Crônicas

 

Lalé II

    O Juarez Gomes Junior escreve alertando que não tem me visto em Bom Jesus. Acompanha a coluna aqui no Pioneiro, mas cobra mesmo é a minha presença por lá, que seria uma forma de, pessoalmente, ajudar a matar a saudade da tia Carmem.
    O Juarez é um bom amigo. É filho do Seu Lalé, que trabalhou anos no Banrisul e depois voltou. O Lalé era uma figura. Extrovertido como o Hermeto, não havia quem não parasse na rua para “incomodar”. Alguns têm estas pessoas assim extrovertidas como “chatas”. Mas, perguntem às crianças o que elas acham? As crianças, na sua espontaneidade, adoram pessoas assim, porque as identificam puras e tão-só.
    O Seu Lalé cultivava uma horta. Um cara que cultiva uma horta sobe na minha média. Eu observava do alto do prédio da Rádio Aparados a hortinha do Lalé e as alfaces alinhadas nos canteiros. Obra de arte. O Lalé era mesmo um cara do bem.
    E o Junior puxou ao Lalé. É um cara solidário, além de investir direto em Bom Jesus: a maior locadora de vídeos, um bar, enfim, o Junior sempre se “arriscou”. E sempre com a Teca ao seu lado, a companheira incondicional.
    Minha mãe, a tia Carmem, nas festinhas da terceira idade, não cansava de dizer: como o Junior e a Teca são queridos. Eles passavam os domingos com os “velhos” pra animar.
    A última do Junior é que ele pegou a maior bucha de Bom Jesus. A administração do hospital, há anos agonizante. E a boa notícia é que o hospital já não corre o risco de fechar.
    Só que o danado, modesto, escondeu outras que anda fazendo. E fui descobrir, através do William Giudice, que no hospital há agora uma biblioteca.
    Temos então uma biblioteca que ameniza a dor dos familiares e pacientes, que dispõem de livros para passar o tempo nas horas de enfermidade.
    Salve Junior, meu amigo, meu irmão, e você não conta isso??
    Como você mesmo diz: eu preciso reaparecer. E rever os amigos e essas boas histórias que dão sentido às nossas vidas, e que a ausência não pode podar.
    E o Junior assina o seu grato e-mail, como Lalé II. Com muito orgulho, eu sei.

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