Existe
uma chave para a liberdade: Pense!
Se quiseres ser um cordeiro, seja feita a tua vontade.
Não reclames, entretanto, quando fores servido em nosso grande
Sabbath! (Um "bem velho" dito pagão,
do século XX)
TENHO
a satisfação de recomendar ao público a presente obra, escrita
sob o título "Jesus Cristo Nunca Existiu", de La
Sagesse, em cujo conteúdo o autor revela o seu pensamento de modo
fiel e sem reticências, a respeito de tão delicado assunto,
Embora seja este o seu primeiro trabalho publicado, o autor
revela-se um escritor em potencial, de quem muito ainda se pode
esperar.
Diante
da necessidade sempre crescente da verdade, encetou a presente
obra para doar à humanidade a sua contribuição de natureza
cultural, querendo apenas cumprir o seu dever de informar, perante
si próprio e perante os homens.
Aos
oportunistas pouco importa se sob a palavra sonora se oculta a
hipocrisia e a mentira Contudo, para os espíritos puros e
corajosos, para os quais os interesses particulares não devem
sobrepor-se aos anseios do povo, mister se faz que a verdade surja
em toda a sua plenitude, deitando por terra toda a fraude e
mistificação.
Este
é um livro corajoso, concebido sem a preocupação de agradar ou
desagradar, não importando se susceptibilidades são feridas pelo
que aqui está exposto. O seu intuito é exclusivamente patentear
as provas inequívocas de falsificação e mistificação, as
quais foram impostas aos homens a ferro e fogo, durante séculos.
No
decurso da obra, são reveladas todas as idéias da Igreja como
realmente são: a mais pútrida e falsa amoedação que pode
haver, capaz de desprezar a natureza e os valores naturais.
Constituiu-se a Igreja em verdadeiro parasita do homem crente, a
verdadeira tarântula através da qual o clero que se constitui em
uma minoria privilegiada, vem sugando e envenenando sem parar, o
sangue e a vida daqueles que, iludidos por falsas promessas mantêm
os olhos fechados para a realidade da vida e das coisas.
Em
todo o tempo, a meta principal da Igreja é tornar o homem o mais
desgraçado possível, daí a idéia do pecado e da culpabilidade,
para criar uma raça de escravos e de castrados de pensamento.
Assim, tolhida a sua liberdade de pensamento, torna-se presa fácil
e maleável nas mãos da Igreja. O temor dos castigos eternos,
prometidos para os que se insurgem contra os ensinamentos da Santa
Igreja, impede o homem crente de duvidar sequer do que a mesma lhe
incute no espírito como verdade. Só o homem que consegue vencer
a barreira do temor e da ignorância, goza realmente de uma
liberdade plena que poderá torná-lo feliz.
Apesar
de uma acentuada liberalidade existente em nossos dias, ainda é
pequeno o número dos que sacodem o jugo opressor, libertando-se
da tutela hostil e interesseira da Igreja, de seus dogmas e vãs
promessa,. E é bem menor ainda o número dos que tem a coragem de
proclamar em altas vozes o seu pensamento, liberto dos
preconceitos religiosos que subjugam o homem.
Felizmente,
La Sagesse faz parte deste circulo restrito, para quem a verdade e
o bem estar do homem estão acima de qualquer coisa e dependem em
muito de sua liberdade. A própria bondade do homem deve
revelar-se por si só, e não porque a ela seja constrangido
porquanto assim, perderá a sua verdadeira característica,
passando a Ser um ato subalterno, sem nenhum valor moral.
Não
se omite a esta altura, a homenagem que faz jus quem não
economizou esforços no sentido de patentear a verdade, antes se
multiplicou em cuidados para fornecer aos leitores, uma obra capaz
de despertar o interesse pelo seu real valor e critérios
adotados.
O
autor possui uma vasta obra literária ainda inédita, que deverá
vir a público oportunamente.
Homem
ateu é assim chamado aquele que não crê em Deus.
Etimologicamente,
"Theos", do grego significa Deus. Anexando-se o prefixo
"a", o qual indica ausência ou negação, teremos ateu,
isto é, sem Deus.
No
mundo moderno onde vivemos, no qual impera a razão, a lógica e o
conhecimento científico, não nos é mais possível estabelecer
diferença essencial entre ateus ou crentes.
Os
que acreditam em um Deus materializável, prosternando-se e orando
diante de seus altares, em seus templos, são também verdadeiros
ateus. Apenas, deste fato não se dão conta. A seguir, tentaremos
explicar o nosso ponto de vista.
O
homem primitivo, sentindo-se indefeso diante do mundo hostil que o
rodeia e que desconhece, a tudo teme. Apavoram-no os fenômenos da
natureza, tais como as tempestades, os trovões, os relâmpagos e
tantos outros os quais julga ser a manifestação digna de um Ser
Supremo, muito poderoso e desconhecido. Então, na sua impotência
para controlar a natureza, e não encontrando explicações razoáveis
para os acontecimentos, volta-se o nosso homem para aquele Ser
Poderoso que imagina comandar o mundo. Submisso e suplicante,
implora-lhe perdão pelas faltas cometidas, simula preces e
oferece-lhe sacrifícios. Com isso, supõe aplacar a ira dos
deuses e ganhar-lhes sua benevolência para dias vindouros, Está
assim, lançada a semente da religião que no decorrer do tempo irá
ganhando novas formas e sofrerá modificações, de acordo com o
próprio homem, suas necessidades e aspirações.
Então
perguntaremos, diante de que ou de quem ajoelha-se o homem? Diante
de Deus? Não. Por incrível que pareça, o homem ajoeIharia-se
ainda hoje, diante do altar rústico, erguido pelo temor do homem
primitivo castigado pelas forças adversas da natureza, e
impotente para contê-las.
Não
é lógico que o homem que evoluiu conseguindo maravilhas, obtendo
os meios necessários para definir e mesmo refrear os furores da
natureza, paradoxalmente continue praticando os cultos de
desagravo, criados pelos amedrontados ancestrais.
Concluímos
do que acima foi dito que os religiosos de qualquer espécie são
ateus, porquanto, de acordo com a própria etimologia da palavra
ateu, continuam sem Deus. Isto é verdadeiro, porquanto, não é
possível a ninguém ter algo inexistente, no caso o Ser Poderoso,
Deus ou deuses, conforme prefiram.
A
medida em que o homem foi evoluindo, promoveu sua organização
social, inclusive a religiosa. E o homem permaneceu contrito,
ajoelhado diante de Deus e do sacerdote. Aos poucos, vai a religião
tornando-se um ótimo e cômodo meio de vida para a minoria
privilegiada composta pelos sacerdotes, verdadeiro comércio com o
qual o povo tem sido espoliado através dos tempos.
Surgiram
deuses e religiões idealizadas pelos espertos, afim de satisfazer
a todos os gostos e tendências.
Até
o século IX, os estudiosos do assunto já haviam catalogado nada
menos de 60 mil deuses, sob as mais variadas formas, desde a de
animal, semi-animal, até atingir o aspecto integral do corpo
humano.
Criaram
deuses como Baco, o deus do vinho, homenageado com tremendas
bebedeiras. Vênus, a deusa do amor. Para reger a cada ato da
vida, foram criados deuses especiais; inclusive para cada fenômenos
da natureza.
Apesar
do fervor com o qual os deuses têm sido incensados através dos
tempos, jamais se conseguiu provar que a fé a eles devotada tenha
melhorado a sorte do homem e do mundo.
Por
isso somos levados a crer que todos aqueles que têm adorado aos
deuses têm perdido o seu precioso tempo.
O
homem com o poder de sua inteligência e imaginação, vai aos
poucos adquirindo e sistematizando os seus conhecimentos,
tornando-os cultura e ciência. Gradativamente vai levantando o véu
do mistério que lhe obscurecera a razão. A explicação dos
fatos fundamentada ria ciência, liberta-o dos temores.
O
conhecimento científico, alijando as trevas da ignorância,
leva-nos a compreender que os milhares de deuses dos quais temos
tido conhecimento, são produtos de mentes férteis e pretensiosas
como a do clero e outros interessados em lucros fáceis.
A
total ausência de uma intervenção direta de Deus nos destinos
do homem e do mundo, é prova de que o clero conduz o homem por
caminho errado. Valendo-se da boa fé do povo incauto é que o
clero, em todos os tempos tem desenvolvido sua atividade parasitária,
chorando tanto quanto possível a economia humana. Assim, pode
desfrutar de boa vida, luxo e palácios, praticamente sem
trabalhar, com o dinheiro que o homem religioso passa-lhe ás mãos,
julgando assim comprar sua entrada no céu.
O
sacerdote é sempre categórico em suas afirmações diante do
crente, mostrando-se, contudo, reticente e cauteloso em face do
conhecimento científico do homem de saber aprimorado. A este
falará sobre tudo, mas, evitará abordar o que se refere a Deus,
religião ou teologia.
Tendo
ultrapassado a época do medo, a raça humana não se libertou
totalmente do sentimento religioso, porquanto, existem os que se
valem do nome de Deus e das religiões para viverem ociosamente,
desfrutando de boa posição e respeito, sem contudo, dar aos
homens qualquer contribuição que lhes aproveite para sua
felicidade e bem estar. Apenas a promessa de uma boa vida futura,
após a morte. Todavia, até esta ser-lhe-á garantida apenas com
a condição de suportar, pacientemente, muitos sofrimentos em sua
passagem pela terra. Ora, são promessas vãs e mentirosas. Será
que o sacerdote daria para alguém o Reino dos Céus, se dele
dispusesse? Tudo nos leva a crer que não.
Não
acreditamos que as religiões possam desaparecer tão cedo da face
da terra, apesar do aprimoramento, sempre em expansão do
conhecimento científico. As religiões não morrem, modificam-se.
Desde os primórdios da humanidade, o aparecimento sempre de novos
deuses e modalidades de culto, justificam tal afirmativa. Em vista
de tantas e tais modificações, é que chegamos a era do advento
de Cristo e do cristianismo, religião esta abraçada por boa
parte da população do mundo atual, em suas variadas ramificações.
E
qual o fundamento sobre o qual foi criada a religião cristã?
Nada tem de positivo, palpável ou verdadeiro. É apenas uma lenda
o nascimento de Jesus, como toda a vida e os atos a ele imputados.
Aqueles que criaram o cristianismo sequer primaram pela
originalidade, porquanto, a lenda que envolve a personalidade cie
Jesus Cristo é apenas copia de tantas outras que relatam o
nascimento e tudo quanto se referiu aos deuses criados pelos
antigos, tais como Ísis, Osíris, Hórus Átis. Apolo, Mitra,
etc.
O
homem do nosso século tem, forçosamente, de ser prático. Daí,
não poderá fundamentar os atos de sua vida em lendas ou mitos.
As lendas possuem, evidentemente um grande valor fazem parte do
folclore dos povos, influindo na formação de suas culturas.
Entretanto, o seu valor cultural não deve ultrapassar o limite lógico
e aceitável.
Os
pesquisadores que se dedicaram ao estudo das origens do
cristianismo, sabem que desde o Século II de nossa era, tem sido
posta em dúvida a existência de Cristo. Muitos até mesmo entre
os cristãos, procuram provas históricas e materiais para
fundamentar sua crença. Infelizmente para eles e sua fé, tal
fundamento jamais foi conseguido, porquanto, a história
cientificamente elaborada denota que a existência de Jesus é
real apenas nos escritos e testemunhas daqueles que tiveram
interesse religioso e material em prová-la.
Desse
modo, a existência, a vida e a obra de Jesus carecem de provas
indiscutíveis. Nem mesmo os Evangelhos constituem documento
irretorquível.
As
bibliotecas e museus guardam escritos e documentos de autores que
teriam sido contemporâneos de Jesus os quais não fazem qualquer
referência ao mesmo Por outro lado, a ciência histórica tem-se
recusado a dar crédito aos documentos oferecidos pela Igreja, com
intenção de provar-lhe a existência física. Ocorre que tais
documentos, originariamente não mencionavam sequer o nome de
Jesus, todavia, foram falsificados, rasurados e adulterados
visando suprir a ausência de documentação verdadeira.
Por
outro lado, muito do que foi escrito para provar a inexistência
de Jesus Cristo foi destruído pela Igreja, defensivamente. Assim
é que por falta de documentos verdadeiros e indiscutíveis, a
existência de Jesus tem sido posta em dúvida desde os primeiros
séculos desta era, apesar de ter a Igreja tentado destruir a tudo
e a todos os que tiveram coragem ousaram contestar os seus pontos
de vista os seus dogmas.
Por
tudo isso é que o Papa Pio XII em 955, falando para um Congresso
Internacional de História em Roma, disse: "Para os
cristãos, o problema da existência de Jesus Cristo concerne à fé,
e não à história".
Emílio
Bossi em seu livro intitulado "Jesus Cristo Nunca
Existiu", compara Jesus Cristo a Sócrates que igualmente
nada deixou escrito. No entanto, faz ver que Sócrates só ensinou
o que é natural e racial, ao passo que Jesus ter-se-ia apenas
preocupado com o sobrenatural. Sócrates teve como discípulos
pessoas naturais, de existência comprovada, cujos escritos, produção
cultural e filosófica passaram à história como Platão, Xenófanes,
Euclides, Esquino, Fédon. Enquanto isso, Jesus teria por discípulos
alguns homens analfabetos como ele próprio te-lo-ia sido, os
quais apenas repetiriam os velhos conceitos e preconceitos talmúdicos.
Sócrates
que viveu 5 séculos antes de Cristo e nada escreveu, jamais a sua
existência foi posta em dúvida. Jesus Cristo que teria vivido
tanto tempo depois, mesmo nada tendo escrito, poderia apesar disso
ter deixado provas de sua existência. Todavia, nada tem sido
encontrado que mereça fé. Seus discípulos nada escreveram. Os
historiadores, não lhe fizeram qualquer alusão.
Além
disso, sabemos que desde o Século II, os judeus ortodoxos e
muitos homens cultos começaram a contestar a veracidade de existência
de tal ser, sob qualquer aspecto, humano ou divino. Estavam assim
os homens divididos em duas posições: a dos que afirmado a
realidade de sua existência, divindade e propósitos de salvação,
perseguiam e matavam impiedosamente aos partidários da posição
contrária, ou seja, àqueles cultos e audaciosos que tiveram a
coragem de contestá-los.
O
imenso poder do Vaticano tornou a libertação do homem da tutela
religiosa, difícil e lenta. O liberalismo que surgiu nos últimos
séculos, contribuiu para que homens cultos e desejosos de
esclarecer a verdade tentassem, com bastante êxito, mostrar a
mistificação que tem sido a base de todas as religiões,
inclusive do cristianismo. Surgiram também alguns escritos
elucidativos, que por sorte haviam escapado à caça e à queima
em praça pública. Fatos e descobertas desta natureza contribuíram
decisivamente para que o mundo de hoje tenha uma concepção científica
e prática de tudo que o rodeia, bem como de si próprio, de sua
vida, direitos e obrigações.
A
sociedade atualmente pode estabelecer os seus padrões de vida e
moral, e os seus membros podem observá-los e respeitá-los por si
mesmos, pelo respeito ao próximo e não pelo temor que lhes
incute a religião.
Contudo,
é lamentavelmente certo que muitos ainda se conservam subjugados
pelo espírito de religiosidade, presos a tabus caducos e inaceitáveis
Jesus
Cristo foi apenas urna entidade ideal, criada para fazer cumprir
as escrituras, visando dar seqüência ao judaísmo em face da diáspora,
destruição do templo e de Jerusalém. Teria sido um arranjo
feito em defesa do judaísmo que então morria, surgindo uma nova
crença.
Ultimamente,
têm-se evidenciado as adulterações e falsificações documentárias
praticadas pela Igreja, com o intuito de provar a existência real
de Cristo. Modernos métodos como, por exemplo, o método
comparativo de Heqel a grafotécnica e muitos outros, denunciaram
a má fé dos que implantaram o cristianismo sobre falsas bases
com uma doutrina tomada por empréstimos de outros mais vivos e
inteligentes do que eles, assim como denunciaram os meios
fraudulentos de que se valeram para provar a existência do
inexistente.
É
de se supor que após a fuga da Ásia Central, com o tempo os
judeus foram abandonando o velho espírito semita, para irem-se
adaptando às crenças religiosas dos diversos. povos que já
viviam na Ásia Menor. Após haverem passado por longo período de
cativeiro no Egito, e posteriormente, por duas vezes na Babilônia,
não estranhamos que tenham introduzido no seu judaísmo
primitivo, as bases das crenças dos povos com os quais
conviveram.
Sendo
um dos povos mais atrasados de então e na qualidade de cativos,
por onde passaram, salvo exceções, sua convivência e ligações
seria sempre com a gente inculta, primária e humilde. Assim é
que em vez de aprenderem ciências como astronomia, matemática,
sua impressionante legislação, aprenderam as superstições do
homem inculto e vulgar.
Quando
cativos na Babilônia, os sacerdotes judeus que constituíram a
nata, o escol do seu meio social, nas horas vagas iriam copiando o
folclore e tudo o que achassem de mais interessante em matéria de
costumes e crenças religiosas, do que resultaria mais tarde
compendiarem tudo em um só livro, o qual recebeu o nome de Talmud,
o livro do saber, do conhecimento, da aprendizagem.
Por
uma série de circunstâncias, o judeu foi deixando, aos poucos, a
atividade de pastor, agricultor e mesmo de artífice, passando a
dedicar-se ao comércio.
A
atividade comercial do judeu teve início quando levados cativos
para a Babilônia, por Nabucodonosor, e intensificou-se com o
decorrer do tempo, e ainda mais com a perseguição que lhe
moveria o próprio cristianismo, a partir do século IV. Daí em
diante, a preocupação principal do povo judeu foi extinguir de
seu meio o analfabetismo, visando com isso o êxito de seus negócios.
