Crônicas

 

Predileta

     Você, confidente, eu, teu ouvido, eu já fui teu remédio, a pílula, eu já fui teu mel e o sal.
     Amargo, te enchi, ofendi, fui humano, aprendi e fiquei melhor.
     Eu fui prum cantinho daquela igreja, lembra?, eu era o ateu a dizer: Senhor!
     Adeus, teimosia, por ti.
     Eu fiquei mais bem-humorado, sim. Deixei os ciúmes, as brigas, abracei-me de apego e menos opinei.
     Partilhei mais.
     Eu te chamei, predileta, bem ou mal, sempre na festa, você me estimulou: fez chorar, me fez rir, fez gemer, deu calor e estendeu a mão.
     Passou as madrugadas comigo, às vezes, muitas vezes, sem estar.
     Afastou a solidão sem vir.
     E eu te estive e eu fiquei triste e eu muito sorri.
     E eu escrevi aos milhares, aos bilhares, aceitei e pedi desculpas, eu acho que te animei.
     Ainda menos, devia ser mais.
     Por que no carnaval eu não estive, aquele encontro foi adiado, mas o meu ciúme incontrolado foi como prova do gostar.
     Precioso gostar.
     Bonito e verdadeiro, gostar que não se conta e se guarda pra si.
     Mas eu conto dele, das minhas cuecas-furadas, das minhas barbeiradas por não saber dirigir.
     Meus erros, as metáforas, e os nossos pensamentos escritos de uma vez só.
     E eu acho que se falar junto não é ser mal-educado, é estar sincronizados, é amor.

***


     Filhos:
     Há outras formas de se dar um filho a um homem?
     Me dê, eu os quero.
     O filho chamando Segurança
     Um filho chamado Carinho
     Um filho chamado Amor
     Um filho chamado amizade
     Um filho chamado Cumplicidade
     Um filho chamado Sinceridade
     Um filho chamado Fidelidade
     Um filho chamado Amor Renovado
     E deixa eu ser chamado Pai dos Teus Filhos.
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