Vitrola
dos Ausentes foi republicado em 2005 pela Ateliê
Editorial, de São Paulo, na coleção Lêprosa, e já faz
parte do programa de Pós Graduação em Letras da UFRGS,
mestrado em Literatura Brasileira. O professor do programa,
Luís Augusto Fischer, assinou o prefácio da primeira edição,
e voltou a escrever para a segunda, ele diz: “Quantas
vezes os de baixo foram protagonistas da literatura feita no
Brasil? Várias. Mas em quantas dessas vezes os de baixo –
aqueles que, além de viver em precárias condições de
comida e moradia, sem trabalho ou futuro, pensam pequeno e
por isso não conseguem articular uma leitura de conjunto
sobre a vida –, quantas vezes esses de baixo passaram da
condição de assunto e tomaram a palavra narrativa? Foram
poucas, bem poucas. Uma delas está aqui, neste
impressionante, singular e extraordinário Vitrola
dos Ausentes”.
As histórias que compõem a narrativa do livro falam
sobre a vida dos moradores de São José dos Ausentes. São
escritas de forma simples, encaixam-se, ligam-se umas às
outras. O resultado é um ciclo infindável, uma ciranda
imaginária, uma vitrola que gira devagar, apresentando os
personagens, desenrolando detalhes mínimos. Os personagens
se conhecem, convivem, sabem de tudo o que acontece ao
redor, apesar da inexistência de diálogos óbvios. Há
também brigas, rinhas, mortes e até um estupro, como não
poderia deixar de haver em histórias reais. E informais.
Aqueles que acontecem por baixo dos panos.