Auto-ajuda ou ajuda do alto
por
Valmir Nascimento M. Santos
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Estás
desanimado? Auto. Estás deprimido? Auto. Estás abalado? Auto. Queres
progredir? Auto. Queres um amor? Auto. Queres prosperidade? Auto. Queres
amigos? Auto. Anseias felicidade? Auto. Precisa de alegria? Auto. Essa é a receita para o
sucesso: Ame-se a si mesmo. Goste da sua pessoa. Apaixone-se por você.
Adore-se. Descubra-se. Confie em si. Afinal, você é a pessoa mais importante
desse mundo e se não gostar de si mesmo quem vai gostar então? Argumentam. Essas alegações estão por todas as partes. Você as lê
nas revistas, ouve-as na mídia e escuta-as, principalmente, nas palestras
acerca do sucesso. Ela tem sido difundida, apregoada, utilizada e finalmente,
endeusada. Antes de adentrar, porém, ao mérito da questão devo
ressaltar que não defendo o pessimismo nem advogo o pensamento negativista,
do tipo "tudo vai dar errado". Inegavelmente, as pessoas necessitam
dispor de um mínimo de bom senso. Precisam acreditar no seu potencial e
trabalhar em prol da melhoria pessoal, profissional e familiar. Os indivíduos que negligenciam isso relegam tudo ao
acaso, ou esperam que tudo caia do céu; mantêm-se inertes e desprovidos de
iniciativa. Consideram-se incompetentes e inabilitados parar executar
qualquer tipo de tarefa que lhes seja exigido. Mantêm-se trancafiados nos
casulos do "não consigo". Por outro lado, à luz do Livro dos livros, não se
concebe o pensamento egocêntrico; o qual considera o homem como sendo o
solucionador de todo o caos, a panacéia geral que trará a resolução às
moléstias, prosperidade e felicidade. O livro de Lair Ribeiro "O sucesso não ocorrer por
acaso" está repleto dessas argumentações. Segundo esse palestrante do
sucesso "Somos a força criadora da nossa vida. Comece já a reescrever
sua história com as cores do sucesso, conquistando aquilo que você realmente
deseja". "Ouse fazer, e o poder lhe será dado!". Não é à toa que essa idéia ganha mais e mais adeptos. O
livro acima citado, por exemplo, vendeu mais de 1.700.000 (Um milhão e
setecentos mil) exemplares em trinta e cinco países. Por que? Ora, a idéia do
poder pessoal e do amor próprio seduz as pessoas. Diz aos indivíduos que eles
são autônomos e independentes. Alega que se confiarmos em nós mesmos
receberemos tudo o que quisermos, seremos felizes e, sobretudo, seremos
prósperos. Quem não gosta de algo mágico como esse? Essas afirmações seduzem
o homem e massageiam o seu ego, tornando-os donos de seus próprios narizes. Deidre Bobgan argumenta
que as fórmulas do valor-próprio, do amor-próprio e da auto-aceitação
escorrem do tubo da televisão, fluem pelas ondas do rádio e seduzem através
da publicidade. Do berço ao túmulo, os defensores do ego prometem a cura de
todos os males da sociedade por meio de doses de auto-estima, valor-próprio,
auto-aceitação e amor-próprio. Qual
o problema em amar a si mesmo? Nesse ponto do texto
alguém pode perguntar: Qual o problema em gostar de si mesmo?Explico: O problema
não está no simples fato de gostar de si mesmo, afinal, Deus nos dotou do
instinto de autopreservação e autodefesa, capacitou-nos com o senso de
cuidado pessoal. Paulo colocou isso como algo natural "Porque
nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e cuida, como
também o Senhor à Igreja".(Ef.5:29). O problema reside no extremo que as
pessoas têm levado o amor próprio. Tem-se usurpado a naturalidade e beirado
os limites do egocentrismo, individualismo, humanismo e mais outros ismos
existentes. Uma das primeiras
lições que Deus ministrou aos israelitas no deserto foi acerca da dependência
a Ele. Todos os dias pela manhã Deus enviava o maná para o seu povo - a única
refeição que eles dispunham para se alimentarem. As pessoas deveriam pegar o
maná somente para o mesmo dia, não podiam estocar o alimento, pois certamente
apodreceria. A única exceção era na sexta-feira que poderia apanhar alimento
para o sábado também. Acontece que essa
situação deixava os israelitas completamente dependentes. "E se não vier
maná amanha?". "Será que Deus vai enviar alimento?". Essas,
com certeza, eram algumas dúvidas que pairavam na mente de alguns judeus,
demonstrando claramente a falta de confiança no Criador. Eis o motivo pelo qual
alguns deles tentaram armazenar o alimento, o que resultou numa experiência
frustrada, é claro. Ficar dependente de
alguém é algo que as pessoas não querem; precisar dos outros é a ultima coisa
que desejamos seja financeira, afetiva ou fisicamente. A doutrina da
auto-ajuda tenta acabar exatamente com essa dependência, na medida em que
joga para a si o senhorio da vida. Objetiva quebrar o elo de ligação que nos
une ao Todo-Poderoso. Assim, ao invés das
pessoas buscarem a ajuda do alto, elas buscam a auto-ajuda. Ao invés
de perseguirem o estima dos céus, partem no caminho da auto-estima. Ao
contrário de amar a Deus e ao próximo, engendram meios de amarem a si mesmos.
Essas pessoas agem
como aquela criança nos braços do pai, dizendo a ele: "Eu não preciso de
você, eu necessito somente de mim"."Basta somente eu confiar no meu
potencial, o resto não importa". Exato! Como pirralhos, dizem que já são
crescidinhos e donos do próprio nariz. Ignoram aquilo que lhes dá o suporte,
o amparo, a respiração, a vida. Devemos observar que
Jesus não nos convidou para amar a nós mesmo, mas sim para um relacionamento
de amor com Ele e para com os próximos. Aliás, esse era o mandamento. A
alegria dos homens deve ser encontrada nEle, não em si mesmos. O amor vem de
Seu amor por eles. Assim o amor deles, de um para o outro, não vem do
amor-próprio e da auto-estima, tampouco aumenta a auto-estima. A ênfase está
na comunhão, na frutificação e na prontidão para ser rejeitado pelo mundo. E conforme bem disse
Deidre Bobgan: Somente através da semântica forçada, da lógica violentada e
da exegese ultrajada alguém pode querer demonstrar que a auto-estima é
bíblica ou mesmo parte da tradição ou do ensino da igreja. Pensamento esse
que tem sido, infelizmente, difundido em alguns templos cristãos. O
livro "Sedução do Cristianismo" cita a supervalorização descarada
da auto-estima nos púlpitos das igrejas evangélicas americanas, por
"pastores-gurus espirituais". Alguns desses pastores argumentam
"novaericamente" (expressão by San Martin) que somos
"deusinhos" e, como tal, podemos resolver nossos Ora, a Palavra de Deus
dá vazão à ajuda do alto e não auto-ajuda, as quais são completamente
contraditórias. A auto-ajuda diz pra você se auto-afirmar. A ajuda do alto
pede pra você se negar. A auto-ajuda diz pra você se aceitar. A ajuda do alto
pede pra você se renunciar. A auto-ajuda diz que você tudo pode. A ajuda do
alto diz que sem Ele você nada pode fazer. A auto-ajuda diz pra você confiar
em si mesmo. A ajuda do alto pede pra você confiar no Criador. A
auto-ajuda diz pra você carregar os seus valores. A ajuda do alto pede pra
você carregar a sua cruz. |
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e temor todos aqueles que vos pedir a razão da vossa fé”. I Pe.
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