Embora
as falhas, os erros, os tropeços, vivi recentemente
uma lição de amor! A lição que
aprendi, muitas vezes discutida, desconfiada (por ser um
sentimento altivo, dialogado, puro!), nos fez crescer, sim.
Não tanto ainda para encararmos o medo (quase, quase
escrevo covardia, já que não decidimos por
nós!), mas para nos vermos ainda íntegros,
capazes de um sacrifício desta dimensão: o
separar.
A distância que sempre jogou contra nos traga ainda. A
distância agora nos soterra, mas não há culpas
a reparar. Não há pecados a redimir. As reticências
e interrogações que restam são um triste
legado do que mal manejamos mesmo em pleno amor: a ausência!
A impotência diante disso, o nosso retumbante fracasso
diante do nunca estar. O colo pedido e sempre impossibilitado.
O roçar de mãos tão necessário que
não passava da intenção virtual.
Quando próximos, não nos faltava a paixão.
O carinho se fazia, a cumplicidade existia. O “finalmente
te encontrei!” era sempre pronunciado.
É. Foi um encontro de almas, de afinidades, de infâncias
tão parecidas e uma maturidade então partilhada
como muito bom saber: um amor que foi construído, consistente,
um amor que fez um ano parecendo até mais.
Um grande amor. E de um grande amor assim não sobram
incertezas e deste não sobrou. Foi forte a tua decisão,
mulher sofrida! A tua retomada em busca de uma antiga felicidade
eu soube entender. Embora a dor, compreendi. Embora a dor, aceitei.
Prova de um sentimento disposto a não abrir feridas e
a rezar por ti.
Eu tenho a tua certeza agora em mim. Meus lábios já aceitam
a nova palavra e eu a pronuncio: compreensão!
Um brado. Compreensão pronunciada sem desvio. Reta expressão
que meus lábios aceitam.
Sem mais discussão, diálogo, lágrima, eu
me vejo agora herdeiro de um amor que restou tranqüilo.
Talher de um jantar só? Talvez. Mas, me parece mais um
coração quebrado a aceitar. Sem drogas, sem álcool,
sem rock’roll.
Por isso, feito o balanço do estrompaço, eu já posso
dar um nome ao que nos aconteceu: dignidade!!!
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