| A Arte da Multiplicação de Talentos Formação de novos educadores cristãos |
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O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre. Lc. 6:40 Por Valmir Nascimento Milomem Santos Existe uma grande lição no milagre da multiplicação dos pães que poderia passar despercebido. É algo simples, porém, revela-nos uma das grandes verdades do ministério de Jesus na terra como corolário da sua missão. Eles tinham somente cinco pães e dois peixes, e com apenas esse pequeno lanche, Jesus matou a fome de cinco mil homens, além de mulheres e crianças. Depois vem a segunda multiplicação. É a mesma história, só que dessa vez com sete pãezinhos e alguns peixes. O exemplo do Mestre: A lição da participação Qual a lição que tiramos dessas histórias? A resposta está em Mateus 14:19 ?...e partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão?; fato esse que também se repete em Mateus 15:36. O mestre pega os pães e, um a um entrega-os primeiramente aos discípulos para que esses repassem à multidão. Essa é a lição da multiplicação de talentos; a lição da participação. Jesus poderia muito bem ele mesmo, ter entregado diretamente o pão às pessoas que ali estavam. No entanto, o mestre resolveu passar pela mão de cada discípulo primeiro. Tudo isso fazia parte da preparação dos apóstolos, afinal não bastava somente ouvir, era necessário agir. Eis que eram homens que dariam continuidade à obra do mestre na pregação do evangelho e à implantação do reino na terra. O ministério da multiplicação de talentos também deve estar presente na Igreja atual. É imprescindível a preparação de novos talentos que dêem continuidade à educação cristã de forma eficiente e de qualidade, mas para isso, é importante que a direção das Igrejas e das Escolas Dominicais invistam em ações na busca de encontrar novos aspirantes ao ensino bíblico, preparando-os e treinando-os de forma planejada e consistente, evitando-se assim a frustração dos novos professores. Esse planejamento envolverá três grandes desafios: 1) Como localizar os aspirantes à educação cristã; 2) Como treiná-los e capacitá-los e; 3) Como introduzir o novo educador ao ensino da Escola Dominical. Assim, nos lançamos aqui a esse desafio de repassar algumas estratégias que vêm logrando êxito. 1) Quem são eles: Encontrando os novos educadores Outra lição que aprendemos com Jesus é a escolha da sua equipe. O mestre separou homens não pelo que faziam ou pelo que tinham, mas pelo que queriam. O importante para Ele era que seus discípulos tivessem duas características marcantes: vontade de aprender e desejo de ensinar; deveriam estar dispostos a darem tudo de suas vidas por isso. E é exatamente o que vemos quando Pedro e André resolvem seguir o Mestre. A única garantia que eles tinham era: ?Vide após mim, e vos farei pescadores de homens. O primeiro passo rumo ao treinamento dos novos aspirantes é localizá-los. Deve-se saber, à priori, quem são as pessoas interessadas em trabalhar com a escola dominical, pois, assim como qualquer função na Igreja, o ensino da Palavra de Deus requer uma atitude voluntária e espontânea, para pessoas vocacionadas e interessadas em levar conhecimento ao próximo. Pois, infelizmente temos visto novos professores que são ?jogados? em algumas salas de aulas que não possuem vocação nem um mínimo de treinamento. Por isso, o importante é saber ?o que eles querem?. Qual o objetivo deles ao lecionarem. Para essa ?seleção? não pode, nem deve levar em consideração somente a graduação do pretenso professor, nem tampouco seu sobrenome; antes, o interesse que o mesmo tem pelo ensino e a chamada quem tem para o ministério. Por isso, é primordial que a direção da EBD fique atenta a todos esses pontos, para que não deixe de fora alguém que não seja graduado, porém um exímio professor, vocacionado por Deus. O levantamento dos aspirantes poderá ser feito mediante um questionário simples junto aos membros da Igreja. As questões deverão enfocar o interesse do aspirante pelo ensino e o motivo pela qual pretendem fazê-lo. É importante que o questionário seja escrito, pois diversas vezes os irmãos mais tímidos têm receio de exporem pessoalmente sua aspiração pelo ensino. Importante ainda, que seja feito uma entrevista com todos os interessados, de modo a sentir de perto as intenções de cada pessoa. Outra informação importante que se deve buscar já nesse primeiro questionário, é saber qual a classe de alunos que o aspirante pretende lecionar; qual a sua vocação por faixa etária. Caso o mesmo não tenha ainda em mente qual a sua classe vocacionada, poderá futuramente fazer um ?estágio? em cada uma das salas, visando mostrar-lhe a realidade de cada turma, o que logo após, terá ele a capacidade de decidir qual faixa etária escolher. 