Deve-se a este fato ter sido o judeu, o primeiro povo no meio do
qual não haveria nenhum analfabeto.
Destarte,
chegando à Roma e à Alexandria, encontrariam ali apenas a prática
de uma religião de tradição oral, portanto, terreno propício
para a introdução de novas superstições religiosas. Dessa
conjuntura é que nasceram o cristianismo, o máximo de mistificação
religiosa de que se mostrou capaz a mente humana.
O
judeu da diáspora conseguiu o seu objetivo. Com sua grande
habilidade, em pouco tempo o cristianismo caiu no gosto popular,
penetrando na casa do escravo e de seu senhor, invadindo inclusive
os palácios imperiais.
Crestus,
o Messias dos essênios, pelo qual parece terem optado os judeus
para a criação do cristianismo, daria origem ao nome de Cristo,
cristão e cristianismo.
Os
essênios haviam-se estabelecido numa instituição comunal, em
que os bens pessoais eram repartidos igualmente para todos e as
necessidades de cada um tornavam-se responsabilidade de todos.
Tal
ideal de vida conquistaria, como realmente aconteceu, ao escravo,
a plebe, enfim. a gente humilde.
Daí,
a expansão do cristianismo que, nada tendo de concreto, positivo
e provável, assumiu as proporções de que todos temos
conhecimento. Não tendo ficado restrita à classe inculta e
pobre, como seria de se pensar, começou a ganhar adeptos entre os
aristocratas e bem nascidos.
De
tudo o que dissemos, depreende-se que o cristianismo foi uma
religião criada pelos judeus, antes de tudo como meio de sobrevivência
e enriquecimento.
Tudo
foi feito e organizado de modo a que o homem se tornasse um
instrumento dócil e fácil de manejar, pelas mãos hábeis
daqueles aos quais aproveita a religião como fonte de
rendimentos.
Métodos
modernos, como por exemplo o método comparativo de Hegel, a
grafotécnica, o uso dos isótopos radioativos e radiocarbônicos,
denunciaram a má fé daqueles que implantaram o cristianismo,
falsificando escritos e documentos na vã tentativa de provar o
que lhe era proveitoso. Por meios escusos tais como os citados, a
Igreja tornou-se a potência financeira em que hoje se constitui.
Finalmente,
desde o momento em que surgiu a religião, com ela veio o
sacerdote que é uma constante em todos os cultos, ainda que
recebam nomes diversos. A figura do sacerdote encarregado do culto
divino, tem tido sempre a preocupação primordial de atemorizar o
espírito dos povos, apresentando-lhes um Deus onipotente,
onipresente e, sobretudo, vingativo que a uns premia com o paraíso
e a outros castiga com o inferno de fogo eterno, conforme sejam
boas os más suas ações.
No
cristianismo, encontraremos sempre o sacerdote afirmando ter o
homem uma alma imortal, a qual responderá após a morte do corpo,
diante de Deus, pelas ações praticadas em vida.
Como
se tudo não bastasse, o paraíso, o purgatório dos católicos e
o inferno, há ainda que considerar a admissão do pecado
original, segundo o qual todos os homens ao nascer, trazem-no
consigo.
Ora,
ninguém jamais foi consultado a respeito de seu desejo ou não de
nascer. Assim sendo, como atribuir culpa de qualquer natureza a
quem não teve a oportunidade de manifestar vontade própria
Quanta injustiça! Condenar inocentes por antecipação.
O
próprio Deus e o próprio Cristo, revoltar-se-iam por certo, ante
tão injusta legislação, se os próprios existissem.
A
Igreja serviu-se de farta documentação, conforme já mencionamos
anteriormente, com Intenção de provar a existência de Cristo.
No entanto, a história ignora-o completamente.
Quanto
aos autores profanos que pretensamente teriam escrito a seu
respeito, foram nesta parte falsificados. Por outro lado,
documentos históricos demonstram sua inexistência. As provas
históricas merecem nosso crédito, porque pertencem à categoria
dos fatos certos e positivos, e constituem testemunhos concretos e
válidos de escritores de determinadas escolas.
A
interpretação da Bíblia e da mitologia comparada, não resiste
a uma confrontação com a história.
Flávio
Josefo, Justo de Tiberíades, Filon de Alexandria, Tácito, Suetônio
e Plínio, o Jovem, teriam feito em seus escritos, referências a
Jesus Cristo. Todavia, tais escritos após serem submetidos a
exames grafotécnicos, revelaram-se adulterados no todo ou em
parte, para não se falar dos que foram totalmente destruídos. Além
disso, as referências feitas a Crestus, Cristo ou Jesus, não são
feitas exatamente a respeito do Cristo dos Cristãos. Seria mesmo
difícil estabelecer qual o Cristo seguido pelos cristãos, visto
que esse era um nome comum na Galiléia e Judéia.
Segundo
Tácito, judeus e egípcios foram expulsos de Roma por formarem
uma só e mística superstição cristã. As expulsões ocorreram
duas vezes no tempo de Augusto e a terceira vez no governo de Tibério,
no ano 19 desta era. Tais expulsões desmentem a existência de
Jesus, porquanto, ocorreram quando ainda o nome de cristão
aplicava-se a superstição judáico-egípcia, a qual se confundiu
com o cristianismo.
Filon
de Alexandria, apesar de ter contribuído poderosamente para a
formação do cristianismo, seu testemunho é totalmente contrário
a existência de Cristo. Filon havia escrito um tratado sobre o
Bom Deus - Serapis - tratado este que foi destruído. Os
evangelhos cristãos a ele muito se assemelham, e os
falsificadores não hesitaram em atribuir as referências como
sendo feitas a Cristo.
Os
historiadores mostram que essa religião nasceu em Alexandria, e não
em Roma ou Jerusalém. Fazem ver que ela nasceu das idéias de
Filon que platonizando e helenizando o judaísmo, escreveu boa
parte do Apocalipse. A mesma transformação que o cristianismo
dera ao judaísmo ao introduzir-lhe o paganismo e a idolatria,
Filon imprimira a essa crença, até então apenas terapeuta,
dando-lhe feição grega, de cunho platônico.
Embora,
tenha sido de certo modo o precursor do cristianismo, não deixou
a menor prova de ter tomado conhecimento da existência de Jesus
Cristo, o mago rabi, e isto é lógico porque o cristianismo só
iria ser elaborado muito depois de sua morte.
Bastaria
o silêncio de Filon para provar estarmos diante de uma nova criação
mitológica, de cunho metafísico. Entretanto, escrevendo como
cristão, os lançadores do cristianismo louvaram-se nas suas idéias
e escritos. Tivesse Jesus realmente existido, jamais Filon
deixaria de falar em seu nome, descreveria certamente sua vida
miraculosa. Filon relata os principais acontecimentos de seu
tempo, do judaísmo e de outras crenças, não mencionando, porém,
nada sobre Jesus. Cita Pôncio Pilatos e sua atuação como
Procurador da Judéia, mas, não se refere ao julgamento de Jesus
a que ele teria presidido.
Fala
igualmente dos essênios e de sua doutrina comuna dizendo
tratar-se de uma seita judia, com mosteiro à margem do Jordão,
perto de Jerusalém.
Quando
no reinado de Calígula esteve em Roma defendendo os judeus,
relata diversos acontecimentos da Palestina, mas não menciona
nada a respeito de Jesus, seus feitos ou sua sorte e destino.
Filon
que foi um dos judeus mais ilustres de seu tempo, e sempre esteve
em dia com os acontecimentos jamais omitiria qualquer notícia
acerca de Jesus, cuja existência se fosse verdadeira, teria
abalado o mundo de então. Impossível admitir-se tal hipótese,
portanto.
Por
isso é que M. Dide fez ver que, diante do silêncio de homens
extraordinários como Filon, os acontecimentos narrados pelos
evangelistas não passam de pura fantasia religiosa. Seu silêncio
é a sentença de morte da existência de Jesus.
O
mesmo silêncio se estende aos apóstolos, assinala Emílio Bossi.
Evidencia que tudo quanto está contido nos Evangelhos refere-se a
personalidades irreais, ideais, sobrenaturais de inexistentes
taumaturgos.
O
silêncio de Filon e de outros se estende não apenas a Jesus,
mas, também aos seus pretensos apóstolos, a José, a Maria, seus
filhos e toda a sua família.
Flávio
Josefo tendo nascido no ano 37 e escrevendo até 93 sobre judaísmo,
cristianismo terapeuta, messias e Cristos, nada disse a respeito
de Jesus Cristo.
Justo
de Tiberíades, igualmente não fala em Jesus Cristo, conquanto
houvesse escrito uma história dos judeus, indo de Moisés ao ano
50.
Ernest
Renan em sua obra "Vie de Jesus" apesar de ter tentado
biografar Jesus, reconhece o pesado silêncio que fizeram cair
sobre o pretenso herói do cristianismo.
Os
Gregos, os romanos e os indús dos séculos I e II, jamais ouviram
falar na existência física de Jesus Cristo. Nenhum dos
historiadores ou escritores, judeus ou romanos, os quais viveram
ao tempo em que pretensamente teria vivido Jesus, ocupou-se dele
expressamente. Nenhum dedicou-lhe atenção. Todos foram omissos
quanto a qualquer movimento religioso ocorrido na Judéia,
chefiado por Jesus.
A
história não só contesta a tudo o que vem nos Evangelhos, como
prova que os documentos em que a Igreja se baseou para formar o
cristianismo foram todos inventados ou falsificados no todo ou
parte, para esse fim.
A
Igreja sempre dispôs de uma equipe de falsários, os quais
dedicaram-se afanosamente a adulterar e falsificar os documentos
antigos com o fim de pô-los de acordo com os seus cânones.
O
piedoso e culto bispo de Cesaréia, Eusébio, como muitos outros
tonsurados, receberam ordens papais para realizar modificações
em Importantes papéis da época, adulterando-os e emendando-os
segundo suas conveniências.
Graças
a esses criminosos arranjos, a Igreja terminaria autenticando
impunemente, sua novela religiosa sobre Jesus Cristo, sua família,
seus discípulos e o seu tempo.
Conan
Doyle imortalizou o seu personagem, Sherlock Holmes, assim como
Goethe ao seu Werther. Deram-lhes vida e movimento como se fossem
pessoas reais, de carne e ossos. Muitos outros escritores,
imortalizaram-se também através de suas obras, contudo, sempre
ficou patente serem elas pura ficção, sem qualquer elo que as
ligue com a vida real. Produzem um trabalho honesto e honrado
aqueles que assim procedem, ao contrário daqueles que deturpam os
trabalhos assinados por eminentes escritores, com o objetivo
premeditado de iludir a boa fé do próximo. E procedimento que além
de criminoso, revela a incapacidade intelectual daqueles que
precisam de se valer de tais meios, para alcançar seus escusos
objetivos.
Berson,
citado por Jean Guitton em "Jesus", disse que a inigualável
humildade de Jesus dispensaria a historicidade; entretanto, erigiu
os Evangelhos como documento indiscutível como prova, o que a ciência
histórica de hoje rejeita. Só depois de muito entrado em anos é
que se tornaria indiferente para com a pirracenta crença
religiosa dos seus antepassados, como aconteceu com mentes
excepcionalmente cultas, tornadas ilustres pelo saber e pelo
conhecimento e não apenas pelo dinheiro.
Diante
da história, do conhecimento racional e científico que presidem
aos atos da vida humana, muitos já se convenceram da primária e
irreal origem do cristianismo, o qual nada mais é do que uma síntese
do judaísmo com o paganismo e a idolatria greco-romana do século
I.
Graças
ao trabalho de notáveis mestre de Filosofia e Teologia da Escola
de Tubíngen, na Alemanha, ficou provado que os Evangelhos e mesmo
toda a Bíblia, não possuem valor histórico, pondo-se em dúvida
consequentemente, tudo quanto a Igreja impôs como verdade sobre
Jesus Cristo. Tudo o que consta dos Evangelhos e do Novo
Testamento, São apenas arranjos, adaptações e ficções, como o
próprio Jesus Cristo o foi.
Através
da pesquisa histórica e de exames grafotécnicos ficou
evidenciado que os escritos acima referidos são apócrifos. De
sorte que não servindo como documentos autênticos devem ser
rejeitados pela ciência.
Jean
Guitton diz que o problema de Jesus. varia e acordo com o ângulo
sob o qual seja examinado: histórico, filosófico ou teológico.
A
história exige provas reais, segundo as quais se evidenciem os
movimentos da pessoa ou do herói no palco da vida humana,
praticando todos os atos a ela concernentes, em todos os seus
altos e baixos.
Pierre
Couchoud, igualmente citado por Guitton, sendo médico e filósofo,
considerou Jesus como tendo sido "a maior existência que já
houve, o maior habitante da terra", entretanto. acrescentou:
"não existiu no sentido histórico da palavra: não
nasceu. não sofreu sob Pôncio Pilatos, sendo tudo uma fabulação
mítica".
A
passagem de Jesus pela terra, seria o milagre dos milagres:
"o continente, embora fosse o menor, contivera o conteúdo,
que era o maior!"
A
Filosofia quer fatos para examinar e explicar à luz da razão,
generalízando-o. No que se refere à existência de Jesus, é
patente a impossibilidade de generalização, porquanto, na
qualidade de mito, como os milhares que o antecederam, sua
personalidade é apenas fictícia, por conseguinte, nenhum
material pode oferecer à Filosofia para ser sistematizado,
aprofundado ou explicado.
No
tocante à Teologia cabe-lhe apenas a parte doutrinária acerca
das coisas divinas A ela, interessa apenas incutir nas mentes os
seus princípios, sem contudo, procurar neles o que possa existir
de concreto, o que inclusive seria contrário aos interesses
materiais, daqueles aos quais aproveita a religião.
Os
Enciclopedistas mostraram como eram tolos e irracionais os dogmas
da Igreja, lembrando ainda que ela era um dos mais fortes pilares
do feudalismo escravocrata.
Voltaire
mostrou as coincidências entre o Evangelho de João e os escritos
de Filon, lembrando ter sido ele um filósofo grego de ascendência
judia, cujo pai, um outro judeu culto, teria sido contemporâneo
de Jesus, se ele tivesse realmente existido. A filosofia religiosa
de Filon era a mesma do cristianismo, tanto que inicialmente foi
cogitada sua inclusão entre os fundadores da nova crença.
Contudo, após exame rigoroso de sua obra, foram encontradas idéias
opostas aos interesses materiais dos lideres cristãos da época.
Devemos
aos Enciclopedistas, bem como a Voltaire, o incentivo para que
muitos pensadores futuros, pudessem desenvolver um trabalho livre,
na pesquisa da verdade. As convicções de Voltaire, são o fruto
de profundo estudo das obras de Filon.
Os
racionalistas, posteriormente, servindo-se de seus escritos,
concluíram que a Igreja criou seus dogmas de acordo com a lenda e
o mito, impondo-os a ferro e fogo.
Bauer,
aplicando os princípios hegelianos na Universidade de Tubingen.
concluiu que os Evangelhos haviam sido escritos sob a influência
judia, de acordo com seu gosto. Posteriormente, interesses
materiais e políticos motivaram alterações nos mesmos. Em vista
de tais interesses é que Pedro, o pregador do cristianismo
nascente, que era pró judeu, teve de ser substituído por Paulo,
favorável aos romanos. E Marcião teria sido o autor dos escritos
atribuídos ao inexistente Paulo.
O
mérito da Escola de Tubingen, consiste em haver provado que os
Evangelhos são apócrifos, e assim não servem como documento
aceitável pela história. Levando ao conhecimento do mundo livre
que os fundamentos do cristianismo são mistificações pura, os
mestres da referida Escola abalaram os alicerces de uma empresa,
que há séculos explora a humanidade crente, vendendo o nome de
Deus a grosso e a varejo.
Tudo
nos leva a crer que no futuro, o conhecimento científico exigirá
bases sólidas para todas as coisas, quando então as religiões não
mais prevalecerão, porquanto, não poderão contribuir para a ciência
ou para a história, com qualquer argumento sólido e fiel.
Ademais,
não nos parece lógico que o homem atual, o qual já atingiu um tão
elevado nível de desenvolvimento, o que se verifica em todos os
setores do conhecimento, tais como científico, tecnológico e
filosófico, permaneça preso a crenças em deuses inexistentes,
em mitos e tabus.
Diz-se
que a Bíblia, o livro sagrado dos cristãos, do qual se valem
eles para provar a existência de seu Deus e Jesus Cristo, seu
filho unigênito, foi escrito sob a inspiração divina. O Próprio
Deus te-lo-ia escrito, através de homens inspirados por ele,
claro. A doutrina cristã ensina que Deus, além de onipotente, é
onipresente e onisciente. Sendo dotado de tais atributos, - onisciência
e onipresença, - seria de se esperar que Deus ao ditar aos homens
inspirados o que deveriam escrever, não se restringisse apenas ao
relato das coisas, fatos ou lugares então conhecidos pelos
homens.
Sendo
onipresente, deveria estar no universo inteiro. Conhecê-lo e levá-lo
ao conhecimento dos homens, e não apenas limitar-se a falar dos
povos ou lugares que todos conheciam ou sabiam existir.
Sendo
onisciente, deveria saber de todas s coisas de modo certo,
correto, exato e assim inspirar ou ensinar.
Todavia,
aconteceu justamente o contrário. A Bíblia escrita por homens
inspirados por Deus onipresente e onisciente, está repleta de
erros os mais vulgares e incoerentes, revelando total ignorância
acerca da verdade e de tudo mais.
Vejamos
apenas um exemplo. Diz a Bíblia que o sol, a lua e as estrelas
foram criadas em função da terra: para iluminá-la. Seria o
centro do universo, então, o que é totalmente falso
Hoje,
ou melhor, há muito tempo todos sabemos que a terra é apenas um
grão de areia perdido na imensidão do universo, sendo mesmo uma
das menores porções que o compõe, inclusive dentro do sistema
solar de que faz parte.
