A
carícia da fome mata. É a carícia que
faz a sonda ao entrar no nariz.
A carícia do gelo, adormece. É a carícia
que faz a pedra ao roçar nossos rins.
A carícia do condenado é a forca. A carícia
da insônia é a cólica, a carícia infantil.
A carícia do jogo é a falência. A carícia
do bêbado é o gole. A carícia do Rotary,
ajuda, carícia do sal alivia os pés.
A carícia dos mimos, enamora. A carícia dos sinos,
consola, é a carícia de Jesus.
A carícia dos separados. A carícia dos mal-amados.
A carícia de toda a vaidade acaba no hospital.
A carícia que a todos iguala é sopa. A carícia
de vidro é carícia que quebra e a carícia
que sempre choca é a notícia do jornal.
A carícia do hippie, a beleza. A carícia da lã,
um novelo, a carícia no tornozelo é um lance de
Gre-nal.
A explosiva carícia na hora do perdão.
A carícia da viúva zelosa, a carícia que
no júri advoga, a comemorativa carícia que transmite
paz!
A carícia das águas. A carícia da língua
molhada. A carícia do desesperado que não sabe
nadar.
A carícia da foice. A carícia fria. A carícia
que assusta é a carícia de ódio que o ciúme
traz.
A carícia da cantora enternece, fia. A carícia
no Atlas, gira. A carícia que se diz perdida é a
mesma que volta três dias depois.
Carícia não se perde. Carícia é o
que se arrepia como pêlo de mãe.
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