Os Loucos Esperiotas em Curitiba

 

É uma cidade de muitos recantos e para todos os gostos, esta Curitiba, capital do Paraná, acomodada no Sul do Brasil, junto a Serra do Mar, e dona de uma história rica de colonização iniciada no século XVII. Graças às suas origens e ao passado recente de planejamento da expansão urbana, é que a cidade tornou-se um centro permanente de interesse. Um mosaico de paisagens bucólicas, típicas da vida interiorana, e de rotinas nervosas, próprias da metrópole que cresce.
A cidade tem 1,6 milhão de habitantes que levam uma vida diferenciada da maioria das capitais brasileiras. Eles desfrutam de privilégios que tem atraído administradores e técnicos de todos os lugares a pelo menos três décadas, quando a Prefeitura criou o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba - IPPUC - um verdadeiro laboratório de idéias - para mudar a face da cidade e preparar o futuro.
A característica principal de Curitiba é descoberta rapidamente por quem a visita: a forma inovadora com que os problemas são resolvidos, a começar pelo sistema viário. A circulação da cidade é rápida e segura, garantida por um sistema trinário de vias, com canaletas exclusivas para o transporte coletivo e pistas para os deslocamentos velozes. A este sistema integram-se, recentemente, as linhas diretas, uma nova opção de acesso do centro a bairros periféricos. O "Ligeirinho", como é chamado carinhosamente pela população, utiliza as estações tubo: conforto e rapidez na superfície, sem os elevados custos de um metrô. O planejamento da expansão da cidade previu não apenas as obras de infra-estrutura física, mas também as obras de preservação da natureza e da memória da cidade.

Na década de 70, a Prefeitura tombou e restaurou as construções centenárias do Setor Histórico, que voltaram a ganhar vida ao lado de dezena de museus, cinemas e teatros como o Guaíra e o Paiol. O curitibano também ganhou espaços pioneiros exclusivos para pedestres, como o calçadão da famosa Rua das Flores, o primeiro do País, que se transformou num ponto de encontro e de lazer.

Aos sábados, pequenos artistas tomam conta do calçadão. A capital paranaense também foi a primeira a criar uma Rua 24 Horas - um espaço sempre aberto, com dezenas de lojas para suprir as mais variadas necessidades dequem vive e quem chega à cidade. Bares, farmácias, casas de vídeo, lavanderias, floricultura e mercadinhos estão à disposição da população dia e noite, num espaço de arquitetura moderna e funcional.
A criação de parques e a preservação de bosques garantiu a um só tempo o afastamento das áreas habitacionais das zonas de enchente da cidade e concedeu outro privilégio ao curitibano: 50 metros quadrados de área verde para cada morador da cidade, um número muito superior às recomendações da ONU.

A mesma ONU que premiou a cidade e o prefeito Jaime Lerner pelos projetos inovadores de tratamento do lixo urbano.


A Cidade de Curitiba merece mesmo o título de capital ecológica do Brasil, título este reforçado recentemente com a criação do Jardim Botânico da cidade, uma imensa área verde, com estufa para viveiros, lago e muito espaço verde à disposição de quem gosta da natureza ou se dedica a estudos de botânica.

 

 

Como se tudo isso não bastasse para tornar Curitiba um objetivo inadiável em qualquer roteiro de viagens, é bom saber que a cidade é bonita, tem um clima agradável com as quatro estações bem definidas, e é hospitaleira.

Curitiba é uma síntese de muitas culturas, trazidas por imigrantes do mundo inteiro, que ajudaram a construir cada pedacinho da cidade a partir da metade do século passado. Bem acolhidos nesta terra que, na época, tinha largos espaços a oferecer, eles retribuíram à altura. Emprestaram não só o suor e esforço, mas também seus conhecimentos, sua cultura, suas tradições.
Por isso Curitiba é formada por pedacinhos de vários países. Uma fração da Itália salta aos olhos no bairro de Santa Felicidade, tanto na arquitetura - está lá a Casa Culpi, a primeira do bairro, agora transformada em espaço cultural - como no estilo de vida, alegre, colorido, barulhento.

É em busca dessa exuberância e da boa comida que milhares de pessoas chegam ao bairro, principalmente nos fins-de-semana, para apreciar as massas, as carnes e o vinho dos grandes restaurantes, verdadeiras cantinas instaladas na Via Veneto.
Também há muito da Polônia, cujos imigrantes esparramaram-se pela cidade, mas mostraram certa preferência pelos bairros Pilarzinho, Santa Cândida e Orleans. Suas características persistem nos sobrenomes de muitos curitibanos de olhos azuis e cabelos louros.

No bosque João Paulo II, a memória polonesa está registrada na capela de Nossa Senhora de Jasna Gora e nas casas de tronco dos pioneiros que expõem utensílios típicos - a pipa de azedar repolho, o abanador de cereais e o amolador de pedra. E os descendentes dos primeiros poloneses ainda encantam o paladar com o pirogue e o pastel cozido, recheado com batata e requeijão.

Ainda há muito de Curitiba marcado pelo sotaque alemão, árabe, japonês, chinês, suíco e ucraniano. As manifestações mais evidentes desses povos são encontradas na arquitetura, no artesanato e na culinária. Mas em cada esquina, pelas ruas da cidade, estão filhos, netos e bisnetos dos desbravadores perfeitamente integrados, devidamente miscigenados, brasileiríssimos. Orgulhosos de suas origens, mas curitibanos acima de tudo.

 

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