Como
teria Josué feito parar o sol, afim de prolongar o dia e ganhar
sua batalha contra os canamitas, sem acarretar uma catástrofe?
Decididamente, quem escreveu tais absurdos, sendo homem sujeito a
falhas e erros, é perdoável. Entretanto, sendo um Deus
onipresente e onisciente, ou por sua inspiração, é inconcebível.
E mais inconcebível ainda é que o homem moderno permaneça
escravo desta ou de qualquer outra religião. Dispondo de modernos
meios de difusão e divulgação da cultura, o homem não pode
ignorar o quanto é falsa a doutrina cristã, além de absurda, o
mesmo estendendo-se a qualquer outra forma de culto ou religião.
Como entender que sendo Deus onipresente e onisciente, não
saberia que todos os corpos do universo possuem movimento, e que
este os mantém dentro de sua órbita, sem atropelos ou
abalroamento?
Quando
Jeová resolveu disciplinar o comportamento dos hebreus, marcou
encontro com Moisés, no Monte Sinai, para lhe entregar as tábuas
da lei. Fato idêntico acontecera muito antes. quando Hamurabi
teria recebido das mãos do deus Schamash, a legislação dos
babilônios no século XVII a.C.. A mesma foi encontrada em Susa,
uma das grandes metrópoles do então poderoso império babilônio,
encontrando-se atualmente guardada no Museu do Louvre, em Paris.
No
que concerne aos Evangelhos, foram escritos em número de 315,
copiando-se sempre uns aos outros. No Concílio de Nicéia, tal número
foi reduzido para 40 e destes foram sorteados os 4 que até hoje
estão vigorando.
A.
Laterre, entre outros escritores, assinala ter sido o Evangelho de
Marcos o mais antigo, e haver servido de paradigma para os outros,
os quais não guardaram sequer fidelidade ao original, dando
margem a choques e entrechoques de doutrina.
Após
o Evangelho de Marcos, começaram a surgir os demais que alcançando
elevado número, foram reduzidos. A escolha não visou os
melhores, o que seria lógico, mas baseou-se tão somente, no
prestigio político dos bispos das regiões onde haviam sido
compostos.
A.
Laterre patenteou igualmente, em "Jesus e sua doutrina",
que a lenda composta pelos fundadores do cristianismo para ser
admitida pelos homens como verdade, fora copiada de fontes mitológicas
muito anteriores ao próprio judaísmo, remontando aos antigos
deuses indús, persas ou chineses.
No
século II, quando começou a aparecer a biografia de Jesus, havia
apenas o interesse político e material em se manter a sua santa
personalidade idealizada.
Constantino,
no século IV, tendo verificado que suas legiões haviam-se
tornado reticentes no cumprimento de suas ordens contra os cristãos,
resolveu mudar de tática e aderir ao cristianismo. Percebendo que
os bispos de Alexandria, Jerusalém, Edessa e Roma tinham a força
necessária para fazer-lhe oposição, sentiu-se na contingência
de ceder politicamente, com o objetivo de conseguir obediência
total e unificar o império. De sorte que sua adesão ou conversão
ao cristianismo, não se baseou em uma convicção intima,
espiritual, porém, resultou de conveniências políticas.
Embora
não crendo na religião cristã, percebeu que a cruz dar-lhe-ia a
força que lhe faltava, para tornar-se o imperador único e
obedecido cegamente. Daí, a história do sonho que tivera antes
de uma batalha, segundo o qual vira a cruz desenhada no céu e
estas palavras escritas abaixo: "in hoc signo vincis",
com este sinal, vencerás. Não era cristão verdadeiro, apenas
fingia sê-lo para conseguir os seus objetivos.
Dujardin
conta-nos que o cristianismo só surgiu a partir do ano 30, graças
a um rito em que se via a morte e a ressurreição de Jesus, o
qual seria uma divindade pre-cristã. Nesta seita, os seus adeptos
denominavam-se apóstolos, significando missionários, os que
traziam uma mensagem nova. Os apóstolos desse Jesus, juravam
terem-no visto, após sua morte, ressuscitar e ascender ao céu.
Entretanto, não era este o Jesus dos cristãos.
O
Padre Aífred Loisy, diante do enorme descrédito que o mito do
cristianismo vinha sofrendo nos meios cultos de Paris, resolveu
pesquisar-lhe as origens, visando assim desfazer as objeções
apresentadas de modo seguro e bem fundamentado. Buscava a verdade
para mostrá-la aos demais. Entretanto, ao fazer seus estudos, o
Padre Loisy constatou que, realmente a crítica havia se baseado
em fatos incontestáveis. Por uma questão de honra, não poderia
ocultar o resultado de suas pesquisas, publicando-o logo em
seguida. Sendo tal resultado, contrário fundamentalmente aos cânones
da Igreja, foi expulso de sua cátedra de Filosofia, na
Universidade de Paris e excomungado pelo Papa, em 1908.
O
Pe. Loisy havia concluído que os documentos nos quais a Igreja
firmara-se para organizar sua doutrina, provieram do ritual essênio.
Jesus Cristo não tivera vida física. Era apenas o
reaproveitamento da lenda essênia do Crestus, o seu Messias.
Verificou-se
também que as Paulinianas, de origem insegura, haviam sido
refundidas em vários pontos fundamentais e por diversas vezes,
antes de serem incluídas definitivamente nos Evangelhos. Do mesmo
modo chegou à conclusão de que os Evangelhos não poderiam
servir de base para a história, nem para provar a vida de Jesus
dada a sua inautenticidade.
Por
sorte sua, já não mais existia a Santa Inquisição; do contrário,
o sábio Padre Loisy teria sido queimado vivo.
Os
documentos relativos ao governo de Pilatos na Judéia, nada
relatam a respeito de alguém que se intitulando de Jesus Cristo,
o Messias ou o enviado de Deus, tenha sido preso, condenado e
crucificado com assentimento ou mesmo contra sua vontade, conforme
narram os evangelhos. Não tomou conhecimento jamais de que um
homem excepcional, praticasse coisas maravilhosas e sobrenaturais,
ressuscitando mortos e curando doentes ao simples toque de suas mãos,
ou com uma palavra, apenas.
Se
Pôncio Pilatos, cuja existência é real e historicamente provável,
e que estava no centro dos acontecimentos da época como
governador da Judéia, ignorou completamente a existência
tumultuada de Jesus, é que de fato ele não existiu. Alguém que
pelos atos que lhe são atribuídos, chega mesmo ao cúmulo de ser
aclamado "Rei dos Judeus" por uma multidão exaltada,
como efe o foi, não poderia passar despercebido pelo governador
da região.
O
imperador Tibério, inclusive, jamais soube de tais ocorrências
na Judéia.
Estranho
que ninguém o informasse de que um povo, que estava sob o seu domínio,
aclamava um novo rei. Ilógico. A ele, Tibério, é que caberia
nomear um rei, governador ou procurador.
Prosper
Alfaric, em L'Ecole de la Raison, assinala as invencíveis
dificuldades do cristianismo em conciliar a fé com a razão. Por
isso, a nova crença teve de apoderar-se das lendas e crenças dos
deuses solares, tais como Osíris, Mitra, Ísis, Átis e Hórus,
quando da elaboração de sua doutrina. Expôs, igualmente, que os
documentos descobertos em Coumrã, em 1947, eram o elo que faltava
para patentear que Cristo é o Crestus dos essênios, uma outra
seita judia.
O
cristianismo nada mais é, então, do que o sincretismo das
diversas seitas judias, misturadas às crenças e religiões dos
deuses solares, por serem as religiões que vinham predominando há
séculos.
A
palavra "evangelho" em grego significa "boa
nova", já figura na Odisséia de Homero, Século XII, a.C..
Foi depois encontrada também ruma inscrição em Priene, na Jônia,
numa frase comemorativa e de endeusamento de Augusto, no seu
aniversário, significando a "boa nova" no trono. E isto
ocorreu muito antes de idealizarem Jesus Cristo.
Conforme
já mencionamos anteriormente, no inicio do cristianismo, os
evangelhos eram em número de 315, sendo posteriormente reduzidos
para 4, no Concílio de Nicéia. Tal número, indica perfeitamente
as várias formas de interpretação local das crenças religiosas
da orla mediterrânea, acerca da idéia messiânica lançada pelos
sacerdotes judeus. Sem dúvida, este fato deve ter levado Irineu a
escrever o seguinte: "Há apenas 4 Evangelhos, nem mais um,
nem menos um, e que só pessoas de espírito leviano, os
ignorantes e os insolentes é que andam falseando a verdade".
A verdade da Igreja, dizemos nós.
Haviam
então, os Evangelhos dos naziazenos, dos judeus, dos egípcios,
dos ebionistas, o de Pedro, o de Barnabé, entre outros, 03 quais
foram queimados, restando apenas os 4 sorteados e oficializados no
Concílio de Nicéia.
Celso,
erudito romano, contemporâneo de Irineu, entre os anos 170 e 180,
disse: "Certos fiéis modificaram o primeiro texto
dos Evangelhos, três, quatro e mais vezes, para poder assim
subtrai-los às refutações".
Foi
necessária uma cuidadosa triagem de todos eles, visando retirar
as divergências mais acentuadas, sendo adotada a de Hesíquies,
de Alexandria; e de Pânfilo, de Cesaréía e a de Luciano, de
Antióquia. Mesmo assim, só na de Luciano existem 3500 passagens
redigidas diferentemente. Disso resulta que, mesmo para os Padres
da Igreja, os Evangelhos não são fonte segura e original.
Os
Evangelhos que trazem a palavra "segundo", que em grego
é "cata", não vieram diretamente dos pretensos
evangelistas.
A
discutível origem dos Evangelhos, explica porque os documentos
mais antigos não fazem referência à vida terrena de Jesus.
Nos
Evangelhos, as contradições são encontradas com muita freqüência.
Em Marcos., por exemplo, em 1-1,17: "a linhagem de
Jesus vem de Abraão, em 42 gerações"; ao passso
que em Lucas. 2 - 23, 28 lê-se que proviera diretamente de Adão
e Eva, sendo que de Abraão a Jesus teriam havido 43 gerações.
Eusébio
comentando o assunto e não sabendo como dirimir a questão,
disse: "Seja lá o que for, só o Evangelho anuncia a
verdade".(?)
Tais
divergências, entretanto, parecem indicar que os Evangelhos não
se destinavam inicialmente à posteridade, visando tão somente a
catequese imediata de povos isolados uns dos outros. Os escritos
destinados a um povo dificilmente seriam conhecidos dos outros.
O
Evangelho de Mateus teria sido destinado aos judeus, arranjado
para agradá-los. Por isso, não fala nos vaticínios nem no
Messias.
Por
isso ainda é que puseram na boca de Jesus as palavras seguintes:
"Não vim para abolir as leis dos profetas, mas sim para
cumpri-las". Tudo indica ter sido feito em Alexandria,
porquanto, o original em hebraico jamais existiu. Baur provou,
entretanto, que as Epístolas são anteriores aos Evangelhos e o
Apocalipse, o mais antigo de todos, do ano 68. Todos os escritos
do cristianismo desse tempo, falam apenas no Logos, o Cordeiro
Pascoal, imolado desde o princípio dos tempos, referindo-se à
personalidade ideal de Jesus Cristo.
Justino,
filósofo e apologista cristão, escrevendo em torno do ano 150, não
emprega a palavra Evangelho nem uma vez. Isto mostra que ele ainda
nessa época, ignorava-a, não tendo conhecimento de sua existência.
Justino ignorava igualmente as paulinianas, Paulo e os Atos dos apóstolos,
o que prova que foram inventados posteriormente.
Marcião
no ano de 140, trouxe as Epístolas à Roma, as quais não foram
inicialmente consideradas merecedoras de fé. Sofreu rigorosa
triagem, sendo cortada muita coisa que não convinha à Igreja.
Marcião fora contemporâneo de Justino. As Epístolas trazidas
por ele, eram endereçadas aos Romanos, aos Gálatas e aos Coríntios.
Apresentavam Jesus como um Deus encarnado. Teria nascido de uma
mulher e sofrera o martírio para resgatar os pecados da
humanidade, isto é, dos ocidentais porque os orientais não
tomaram conhecimento da personalidade de Jesus, seus milagres e
sua pregação e do seu romance religioso.
Engels
constatou que as Epístolas são 60 anos mais novas do que o
Apocalipse. E ainda, os cristãos contrários ao bispo de Roma,
rejeitaram-nas durante séculos. Foi o que se deu com os ebionitas
e os severianos, conforme Eusébio escreveu e Justino confirmou.
O
Apocalipse fala em um cordeiro com sete cornos e sete olhos, o
qual foi imolado desde a fundação do mundo (13-8). O
Apocalipse foi composto apenas em 68, sendo o mais antigo de todos
os escritos cristãos.
Lutero
e Swinglio disseram que o Apocalipse foi incluído nos Evangelhos
por engano, tendo a Igreja de inventar, por isso a ordem cronológica
dos seus livros.
Hoje
se pode provar que o Apocalipse surgiu entre os anos 68 e 70; os
Evangelhos, no século II e o Atos dos Apóstolos são os mais
recentes de todos.
Eusébio
em sua "História Eclesiástica':, 4-23, diz: "Compus
as Epistolas conforme a vontade do irmão: mas, os 'apóstolos do
diabo' tacharam-nas de inverídicas contando-lhes certas coisas e
acrescentando outras".
Irineu,
ao mesmo tempo ordenava ao copista: "Confronta toda cópia
com este original utilizado por ti, e corrige-a
cuidadosamente". Não te esqueças de reproduzir em tua cópia
o pedido que te faço.
Essas
citações servem para medirmos que tipo de santidade havia entre
os bispos e seus calígrafos, na arte eusebiana de eméritos
falsificadores de documentos importantes.
Com
isto, deram autenticidade a todas as invencionices do cristianismo
e legitimaram sua liderança na posse material do que pertencia
aos outros.
Irineu
ainda registrou o seguinte: "Ouvi dizer que não acreditam
esteja isto nos Evangelhos, se não se encontrar nos
arquivos", Ao que Eusébio respondera: "É
preciso demonstrá-lo".
Uma
excelente prova da existência de Jesus, seria uma comunicação
feita por Pilatos a seu respeito. Entretanto, tal documento não
existe.
Justino,
instado pelos falsificadores, referiu-se a Jesus, contudo, dada a
sua honradez pessoal, no caso do seu escrito ser autêntico, fê-lo
de modo inseguro e hesitante.
Tertuliano
que é mas seguro do que ele, afirmou que esse valioso documento
deverá ser encontrado nos arquivos imperiais. Contudo, a Igreja
apesar de haver se apoderado de Roma a partir do século IV, não
teve a coragem de apresentar essa indispensável jóia documentária,
a qual de certo seria refutada pela ciência e pejo conhecimento.
Mesmo
assim, a partir do século IV, essa prova espúria foi produzida,
contudo, a Igreja não teve a petulância de submetê-la à grafotécnica.
Daniel
Rops, embora fosse um apaixonado cristão, reconheceu a veracidade
dessa falsificação dizendo que: "a que arranjaram era uma
carta enviada a Cláudio, que reinou de 41 a 44, e não a Tibério,
sob cujo governo Pilatos fora Procurador da Judéia".
No
Apocalipse João escreveu: "Se alguém acrescentar alguma
coisa nisto, Deus castigará com as penas descritas neste livro;
se alguém cortar qualquer coisa, Deus cortará sua parte na árvore
da vida e na cidade santa descrita neste livro". Ai está
mais uma prova de como as falsificações eram usuais na fase da
Igreja nascente.
O
mais interessante é essa gente falar em Deus, como se fosse coisa
cuja existência já tivesse sido provada, não se justificando
mais que o conhecimento e a razão estudassem as bases dessa existência.
Os
padres mostravam-se estar de tal modo familiarizados com Deus e
sua vontade, que por isso achavam certo e justo julgar e queimar
vivos a todos os que deles discordassem.
Entretanto,
embora dessem a impressão de estar em contato com Deus, usavam de
processos criminosos, dos quais todos os ociosos usam para sacar
contra o seu meio social. Assim é que hoje se pode provar que o
cristianismo, foi construído sobre um terreno atapetado de
mentiras, falsificações e mistificações.
O
Novo Testamento atualmente oficializado, é cópia de um texto
grego do século IV.
É
exatamente o sinótico descoberto em 1859, em um convento do Monte
Sinai, onde vem informada a origem grega. Os originais do mesmo
estão guardados nos museus do Vaticano e de Londres. Foram
publicados com as devidas corrigendas, feitas por Hesíquios, de
Alexandria.
Um
papiro encontrado no Egito, em 1931, apresenta-nos uma ordem
cronológica totalmente diferente da oficializada pela Igreja.
Atualmente,
as fontes testamentárias aceitáveis são as do século II em
diante, provindas de Justino, Taciano, Atenágoras e Irineu e
outros, os quais são considerados os verdadeiros criadores do
cristianismo.
Taciano
foi o "bem amado" discípulo de Justino. Ele,
entretanto, omite a genealogia de Jesus, dizendo apenas que ele
descendia de reis judeus, de modo muito vago, divergindo assim da
orientação oficializada.
Irineu
foi que sistematizou o cristianismo. Foi ele a fonte em que Eusébio
inspirou-se. Por isso é que daí em diante seria obrigatória a
confrontação entre os dois textos. O bispo de Cesaréia fora
encarregado pelo todo poderoso bispo de Roma, de falsificar tudo
quanto prejudicasse os interesses materiais da Igreja de então.
De modo que, por onde passou a mão de Eusébio, foi tudo
conspurcado criminosamente contra a verdade.
Eusébio
foi realmente um bispo que cria apaixonadamente na divindade de
Jesus Cristo contudo, já conhecia o poder que possuia o bispo de
Roma.
