Crônicas

 

Céu, chima e churras

     O céu passado em claro, o céu da dor de ouvido, remédio, com quem aprendi a rezar.
     Céu passado, o meu céu predileto, eu ateu, bem e mal, réu confesso, o céu que se estendeu.
     Foi uma mão, foi o melhor presente, céu rogado, das meias furadas, céu que seguia a passos a caminho de Deus.
     O céu passado e a tua bolsa esquecida. O céu passado e a minha desculpa perdida, o céu que não conta, pois levou pra si.
     O céu passado em segredo, em metáforas, da saliva que beija e assa, dos pensamentos em uma só vez.
     O céu por quem os sinos dobram, o céu por quem os tangos enveredam, o céu que enrola os tolos, os tolos por céu.
     O céu nas madrugadas, o céu da cor de figo, o céu pro escambau!!!
     E quem sabe era o amor, as suas coisas junto, o céu que passou!

***

     Sorve comigo, irmã de mate,
     sorve comigo
     a espera que sempre te alcanço em minha oração:
     saudade, dom da ausência.
     Saudade, merdinha de nada, se grande o amor.

***


     O churras no espeto, esqueleto, costela, o churras é somente pretexto, ritual do coração.
     É caipira, urbano, sem classe, o churras do herege ao compadre, com vaquinha se faz um.
     É do Inter, é do Grêmio, vale em euro, é o juiz como o filho da mãe!
     O churrasco é família.
     Beberica!, experimenta!, o bom churras virou encomenda, um processo industrial.
     Tá no mar, no Japão e até da rainha eu já soube: que pediu uma sobra de carne e enrolou no alumínio mortal.

 

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