Diante do Trono da Graça

 

por

Valmir Nascimento M. Santos

 

 

 “A fascinante descida do Rei e a maravilhosa ascensão dos servos”

Vislumbre o Trono Celestial, sua magnitude, esplendor e glória, e embaixo dele uma escada com vários degraus. Sua extremidade superior toca o céu e a outra a terra. Exatamente igual à escada que Jacó viu. No entanto, nesses degraus quem descerá será o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Sua descida é a consumação de um plano que começou antes mesmo da criação. Um projeto celestial que teve inicio antes de Adão ouvir a serena Voz de Deus, e agora, o céu inteiro aguarda e observa. Todos os olhos se fixam numa figura: O Rei Supremo.

         O céu está emudecido.  Até os anjos silenciaram. O motivo foi um decreto, todo o céu está ciente: “O Rei descerá”. Deixará seu Trono, sua coroa, seu cetro. Abdicará da sua majestade, esplendor e glória. Nada pode contê-lo, ninguém pode detê-lo. Anjos, Arcanjos, Querubins e Serafins, todo o exército celestial acompanha atentamente o movimento no céu. Algo está prestes a acontecer. 

Deus entregará seu Filho Unigênito, o Único e Incomparável. E Ele virá de forma simples e humilde. Degrau após degrau, ato após ato, renúncia após renúncia. Ele descerá, e então subiremos. Escalaremos pela fé os degraus da Salvação. Amparados pela potente mão do Rei.

Cada degrau representa uma situação vivenciada por Jesus para que todos pudessem ter acesso à salvação. Seu nascimento, sua vida, sua missão e sua morte. Tudo planejado. Tudo esperado.

Inicia-se a descida...

         Noite em Belém. Estaleiro, fenos, vacas, escuridão (...) Este é o cenário.

José e Maria estão cansados, acabaram de chegar de Nazaré. Os pés estão com bolhas e a fadiga é estressante. Suas mentes estão confusas, talvez desanimados. Receberam uma grande promessa de que Aquele menino que nasceria seria o Messias aguardado por Israel. No entanto, a situação é inversa. Tiveram que sair da Galiléia para que José viesse alistar-se em Belém, cidade de sua linhagem familiar. NT

A esposa começa a ter contrações que aumentam gradativamente. A hora é chegada. O grande momento. Então, nasce o menino profetizado.

Não encontram um lugar confortável. A estalagem esta cheia. Inicia-se uma disputa por lugar com alguns animais. Ele perde espaço, o que resta é uma manjedoura avistada por José. Isso mesmo!!! Um objeto utilizado para dar comida para os animais é o local onde o Filho de Deus receberá seus primeiros toques de carinho humano. Pegam o pequeno garoto, envolvem-no em um pano qualquer e deitam ali o Rei dos Reis.

Não concordo! Pode ser a exclamação de alguém (A minha também!).

Por que o nascimento de Jesus - o Deus encarnado - não se deu de maneira esplendorosa? Podemos indagar.

No nosso cenário o Messias deveria ser recepcionado numa enorme festa de boas vindas. No mais belo Palácio. No mais lindo luar.  Seu berço seria adornado de ouro reluzente, coberto com panos de seda. Provindo de uma família Real, teria uma infinidade de empregados para lhe servir.

Tudo bem que Deus, na sua infinita graça, deu seu único Filho. Agora, não poderia ter vindo de forma notória e esplendida? Indagamos.

 Lucado[1] fez sua conjectura acerca da reação de Gabriel ao saber que Jesus desceria:

Gabriel deve ter colocado as mãos na cabeça com esta incumbência. Ele não era de questionar as missões dadas por Deus. Enviar fogo e dividir mares faz parte dos seus trabalhos da eternidade para este anjo. Quando Deus mandava, Gabriel obedecia. E, quando soube que Deus tornar-se-ia homem, Gabriel ficou entusiasmado, visualizando o momento. O Messias em uma carruagem reluzente. O Rei descendo em uma nuvem de fogo. Uma explosão de luz da qual emergirá o Messias.”

 

Todavia, nós erramos quando pensamos que Deus deve agir da mesma forma que agiríamos. Quando imaginamos que os padrões do Criador são os mesmos que os nossos e quando indagamos a forma de agir do Criador.

A forma que o Rei estabeleceu para viver foi notória do seu nascimento à sua morte. O padrão constituído foi o culto à simplicidade e um grito pela humildade. Simplicidade e Reino não são antagônicos, assim como humildade e poder.

Ele nasceu em um estábulo. Teve pais muito pobres. Viveu em total obscuridade na Galiléia. Por que Jesus assumiu uma posição tão baixa em sua encarnação? Para que soubéssemos que ninguém fica fora de sua graça; todos são importantes aos olhos de Deus. Jesus identificou-se com aqueles que estão no degrau mais baixo da escada, o que significa que todos têm esperança por causa da encarnação do verbo; por causa da descida de Deus. Quer seja branco ou negro, rico ou pobre, bonito ou feio. Todos são iguais aos olhos de Dele.

O objetivo principal de Jesus ao descer era colocar-se no lugar de cada ser humano. Não bastava tão somente uma obra de salvação constituída meramente por palavras, era necessário um ato de salvação, uma atitude de redenção. E foi exatamente o que Deus fez, largou as vestes gloriosas do céu e tomou as panos da humanidade. Deixou a magnitude do firmamento pela simplicidade terrena. Fez isso porque sabia exatamente qual era a nossa necessidade.

Se você se aproximar de qualquer pessoa e perguntar qual é a sua necessidade mais profunda, se ela for completamente honesta, se tiver alguma informação... a resposta será Jesus.

Ele desceu para que nós subíssemos! Escalássemos os degraus da fé, da justificação, da regeneração e da santificação até chegarmos à Sua santa presença. Paulo é quem explica: “E nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.”Ef. 2:6

         Ele morreu para que vivêssemos. Ele sofreu para que fossemos felizes.

Cheguemos com confiança ao trono da graça! (Heb. 4:16)

 

 


 

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“Estais, pois, preparados para responder com mansidão

 e temor todos aqueles que vos pedir a razão da vossa fé”. I Pe. 3:15

 

 

 



NT. Profecia de Miquéias 5;2 “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que

 

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