Graças
a Eusébio e outros iguais a ele, tornou-se uma temeridade
descrer-se na verdade oficializada pela Igreja.
Após
tantas falsificações, todos ficaram realmente inseguros quanto
á verdadeira origem do cristianismo, tal a tumultuação impressa
por Eusébio.
Tertuliano
e Clemente de Alexandria, lutaram um pouco para sanar essas
fontes, anulando boa parte do que restara das criminosas unhas de
Eusébio.
Jacob
Buckhardt examinando essa documentação, concluiu que o Novo
Testamento merece confiança.
Em
Coumrã, em 1947, como á vimos foram encontrados documentos com
escrita em hebraico e não em grego, falando em Crestus não em
Cristo. Ali, Habacuc refere-se à perseguição sofrida por essa
seita judia, assim como a morte de Crestus, igualmente traído por
Judas, um sacerdote dissidente. A Igreja ao ter conhecimento da
existência de tais documentos, pretendeu informar que Crestus era
o Cristo de sua criação, contudo, verificou-se que eles datavam
de pelo menos um século antes do lançamento do romance do Gólgota.
Além disso, continham revelações contrárias aos interesses da
Igreja. Eles relatam as lutas de morte em que viviam as diversas
seitas do judaísmo.
A
Didaquê não pôde entrar nos Evangelhos, devendo silenciar
completamente a respeito da pretensa passagem de Jesus pela terra.
De
qualquer forma, a lenda que existia em torno no nome de Crestus,
foi aproveitada na época porque sendo uma seita comunista, suas
pregações iriam servir para atrair ao cristianismo a atenção
dos escravos, em luta contra os seus senhores, a eterna luta do
pobre contra o riço.
Escavações
feitas em Jerusalém, desenterraram velhos cemitérios, onde foram
encontradas muitas cruzes do século I e mesmo anteriores.
Todavia, apesar de já ser usada nessa época, só a partir do século
IV é que a Igreja iria oficializá-la como seu emblema.
Levantamentos arqueológicos posteriores provariam que a cruz já
era um piedoso emblema usado desde há milênios.
Orígenes
polemizando contra Celso, um dos mais cultos escritores romanos de
seu tempo, e que mais combateram as bases falsas da Igreja e de
Jesus Cristo, acusa Flávio Josefo por não haver admitido a existência
de Jesus. Flávio não poderia referir-se a Jesus nem ao
cristianismo porque ambos foram arranjados depois de sua morte.
Assim, os livros de Flávio que falam de Jesus, foram compostos,
ou melhor, falsificados muito tempo após sua morte, no decorrer
do século III, conforme as conclusões alcançadas pelos mestres
da Escola de Tubingen.
Sêneca
que foi preceptor de Nero, suicidando-se para não ser assassinado
por ele, já pensava mais ou menos como os cristãos. Do que se
conclui que as idéias de que se serviu o cristianismo para se
fundamentar, são emprestadas das lendas que giravam em torno de
outros Cristos Messias, assim como de outros cultos. Nada tendo,
portanto, de original. Sêneca acreditava em um Deus único e
imaterializável.
Por
tudo isso, vemos que os líderes do cristianismo, nada mais
fizeram do que se apropriarem das idéias já existentes. Apenas
tiveram o cuidado de promover as modificações necessárias, com
vistas a melhor consecução dos seus objetivos materiais.
Sêneca,
embora não fazendo em seus escritos qualquer alusão à existência
de Jesus Cristo, teve muitos de seus escritos aproveitados pelo
cristianismo nascente.
Em
Tácito, escritor do século II, encontram-se referências a
respeito de Jesus e seus adeptos. Contudo, exames grafotécnicos
demonstraram que tais referências são falsas, e resultam de visível
adulteração dos seus escritos.
Suetônio
que existiu quando Jesus teria vivido, escreveu a "História
dos Doze Césares," relatando os fatos de seu tempo.
Referindo-se aos judeus e sua religião, apenas falou em
"distúrbios de judeus exaltados em torno de Crestus".
Por aí se vê que ele não se referia aos cristãos, porquanto,
eles sempre se mostraram humildes e obedientes à ordem constituída,
evidentemente afim de passar, tanto quanto possível,
despercebidos. Desse modo, iriam solapando o poder imperial,
manhosamente, como realmente aconteceu.
Suetônio
escreveu ainda que haviam supliciado alguns cristãos, que eram
gente que se dedicava demasiado a tolas superstições, orientadas
por uma idéia malfazeja. Disse mais que Nero tivera de mandar
expulsar os judeus de Roma, porque eles estavam sempre se
sublevando, instigados por Crestus.
Os
cristãos estavam sempre organizados de modo a atrair aos
escravos, sem contudo, desagradar às autoridades. Assim sendo,
jamais provocariam tumultos. Os cristãos aos quais Suetônio
refere-se, poderiam ser os zilotas, os essênios ou os terapeutas,
mas nunca os cristãos de Jesus Cristo, porquanto, conforme já
dissemos acima, os cristãos eram ensinados a não provocarem
desordens.
Plínio,
o Jovem, viveu entre os anos 62 e 113, tendo sido sub-pretor da
Bitínia. Na carta enviada ao imperador, perguntava como agir em
relação aos cristãos, ao que Trajano teria respondido, que
agisse apenas contra os que não renegassem à nova fé.
Entretanto, não ficou evidenciado a quais cristãos, exatamente,
eram feitas as referências: se aos crestãos ou aos cristãos. De
qualquer forma, a carta em questão, após ser submetida a exames
grafotécnicos e métodos rádio-carbônicos, revelou-se haver
sido falsificada.
Justiniano,
Imperador romano, mandou queimar os escritos de Porfírio, através
de um edito, em 448, alegando que: "impelido pela loucura,
escrevera contra a santa fé cristã".
Vespasiano
ao morrer disse: "Que desgraça! Acreditei que me havia
tornado um deus imortal!". Suas palavras justificam-se pela
credulidade supersticiosa. Partindo do preceito ensinado pelos
judeus, aliás um falso preceito, de que Cristo havia subido ao céu
com corpo e alma, não seria de estranhar que os imperadores
pretendessem tornarem-se deuses, afim de escapar ao inapelável
destino dos que nascem. a morte.
Calígula,
por isso, fizera-se coroar como Deus-Sol,o Sol
Invictus, o Helius. Nessa época o Império romano embora em declínio,
ainda dominava uma porção de províncias afastadas de Roma.
O
homem espoliado pela força bruta, unificada em torno das regiões
sentindo não ser possível contar com a justiça humana, passa a
esperar pela justiça dos deuses. Mas, mesmo assim, teriam de
apelar para os deuses dos pobres e não dos ricos, privilegiados e
poderosos.
Conta
a lenda que Osíris, o deus solar dos egípcios, foi morto por seu
irmão Seth, o qual dividiu o corpo em 14 pedaços e os espalhou
pelo mundo afora. Ísis, sua esposa e irmã. saiu em busca dos
pedaços, levando seu filho Hórus ao colo. Todos os anos o povo
fazia a festa de Ísis, relembrando o acontecimento. Havendo
conseguido juntar todas a partes do corpo, Osíris ressuscitou
passando a ser incensado como o deus da morte e da sombra. Fora
uma ressurreição conseguida pelo amor da esposa. Ísis separou a
terra do céu, traçou a órbita dos astros, criou a navegação e
destruiu todos os tiranos. Comandava os rios, as vagas e os
ventos. Seu culto assemelhava-se muito ao de Astartê, de Adônis
e de Átis, religiões muito aparentadas entre si, dominando toda
a orla do Mediterrâneo. Seu culto era uma reminiscência do culto
de Tamus, um deus babilônio, cuja doutrina ensinava que os deuses
nasciam e renasciam, ressuscitando-se.
O
judaísmo, e mais tarde o cristianismo, beberam dessas fontes
grande parte da sua liturgia.
No
cristianismo, encontramos Ísis representada pela Virgem Maria
e Hórus transformado em Jesus Cristo. Maria e Jesus, fugindo de
Herodes e indo para o Egito, é a mesma lenda de Ísis e Hórus,
fugindo de Seth.
O
Deus-Homem que morria e ressuscitava, já era uma velha "crença
religiosa" naqueles tempos. O cristianismo apenas deu novos
nomes e novas roupagens aos deuses de velhas crenças.
A
revelação de Deus aos homens, é outra lenda cuja origem
perde-se na noite dos tempos.
Muitos
séculos antes do surgimento do judaísmo, Zoroastro ou Zaratrusta
havia criado uma religião, segundo a qual havia uma eterna luta
entre o bem e o mal. Aura Mazzda ou Ormuzd, o deus do fogo e da
luz, representavam o bem em luta contra Angra Maniú ou Iarina, o
deus das trevas. Nessa luta, Ormuzd foi auxiliado por seu filho
Mitra, o espírito do bem e da justiça, mediador entro Ormuzd e
os homens. Ormuzd mandou seu filho à terra, o qual nasceu de uma
virgem pura e bela, que o concebeu através de um raio de sol.
Morreu e ressuscitou em seguida.
Essa
religião foi levada para Sicília pelos marinheiros persas, nos
últimos séculos da era passada.
Inventando
o cristianismo, os judeus nada mais fizeram do que sincretizar o
judaísmo ortodoxo com a religião de Mitra, sem esquecer de Osíris
e Átis, cujas religiões eram também muito aceitas em Roma e
Alexandria.
Vestígios
do mitraísmo foram encontrados em escavações recentes, feitas
em Óstia, os quais datam do século I.
O
mitraísmo era praticado em catacumbas, em grutas e em subterrâneos.
O cristianismo copiou-lhe a prática. Daí porque disseram que
Jesus nascido em uma gruta e nos primeiros tempos, o cristianismo
foi praticado em catacumbas.
Assim
sendo os cristãos foram para a catacumbas, não fugindo das
autoridades imperiais, mas tão somente para observar o ritual
mitraico.
Os
mitraicos também davam seus banquetes subterrâneos eram os
banquetes pessoais comum nos ritos solares e no judaísmo. Em
ambos, havia o rito do pão e do vinho.
Mitra,
o Sol Invictos, era festejado em dezembro, como Jesus.
Outras
aproximações entre o culto de Mitra e o de Jesus, no
cristianismo: o uso da cruz do Sol Radiante, a cruz do Sol
Invictus a qual expandia raios; o uso da pia batismal com a água
benta, as refeições comunais, a destinação do domingo para o
descanso em homenagem ao Senhor; a águia e o touro do ritual
mitraico, foram tomados para símbolos dos evangelistas Marcos e
Lucas. Antigos quadros e painéis trazem a figura dos evangelistas
com a cabeça desses animais.
Do
judaísmo, copiaram a crença da imortalidade da alma, a vida no
além, o Inferno, o diabo, a ressurreição, o dia do juízo; práticas
e crenças igualmente existentes no mitraísmo. Graças a esses
espertos arranjos, durante muito tempo, o crente freqüentou
indiferentemente o templo cristão, de Mitra ou de Ísis, crendo
estar na Igreja antiga, onde iam consultar o oráculo.
Por
isso, Teofilo, em Alexandria, mandou construir um templo cristão
ao lado de um templo de Ísis, onde se anunciava o oráculo,
quando as profecias vinham de uma revelação astral, mediante a
camuflagem das vozes de antigos bispos ali enterrados.
Uma
das coisas que favoreceram o cristianismo, foi a abolição do
sacrifício sangrento. Muitos correram a abraçar a nova crença
para escapar de morte em um desses atos propiciatórios.
Spinosa
e Hobbes, no século XVIII. mostraram que o Pentateuco foi
composto no século II a.C. graças ao que o sacerdote judeu havia
aprendido no cativeiro babilônio, fato que aconteceu no século
IV a.C. Em seguida, mostraram uma série de contradições quanto
à cronologia. Em uma das fontes, apresentam Adão e Eva como
tendo sido criados ao mesmo tempo, enquanto em outra informam que
ela havia sido feita de uma costela de Adão. Em uma, o homem
aparece antes dos outros animais, na outra os animais surgem
primeiro.
Levantamentos
arqueológicos do começo do século XX, levados a efeito nos
subsolos da Babilônia, provaram que o Deuteronômio resultou, em
grande parte, do que os sacerdotes judeus haviam copiado da
legislação religiosa, civil e criminal de Hamurabi, a qual por
sua vez resultara do que se sabia da civilização acádia, e que
naqueles tempos já era vetusta. Isaías ao profetizar acerca de
diversos reis de várias épocas, mostra que seu nome foi
inventado séculos depois dos fatos haverem ocorrido. Um desses
reis foi Dano, rei persa que governou em 538 a.C., quando libertou
os judeus do cativeiro.
Herodes
morreu no ano IV A.C., foi responsabilizado pela matança dos
inocentes, para compor o controvertido romance da fuga para o
Egito.
Tudo
o que até agora temos relatado, constituí provas evidentes de
que a Bíblia não tem a antigüidade nem a veracidade que lhe
pretendem imprimir.
Os
zilotas que seguiam a linha comunista dos essênios, combatiam
tanto os judeus ricos como a ocupação romana. Os essênios ao
professar, faziam votos de pobreza, quando juravam nada contar da
seita para os estranhos e nada ocultar dos companheiros. Era um
dos ramos do judaísmo em que não mais se oferecia sacrifício
sangrento, o que foi copiado pelo cristianismo.
Os
Evangelhos foram compostos para enquadrar Jesus no que está
previsto no versículo 17 do salmo 22.
De
modo que, Jesus não passou de um ator arranjado para representar
o drama do Gólgota. Cumpriu as Escritas como ator e não como
sujeito de uma vida real.
Reimarus,
filósofo alemão que morreu em 1768, estudou a fundo a história
de Jesus. Chegou a conclusões irrefutáveis, que assombraram a
Igreja muito mais do que Copérnico ou Darwin. Disse que se Jesus
tivesse mesmo existido, seria quando muito, um político ambicioso
que fracassara completamente em suas conspirações contra o
governo.
Emmanuel
Kant foi o primeiro filósofo que conseguiu racional e
inteligentemente, expulsar Jesus da história humana, através de
uma impressionante e profunda exegese do herói do cristianismo.
Volney,
em "As Rumas de Palmira", após regressar de uma longa
viagem de pesquisas sobre antigüidade clássica pelo Oriente Médio,
elaborou o trabalho acima referido, no qual nega a existência física
de Jesus Cristo.
Arthur
Drews, igualmente viveu muitos anos na Palestina, dedicando-se ao
estudo de sua história antiga, concluiu que Jesus Cristo jamais
foi um acontecimento palestino. Examinou todos os lugares pelos
quais os evangelistas, pretenderam tivesse Jesus passado.
Constatou então, que o cristianismo foi totalmente estruturado em
mitos, entretanto, organizado de modo a assumir o aspecto de
verdade incontestável, a ser imposta pela Igreja. Todavia, para
sorte nossa, homens estudiosos e inteligentes, contestam as falsas
verdades elaboradas pelo cristianismo, com argumentos irretorquíveis.
Dupuis
disse que, aqueles que fizeram de Jesus um homem, conseguiram
enganar tanto quanto os que o transformaram em um deus. Em suas
observações, deixa patente que o romance de Jesus, nada mais é
do que a repetição das velhas lendas dos deuses solares. Vejamos
suas palavras: "Quando tivermos feito ver que a
pretensa história de um deus que nasceu de uma virgem, no solstício
do inverno, depois de haver descido aos infernos, de um deus que
arrasta consigo um cortejo de doze apóstolos, - os doze signos
solares - cujo chefe tem todos os atributos de Jano, um deus
vencedor do deus das trevas, que faz transitar o homem império da
luz e que repara os males da natureza, não passa de uma fábula
solar... ser-lhe-á pouco menos indiferente examinar se houve
algum príncipe chamado Hércules, visto haver-se provado que o
ser consagrado por um culto, sob o nome de Jesus Cristo é o Sol,
e que o maravilhoso da lenda ou do poema tem por objeto este
astro, então parecerá que os cristãos tem a mesma religião que
os índios do Peru, a quem os primeiros fizeram degolar".
Albert
Kalthoft diz que Jesus personifica o movimento sócio-econômico,
que no século I sublevava o escravo, o pobre e o proletário. O
seu messianismo foi espertamente aproveitado pelos líderes dos
judeus da diáspora.aqueles que exploravam a desgraça do judeu
pobre em benefício próprio. Acrescenta que a divergência que
existe entre os quatro evangelistas, resultam das várias tendências
daquele movimento social revolucionário nascido em Roma, do qual
a versão palestina é apenas o reflexo.
Salonmon
Reinach, em "Orheus", salienta o completo silêncio dos
autores contemporâneos de Jesus Cristo, acerca de sua pretensa
existência. Tal silêncio, verifica-se tanto entre os escritores
judeus, como entre os não judeus. Examina em profundidade as
"Acta Pilati" e constata que os acontecimentos que o
cristianismo situou em seu governo, não foram do que ressuscitou
no equinócio da primavera, de seu conhecimento, e assim sendo
Pilatos jamais soube qualquer coisa a respeito de Jesus Cristo.
Pierre
Louis Couchoud afirma que a existência real de Jesus é
indemonstrável, do ponto de vista histórico. E acrescenta que as
referências feitas por Flávio Josefo a Jesus, não passam de
falsificação de textos, sobejamente provada hoje pelos peritos
da crítica histórica.
Os
maiores movimentos históricos tiveram como origem os mitos, cujo
papel social é dar forma aos anseios inconscientes do povo.
Compara, inclusive, a lenda de Jesus com a de Guilherme Tell, na
Suíça. Todos sabem tratar-se de uma lenda nacional, todavia,
Guilherme Tell é ali reverenciado como herói verdadeiro e real.
Seu nome promove a união política dos cantões, embora falem línguas
diferentes.
