Crônicas

 

Eu não quero 100 milhões
                               (Paulo Ribeiro)

     Eu só tive prejuízo até hoje com a literatura, embora tenha com ela uma enorme gratidão. Eu explico esse aparente disparate. Nunca ganhei um puto-tostão com livros. Ainda agora fui a São Paulo para um lançamento me afundando num carnê. Amigos me dizem, “conta outra”, e eu respondo: não tenho carro, nem casa, nada, eu só perdi na função.
     Por outro lado, ah!, que imensa dívida tenho com essa “frescura” de me meter a escrever. É a literatura quem me salva, e ela quem me joga o bote sempre que eu afundo e vou morrer. Que, antes de tudo, a literatura é a vida, o sentido, acho que o que mais nasci pra fazer.
     Não tenho filhos. Até hoje meu apego, as mal-dormidas noites, dediquei a isso aqui. À ficção. O meu tesão dediquei à cuja (sem risos, ô, pá!!) e há uma semana ando nesta relação. Baixou a santarada de novo e ando escrevendo direto, vindo à tona de um sentimento em que me enfiei. (Aliás, nada, nada retiro, assumo tudo. Tudo o que foi, foi porque eu quis!)
     Mas, o fato é que ela, a literatura, me entende, me estende o braço e eu agarro mesmo o braço com as duas mãos. Nem sei se isso é terapia. Mas que é produtivo, é. Com a escrita eu rio, atoro, eu fico bem-humorado e corto trechos inteiros por pura invenção. É um desafio, um inimigo no baile com Trêsoitão! Difícil para o caramba escrever, mesmo que seja lá o Paulo Coelho a faturar milhões.
     Ele disse, por sinal, neste final de semana, que nem sabe mais o dinheiro que tem, a quanto anda os seus milhões... Parabéns! Continue. Assim, quanto pior escrever,

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