O Punk
Rock das Ruas!!!
Como a formação do próprio nome diz, o street punk é na essência o punk rock das ruas, ou seja, aquele punk rock livre dos modismos que dominaram boa parte das bandas punks no final da década de 70, atraídas pela possibilidade de fama e fortuna, principalmente em mercados com o dos EUA.
Enquanto bandas como Sex Pistols, Generation X e Buzzcocks se popularizavam, viravam a coqueluxe e começavam a se transformar em produtos nas mãos de empresários gananciosos, nascia nos extremos de Londresum novo levante que pretendia fazer com que o som feito pelos punks fosse realmente a "voz das ruas", daí o nome street punk, que era a denominação do punk "raíz", um punk mais arruaceiro, típico dos pubs ingleses.
Bandas tipicamente punks como o UK Subs, Slaughter & The Dogs, Anti Nowhere League, 999, The Crack, Lurkers, Vice Squad e até mesmo (e principalmente) The Exploited, faziam a trilha sonora deste som das ruas, que logo sofreria algumas influências, se consolidando como street punk
Entre 1978 e 1979, era chegada então a hora e a vez da
safra de ouro do street punk, ou seja, a época do nascimento, ou mesmo
aparecimento, de bandas como Cockney Rejects, Sham 69, Cock Sparrer, Peter &
The Test Tube Babies, Menace, Angelic Upstarts, 4 Skins, The Business, Last
Resort, Blitz, Infa Riot, Red Alert, Partisans, entre outras.
Com o tempo, o street punk também passou a ser chamado de Oi!, por causa de uma música do Cockney Rejects, "Oi! Oi! Oi!", de 1980. Cockney Rejects? Será que vocês já ouviram falar dessa banda? Provavelmente sim, mas muito provavelmente não! Veja mais adiante um pouco da história da banda.
O street punk tradicional é apolítico, como deveria ser toda a cena punk. Nem esquerda nem direita. O street punk é um estilo de vida, é algo de muito real pois lida com o dia-a-dia, tem a ver com as ruas, com o trampo, camaradagem, união, estar alerta para o que nos rodeia e odiar política. Mas isso tudo hoje nada tem a ver. Uma pessoa comum pode muito bem curtir street punk somente pelo som e pela energia dos shows, que no caso das bandas de street punk, são sempre muito alucinantes e agitados!
A palavra "hooligan" esteve sempre associada ao street punk inglês, mais de certa maneira foi deturpada. Hooligan seria simplesmente um "arrruaceiro". Eram os mods, hard-mods, suedeheads, bootboys, skinheads ou mais abrangentemente: os malucos e gangues da rua. Estes hooligans tinham o culto da rua, ddo futebol, dos copos. Mas não procuravam desesperadamente a violência, simplesmente não a evitavam.o futebol, dos copos. Mas não procuravam desesperadamente a violência, simplesmente não a evitava.
Parece que hoje em dia para um hooligan tem que obrigatoriamente haver sangue. Já haviam hooligans antes de se infiltrarem no futebol, inclusive bandas de ska jamaicanas tinham letras sobre os chamados "arruaceiros". No caso da Jamaica eram os rude boys que entravam em conflitos com a polícia.
O street punk também foi muito associado aos skinheads e isso resultou numa salada musical e ideológica realmente infernal. Voltando um pouco na história, no final de 77, começo de 78, temos um racha no punk, semelhante ao que houve no mod nos anos 60: parte do movimento segue um direcionamento mais "artístico" (originando o pós-punk, new wave, gótico, etc), e outros pegam mais o lado agressivo, rueiro e suburbano (o "street punk", mais tarde apelidado de "Oi!"). Essa leva de punks mais "crus", têm como guia o Sham 69. Jimmy Pursey, vocal do Sham, era skin no começo dos anos 70, e a banda tinha um grande público skinhead. Desta forma, começa a se multiplicar uma nova geração de skins, influenciados pelo punk e ouvinte de punk rock, com um visual menos bem arrumado do que os skins originais. Os skins "tradicionais" diziam que estes eram apenas "punks carecas", pois não tinham noção alguma sobre as tradições do skinhead.
"punDe um outro lado, nascia na Inglaterra o "skinhead nazista", tão conhecido pelo mundo todo. No entanto, a maioria dos skins continuava sem um direcionamento político definido, longe dos fascistas. Sabe-se que nesta mesma época (1979), havia uma turma de skins em Londres chamada "S.A.N."- "Skinheads Against Nazis", que queria eliminar a influência dos neo-nazistas. Bandas de punk rock com membros skins, como os Angelic Upstarts, eram assumidamente esquerdistas e se opunham ao National Front (Partido Nacionalista Inglês) com veemência! ks carecas", pois não tinham noção alguma sobre as tradições do skinhead.
Mas como é de costume, a mídia sensacionalista começava a chamar todo skinhead de nazista, e o que é pior, todo jovem nazi de "skinhead". Com isso, a extrema direita só conseguiu novos adeptos e os skins "white power" (poder branco) aumentam em tamanho e importância. Mas mesmo assim estavam longe de ser maioria. Em 1980, o punk estava em baixa, tendo sido transformado em new wave e vendido em butiques. Mas nos subterrâneos, muitas bandas de "punk real" estavam na luta. A maioria delas era influenciada pelo Sham 69 e outras bandas street, faltando apenas um nome para uní-las.
Eis que o jornalista Garry Bushell, chama este novo movimento de "Oi!", por causa da música dos Cockney Rejects "Oi! Oi! Oi!". O Oi! tinha como ideal ser uma revitalização do punk agressivo, realista, das ruas, sem a comercialização e a suavização da new wave. Era a música que segundo Bushell, unia "punks, skins e toda a juventude sem futuro". Logo organizaram a primeira coletânea Oi!, com os Cockney Rejects, 4 Skins, Angelic Upstarts, Peter & the test Tube Babies, Exploited e outras bandas, formadas por punks, skins e "normais".
Foram feitas várias outras coletâneas Oi! a partir daí, e muitas bandas
apareceram. Então, apesar de no Brasil as pessoas pensarem que Oi é "som de
careca", ou que bandas Oi devem ser de direita, isto não passa de preconceito. O
Oi! nada mais é do que um estilo de punk rock de volta às raízes, mais ligado à
rua, ao realismo social. Nada a ver com à extrema direita. A maior prova disso é
a adesão original de bandas como os UK. Subs ao Oi!, e o fato do The Business
(uma das maiores bandas Oi), tocar um cover do Crass, banda ícone dos
anarcopunks, eternos rivais dos skins fascistas!
Enfim, a grande maioria
das bandas ou era de esquerda ou era apolítica. Entre as bandas Oi originais,
não havia nenhuma que fosse nazi.
Bandas