2) Como treiná-los: Capacitando os novos educadores Jesus aproveitava todos os cenários e todos os momentos para ensinar. Ele usava o cotidiano e a realidade das pessoas. Não era necessária a realização de um evento específico sobre determinado assunto para o mestre educar. Assim, o melhor local para iniciar a preparação dos futuros professores é na própria classe da Escola Dominical. É na EBD que eles terão o contato com a realidade do ensino; destarte, é importante que todos os professores atuantes, e não somente a direção da EBD; estarem empenhados em formar novos educadores. O bom mestre é aquele que é capaz de formar não somente alunos, mas, principalmente, outros professores. O bom mestre não somente repassa conteúdo, antes, busca formar no aluno o caráter cristão, capacitando-o a repassarem avante tais ensinamentos. Para tanto, é necessário que o mestre incentive os aspirantes às pesquisas, de forma a estarem preparados em todas as aulas. O incentivo à leitura de bons livros é outro aspecto de relevância, e sempre que possível apresentar na classe da EBD quais os livros que você tem se baseado para preparar sua aulas, motivando-os à adquirirem tais obras, assim, você estará gerando nele um desejo de aperfeiçoamento. Ainda, incentivar de todas as maneiras possíveis, para que os alunos estudem sistematicamente a lição a ser ministrada. Em todas as aulas é necessário que seja cobrado deles tal atitude, objetivando gerar uma responsabilidade nos mesmos. É claro que também não poderíamos nos esquecer de mencionar que o treinamento dos novos educadores poderá ser feito através de participação em seminários, congressos e palestras sobre o ensino na EBD. E louvamos a Deus que dia após dia surgem novos eventos como esses que apresentam ótimos recursos e novas técnicas para a capacitação da arte de ensinar. Por isso, a direção deve empenhar-se ao máximo em financiar a participação dos aspirantes para que presenciem esses eventos e, se possível, a própria Igreja realize-os periodicamente. 3) Como iniciar a atividade do novo educador Um início mal formulado pode gerar grandes frustrações, podendo afastar um futuro bom professor do seu oficio. Portanto, é mister que a introdução do aspirante ao ensino se dê de maneira moderada e bem planejada. Comece usando o aspirante como monitor da classe. Nessa fase ele será responsável por fazer pesquisas referentes aos temas, devendo estar preparando em sala de aula. Uma vez em sala de aula o professor começará a dar oportunidades ao mesmo para que fale sobre sua pesquisa. Depois, passe a colocá-lo para dar a introdução da lição que será estudada (05 a 10 a minutos). Caso haja mais de um aspirante é necessário que seja feito uma tabela de rodízio para não haver confusão. Em seguida, e de acordo com o grau de facilidade de cada aspirante, vá concedendo mais tempo para que ele lecione. É importante que após cada aula ou participação do aspirante, o professor dê a ele um retorno acerca da sua exposição. Mencionando os pontos positivos e os pontos negativos, enfatizando as suas qualidades e o que pode ser melhorado, mas sempre procurando evitar a crítica exagerada. Realize constantemente reuniões somente com os aspirantes, visando sanar algumas dúvidas, ouvir sugestões e apresentar algumas experiências de ensino que sejam de relevância para eles. Entendendo o que é ser um multiplicador de talentos Para terminar, deixe-me colocar um exemplo que tornará claro a idéia sobre multiplicadores de ensino e o que isso representa. Um professor de Escola Dominical do século passado que conduziu um vendedor de calçados a Cristo. O nome do professor você pode nunca ter ouvido: Kimball. O nome do vendedor de calçados que ele converteu você certamente conhece. Dwight Moody. Moody tornou-se evangelista e exerceu grande influencia na vida de um jovem pregador chamado Frederick B. Meyer. Meyer começou a pregar nas faculdades e, durante suas pregações, converteu J. Wilbur Chapman. Chapman passou a trabalhar com a Associação Cristã de Moços e organizou a ida de um ex-jogador de beisebol chamado Billy Sunday a Charlote, Carolina do Norte, para realizar um reavivamento espiritual. Um grupo de líderes comunitários de Charlotte entusiasmou-se de tal maneira com o reavivamento que planejou outra campanha evangelística, convidando Mordecai Hamm para pregar na cidade. Durante essa campanha um jovem chamado Billy Graham entregou sua vida a Cristo. E Graham por sua vez levou milhares de pessoas a Cristo. Será que o professor da Escola Dominical de Boston imaginava qual seria o resultado de sua conversa com o vendedor de calçados? Não! Mas, da mesma forma que aconteceu com ele poderá acontecer conosco. Sejamos não somente professores, mas, multiplicadores de talentos! |
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