É
possível que o mesmo aconteça em relação a Jesus e o
cristianismo. Estando em jogo interesses de ordem social, política
e sobretudo, econômica, os líderes cristãos preferem deixar o
mito de pé, pois enquanto houver cristãos, sua profissão estará
garantida e os lucros continuarão sendo por eles auferidos.
O
que se faz necessário é que o povo seja esclarecido acerca dos
assuntos de crenças e religiões nos termos da verdade, da razão
e da lógica, afim de que, se libertando dos velhos preconceitos e
tabus, possa enfim ver o mundo e as coisas em sua realidade
objetiva.
E
não ignoramos qual a realidade objetiva que predomina no
cristianismo: é a exploração dos menos aquinhoados intelectual
e economicamente.
Quem
mais contribui para as campanhas da Igreja, são aqueles que menos
possuem, cuja mente encontra-se obstruída pelas idéias e crenças
religiosas. Sua pobreza material, alia-se à pobreza intelectual.
Uma boa dose de conhecimentos científicos, é certamente a
melhor maneira de remover os obstáculos à libertação do homem,
criados pelos lideres religiosos, em suas pregações. Entretanto,
sabemos que nem sempre é possível a aquisição de tais
conhecimentos. Muitos são os fatores que se interpõem entre o
homem pobre, o operário, o trabalhador e a cultura. Um desses
fatores, por sinal, muito ponderável, é o econômico-financeiro.
Como fazer para ir à escola, comprar livros, etc, se tem que
trabalhar duro pela vida, e o que ganha mal dá para sobreviver?
Bem
poucos são os que conseguem reunir os conhecimentos necessários,
que lhe permitam enxergar mais longe, e romper as invisíveis
cadeias que os prendem aos dogmas e preconceitos ultrapassados
pela razão e pela ciência.
O
mais cômodo para aqueles deserdados será esperar a recompensa
das agruras da vida no céu, após a morte. Afinal de contas, os
padres e os pastores estão aí para isto: vender Deus e o céu a
grosso e no varejo.
Tobias
Barreto escreveu estes inolvidáveis versos:
"Se
é sempre o mesmo engodo;
Se o homem chora e continua escravo;
De que foi que Jesus salvar-nos veio?
Poderá
alguém responder a tal interrogação satisfatoriamente?
Provavelmente não.
É
possível que movido pela mesma razão, Proudhon tenha escrito:
"Os que me falam em religião, querem o meu dinheiro
ou a minha liberdade". Desta forma em poucas
palavras, ficou bem claro o sentido e o objetivo da religião:
subtrair ao indivíduo a sua liberdade de pensamento e de ação,
e com ela, o seu dinheiro.
Vimos
assim, que os únicos autores que poderiam ter escrito a respeito
de Jesus Cristo, e como tal foram apresentados pela Igreja, foram
Flávio Josefo, Tácito Suetonio e Plínio.
Invocando
o testamento de tais escritores, pretendeu a Igreja provar que
Jesus Cristo teve existência física, e incutir como verdade na
mente dos povos, todo o romance que gira em torno da personalidade
fictícia de Jesus.
Contudo,
a ciência histórica através de métodos modernos de pesquisa,
demonstra hoje que os autores em questão, foram falsificados em
seus escritos. Estão evidenciadas súbitas mudanças de assunto,
para intercalações feitas posteriormente por terceiros. Após a
prática da fraude, o regresso ao assunto originalmente abordado
pelo autor.
Tomemos,
primeiramente, Flávio Josefo como exemplo. Ele escreveu a história
dos acontecimentos judeus, na época em que pretensamente Jesus
teria existido. Os falsificadores aproveitaram-se então de seus
escritos e acrescentaram; "Naquele tempo, nasceu Jesus, homem
sábio, se é que se pode chamar homem, realizando coisas admiráveis
e ensinando a todos os que quisessem inspirar-se na verdade. Não
foi só seguido por muitos hebreus, como por alguns gregos, Era o
Cristo. Sendo acusado por nossos chefes, do nosso país ante
Pilatos, este o fez sacrificar. Seus seguidores não o abandonaram
nem mesmo após sua morte. Vivo e ressuscitado, reapareceu ao
terceiro dia após sua morte, como o haviam predito os santos
profetas, quando realiza outras mil coisas milagrosas. A sociedade
cristã que ainda hoje subsiste, tomou dele o nome que usa".
Depois
deste trecho, passa a expor um assunto bem diferente no qual
refere-se a castigos militares infligidos ao populacho de Jerusalém.
Mais adiante, fala de alguém que conseguira seus intentos junto a
uma certa dama fazendo-se passar como sendo a humanização do
deus Anubis, graças aos ardis dos sacerdotes de Ísis. As
palavras a Flávio atribuídas, são as de um apaixonado cristão.
Flávio jamais escreveria tais palavras, porquanto, além de ser
um judeu convicto, era um homem culto e dotado de uma inteligência
excepcional.
O
próprio Padre Gillet, reconheceu em seus escritos ter havido
falsificações nos textos de Flávio, afirmando ser inacreditável
que ele seja o autor das citações que lhe foram imputadas.
Além
disso, as polêmicas de Justino, Tertuliano, Orígenes e Cipriano
contra os judeus e os pagãos, demonstram que Flávio não
escreveu nem uma só palavra a respeito de Jesus. Estranhando o
seu silêncio, classificaram-no de partidário e faccioso. No
entantoum escritor com o seu mérito, escreveria
livros inteiros acerca de Jesus, e não apenas um trecho.
Bastaria, para isto, que o fato realmente tivesse acontecido. Seu
silêncio no caso, é mais eloqüente do que as próprias
palavras.
Exibindo
os escritos de Flávio, Fócio afirmava que nenhum judeu contemporâneo
de Jesus, ocupara-se dele. A luta de Fócio, que viveu entre os
anos de 820 a 895, e foi patriarca de Constantinopla,teve
ensejo justamente por achar desnecessário a Igreja lançar mãos
de meios escusos para provar a existência de Jesus. Disse que
bastaria um exemplar autêntico não adulterado pela Igreja, e
fora do seu alcance, para por em evidência as fraudes praticadas
com o objetivo de dominar de qualquer forma. Embora crendo em
Jesus, Cristo, combateu vivamente os meios sub-reptícios
empregados pelos Papas, razão porque foi destituído do
patriarcado bizantino e excomungado. De suas 280 obras, apenas
restou o "Myriobiblion", tendo o resto sido consumido,
provavelmente por ordem do Papa.
Tácito
escreveu: "Nero, sem armar grande ruído, submeteu a
processos e a penas extraordinárias aos que o vulgo chamava de
cristãos, por causa do ódio que sentiam por suas atrapalhadas. O
autor fora Cristo, a quem no reinado de Tibério, Pôncio Pilatos
supliciara. Apenas reprimida essa perniciosa superstição, fez
novamente das suas, não só na Judéia, de onde proviera todo o
mal, senão na própria Roma, para onde de confluíram de todos os
pontos os sectários, fazendo coisas as mais audazes e
vergonhosas. Pela confissão dos presos e pelo juízo popular,
viu-se tratar-se de incendiáriosprofessando um ódio
mortal ao Gênero humano".
Conhecendo
muito bem o grego e o latim Tácito não confundiria referências
feitas aos seguidores de Cristo com os de Crestus. As incoerências
observadas nessa intercalação demonstram não se tratar dos
cristãs de Cristo, nem a ele se referir. Lendo-se o livro em
questão, percebe-se perfeitamente o momento da interpelação.
Afirmar que fora Cristo o instigador dos arruaceiros, é uma calúnia
contra o próprio Cristo. E conforme já referimos anteriormente,
os cristãos seguidores de Cristo, eram muito pacatos e não
procuravam despertar atenção das autoridades para si. Como dizer
em um dado momento que eles eram retraídos, e em seguida, envolvê-los
em brigas coisas piores? É apenas mais uma das contradições de
que está repleta a história da Igreja.
Ganeval
afirma que foram expulsos de Roma os hebreus e os agípcios, por
seguirem a mesma superstição. Deduz-se então que não se
referia aos cristãos, seguidores de Jesus Cristo. Referia-se aos
Essênios, seguidores de Crestus, vindos de Alexandria. A Igreja não
conseguiu por as mãos nos livros de Ganeval o que contribuiu
ponderavelmente para lançar uma luz sobre a verdade. Por intermédio
de seus escritos, surgiu a possibilidade de provar-se a quais
cristãos, exatamente, referia-se Tácito.
Suetônio
teria sido mais breve em seu comentário a respeito do assunto.
Escreveu que "Roma expulsou os judeus instiqados por Crestus,
porque promoviam tumultos".
É
evidente também, a falsificação praticada em uma carta de Plínio
a Trajano, quando perguntava o que fazer aos cristãos, assunto já
abordado anteriormente. O referido texto, após competente exame
grafotécnico, revelou-se adulterado. É como se Plínio quisesse
demonstrar, não apenas a existência histórica de Jesus, mas,
sua divindade, simbolizando a adoração dos cristãos. É o
quanto basta para evidenciar a fraude.
Se
Jesus Cristo realmente tivesse existido, a Igreja não teria
necessidade de falsificar os escritos desses escritores e
historiadores. Haveria, certamente, farta e autêntica documentação
a seu respeito, detalhando sua vida, suas obras, seus ensinamentos
e sua morte. Aqueles que o omitiram, se tivesse de fato existido,
teria sido por eles abundantemente falado. Os mínimos detalhes de
sua maravilhosa vida, seriam objeto de vasta explanação.
Entretanto, em documentos históricos não se encontram referências
dignas de crédito, autênticas e aceitáveis pela história. Em
tais documentos, tudo o que fala de Jesus e sua vida é produto da
má-fé, da burla, de adulterações e intercalações
determinadas pelos líderes cristãos. Tudo foi feito de modo a
ocultar a verdade. Quando a verdade esta ausente ou oculta, a
mentira prevalece. E há um provérbio popular que diz: "A
mentira tem pernas curtas". Significa que ela não vai muito
longe, sem que não seja apanhada. Em relação ao cristianismo,
isto já, aconteceu. Um número crescente de pessoas, vai a cada
dia que passa, tomando conhecimento da verdade. E assim, restam
baldados os esforços da Igreja, no que concerne aos ardis
empregados na camuflagem da verdade, visando alcança escusos
objetivos.
A
existência de Jesus Cristo é um fato jamais registrado pela história.
Os documentos históricos que o mencionam, foram falsificados por
ordem da Igreja, num esforço para provar sua pretensa existência,
apesar de possuir provas de que Jesus é um mito. E assim agiu,
movida pelo desejo de resguardar interesses materiais.
Ganeval
apontou a semelhança entre o culto de Jesus Cristo e o de Serapis.
Ambos são uma reencarnação do deus "Phalus", que por
sua vez, era uma das formas de representação do deus Sol.
Irineu
chegou a afirmar que o deus dos cristaos não era homem nem
mulher.
Papias
cita trechos dos Evangelhos, mostrando que se referiam ao Cristo
egípcio. Referindo-se, ao "logos", que seria Jesus
Cristo, disse ter sido ele apenas uma emanação de Deus,
produzida à semelhança do Sol. É bom lembrar que essas opiniões
divergentes entre si, são de três teólogos do cristianismo.
Essas opiniões foram emitidas, quando estava acesa a luta de
desmentidos recíprocos da Igreja, contra os seus numerosos
opositores, ou seja, os que desmentiam a existência física de
Jesus. Então, criaram uma filosofia abstrata, baseando-se nos
escritos de Filon.
Ganeval,
baseando-se em Fócio, disse que Eudosino, Agápio, Carino, Eulógio
e outros teólogos do cristianismo primitivo, não tiveram um
conceito real nem físico de Jesus Cristo. Disse mais que Epifânio
falandô sobre as seitas heréticas dos marcionítas,
valentinianos, saturninos, simonianos e outros, falava que o
redentor dos cristãos era Horus, o filho de Ísis, um dos três
deuses da trindade egípcia, que mais tarde viria a ser Serapis.
Ganeval
afirmou ainda que os docetistas negavam a realidade de Jesus, e
para refutar a negação, o IV Evangelho põe em relevo a lança
que fez sair água e sangue do corpo de Jesus, com o intuito de
provar sua existência física, Segundo Jerônimo, esses
docetistas teriam sido contemporâneos dos apóstolos. Lembra
ainda, que o imperador Adriano viajando em 131 para Alexandria,
declara que "o deus dos cristãos era Serapis, e que os
devotos de Serapis eram os mesmos que se chamavam os bispos de
cristãos".
Adriano,
decerto estava com a verdade. Documentos daquela época, informam
que existiam os atuais Evangelhos, assim como Tácito informa que
os hebreus e os egípcios, formavam uma só superstição.
Os
escritos de Filon, não se referem a Jesus Cristo, conforme
pretenderam fazer crer os falsificadores, mas, a Serapis. Quando
havia referências aos cristãos terapeutas, afirmavam que se
falava dos cristãos de Jesus.
Por
sua vez, Clemente de Alexandria e Orígenes escreveram negando
Jesus e falando em Cristo, o qual seria Crestus. No entender de Fócio,
tudo isso não passava de fabulação mítica, não tendo existido
Jesus nem Cristo, de que a Igreja criou o seu Jesus Cristo.
Duquis
e Volney, fazendo o estudo da mitologia comparada, mostram de onde
retiraram Jesus Cristo: do próprio mito.
Filon
escrevendo a respeito dos cristãos terapeutas, disse que o seu
teor de vida era semelhante ao dos cristãos e essênios.
Abandonavam bens e família, para seguir apaixonadamente aos
sacerdotes.
Epifânio
escreveu que os cristãos terapeutas viviam junto do lago Mareótides,
tendo os seus Evangelhos e os seus apóstolos. É sobre esses
cristãos que Filon escreveu. Se os cristãos seguidores de Jesus
Cristo já existissem, Filon não podcria deixar de falar deles.
Quando do pretenso nascimento de Cristo, Filon contava apenas 25
anos de idade. Os Evangelhos, tendo surgido muito tempo após a
morte de Filon e de Jesus, não poderiam ser os do cristianismo
por ele referido.
Clemente
de Alexandria e Orígenes, não criam na encarnação nem na
reencarnação, motivo porque não creram na encarnação de Jesus
Cristo, embora fossem padres da Igreja. Orígenes morreu em 254.
Fócio
escreveu sobre "Disputas", de Clemente, e afirmou que
ele negara a doutrina do "Logos", dizendo que o
"Verbo" jamais se encarnou, afirmação igualmente feita
por Ganeval. Analisando os quatro volumes de
"Principia", de Orígenes, percebe-se que o
"Logos" ou o "Verbo", era o mesmo sopro de
Jeová, referido por Moisés. Fócio tendo-se escandalizado com
isso, disse que Orígenes era um blasfemo.
Apenas
analisando como se referia ao Verbo, a Crestus e ao Salvador, é
que se pode excluir a possibilidade da existência física de
Jesus. Trata-lo-iam de modo bem diferente, se tivesse realmente
existido
A
história, conforme mencionamos, não tem registro da existência
de Jesus Cristo. Os autores que temos em apreço e que seriam seus
contemporâneos, omitiram-se completamente. Os documentos históricos
que o mencionam, fazem-no esporadicamente, e bem assim, revelam-se
rasurados e falsificados, motivo pelo qual de nada adiantam, neste
sentido, para a história. É óbvio, portanto, que a história não
poderia registrar um evento que não aconteceu.
Tomando
conta da história, o cristianismo deixou-a na contingência de
referir o nome de Jesus Cristo, como sendo um deus
antropomorfizado, mas, nunca uma pessoa de carne e OSSOS que tenha
realmente vivido.
Ao
fazê-lo, principia por um estudo filológico e etimológico dos
termos "Jesus" e "Cristo", e termina mostrando
que os dos nomes foram reunidos em um só, para ser dado
posteriormente a um indivíduo. O termo "Jesus"
significa salvador, enquanto que "Cristo" é o ungido do
Senhor, o "oint" dos judeus, o Messias esperado doe
judeus. Nesse estudo, a história mostra que a crença messiânica,
havia tomado a orla do Mediterrâneo a partir do século II, antes
de nossa era. O norte da África, o sul da Europa, a Ásia Menor,
estavam todos repletos de Messias e Cristos, e de milhares de
pessoas que os seguiam e neles criam.
Ao
referir-se aos pretensos Messias, o Talmud deu esse nome até
mesmo a diversos reis pagãos, como no caso de Ciro, conforme está
em Isaias, 44,1 ou ao rei de Tiro, como está em Ezequiel, 28, 14
e nos Salmos, quando se verifica que os nomes de Jesus e de Cristo
já vinham sendo atribuídos a diversos líderes religiosos da
antigüidade.
As
fontes pesquisadas pela história, mostraram que Jesus Cristo ao
ser estudado como fato histórico, só pode ser encarado como
sendo o "ungido do Senhor", uma personalidade de existência
abstrata apenas, não tendo possuído contextura física pelo que
deixou de ser histórico. É apenas uma figura simbólica, através
da qual a humanidade tem sido ludibriada de há muitos séculos.
Cumprindo
seu dever de informar, a história põe diante dos olhos do crente
e do estudioso, as provas do que foi a luta dos líderes cristãos
a partir do século II, para que o mito Jesus Cristo adquirisse a
consistência granítica, que levou a crença religiosa dos
europeus da Idade Média, sob o guante do criminoso absolutismo
dos reis e dos Papas de então.
Este
estudo demonstra que Jesus Cristo foi concebido no século II,
para cumprir um programa messiânico elaborado pelos profetas e
pelos compiladores do Velho Testamento e das lendas, sob o seu
pretenso nome. Vê-se então, que os pessos de Jesus pela terra
aconteceram conforme o Talmud, para que se cumprissem as profecias
que o judaísmo havia inventado.
Jesus
Cristo pode ser considerado o ator no palco. Representou o drama
do Gólgota e retirou-se da cena ao fim da peça.
