O futuro não basta
por
Valmir Nascimento M. Santos
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Freqüentemente ouço pessoas referirem-se aos jovens como
o futuro do Brasil ou do mundo. Atribuem a eles (ou a nós) a responsabilidade
do amanhã, do porvir, do que virá. Potencialmente são futuros presidentes,
juízes, professores ou administradores. O presente, não raras vezes, é
ignorado, quando muito, sãos lhes direcionadas atividades de somenos
importância. O erro não está em atribuir-lhes o futuro, mas em
excluí-los do presente. Tratam os jovens como embriões ou simples projetos,
cuja utilização somente se concretizará daqui a alguns anos ou décadas. Uma
concepção que será idealizada somente quando os velhos se forem ou ainda um software
que está em fase de elaboração e será executado exclusivamente quando o seu
‘tempo chegar’. Não negligencio que muita coisa mudou. O espaço dos
jovens acresceu e as oportunidades se intensificaram. Tanto na igreja quanto
no ambiente secular os raios do sol começaram a bater nas portas dos mancebos
e os ventos impulsionar os seus navios. Entretanto, tal evolução ainda é
tímida se levarmos em consideração a potencialidade da mocidade e o modelo de
trabalhos que lhes são destinados. O jornalista Sérgio Pavarini argumenta que a busca do
crescimento da Igreja impulsionou a liderança a tratar os jovens e
adolescentes em blocos. Mega concentrações, shows e congressos. Segundo ele “A galera segue por aí
ocupada com ensaios, conferências e jantares. Cheios de energia, eles têm o
potencial sub explorado em arengas intermináveis do tipo ‘reuniões
ordinárias’”. Assim, muitas idéias permanecem
trancafiadas nessas mentes, ansiosas para virem à tona. José e Davi passaram por esse mesmo problema. Para seus
irmãos, José era somente um sonhador; assim, impulsionados pela inveja jogaram-no
em uma vala. Para seus irmãos, Davi era tido como jovem demais, razão pela
qual não poderia participar da batalha e enfrentar Golias. A história nos
mostrou que tanto os irmãos de José quanto de Davi estavam completamente
equivocados, diferente do pensamento de Deus que via nos dois jovens a
possibilidade da concretização de Sua vontade. Resultou que José foi
governador do Egito e Davi Rei de Israel. José livrou o povo da fome e Davi
venceu a batalha. Esse dois exemplos devem nos alertar para a importância da
juventude. Sob pena de os jogarmos às “valas” ou então excluí-los da peleja. Nos congressos para jovens, repetidas vezes são
pronunciadas as palavras de João: “Jovens, eu vos escrevi porque sois fortes
e a palavra de Deus habita em vós” I João 2:14b. Palavras que alegram os
ânimos, motiva os rapazes e dá esperança aos moços. Porém, encerrados os
trabalhos, voltamos para as congregações e novamente pegamos o bonde do
cotidiano. E lá continua estendida a cortina: O jovem é o futuro da Igreja. Apesar da pouca experiência dos mancebos, quando bem
aproveitados, têm eles a plena capacidade de realizar trabalhos consistentes
que produzirão frutos. O que não se pode fazer é destiná-los ao anonimato,
desperdiçar talentos e não fazer uso do seu maravilhoso potencial. Pior que
jogar pérolas aos porcos é mantê-las escondidas em sacos plásticos, cuja
beleza não é apreciada e o brilho ofuscado. Assim, devemos lembrar: O jovem não é simplesmente o
futuro, e sim o presente da Igreja. Os jovens não querem trabalhar somente no
porvir, mas, sobretudo, hoje. Pois o futuro não basta! |
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“Estais, pois, preparados para
responder com mansidão
e temor todos aqueles que vos pedir a razão da vossa fé”. I Pe.
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