
Parque de
MacArthur
Por Claudio Rabello
Passeando pelo parque de MacArthur
fui reconhecendo as folhas
amareladas de nossas vidas.
Pulei como
um esquilo por tudo
aquilo que nos fez caminhar
caminhos diferentes.
Vi a moça
com o vestido de algodão
amarelo roçando os joelhos.
Vi ainda os
farelos do velho bolo
embaixo da mesa onde se jogava xadrez.
Vi os pares
dançando enquanto os
sonhos se tocavam. O vento soprava canções
desconhecidas porque eu sabia que já
não a levava nos braços.
Oh! meu
amor, eu sinto tanto sua falta!
Deve haver,
perdido por estas árvores,
algum par de olhos que lembre o dia
em que você saiu de minha vida sem
saber que em mim já havia a sua.
Há alguma
coisa em minha boca que
paralisa o gosto. Deve ser sua ausência.
Mas você
deve estar por aí... cansada de
não estar aqui, onde queimo, vagabundo
vaga-lume, esperando ser chamado para
esquentar seus lençóis sem ter direito a noite.
Passeio pelo
parque esperando a hora de
ser castigado por aquilo que não pude
conquistar. Passeio mesmo com todo o
medo de apenas brilhar o instante
entre o domador e o trapezista. O do palhaço
patético que apenas liga os atos do circo.
Aquele palhaço de quem ninguém ri.
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