Este
ano do cinqüentenário do Ginásio Frei Getúlio
em Bom Jesus, pelo que se verifica em documentos da própria
igreja, marca também a cassação de um
padre por lá. Trata-se do frei Vitorino e a história é a
seguinte.
Frei Geraldo ficou famoso em Bom Jesus por suas andanças
a cavalo no atendimento às fazendas distantes. Foi substituído
por Frei Ângelo, que também tinha o seu Mio Baio,
mas que logo comprou um jeep para atravessar aqueles campos quase
do tamanho de Cuba. Em 1955, assumiu como vigário Vitorino
Vilas Boas (Frei Vitorino Vian).
De chegada, Vitorino organizou um mapa das serrarias e chegou
ao incrível número de 86 no município.
Ora, só um jeep não dava. Parte delas nunca recebera
visitas. Resolveu então comprar uma caminhonete e, na
quaresma do ano seguinte, com um padre ajudante, visitaram todas
as serrarias.
Acontece que a autorização de compra da tal caminhonete,
dada pelo bispo de então, Dom Cândido Maria, fora
apenas verbal. Orçada em 300 mil cruzeiros e, mesmo comprada
por um valor inferior (245 mil), não satisfez o bispo.
A falta de um requerimento foi julgada indisciplina.
Vitorino, às voltas com a loucura de visitar “todas” as
serrarias, andava faltando às reuniões do clero.
Faltou três naquele ano. Uma por estar em retiro, a segunda
porque recebeu o aviso na véspera, na terceira já nem
indicou os motivos.
Batia de frente com o bispo. Em março, recebeu uma sexta
(!!!) advertência. Cansado, rebateu as ameaças.
O bispo julgou-se e ofendido e, no dia 1 de abril de 1956 (!!),
o próprio vai a Bom Jesus para a deposição.
Entregou o ofício, entretanto, a um dos padres do ginásio,
não a Vitorino.
Deixara apenas passar a Páscoa para o ato, que o próprio
Vitorino registraria como “uma injustiça clamorosa
e quase uma perseguição a Bom Jesus”.
Em 6 de abril, uma comissão de “ilustres” tenta
ainda reverter o corte, mas D. Cândido explica a disciplina
eclesiástica e a ocorrência de uma “infração às
leias canônicas”.
Na mesma noite, Vitorino se despedia de Bom Jesus.
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