Atrasos e decepções
por
Valmir Nascimento M. Santos
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No mês passado decepcionei-me
comigo mesmo. Havia preparado-me para determinado concurso, estudado a
matéria e pesquisado a legislação pertinente. No entanto, no dia e hora
marcada para a realização da prova resolvi dormir um pouco mais (os famosos
cinco minutos de bobeira). Acordei como quem não tem nada a fazer,
despreocupado como o tempo e com o mundo. Afinal, o local da prova ficava
perto da minha residência. Pra que me preocupar? Pensei. A caminho do local da prova a
“ficha caiu”. Percebi que poderia estar atrasado e que não conseguiria chegar
em tempo para realizá-la. Como atleta olímpico comecei então a correr (bem
mais lento, é claro). Minhas pernas saltitavam no ar no desejo de voar. Imaginei
que, assim como aconteceu com Josué (Josué 10:12), bom seria que o “sol” e os
minutos parassem para que eu pudesse chegar no horário. Todavia, isso não
aconteceu: dei de cara com o portão trancado. Um único objeto de aço
separava-me do meu objetivo. Poucos metros distanciavam-me do concurso. A decepção e a frustração
tomaram conta de mim. A única opção que me restou foi dar um chute numa
árvore, que por sinal nada tinha haver com o meu problema. Entretanto, não
era eu o único displicente que havia chegado atrasado. Mais três rapazes
estavam ali, entregues à decepção, cada um com a sua justificativa. O
primeiro, por sinal revoltado, dizia que não sabia que o horário da prova
seria do fuso de Brasília/DF; o segundo estava despreocupado, não havia estudado
mesmo e o terceiro desculpava-se asseverando que era do Sul, por isso
confundiu os horários. Estávamos ali, entregues ao desanimo. Aborrecido,
peguei o rumo da minha casa enquanto os demais permaneceram desconsolados. Todos atrasados O que ocorreu comigo e com os
outros rapazes não é algo isolado. Por incrível que pareça vez ou outra
sempre atrasamo-nos. A reunião que inicia, o ônibus que parte, o avião que
alça vôo ou a aula que é ministrada são exemplos mais comuns de nossos
atrasos cotidianos. Mas sempre temos as nossas desculpas: O trânsito estava
congestionado! Não sabia o horário! Estava sem relógio! Estava muito cansado!
Sãos esses os nossos argumentos. Desculpas essas que somente servem para
tentar amenizar nosso erro e desculparmos a nós mesmos. Tirando as exceções, na grande
maioria chegamos atrasados porque queremos. Deixamos tudo para o último
momento. Dormimos um pouco mais, mesmo sabendo que teremos uma reunião às
7:00 da manhã. Enrolamos o tempo, não obstante a ciência de que nosso ônibus partirá
daqui a pouco. Atraso espiritual No plano
espiritual, apesar de algumas divergências de analogia, podemos perceber a
existência de algumas pessoas que sempre deixam para a última hora a tomada
de decisão. Para muitos, Deus é o último compromisso da sua agenda;
relegando-o a um simples “Se der tempo converso com Ele, senão fazer o
quê?!”. O homem,
para banir Deus da sua vida, não precisa necessariamente declarar isso com
todas as palavras. Percebe-se isso quando se dá a Criador um pequeno, ou quase
nenhum espaço nas suas ocupações. O futebol, o trabalho ou estudo são
primazias na vida daqueles que “dormem” um pouco mais, antes do compromisso
com Deus. Ignorar
Deus é fácil quando se têm milhares de outros afazeres na sua frente. Aliás,
vivemos numa época de escassez do tempo. Minutos valem dinheiro. Segundos têm
o preço de ouro. Saímos de casa apressados para chegar ao trabalho.
Preocupamo-nos com o trânsito e com os semáforos. Na empresa falamos ao
telefone, enviamos e-mails, discutimos com colegas, redigimos, atendemos,
andamos, corremos e... Nada de pensarmos em Deus. Em casa, comemos, bebemos,
brigamos, estudamos, ouvimos música, dormimos, acordamos e... Nada de
pensarmos em Deus. Assim,
essa rotina de exclusão do Criador prolonga-se no tempo e no espaço, até o
dia em que o homem percebe que está “atrasado” em relação ao plano de Deus e
então, mais que rapidamente inicia uma corrida em direção aos portões
celestiais. Impressionante que, na maior parte das vezes, o cidadão somente
percebe tal atraso espiritual nos momentos de extrema dificuldade. Fatos como
a morte e a doença fazem a “ficha cair”. Nessa corrida para os portões
celestiais, felizes são aqueles que ainda os encontram abertos, tendo na
recepção o eterno e sublime Deus de braços abertos, pronto a perdoar e
desconsiderar os erros passados. Outros, porém, perderão a oportunidade,
alguns permanecerão em sua crassa sonolência espiritual, outros inventando
desculpas para seus erros, outros ainda despreocupados com as conseqüências
de suas falhas. Dois exemplos distintos Foi exatamente o que ocorreu
com os dois ladrões que estavam ao lado de Jesus (Lucas 23) quando da sua
crucificação. Na reta final de suas vidas, tinham eles ainda a oportunidade
de chegarem ainda em tempo aos portões da graça. O primeiro optou por não
“correr” para os braços de Deus, eis que resolveu zombar de Jesus. O segundo,
no entanto, teve sua vida modificada no final da sua carreira, quando os
portões estavam prestes a se fecharem. Bastou somente a demonstração de
arrependimento de seus atos e fé em Cristo Jesus, dizendo: “Senhor, lembra-te
de mim, quando entrares no Teu reino”. A resposta do mestre foi: “Em verdade
de digo que hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”. De fato, a graça de Deus é
abundante e todos têm a plena possibilidade de acesso a essa imensa dádiva.
Todavia, chegará um dia em que os portões se fecharão, seja individual com a
partida de cada individuo ou geral, com a volta de Jesus. Assim, ao invés de
deixar a decisão para o último momento, sob o risco de encontrar os portões
fechados; melhor é aproveitar o – hoje e agora – decidindo-se por uma vida na
presença de Deus. Por isso, não se atrase! Tenham um ótimo mês. |
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“Estais, pois, preparados para
responder com mansidão
e temor todos aqueles que vos pedir a razão da vossa fé”. I Pe.
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