Mateus,
1-2, descreve-nos um Jesus Cristo que nasce milagrosamente, apenas
para que se cumprissem as escrituras. Em 2-5, diz que nasceu em
Belém, porque foi ali que os profetas previram que nasceria. Em
2-14, deixa-o fugir para o Egito, para justificar estas palavras:
"Meu filho será chamado do Egito". Em 2-23, faz José
regressar à Nazaré porque Jesus deveria ser nazareno. Em 3-3,
promove o encontro de Jesus com João Batista, porque Isaías
predissera-o. Em 4-4, Jesus foi tentado pelo diabo, porque as
escrituras afirmaram que tal aconteceria e que ele resistira. Em
4-14, leva Jesus para Carfanaum, para conferir outra predição de
Isaías. Em 4-12, Jesus diz que não se deve fazer aos outros, senão
aquilo que gostaríamos que a nós fosse feito, porque isto também
estava na lei dos profetas. Em 7-17, Jesus cura os endemoniados,
conforme predissera Isaías. Em 11-10, 14, Jesus palestra com João
Batista porque assim predissera Elias. Em 12-17, Jesus cura as
multidões, quando pede que não propalem isso, igualmente dando
cumprimento às palavras de Isaías. Em 12-40, permanece sepultado
durante três dias porque os deuses do paganismo, os deuses
solares ou redentores, também estiveram. Como Jonas que foi
engolido por uma baleia, a qual depois de três dias jogou para
fora, intacto como se nada tivesse acontecido. E tudo isto
aconteceu em um mar onde não há possibilidade de vida para esse
cetáceo, portanto, só poderia acontecer graças aos milagres bíblicos.
Em 13-14, diz que Jesus falava por meio de parábolas, como Buda
também o fez. Assim também falavam os antigos taumaturgos para
que apenas os sacerdotes entendessem. Assim, só eles seriam
capazes de interpretar para os incautos e crédulos religiosos, e,
afinal, porque Isaías assim o previa. Em 21-14, Jesus entra em
Jerusalém montado em um burreco, conforme as profecias. Em 26-54,
Jesus diz que não foi preso pelo povo, quando junto dele se
assentou no templo para ensinar, porque também estava previsto.
Em 27-9, Judas trai a Jesus, vendendo-o por trinta dinheiros e
recebendo à vista o preço da traição. Em 27-15, os soldados
repartem entre si as roupas do crucificado.
Apenas,
o cumprimento desta profecia choca-se frontalmente com a história
E de acordo com ela, nessa época não havia legionários romanos
na Palestina.
Lucas,
23-27, diz que Jesus mandou comprar espadas, para que assim fosse
confundido com os malfeitores comuns, porque assim estava
previsto. Em seguida diz que Jesus ao ensinar aos seus apóstolos,
afirmava que tudo o que lhe acontecesse, era para que estivesse de
acordo com o que escreveram Moisés e os profetas, e como estava
descrito nos salmos. Em 24-44, 46, diz que Jesus afirmou
"Como era necessário que Cristo padecesse e ressuscitasse ao
terceiro dia, dentre os mortos".
Para
ficar de acordo com as previsões testamentárias. João, 19-27,
diz que Jesus teve sede e pediu água. Em 19-30, ao beber a água,
disse que era vinagre e exclamou "Tudo se cumpriu". Em
19-(32-37), diz que não lhe quebraram nenhum osso, apenas o
feriram com a lança para verificar se havia expirado. E isto também
estava predito. Por ai, percebe-se que tudo ali é puro
simbolismo, e que Jesus foi idealizado apenas para cumprir as
escrituras. Está ai uma prova de que a existência de Jesus, nada
mais é do que uma fabulação evangélica. Do mesmo modo
inventaram as profecias, inventaram alguém para cumpri-las. Tanto
é verdade, que os judeus que ainda hoje acreditam em profecias, não
aceitaram Jesus como tendo sido o Messias prometido pelo Talmud.
Além
disso, os seus escritores esgotaram todos os argumentos possíveis,
com o fim de provar que Jesus não foi um acontecimento palestino,
e que não passou de um romance escrito pelos judeus dispersos, e
dos que se aproveitaram do messianismo judeu para criar uma
empresa comercial, como tem sido o Vaticano.
O
messianismo não foi uma lenda que tenha atingido a todas as
classes sociais judias. Essa lenda foi criada pelos sacerdotes
judeus, visando com isso ajudar ao povo da rua a suportar melhor
as agruras da pobreza, e não reagir contra as classes
privilegiadas. Essas promessas são cumpridas pelos sacerdotes, a
seu modo, afim de que o pobre viva de esperança e não sinta que
o rico continua metendo as mãos em seus bolsos, impunemente. O
homem do povo raramente compreende a finalidade desse tipo de
engodo.
O
Talmud traz uma porção de profecias, e ao mesmo tempo critica
aos que lhes dão crédito. A critica representa uma evolução do
pensamento das lideranças judias.
Um
estudo comparado do judaísmo e do cristianismo, mostra a enorme
quantidade de crendices dessas religiões, forjadas pelos seus líderes
e afastadas pela evolução do conhecimento.
Em
nossos dias, o conhecimento atingiu um ponto em que, a própria
Igreja começou a relegar para um canto, os seus ídolos de
aspecto humano. O conhecimento humano terminara por vencer,
definitivamente, provando que todos os deuses e ídolos têm os pés
de barro. Nossos antepassados viram muitos ídolos cair. Certas práticas
e crenças religiosas, ainda permanecem válidas porque os
sacerdotes, como bons psicólogos que são, observam o
desenvolvimento mental do povo e sabem que uns encontram a
verdade, enquanto outros, jamais conseguiram alcançá-la.
Idealizando
um Jesus Cristo adaptado às profecias talmúdicas, criaram um
personagem incoerente e inseguro, o que nos dá a medida exata do
quilate mental dos seus criadores. Podiam ser espertos, mas nunca,
inteligentes ou cultos.
Não
deve ter sido tarefa das mais fáceis, a de adaptar um Cristo
vindo para cumprir as profecias, no fanatismo das populações
ignaras. Foi um trabalho de titãs não acorrentados à verdade,
nem à sinceridade que o homem deve ao seu semelhante. Nunca foi fácil
transformar uma fantasia em realidade. Por isso, o cristianismo
teve de valer-se da espada de Constantino e das armas de seus
legionários, para impor dogmaticamente, o que a razão e o
conhecimento jamais aceitariam passivamente. Nos dois primeiros séculos
do cristianismo, cada qual queria ser o primeiro e mandar mais e,
se possível, ficar sozinho. Tivemos muitos reis e Papas
analfabetos, atestando o primarismo dos judeus dispersos, como dos
lideres europeus da época do lançamento do cristianismo.
Tentando
racionar a teologia do judaísmo e do cristianismo, fizeram de
Jeová um deus absurdo e de Jesus um ser irreal, ambos
incoerentes, o que se tornou a essência do Talmud e dos
Evangelhos. Através de Jesus Cristo, valorizaram as profecias do
pretenso profeta Isaías, revitalizando assim, o judaísmo e dando
seriedade ao Talmud, fazendo dos Evangelhos um amontoado de
mentiras e de impossíveis humanos. Assim é que criaram um relato
inconsistente, que desmorona completamente face a uma análise
mais profunda.
Scherer
escreveu que Jesus não foi um filósofo nem fundador de uma
religião. Foi apenas Messias. O sentido da vida de Jesus era
apenas dar cumprimento às profecias messiânicas, e tal idéia é
o centro dos fatos evangélicos, a razão de ser Jesus. Tendo
vindo ao mundo tão somente para cumprir as profecias, deixou de
ser humano e tornou-se um fantasma, ou um símbolo do que nunca
teve existência real.
A
vida de Jesus e de seus apóstolos, desenrola-se apenas como uma
peça teatral, na qual Jesus acumula os papéis de deus e de
homem. Um dia, o público há de convencer-se de que esteve diante
de um ser bíblico, sem uma realidade histórica.
Segundo
Arthur Weigal, o único testemunho escrito por quem teria
convivido com Jesus, teria sido a epístola atribuída a Pedro.
Teria surgido quando começaram as pretensas perseguições aos
cristãos, na qual ele os animava. Entretanto, como a existência
de Pedro é igualmente lendária, a epístola em questão não nos
merece fé, tendo sido composta por qualquer cristão, menos pelo
mitológico Pedro.
Os
escritos de Tácito, dadas as adulterações sofridas, carecem de
valor histórico. Dai não se poder admitir como verdade que Nero,
entre os anos 54 e 68, tenha realmente perseguido aos seguidores
de Jesus Cristo. Tertuliano, entretanto, afirma que Pedro foi
martirizado no governo de Nero.
Contudo,
vários pesquisadores, entre os quais Holmann e Weizsacker,
demonstraram que essas perseguições somente começaram a partir
do século II.
Irineu
no ano 180, achava que a epístola de Pedro fora escrita em 83,
mas, não por Pedro. Nesta epístola, Pedro dizia que "Jesus
sofreu por nós, deixando-nos um exemplo". Acrescentara ter
sido testemunha pessoal das seus sofrimentos, após os quais subiu
ao céu, de onde voltaria em breve. No entanto, sua volta não
ocorreu até hoje, apesar de terem se passado dois mil anos. A
falta de cumprimento dessa promessa invalida todas as suas afirmações.
Disse
Pedro, ainda, que Jesus mandou que se amasse uns aos outros,
pagando o mal com o bem, retribuindo a injúria com a bênção.
Recomendou a caridade, a hospitalidade e a humildade; o dever de
evitar o mal, fazer o bem e buscar a paz, assim como a abstinência
da ambição da carne, evitar o rancor, a inveja e a maledicência;
a submissão às autoridades, crer em Deus e honrar o rei.
As
epístolas de Paulo viriam em segundo lugar, como importância
histórica. Pedro teria aprendido a doutrina cristã na convivência
direta com Jesus. Suas epístolas seriam consideradas autênticas,
devido terem sido escritas 20 ou 30 anos após a crucificação.
Pedro, como Paulo, ambos afirmaram que Jesus voltaria em breve
para julgar a humanidade. Contudo, ambos estavam enganados e
enganaram aos outros. Paulo teria conhecido pessoalmente a Pedro e
a Jaques, um dos irmãos de Jesus Cristo, assim como referia-se a
outras pessoas que teriam convivido com Jesus. A crucificação e
a ressurreição teriam sido fatos indiscutíveis para Pedro e
Paulo, cujos escritos estariam muito próximos dos acontecimentos.
Paulo,
em Coríntios, 1-11-1 diz: "Imitam-me como se fosse
Jesus". Teria pregado o amor, a paz, a temperança, a
caridade, a alegria, a paciência, a doçura, a confiança e a boa
vontade. A lei divina deveria ser interpretada segundo o espírito
e não conforme a letra. "Amarás ao próximo como a ti
mesmo", seria um amor paciente, caridoso e humilde.
As
epístolas procuraram estabelecer a historicidade de Jesus, assim
como revelar muitos pontos do seu caráter. Jesus teria vivido
apenas para redimir a humanidade, não teria pecado, sendo sem dúvida
alguma, o filho de Deus.
Papias
em 140, escreveu que Mateus havia colecionado as máximas de
Jesus, e Marcos recolhera muitas notas para o Evangelho. Assim, os
Evangelhos seriam o espelho de Jesus, contado pelos apóstolos,
espalhando entre os homens o ideal de perfeição moral e mental.
As
curas, milagres e pregações de Jesus, em pouco tempo haviam
espalhado o seu nome, galvanizando as multidões, todos sentiam
que havia surgido o Messias. Assumiu o papel de Messias e com isso
entusiasmou a multidão, pelo que entrou em Jerusalém cercado da
emoção e do respeito do povo. Ao anoitecer abandonou a cidade, e
no dia seguinte, ao regressar encontra muita agitação. As
autoridades haviam tomado medidas contra ele. Dois dias antes da páscoa,
tomou sua última refeição com os companheiros e ali permaneceu
a espera dos acontecimentos, sabendo que o seu reino não era
deste mundo. A noite, foi preso, e no dia seguinte, julgado. O
povo quis que o sacrificassem em lugar de Bar Abbas. Seria o
sacrifício pascal, rito multimilenar que iria mais uma vez
acontecer. Após a morte, sai do sepulcro, ressuscitado, e vai ao
encontro dos apóstolos, pede comida e depois de permanecer algum
tempo com eles, ascende ao céu prometendo voltar em breve.
Foi
este o retrato feito de Jesus Cristo pelo cristianismo, e que
ainda hoje milhões de pessoas adoram. Entre nós, são bem poucos
os que põem em dúvida a veracidade desse romance, contado pelos
judeus da diáspora e aproveitado por seus seguidores latinos.
No
entanto, a razão e o conhecimento estão se encarregando de
destruir a pretensa veracidade desse conto.
Muitas
coisas consideradas como milagres, são hoje conseguidas
naturalmente através da ciência, da tecnologia moderna, da
medicina, conhecimento científico em todas as suas modalidades, e
mesmo através da hipnose. Diante das conquistas que o homem tem
feito, é possível que ele abra os olhos para a verdade e perceba
então que Deus jamais se preocupou com sua sorte e com o mundo. A
história desmente peremptoriamente que Deus tenha comparecido ao
mundo nos momentos de festa ou de dor. O homem foi abandonado à
própria sorte e tem lutado muito para sobreviver através dos
tempos, e tem obtido sucesso porque está sempre acumulando
conhecimentos, os quais emprega em situações futuras.
Diante
de tudo o que foi exposto, só nos resta dizer que a história, em
dois mil anos, não encontrou uma única prova, ou um documento
que mereça crédito no que diz respeito a vida de Jesus. Sua
existência é fictícia e só encontra agasalho no seio da
mitologia. Seu nascimento, sua vida, sua morte, sua família, seus
discípulos, tudo enfim que lhe diz respeito, tem analogia com as
crenças, ritos e lendas dos deuses solares, adorados sob diversos
nomes e modalidades e por povos diversos, também.
O
mítico dia do nascimento de Jesus Cristo, foi oficializado por
Dionísio, o Pequeno, no século VI, que marcou no ano 1 do século
I, correspondendo ao ano 753 da fundação de Roma, com um erro de
previsão calculado em seis anos. Para chegar a essa artificiosa
fixação, serviu-se de diversos sistemas de cálculo. Calvísio e
Moestrin contaram até 132 sistemas e Fabrício arredondou para
200.
Para
uns, teria sido entre 6 e 10 de janeiro, para outros 19 ou 20 de
abril, enquanto outros ainda, situavam entre 20 e 25 de março. Os
cristãos orientais determinaram a data entre 1 e 8 de janeiro,
enquanto os ocidentais escolheram a 6 de janeiro.
Em
375, São João Crisóstomo escreveu que a data de 25 da dezembro
foi ntroduzida pelos orientais. Entretanto, antes do ano 354, Roma
já o havia fixado para esta mesma dato, segundo o calendário de
Bucer. Essas diferenças foram o resultado da peocupação da
Igreja, em fazer com que o nascimento de Jesus, coincidisse e se
confundisse com o dos deuses solares, os deuses salvadores, e
especialmente com o Deus Invictus que era Mitra. E era justamente
ao mitraismo que a religião cristã pretendia absorver.
No
dia 25 de dezembro, todas as cidades do império romano estavam
iluminadas e enfeitadas, para festejar o nascimento de Mitra. A
preocupação de ligar o nascimento de Jesus ao de Mitra, denota o
artificialismo que fundamentou o cristianismo. Foi a divinização
do deus dos cristãos, às custas da luz do Sol dos pagãos.
Foi
um dos grandes trabalhos de mistificação da Igreja, a confluência
dos dois nascimentos para a mesma data. Assim, o nascimento do
novo deus, apagava da memória do povo a lembrança de Mitra, no
fim do inverno.
A
tradição religiosa, desde milênios, fizera com que todos os
deuses redentores nascessem em 25 de dezembro.
Quanto
ao lugar de nascimento de Jesus, disseram ter nascido em Belém,
para combinar com as previsões messiânicas, que fazendo de Jesus
um descendente de David, teria a adesão dos judeus incautos.
O
II e o IV Evangelhos não mencionam o assunto, enquanto, o I e o
III aludem ao caso, mas, se contradizem. Uns dizem que os pais de
Jesus moravam em Belém, enquanto, outros afirmam que eles ali
estavam de passagem. Essa insegurança deve-se ao fato de
pretenderem ligar a vida de Jesus à de David, conforme as
profecias. Todavia, isto confundia as tendências históricas
ligadas ao nascimento dos deuses solares. A preocupação apologética,
contudo, invalidou a pretensão histórica.
De
tudo isto, resultou que a história pode hoje provar que tudo
aquilo que se refere a Jesus, é, puro convencionalismo, e sua
existência é apenas ideal e não real.
De
modo que, a morte dos inocentes nada mais é do que, a repetição
da matança das criancinhas egípcias, contada no Exôdo.
A
estrela só pode ser inventada porque naquele tempo o homem ainda
não sabia o que era uma estrela; tanto assim que a Bíblia afirma
que Josué fez parar o sol, com um aceno de sua mão, apenas.
Assim a estrela que guiou os magos, é coisa realmente absurda.
Primeiro do que tudo, ninguém soube realmente de onde vieram
esses reis e onde eram os seus países.
Outros
fenômenos relatados como terremotos, trevas e trovões,
assinalados pelo Bíblia, não o são pela história dos judeus
nem dos romanos. Só os interessados no mito puderam ver tais
acontecimentos. Os escritores que relataram fatos ocorridos na
Palestina e no Império Romano, não transmitiram estes fatos que
teriam ocorrido na morte de Jesus, a posteridade. Muita coisa pode
ter acontecido naqueles tempos, menos as que estão nos
Evangelhos.
