Eu
só tive prejuízo até hoje com a literatura,
embora tenha com ela uma enorme gratidão. Eu explico
esse aparente disparate. Nunca ganhei um puto-tostão
com livros. Ainda agora fui a São Paulo para um lançamento
me afundando num carnê. Amigos me dizem, “conta
outra”, e eu respondo: não tenho carro, nem
casa, nada, eu só perdi na função.
Por outro lado, ah!, que imensa dívida tenho com essa “frescura” de
me meter a escrever. É a literatura quem me salva, e ela
quem me joga o bote sempre que eu afundo e vou morrer. Que, antes
de tudo, a literatura é a vida, o sentido, acho que o
que mais nasci pra fazer.
Não tenho filhos. Até hoje meu apego, as mal-dormidas
noites, dediquei a isso aqui. À ficção.
O meu tesão dediquei à cuja (sem risos, ô,
pá!!) e há uma semana ando nesta relação.
Baixou a santarada de novo e ando escrevendo direto, vindo à tona
de um sentimento em que me enfiei. (Aliás, nada, nada
retiro, assumo tudo. Tudo o que foi, foi porque eu quis!)
Mas, o fato é que ela, a literatura, me entende, me estende
o braço e eu agarro mesmo o braço com as duas mãos.
Nem sei se isso é terapia. Mas que é produtivo, é.
Com a escrita eu rio, atoro, eu fico bem-humorado e corto trechos
inteiros por pura invenção. É um desafio,
um inimigo no baile com Trêsoitão! Difícil
para o caramba escrever, mesmo que seja lá o Paulo Coelho
a faturar milhões.
Ele disse, por sinal, neste final de semana, que nem sabe mais
o dinheiro que tem, a quanto anda os seus milhões... Parabéns!
Continue. Assim, quanto pior escrever, |