Crônicas

 

Carta sobre a amizade

     “Paulo, além de tua bela obra acerca de nosso Bonja, a qual leio e releio, foi através de dois sobrinhos que soube de tua pessoa. Nossos queridos amigos, Tio Purça e Zé Gaúcho. Do Tio Purça, posso dar dois importantes relatos. O Tio Purça nunca me chamou de tio, mas de Raul, o Guerreiro.
     Segundo. No programa do Ruy Carlos Ostermann, das 16 h, na RBS, apontaste que o Tio Purça estava como um paradigma, o referindo como um Professor.
     Naquela tarde, eu me encontrava na BR 101, em direção a Florianópolis. Parei o carro e fiquei ouvindo tuas narrativas, que me levaram a inexplicável emoção. No mesmo momento, telefonei para minha adorada irmã em Caxias do Sul. Iolanda, viúva daquele pedaço de amigo que perdemos, o Heitor Hoffmann Finger. Mana que me enviou, hoje, a reportagem do Pioneiro, que num gesto tão espetacular destacas aquele que foi para mim e na história de Bom Jesus um marco (não menciona quem, mas imagino que seja Frei Getúlio). Pelo “Os aprovados do meu listão”, tenha a minha, e a de todos ali envolvidos, perene gratidão, naquilo que deveria ser iniciativa do poder público bonjesuense...
     Antes de finalizar, não poderia deixar de esclarecer uma página do teu livro, quando menciona um tal “Doca” que cedia vacas de leite para os padres. Este senhor era meu pai (Gomercindo Borges de Camargo), que tinha o apelido de Doca. Quem trazia lá do fundo dos Touros essas vacas, 4 ou 5, era eu. E trazia inclusive para os amigos dele, como o senhor Altino Camargo, pai dos coronéis La Hire e Cairo, e também para o Constantino Verenzuke, sapateiro e mais tarde do Cine Guarani. Aquelas vacas e terneiros eram emprestados sem qualquer outro interesse, senão amizade”.

***


     Trechos da carta de Raul Kramer Borges, um dos “aprovados do meu listão” (crônica sobre a primeira turma de formandos do ginásio de Bom Jesus, que completa 50 anos).
     Raul é advogado, e por algum tempo atuou como membro da ONU, no Oriente Médio, tentando a paz entre árabes e judeus.
Em 1985, para aglutinar os desgarrados do Bonja, Raul, com amigos, fundou o Centro Bonjesuense, em Porto Alegre, do qual foi o primeiro presidente.
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