Pilatos,
por exemplo, morreu ignorando a existência de Jesus. Os legionários
romanos jamais receberam ordens para prendê-lo. Nenhum movimento
social, político ou religioso, contrário às normas da ocupação
surgiu na Judéia, para justificar a condenação de seu líder
por Pilatos.
Entretanto,
Jesus teria sido julgado e condenado pelos sacerdotes judeus, pois
Pilatos deixara o caso praticamente em suas mãos e do povo,
lavando as suas próprias. Nem Pilatos, nem Caiaz, nem Hannã
deixaram qualquer referência acerca desse processo. Nenhum deles
poderia dizer qual a aparência física de Jesus. Tertuliano
baseando-se em Isaías, disse que ele era feio, ao posso que
Agostinho afirmou que ele era bonito. Uns afirmaram que era
Imberbe, outros que era barbado. Sua cabeleira espessa e barba
fechada resultou de uma convenção realizada no século XII. O
Santo Sudário retrata um Jesus Barbudo.
Nada
do que se refere a Jesus pode ser considerado ponto pacífico.
Tudo é discrepante e contraditório. Ora, se aqueles que tinham e
os que ainda têm interesse em defender a veracidade da existência
de Jesus não consegiram chegar a um acordo no que lhe diz
respeito, não é bom sinal.
Moy
escreveu: "Desde que se queira tocar em qualquer coisa real
na vida de Jesus, esbarra-se logo na contradição e incoerência".
Por isso, até o aspecto físico de Jesus tornou-se discutível, o
que ajuda a provar que ele nunca existiu.
De
acordo com a história, não se pode aceitar o que está escrito
nos evangelhos coma prova de sua existência. Também a Igreja não
dispõe de argumentos válidos, nesse sentido. A arqueologia, por
outro lado, nada encontrou até aqui capaz de elucidar a questuão.
De
tudo isto depreendemos que a existência física de Jesus jamais
poderá ser provada de modo irrefutável, e, por conseguinte, é
muito difícil ser acatada por homens cultos e amantes da verdade.
O romance, as lendas, os contos, a ficção, interessam como
cultura, como expressão do pensamento de um povo, e desse modo são
perfeitamente aceitos. Entretanto, a apresentação de tais
modalidades de cultura como fatos reais, consumados e verdadeiros
e como tal serem impostos ao povo, é condenável.
A
atitude do cristianismo tem sido, através dos tempos, justamente
a que nós acabamos de condenar: a imposição das lendas, do
romance e da novela como realidade palpável, como fato verdadeiro
e incontestável.
Em
sua "Vida de Jesus", Strauss diz: "Poucas coisas são
certas, nas quais a ortodoxia se apoia de preferência - as
milagrosas e as sobrehumanas -, as quais jamais aconteceram. A
pretensão de que a salvação humana dependa da fé em coisas das
quais uma parte é certamente fictícia, outra sendo incerta, é
um absurdo, que em nossos dias nem sequer devemos nos preocupar,
refutando-o".
Ernest
Havet, comparando Jesus com Sócrates, diz que Sócrates é um
personagem real, enquanto Jesus, é apenas ideal. Homens como Platão
e Xenófanes, os quais conviveram com Sócrates, deixaram o seu
testemunho a respeito do mesmo. Em seus escritos relatam tudo
sobre Sócrates: a vida, o pensamento, os ensinamentos e a morte.
E nada do que lhe diz respeito foi adulterado, e portanto, é autêntico,
verdadeiro e indiscutível.
Quanto
a Jesus, não teve existência real, e aqueles aos quais se
atribui escritos e referências em relação a ele, uns foram
adulterados em seus escritos, outros não existiram.
Pílatos
que teria autorizado seu sacrifício, omite o fato quando relata
os principais acontecimentos de seu governo. Por acaso mandaria
matar um deus, e não saberia? Assim, quem descreveu Jesus, apenas
imaginou o que ele teria sido, não foi sua testemunha.
Renan
disse em sua "Vida de Jesus": "Nossa admiração
por Jesus, não desapareceria nem mesmo quando a ciência nada
pudesse decidir de certo, e chegasse forçosamente as negações".
Termina dizendo que o divino encontrado pelos cristãos em Jesus,
é o mesmo que a beleza de Beatriz, que apenas resultou do
pensamento de Dante ou de seu gênio literário. Da mesma forma,
as belezas de Cristina residem nos sonhos religiosos dos indus. As
maravilhas de Jesus e a beleza de Maria, são produtos do gênio
inventivo da liderança oradora dos mitos Jesus e Maria.
Se
de ambos apenas se diz o bem, á sinal que eles não tiveram existência
real. Jesus Cristo é uma criação do homem, o qual esteve em
cena apenas para realizar as profecias dos primários profetas
judeus. Esta é também a opinião de Didon, exposta em seu livro
"Vida de Jesus". Diz ele que é suspeita a sonegação
de quase trinta anos da vida de Jesus, à história evangélica.
"Nós
apenas sabemos um nada da vida de Jesus", escreveu Miron. Os
redatores dos Evangelhos e os primeiros autores eclesiásticos,
recolhendo as tradições correntes na comunidade cristã, podem
ter adquirido alguns fragmentos da verdade; mas, como assegurar
que entre tantos elementos mitológicos e legendários, haja algo
de verdade? Assim, a vida de Jesus em si é impossível.
Acontece
com Cristo o mesmo que acontece todos os entes legendários:
quanto mais os buscamos, menos os encontramos. A tentativa feita
até aqui de colar na história, de arrebatar às trevas da
teologia, um personagem que até a idade de trinta anos é
absolutamente desconhecido, e que depois da referida idade aparece
fazendo impossíveis humanos - os milagres - é absurdo e ridículo.
Labanca
em "Jesus Cristo", impugna a possibilidade de uma
biografia científica de Jesus, baseando-se na inautenticidade dos
Evangelhos, uma vez que os mesmos não tiveram finalidade histórica,
mas tão somente, a religiosa e propagandística.
Jesus
não está nos Evangelhos por causa de sua esquisita divindade,
mas, porque isso convém aos seus lançadores e aos que ainda hoje
vivem do seu nome, como rendoso meio de vida.
Assim
como a história não tomou conhecimento da existência de Jesus,
os Evangelhos igualmente desconhecem-no como homem, introduzindo-o
apenas como um deus.
Maurice
Vernés mostrou com rara mestria que o Velho Testamento não passa
de um livro profético de origem apenas sacerdotal, fazendo ver
que tudo que ai está contido não é histórico, sendo apenas
simbólico e teológico. O mesmo acontece com o Novo Testamento e
os Evangelhos. Tudo na Bíblia é duvidoso, incerto e
sobrenatural.
Tratando
dos Evangelhos, mostra que sua origem foi mantida anônima, talvez
de propósito, não se podendo saber realmente quem os escreveu.
Por isso, eles começam com a palavra "segundo"
Evangelho segundo Mateus; segundo Marcos. Daí se deduz que não
foram eles os autores desses Evangelhos, foram no máximo, os
divulgadores.
Igualmente
deixaram em dúvida a época em que foram escritos. A referência
mais antiga aos Evangelhos é a de Papias, bispo de Yerápoles, o
qual foi martirizado por Marco Aurélio entre 161 e 180. Seu livro
faz parte da biblioteca do Vaticano. Irineu e Eusébio foram os
primeiros a atribuírem a Marcos e a Mateus a autoria dos
Evangelhos, mas, ambos permanecem desconhecidos da história, como
o próprio Jesus Cristo. Destarte, pouco ou nenhum valor têm os
Evangelhos como testemunha dos acontecimentos. Se só foram
compostos no século III ou IV, ninguém pode garantir se os
originais teriam realmente existido.
Os
primitivos cristãos quase não escreveram, e os raros escritos
desapareceram. Por outro lado, no Concílio de Nicéia foram
destruídos todos os Evangelhos. Esse Concílio foi convocado por
Constantino, que era pagão. Daí, devem ter sido compostos outros
Evangelhos para serem aprovados por ele ou pelo Concílio. Com
isto, perderam sua autenticidade, deixando de serem impostos pela
fé para serem-no pela espada.
Celso
no século II, combateu o cristianismo argumentando somente com as
incoerências dos Evangelhos.
Irineu
diz que foram escolhidos os quatro Evangelhos, não porque fossem
os melhores ou verdadeiros, mas, apenas porque esses provieram de
fontes defendidas por forças políticas muito poderosas da época.
Os bispos que os apoiaram tinham muito poder político. Informam
ainda que antes do Concílio de Nicéia, os bispos serviam-se
indiferentemente de todos os Evangelhos então existentes, os
quais alcançaram o número de 315. Até então eles se eqüivaliam
para os arranjos da Igreja. Mesmo assim, os quatro Evangelhos
adotados, conservaram muitas das lendas contidas nos demais que
foram recusados. De qualquer forma, era e continuam sendo todos anônimos,
inseguros e inautênticos. Os adotados, foram sorteados e não
escolhidos de acordo com fatores valorativos. Mesmo estes adotados
desde o Concílio de Nicéia, sofreram a ação dos falsificadores
que neles introduziram o que mais convinha à época, ou apenas a
sua opinião pessoal.
Esta
é a história dos Evangelhos que através dos tempos, vêm
sofrendo a ação das conveniências políticas e econômicas.
Embora
a Igreja houvesse se tornado a senhora da Europa, nem por isso
preocupou-se em tornar os Evangelhos menos incoerentes. Sentiu-se
tão firme que julgou que sua firmeza seria eterna.
Os
argumentos mais poderosos contra a autenticidade dos Evangelhos,
residem em suas contradições, incoerências, discordâncias e
erros quanto à datas e lugares, e na imoralidade de pretender dar
cunho de verdade a velhos e pueris arranjados dos profetas judeus.
Essa puerilidade avoluma-se a medida em que a crítica verifica o
esforço evangélico, em tornar realidade os sonhos infantis de
uma população ignorante. Para justificar sua ignorância, se
dizem inspirados pelo Espírito Santo, o qual também é uma ficção
religiosa, resultante da velha lenda judia segundo a qual o mundo
era dominado por dois espíritos opositores entre si: o espírito
do bem e o do mal. Adquiriram essa crença no convívio com os
persas, os egípcios e os indus.
Os
egípcios tiveram também Os seus sacerdotes, os quais escreveram
os livros religiosos como o "Livro dos Mortos", sob a
inspiração do deus Anubis. Hamurabi impôs suas leis como tendo
sido oriundas do deus Schamash. Moisés descendo do Monte Sinai,
trouxe as tábuas da lei como tendo sido ditadas a ele por Jeová.
Maomé igualmente, foi ouvir do anjo Gabriel, em um morro perto de
Meca, boa parte do Alcorão. Allah teria mandado suas ordens por
Gabriel.
O
conhecimento mostra que as religiões para se firmarem, têm-se
valido muito mais da força física do que da fé. Quanto à
verdade, esta não existe em suas proposições básicas. De modo
que, Anubis, Schamash, Allah e Jeová nada mais são do que o Espírito
Santo sob outros nomes.
Stefanoni
demonstrou que todos esses escritos, não representam o Espírito
Santo, mas, o espírito dominante em cada época ou lugar. Assim
surgiram os Evangelhos, os quais como Jesus Cristo, foram
inventados para atender a certos fins materiais, nem sempre
confessáveis.
"Não
creria nos Evangelhos, se a isso não me visse obrigado pela
autoridade da Igreja". São palavras de Sto. Agostinho. Com
sua cultura e inteligência, poderia hoje estar no rol dos que não
crêem.
No
que diz respeito a Jesus Cristo, a teologia toma em consideração,
sobretudo, o aspecto sobrenatural e os seus milagres. João
Evangelista foi trazido para a cena, afim de criar o Logos, o
Jesus metafísico, destruindo assim, o Jesus-Homem.
As
contradição surgidas em torno de um Jesus saído da mente de
pessoas primárias e incultas, tornaram-no muito vulnerável à crítica
dos melhores dotados de conhecimentos. Então, vem João e
substitui o humano pelo divino, por ser o mais seguro. O mesmo
iria fazer a Igreja no século XV, quando para abafara grita
contra os que haviam queimado miseravelmente uma heroína nacional
dos franceses, tiraram o uniforme do corpo carbonizado de Joana
D'Aro e vestiram-lhe a túnica dos santos. O mesmo aconteceu com
Jesus: teve de deixar queimar a pele humana que lhe haviam dado,
para revestir-se com a pele divina.
A
Igreja na impossibilidade de provar a existência de Jesus-Homem,
inventou o Jesus-Deus. Assim atende melhor à ignorância pública
e fecha a boca dos incrédulos.
Do
que relatamos, conclui-se que, no caso de Joana D'Arc, a igreja
obteve os resultados esperados. Contudo, continua com as mesmas
dificuldades para provar que Jesus Crlsto, como homem ou como
deus, tenha vivido fisicamente. E não é só. Ela não tem
conseguido provar nada do que tem ensinado e imposto como verdade.
Falta-lhe argumentos sérios e convincentes, para confrontar com o
conhecimento científico e com a história sem que sejam
refutados.
A
Igreja tudo fez para tornar Jesus Cristo a base e a razão de ser
do cristianismo. E isto, satisfez plenamente a seus interesses
materiais neste dois milênios de vida.
Da
mesma forma, os portugueses, os espanhóis e os ingleses, de Bíblia
na mão e cruz no peito, foram à longínqua África para arrastar
o negro como escravo, para garantir a infra-estrutura econômica
do continente americano. Jamais se preocuparam em saber, se o
pobre coitado queria separar-se de seus entes queridos, nem o que
estes iriam sofrer com a separação.
A
Igreja está realmente atravessando uma crise. Acontece que os
processos tecnológicos e científicos, descortinam para o homem
novos horizontes, e então ele percebe que foi iludido
miseravelmente. Sua fé, sua crença e seu deus morrem porque não
têm mais razão de ser.
Jesus
Cristo foi inicialmente um deus tribal, que teria vindo ao mundo
por causa das desgraças dos judeus. Eles sonhavam ser donos do
mundo, mas mesmo assim, foram expulsos até mesmo de sua própria
terra. Contudo, o cristianismo ganhou a Europa, com a adesão dos
reis e imperadores.
Renan,
não conseguindo encontrar o Jesus-Divino, tentou ressuscitar o
Jesus-Homem. Mas, o que conseguiu foi apenas descrever uma
esquisita tragédia humana, cujo epílogo ocorreu no céu. Jesus
teria sido um altruísta mandado à terra, para que se tornasse
uma chave capaz de abrir o céu. Teria sido o homem ideal com que
o religioso sonha desde seus promórdios. Existindo o homem ideal,
cuja idealidade ficasse comprovada, o histórico seria dispensável.
Mas, ao tentar evidenciar um desses dois aspectos, Renan perdeu a
ambos. Mostrou então que, para provar o lado divino de Jesus,
compuseram os Evangelhos. Seu objetivo: relatar exclusivamente a
vida de um homem milagroso e não de um homem natural.
Elaborando
os Evangelhos, cometeram tantos erros e contradições, que
acabaram por destruir, de vez, a Jesus.
A
exegese da vida de Jesus, baseada no conhecimento e na lógica,
separando-se o ideal do real, eles destroem-se mutuamente. Quem
descreve o Jesus real, não poderá tocar o ideal, e vice-versa,
porque um desmente o outro.
Em
suma, os Evangelhos não satisfazem aos estudiosos da verdade
livre de preconceitos, destruindo o material e o ideal postos na
personalidade mítica de Jesus. A fabulação tanto recobre o
humano como o divino.
Verificamos
então, estarmos em presença de mais um deus redentor ou solar.
Jesus, através dos Evangelhos, pode ser Brama, Buda, Krishna,
Mitra, Horus, Júpiter, Serapis, Apolo ou Zeus. Apenas deram-lhe
novas roupas. O Cristo descrito por João Evangelista, aproxima-se
mais desses deuses redentores do que o dos outros evangelistas. É
um novo deus oriental, lutando para prevalecer no ocidente como
antes tinha lutado para impor-se no oriente. É um novo
sub-produto do dogmatismo religioso dos orientais, em sua
irracional e absurda metafísica. Por isso, criaram um Jesus
divino, não por causa dos seus pretensos milagres, mas por ser o
Logos, o Verbo feito carne. Essa essência divina é que
possibilitou os milagres. É um deus antropomorfizado, feito
conforme o multimilenar figurino idealizado pelo clero oriental.
Jesus não fez milagres, ele é o próprio milagre. Nasceu de um
milagre, viveu de milagres e foi para o céu milagrosamente, de
corpo e alma, realizando assim mais uma das velhas pretensões dos
criadores de religiões: a imortalidade da alma humana.
Sendo
Jesus essencialmente o milagre, não poderá ser histórico, visto
não ter sido um homem normal, comum, passando pela vida sem se
prender às necessidades básicas da vida humana. Jesus foi
idealizado, exclusivamente para dar cumprimento às profecias do
judaísmo, é o que verificamos através dos Evangelhos. Tudo
quanto ele fez já estava predito, muito antes do seu nascimento.
Jesus
surgiu no cenário do mundo, não como autor do seu romance, mas tão
somente como ator para representar a peça escrita, não se sabe
bem aonde, em Roma ou talvez, Alexandria. O judaísmo forneceu o
enredo, o Vaticano ficou com a bilheteria. E para garantir o êxito
total da peça, a Igreja estabeleceu um rigoroso policiamento da
platéia, através da confissão auricular. Nem o marido escapava
à delação da esposa ou do próprio filho. O pensamento livre
foi transformado em crime de morte. Os direitos da pessoa humana,
calcados aos pés. Nunca a mentira foi imposta tão selvagemente,
como aconteceu durante séculos com as mentiras elaboradas pelo
cristianismo. À menor suspeita, a polícia tonsurada invadia o
recinto, e arrastava o petulante para um escuro e nauseabundo
calabouço onde as mais infames torturas eram infligidas ao
acusado. Depois, arrastavam-no à praça pública para ser
queimado vivo, o que decerto, causava muito prazer ao populacho
cristão.
