A REENCARNAÇÃO
ESTÁ NA BÍBLIA
Autor: Carlos César Barro
Jesus
Cristo havia subido ao monte Tabor com três de seus discípulos para orar:
Pedro, Thiago e João. Chegando ao topo, o Mestre se transfigura perante os apóstolos
e eis que aparecem junto deles Moisés e Elias, já falecidos há centenas de
anos, que conversam com o Senhor. Depois, Ele e seus seguidores desceram da
pequena elevação e se envolvem no diálogo que colocamos ao lado.
Nas Escrituras Sagradas, mais precisamente no livro de Malaquias, há uma
profecia afirmando que antes da vinda do Messias, o profeta Elias deveria
novamente retornar. Sem entendê-la direito, os Escribas e os Fariseus,
religiosos da época e inimigos de Jesus, apegavam-se nela para afirmarem
que o Mestre não era o Filho de Deus, pois não tinham visto a Elias.
Indagado sobre a vinda do profeta, Jesus responde que ele já havia
nascido, e que ninguém o tinha reconhecido. Então, os apóstolos compreenderam
que se tratava de João Batista, a quem o Mestre se referia.
Em outra passagem anterior à citada, Jesus também afirma que João era
Elias : ...Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E se
quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir. Quem tem ouvidos
para ouvir, ouça (Mateus 11: 13 a 15).
João Batista era primo de Jesus, filho de Izabel e Zacarias. É
importante não confundir este João com o apóstolo do mesmo nome, chamado o
Evangelista. O Batista começou a pregar no deserto, onde morava. Vestia-se de
pele de animais e comia mel silvestre e gafanhotos. Sua pregação era muito enérgica,
conclamando o povo a seguir os ensinamentos morais das Escrituras. Quando alguém
se convertia a sua doutrina, prometia que dali em diante sua vida iria mudar. João
mergulhava esta criatura nas águas do Jordão, num ato simbólico de batismo,
para selar o compromisso. Este ato foi chamado de "batismo pela água".
Daí o nome "Batista". Note que na época só se batizavam adultos.
Chegando Jesus à margem do Jordão, foi também batizado por João,
"para que se cumprissem as antigas profecias". Este
acontecimento marcou o início da vida pública do Mestre e o declínio da pregação
do Batista. João foi preso pelo rei Herodes, por causa das críticas que
ele fazia ao adultério do rei com sua cunhada Herodias, mulher de seu irmão
Felipe. No aniversário do rei, Herodias pediu a cabeça de João. A história
dos Evangelhos ilustra a vida de trabalho do Batista, à causa do Bem.
O Evangelho de Lucas, capítulo I, versículos 36 a 45, pode ser
analisado. Nele, é contada a história da gravidez de Izabel, mãe do Batista,
prima de Maria, a mãe de Jesus. João nasceu de parto normal, como outra criança
qualquer. Conclui-se pois, que se Jesus afirmou que João era o Elias da
profecia, deu inequívoco testemunho de que o Espírito ou a Alma pode entrar no
ventre da mãe para nascer de novo.
Existem outras passagens que mostram que alguns judeus acreditavam na
reencarnação. Muitas vezes perguntavam ao Mestre se ele era um dos antigos
profetas que havia voltado (veja Mateus 16: 13 a 16). Se eles assim
questionavam, é que entendiam que os Espíritos tinham possibilidade de viverem
outras vidas.
Quanto a Jesus não ter utilizado o termo "reencarnação"
naquela época, ele mesmo responde numa conversa com Nicodemos, o fariseu simpático
a Jesus:
Em verdade te digo que aquele que não nascer de novo , não pode ver o
reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho?
Porventura pode retornar ao ventre de sua mãe? Jesus respondeu: Na
verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode
entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido
do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito. Necessário vos é
nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes
donde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
Nicodemos respondeu: Como pode ser isso? Jesus disse: Tu és mestre de Israel e
não sabes disso? ... Se vos falei de coisas terrestres e não crestes,
como crereis se vos falar das celestiais? (S. João, cap.III - vers. 3 a 12).
Jesus deixa claro que nem todos estavam aptos a entenderem a verdade como
ela hoje nos é apresentada pela Doutrina. Afinal, a encarnação do Mestre foi
há quase dois mil anos. Não havia condições intelectuais para se entender as
abstrações da vida espiritual. Por este motivo, o Mestre sempre dizia os que têm
olhos para ver, vejam; os que têm ouvidos para ouvir, ouçam. Não falou
claramente da reencarnação, nem da vida após a morte, mas o fez nas
entrelinhas. As Escrituras Sagradas nos fornecem subsídios importantes para
crermos na reencarnação como dádiva de Deus.
BANCO DE
DADOS
Jornal "A Voz do Espírito"
São José do Rio Preto - SP
Texto
produzido em junho de 1994
Publicado: Jornal Entenda a Vida, edição 1
Reprodução autorizada, desde que
seja citada a fonte.