JESUS NA MÍDIA
Por que uma onda de publicações acerca de Jesus tem invadido a mídia atualmente?
por
Valmir Nascimento M. Santos
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De tempos em tempos a
figura de Jesus é visitada pela mídia em geral. Marcada por reportagens,
artigos e livros que comprovam essa alegação a mídia em 2004, veiculou
diversas matérias que tiveram como objetivo investigar a vida de Jesus
Cristo, tanto sob a ótica histórica quando religiosa. Reportagens que não
raras vezes apresentaram um Jesus distorcido e diferente daquele narrado nas
páginas das Escrituras Sagradas. Redações impregnadas de altas doses de
preconceitos e argumentações tendenciosas.
De fato, num país em
que 99% das pessoas dizem crer em Deus e mais de 80% acreditam na vida eterna
e no paraíso, falar de Jesus (contra ou a favor) é garantia de
"ibope" na certa. Veja-se o exemplo da própria Superinteressante,
a capa de Jesus, de dezembro de 2002, bateu o recorde
histórico da revista: 220 mil exemplares em banca. A segunda capa mais
vendida na história da Super é a da Bíblia, de julho de 2002, com 162
mil exemplares. Quanto
mais polêmico o assunto, maior é a quantidade de exemplares vendidos pelas
Editoras. Assim, por se tratar de um assunto de alto relevo, envolver
susceptibilidade e ter como público alvo todas as classes sociais, a religião
e a fé despontam como temas que trazem lucro para as empresas de mídia.
Resultando assim, na produção e veiculação de reportagens sensacionalistas e
desprovidas da imparcialidade. Com
a chegada do final de ano e conseqüentemente as festas natalinas, a mídia
intensifica essas matérias. Em dezembro de 2004 duas revistas de circulação
semanal, trouxeram como tema a figura de Jesus estampada em suas capas. Vejamos: Revista Veja
e o Jesus histórico
A edição de 15 de dezembro de 2004 teve como reportagem principal a investigação acerca do Jesus histórico. São 20 páginas do nº de 25 de dezembro de 2002 (p.86-108 e 116- 123). Sob o título geral “O que Ele tem a dizer a você hoje”, trata em três partes separadas das “faces de Jesus” (“O que se sabe a respeito da figura histórica de Jesus” e “A ciência à procura de Cristo”), do “Mestre invisível” (“A mensagem de Cristo influencia a cultura do planeta e as outras religiões”) e da “sobrevivência da fé” (“Por que a religião sobrevive numa época marcada pelo ceticismo?”). Assinado por Isabela Boscov o texto fornece uma alta gama de informações, constando pareceres de teólogos, historiadores e arqueólogos. Apesar das nuanças de imparcialidade que constam da matéria, a jornalista comete alguns graves deslizes na sua redação, logo no inicio escreve: “A fé cristã se fortaleceu no decorrer dos últimos vinte séculos não por se constituir em um impecável museu de relíquias capazes de narrar de forma coerente e incontestável a história de Jesus. A fé cristã se enriqueceu da adversidade e construiu uma vigorosa verdade teológica apesar das falhas gritantes dos registros históricos sobre o homem que mandou o apóstolo Pedro construir a sua Igreja”. A reportagem enfoca o debate acerca da existência de Jesus Cristo, buscado verificar se o Nazareno realmente existiu e quais as bases histórias e científicas que comprovam isso. Sobre isso o Pastor Fernando Fernandes[1] diz que “Não basta conhecer a história; é necessário aceitar a Jesus como Senhor e Salvador de nossas vidas”. Segundo ele “é preciso esclarecer que Jesus veio ao mundo para morrer pelos nossos pecados. O nome Jesus quer dizer isso; Deus é salvação. Jesus sofreu por nós e morreu na cruz para que tenhamos o perdão dos nossos pecados e para que pudéssemos viver de forma bem diferente deste padrão de vida egocêntrico, desregrado e hedonista que nos impõe a sociedade. Jesus não é apenas o menino do Natal; é a maior e a mais objetiva expressão do amor de Deus para conosco. Você e qualquer pessoa que deseja se aproximar de Jesus e ter com ele experiência de fé significativa e transformadora precisa entender isso, ampliando, assim, a sua visão sobre Jesus Cristo e passando a identificá-lo como o Cristo de Deus”. Revista Época e o Código da Vinci
A última publicação do
ano acerca de Jesus ficou por conta da revista Época que trouxe como capa da
sua edição de 20 de dezembro de 2004 o titulo “A
companheira de Jesus” “Discípula ou amante, apóstola
ou esposa?” cujo objetivo analisar o livro “O Código da Vinci” do escritor
americano Dan Brown, um romance policial que já vendeu 15 milhões de
exemplares, 400 mil só no Brasil (dados da Revista Época), o qual traz no seu
enredo uma trama fictício onde um assassinato dentro do Museu do Louvre, em
Paris, traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo que foi
protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo. Brow afirma revelar um
segredo secular quando explica algumas imagens pintadas nos quadros do famoso
pintor Leonardo da Vinci. Uma das ditas revelações, por sinal obtusa, é a do
quadro da última ceia, da qual Jesus participou com 12 discípulos, segundo o
autor, o pintor deixou vários enigmas a serem desvendados, como Jesus de mãos
dadas com o apóstolo João, que por ser considerado o mais delicado e amável
de seus seguidores, seria amante de Jesus. Ele afirma ainda que João, na
verdade, era Maria Madalena.
Comentando o assunto, o Dr.
Ed Wilson[3] “não há nada no registro bíblico sobre a
Última Ceia que indique a presença de mulheres nessa refeição. Também não há
qualquer indicação nos Evangelhos bíblicos de que os discípulos guardaram o
cálice de Cristo, pedaços da cruz ou quaisquer outras relíquias religiosas.
Não é o cálice no qual Jesus bebeu que nos salva, tampouco lascas da cruz
onde Ele morreu. O sangue que Ele derramou naquela cruz, simbolizado pelo
cálice, é a verdadeira base para nossa salvação”. Não bastasse as argumentações trazidas por Ed. Wilson, deve se
verificar ainda se Da Vinci tinha a legitimidade para deixar algum tipo de
‘código’ para que fosse decifrado. Mesmo se o tivesse deixado, de nada
valeria diante das verdades bíblicas e históricas acerca de Cristo. Dan
Brown, assim como muitas revistas que abordam a vida de Jesus, traz um tema
polêmico cujo objetivo é chamar a atenção dos eleitores e com isso
multiplicar as cifras dos lucros. Diante da crescente onda de publicações sobre fé, religião e Jesus
Cristo, compete ao cristão analisar com diligência as informações que lhes
sãos repassadas, e como disse Paulo “Examinar tudo e reter o bem”. I Tes.
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“Estais, pois, preparados para
responder com mansidão
e temor todos aqueles que vos pedir a razão da vossa fé”. I Pe.
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