma última oportunidade aos espíritos atrasados que ainda se encontram no plano espiritual do planeta.

As mensagens acima referidas podem ser encontradas no livro "Obras Póstumas".

Já estamos vivendo a época prevista e seus sofrimentos que, nós brasileiros, de forma quase privilegiada, pouco sentimos, pois temos sido poupados de revoluções, de guerrilhas violentas como vemos na Colômbia e, até pouco tempo havia em países da América Central e ainda há em regiões da África e da Ásia.

Já vive, o mundo, os abalos produzidos pelas guerras, terrorismo, violência, corrupção, drogas, prostituição, ateísmo, desagregação familiar, degradação moral; exaltação dos desequilíbrios, das anormalidades, da desonestidade que passaram a ser não mais aleijões morais, mas sim progresso, evolução e esperteza.

É o fim, não do mundo, mas das deficiências morais, do desequilíbrio dos espíritos que, ou se reformam, ou serão banidos para outros mundos de condições inferiores, onde reencarnarão até se recuperarem moralmente.

É isso que informa o capítulo 22 do Apocalipse quando diz que ficarão de fora deste mundo (para eles é como se o mundo acabasse), os cães, os feiticeiros, os que se prostituírem ( na Bíblia essa palavra tem um sentido amplo, abrangendo a prática de qualquer infração moral, corrupção etc.), os homicidas, os idólatras e os mentirosos. Como vemos muita gente vai ter que sobrar.

Repito não haverá fim do mundo, apenas fim de uma época de baixa moral.

Cumprindo-se, assim, a Lei Divina do Progresso, o planeta Terra passará à categoria de mundo de regeneração onde não mais reencarnarão os maus, haverá a predominância do bem e os homens poderão viver dentro dos princípios ensinados por Jesus.

Esse é o destino de todas as criaturas, Deus nos criou para sermos felizes e seremos.

Seria um absurdo Deus destruir de forma irremediável a sua própria obra.  

 

 

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