
Divina e Graciosa
por Claudio Rabello
Um amigo meu disse que não
queria outra vez ouvir
o coração
bater de amor, mas o amor
não foi avisado dessa
decisão e sendo assim
então bateu na porta
e entrou, assim
é o amor!
Planos de passar os anos
na defesa, de não
derramar mais lágrimas
na mesa, dividir a
cama com a sombra, e passar uma
semana sem sonhar, foi pro ar...
Pera lá!
Meu amigo dividido, possuído
aparente por um ente
encantado, deu-se assim, disse
sim!
Se entregou de tal maneira
que esqueceu a vida
numa prateleira de um botequim,
era o fim!
O amor, esse maldito bicho,
por capricho, feito
isso como faz constantemente,
mente, passa
um pente, vai em frente e
deixa a gente
indigente sem saber o que fazer,
por morrer...
E lá vai ele feito
um louco, no sufoco, aos trancos e barrancos,
sem um santo que faça
um milagre, do vinagre faça
vinho, do espinho faça dessa rosa prosa outra
mulher, se puder...
Divina e graciosa, estátua
majestosa fostes mas não és
mais choro, falsa valsa és,
mostra os pés.
E sai rodopiando, um demônio,
um
anjo, um homem, uma mulher...
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