Desse
modo, a Igreja tornou-se um verdugo desumano, exercendo o seu
poder de modo impiedoso e implacável, ao mesmo tempo em que
escrevia uma das mais terríveis páginas da história da
humanidade.
Durante
muito tempo, o sentimento de humanidade esteve ausente da Europa,
e a mentira triunfava sobre a verdade. Milhares de infelizes foram
sacrificados porque ousaram dizer a verdade. O poder público
apoiava a farsa religiosa, e era praticamente controlado pela
Igreja. Aquele que ousasse apontar as inverdades, as incoerências
e o irracionalismo básicos do catolicismo, seria eliminado. Tudo
foi feito para evitar que o cristianismo fracassasse, devido a
fragilidade de seus fundamentos. O que a Igreja jura de mãos
postas ser a verdade, é desmentido pelo conhecimento, pela ciência
e pela razão.
Folheando
as páginas da história humana, e não encontrando aí qualquer
referência à passagem de Jesus pela terra, nós, os estudiosos
do assunto, convencer-nos-emos de que ele nada mais é do que um
mito bíblico.
Pesquisando
os Evangelhos na esperança de encontrar algo de positivo,
deparamo-nos mais uma vez com o simbolismo e a mitologia. A história
que o envolve desde o nascimento até a morte, é a mesma do
surgimento de inúmeros deuses solares ou redentores.
E
de se notar o cuidado que tiveram os compiladores dos Evangelhos,
para não permitir que Jesus praticasse senão o que estava
estabelecido pelas profecias do judaísmo.
Assim,
a vida de Jesus nada mais é do que as profecias postas em prática.
O cristianismo e os Evangelhos são um modo de reavivamento da
chamada do judaísmo, ante a destruição do templo de Jerusalém.
É uma transformação do judaísmo, de modo a existir dentro dos
muros de Roma, de onde posteriormente, ultrapassou os limites,
alcançando boa parte do mundo.
O
sofrimento que o judaísmo infligiu ao povo pobre, deveria ser o
suficiente para que se acabasse definitivamente. Acreditamos que a
ambição de Constantino, é que deu lugar ao alastramento do
cristianismo, ou melhor dizendo, do judaísmo sob novas roupagens
e novo enredo. Não fosse isso, a falta de cumprimento das
pretensas promessas de Abraão de Moisés e do próprio Jesus
Cristo, já teria feito com que o judaísmo e o cristianismo
fossem varridos da memória do homem. De há muito, o homem
estaria convencido da falsidade que é a base da religião.
Idealizaram
o cristianismo que, baseado no primarismo da maioria, deu novo
alento ao judaísmo, criando assim, o capitalismo e a espoliação
internacional. O liberalismo que surgiu graças ao monumental
trabalho dos enciclopedistas, é que possibilitou ao homem uma
nova perspectiva de vida.
A
partir do enciclopedismo, os judeus e o judaísmo deixaram de ser
perseguidos por algum tempo, e com isto, quase perdeu sua razão
de ser.
Ao
surgir Hitler e seu irracional nazismo, encontrou quase a
totalidade dos judeus alemães integrada de corpo e alma na pátria
alemã. O Fuhrer deu então um novo alento ao judaísmo, ao
persegui-lo de modo desumano. Graças à perseguição de que
foram vítimas os judeus de toda a Europa, durante a guerra de
1940, surgiu a justificativa internacional para que se criasse o
Estado de Israel. Talvez o Estado de Israel, revivendo sua velha
megalomania racial, invalide em sangue a tendência natural para a
socialização do mundo e universalização do conhecimento. A
socialização do mundo, acabaria com a irracional e absurda idéia
de ser o judeu um bi-pátrida. Nasça onde nascer, não se integra
no meio em que nasce e vive. Daí, a perseguição.
Os
judeus ricos de todo o mundo, carreiam para Israel todo o seu
dinheiro e com ele, a tecnologia e o conhecimento alugado. Graças
a isto, poderá embasar ali os seus mísseis e teleguiados, tudo
quanto houver de mais avançado na química, física e eletrônica.
Assim, terão meios de garantir a manutenção da sócio-economia
estruturada no capitalismo. Esta é uma situação realmente
grave, a qual poderá tornar-se dramática no porvir. O poder econômico
concentrado em poucas mãos, é uma ameaça contra o homem e sua
liberdade.
Apesar
de o cristianismo liderar o movimento que faz do homem e do seu
destino, o centro das preocupações das altas lideranças
sociais, a grande maioria dos homens está marginalizada, porque o
poder econômico do mundo acumula-se em poucas mãos. E se
permanecemos crendo em tudo quanto criaram os judeus de dois milênios
atrás, é sinal que não evoluímos o bastante para justificar o
decurso de tanto tempo. Se o progresso científico e a tecnologia
avançada, não conseguirem libertar-nos dos mitos, estará
patente mais uma vez, o estado pueril em que ainda se encontra o
desenvolvimento mental do homem. O homem não será de todo livre,
enquanto permanecer preso às convenções religiosas, as quais
possuem como único fundamento o mito e a lenda.
Se
assim falamos, não é que estejamos sendo movidos por um
anti-semitismo ou um anti-clericalismo doentio; de modo algum isto
é verdadeiro. O que nos motiva tomar em pauta o assunto, é o
desejo de ver um crescente número de pessoas, partilhar conosco
do conhecimento da verdade.
Temos
dito repetidas vezes que tudo aquilo em que se fundamenta o
cristanismo, é apenas uma compilação de velhas lendas dos
deuses adorados por diversos povos.
Strauss
diz que saiu do Velho Testamento, a pretensão de que Jesus
encarnar-se-ia em Maria, através do Espírito Santo.
Em
números, 24-17, estava previsto que uma estrela guiaria os reis
magos.
Cantu
lembra que, se juntando os livros do Velho Testamento com os do
Novo, teremos 72 livros, o mesmo número de anciãos, teria Moisés
escolhido para subir com ele ao Monte Sinai. O Velho Testamento
previa que o povo seguiria a Jesus, mesmo sem conhecê-lo. Seriam
os peixes retirados da água pelos apóstolos, e os mesmos da
pescaria de São Jerônimo. Moisés teria feito da pedra o símbolo
da força de Jeová, por isto, Jesus devia dar a Pedro as chaves
do céu.
Oséias,
11-1 e Jeremias, 31-15,16, 4, 10, 28, profetizam que o Messias
seria chamado por Jeová, do Egito, ligado ao pranto de Raquel
pelo assassinato dos filhos. Então arranjaram a terrível matança
dos inocentes, a qual consta apenas em dois evangelhos, sendo
silenciado o assunto pelos outros dois e pelos relatos enviados a
Roma.
Strauss
lembra também, que a discussão de Jesus com doutores do templo,
assim como a passagem de Ana e Semeão, bem como a
circuncisão,
estava tudo previsto no Velho Testamento. Diz ainda que teria ido
para Nazaré, apôs o regresso do Egito apenas para que os
Evangelhos pudessem atribuir-lhe a alcunha de nazareno.
Entretanto, Nazaré não existia, pelo menos naquela época; era
uma cidade fantasma, só passando a existir nas páginas dos
Evangelhos. Assim Jesus foi nazareno, não por ter nascido em
Nazaré, visto que não poderia nascer em dois lugares, como também
não poderia nascer em uma cidade que não existia. Ele foi
nazareno por ter sido, um comunista essênio. A anunciação e o
nascimento de João Batista foram copiados do Talmud.
As
tentações de Jesus pelo demônio, no deserto, segundo Emilio
Bossi, foram copiadas das Escrituras. Os quarenta dias passados no
deserto, são oriundos do cabalismo de Roma, e da crença dos
babilônios, os quais atribuíam a esse número força cabalística.
Por isso, tal número repete-se várias vezes no decorrer das
dissertações bíblicas: o dilúvio descrito na Bíblia, durou
quarenta dias; Moisés esteve quarenta anos na corte do Faraó;
passou quarenta anos no deserto, e os ninivitas jejuaram quarenta
dias.
Ezequiel
teria sido conduzido por um espírito de um lugar para outro,
através do espaço. Abraão teria sido tentado pelo demônio; os
mesmos episódios passaram ao Novo Testamento, tendo Jesus como
protagonista. Perguntamos nós: porque tais coisas não mais se
repetem? A resposta só pode ser esta: elas jamais aconteceram.
Tudo isto não passa de lendas ou sonhos, os quis foram impostos
como fatos reais.
O
Talmud diz; "Então se abrirão os olhos aos cegos e os
ouvidos aos surdos". Jesus teria de dizer: "Então o
coxo pulará como o cervo e a língua dos mudos se soltará".
Em
Lucas 4-27, Jesus cura Naamã, reproduzindo uma cura efetuada por
Eliseu, de um outro leproso. Elias e Eliseu ressuscitaram mortos,
por seu lado, Jesus ressuscitaria a Lázaro. Os discípulos de
Jesus, não sabendo como curar os endemoniados, recorrem ao
Mestre. Passagem semelhante está em Eliseu, cujo servo teria
recorrido a ele para curar o filho da sunamita. A multiplicação
dos pães e dos peixes, é a repetição de Moisés no deserto,
fazendo cair maná e cordonizes. Moisés transformou as águas do
rio em sangue e Jesus transforma a água em vinho.
Em
Jeremias 7-11 e Isaías 56-7 está escrito que o templo não deve
se converter em um covil de ladrões, o que leva os evangelistas a
dizerem que Jesus expulsou os mercadores do templo.
A transfiguração de Jesus é a mesma coisa que aconteceu a
Moisés, ao subir ao Monte Sinai, quando encontrou com Jeová. Aliás,
Moisés havia prometido que viria um profeta semelhante a ele. A
traição de Judas, repete o mesmo acontecimento em relação a
Crestus.
A
prisão de Jesus foi descrita de modo igual no Talmud. A fuga dos
apóstolos estava prevista por Isaías. Jesus foi crucificado na Páscoa,
representando o cordeiro pascal.
Essas
comparações patenteiam a existência do cristianismo, muito
antes de Filon. Donde se deduz que Jesus foi inventado de acordo
com as Escrituras, sem esquecer de anexar as idéias de Filon ao
relato de sua pretensa vida. Fócio demonstrou que os Evangelhos
foram copiados de Filon. São Clemente e Orígenes, embora fossem
padres da Igreja, orientaram-se por Filon e não pelo bispo de
Roma.
Estas
citações seriam suficientes para se provar que Jesus jamais
existiu. É apenas um produto da mente clerical, a qual o compôs
baseada em mitos e lendas.
Como
tudo o mais que se refere á existência de Jesus na terra também
a sua ascendêcia é objeto de controvérsias.
Segundo
Mateus e Lucas, Jesus descendo ao mesmo tempo de David e do Espírito
Santo. Entretanto como filho do Espírito Santo, não poderá
descender de José, consequentemente deixa de ser descendente de
David e o Messias esperado pelos judeus. Assim, Jesus ficará
sendo apenas Filho de Deus, ou Deus, visto ser uma das três
pessoas da trindade divina.
Em
ambos os evangelhos acima citados, há referências quanto a data
de nascimento de Jesus, mas tais referências são contraditórias
o Jesus descrito por Mateus teria onze anos quando nasceu o de
Lucas. Mateus diz que José e Maria fugiram apressadamente de Belém,
sem passar por Jerusalém, indo direto para o Egito, após a adoração
dos Reis Magos. Herodes iria mandar matar as ciancinhas. Todavia,
Lucas diz que o casal estivera em Jerusalém e acrescenta a narração
da cena de que participaram Ana e Semeão. De modo que um
evangelista desmente o outro. Lucas não alude à matança das
criancinhas, nem á fuga para o Egito.
Por
outro lado, Marcos e João não se reportam à infância de Jesus,
passando a narrar os acontecimentos de sua vida, a partir do seu
batismo por João Batista.
Mateus
que conta o regresso de Jesus, vindo do Egito e indo para Nazaré,
deixa-o no esquecimento, voltando a ocupar-se dele somente depois
dos seus trinta anos, quando ele procura João Batista. Diz ainda
que João já o conhecia e, por isto, não o queria batizar, por
ser um espírito superior ao seu.
Lucas
narra a discussão de Jesus com os doutores da lei, aos doze anos
de idade. Sendo perguntado pela mãe sobre o que estava ali
fazendo, teria respondido que se ocupava com os assuntos do pai.
Emilio
Bossi referindo-se a esta passagem, estranha a atividade da mãe.
Se o filho nascera milagrosamente, e ela não o ignora, só
poderia esperar dele uma seqüência de atos milagrosos. Mesmo a
sua presença no templo, entre os doutores, não deveria causar
preocupação à sua mãe, visto saber ela que o filho não era
uma criança qualquer, e sim, um Deus.
Lucas
diz que os samaritanos não deram boa acolhida a Jesus, o que
muito irritara a João. Contudo, João, o Evangelista, diz que os
samaritanos deram-lhe ótima acolhida e inclusive, chamaram-no de
salvador do mundo.
Os
evangelistas divergem também, quanto ao relato da instituição
da eucaristia. Três deles afirmam que Jesus instituiu-a no dia da
Páscoa, enquanto isto, João afirma que foi antes. Enquanto os três
descrevem como aconteceu, João silencia.
Na
última noite, Jesus estava muito triste, como aliás,
permaneceria até a morte. Pondo o rosto em terra, orou durante
muito tempo. Segundo os evangelistas, ele estava de tal modo
triste e conturbado que teria suado sangue, coisa aliás muito
estranha, nunca verificada cientificamente.
Enquanto
isto, seus companheiros dormiam despreocupadamente, não se
incomodando com os sofrimentos do Mestre. Entretanto João não
fala sobre esse estado de alma do Mestre. Pelo contrário, diz que
Jesus passara a noite conversando, quando se mostrava entusiasta
de sua causa e completamente tranqüilo. Lucas, Mateus e Marcos
afirmam que o beijo de Judas, denunciara-o aos que vieram prendê-lo.
Todavia, João diz que foi o próprio Jesus quem se dirigiu aos
soldados dizendo-lhes tranqüilamente: "Sou eu".
Lucas
é o único que fala no episódio da ida de Jesus, de Pilatos para
Herodes Antipas. Os outros, caem em contradição quanto à hora
do julgamento pelo Conselho dos Sacerdotes em presença do povo.
João não fala a respeito do depoimento de Cireneu, nem na
beberagem que teriam dado a Jesus. Omite-se ainda quanto á
discussão dos dois ladrões, crucificados com Jesus, e quanto á
inscrição posta sobre a cruz.
De
forma que, seu relato é bastante diferente daquilo que os outros
contaram. E as divergências continuam ainda no que concerne ao
quebramento das pernas, ao embalsamento, à natureza do sepulcro e
ao tempo exato em que ele esteve enterrado. Quanto ao
emmbalsamente, por exemplo, há muita coisa que não foi dita.
Teriam retirado seu cérebro e intestinos como se procede
normalmente nesses casos? Se a resposta for positiva, como
explicar o fato de Jesus, após a ressurreição, pedir comida?
Como se vê, as verdades bíblicas são além de controvertidas,
incompreensíveis.
Lucas
diz que Jesus referiu-se aos que sofrem de fome sede, enquanto
Mateus, diz que ele se referia aos que têm fome e sede de justiça,
aos pobres de espírito. Uns afirmam que Jesus tratara os
publicanos com desprezo e ódio, outros dizem que ele se mostrou
amigável em relação a eles. Para uns, Jesus teria dito que
publicassem as boas obras, para outros que nada dissessem a
respeito. Uma hora Jesus aconselha o uso da força física e da
resistência, mandando até que comprassem espada; outra, ameaça
os que pretendem usar a força
Marcos,
Mateus e Lucas dizem que Jesus recomendara o sacrifício.
Entretanto, não tomou parte em nenhum deles.
Mateus
diz que Jesus afirmou não Ter vindo para abolir a lei nem os
profetas, enquanto Lucas diz que ele afirmara que isso já estava
no passado, já tivera o seu tempo. Os três afirmam ainda que
Jesus apenas pregara na Galiléia, tendo ido raramente a Jerusalém,
onde era praticamente desconhecido. Todavia, João diz que ele ia
constantemente a Jerusalém, onde realizara os principais atos de
sua vida. As coisas ficam de modo, que não se sabe quem disse a
verdade, ou, melhor dizendo, não sabemos quem mais mentiu. Ora,
se Jesus tivesse realmente praticado os principais atos de sua
vida em Jerusalém, seria conhecido suficientemente, e então, não
teriam que pagar a Judas 30 dinheiros para entregar o Mestre.
João,
que teria sido o precursor do Messias, não se fez cristão, não
seguiu a Jesus, pregando apenas o judaismo no aspecto próprio.
Entretanto, depois de preso, enviou um mensageiro a Jesus,
indagando-lhe: "És tu que hás de vir, ou teremos de esperar
um outro?", ao que Jesus teria respondido: "Você é o
profeta Elias". Talvez houvesse esquecido que o próprio João,
antes já declarara isso mesmo. Contam os Evangelhos, que desde a
hora sexta até Jesus exalar o último suspiro, a terra cobriu-se
de trevas. Contudo, nenhum escritor do época, comenta tal
acontecimento.
Marcos,
25-25, diz que Jesus foi sacrificado às 9 horas. João diz que ao
meio dia, ele ainda não havia sido condenado à morte, e
acrescenta que a esta hora, Pilatos tê-lo-ia apresentado ao povo
exclamando: "Eis aqui o vosso rei"!
Emilio
Bossi assinala detalhadamente todas estas contradições, e as que
se deram após a pretensa ressurreição, dizendo que nada do que
vem nos Evangelhos, deve ser levado a sério. O sobrenatural é o
clima em que se encontra a Bíblia, e esta é apenas o resultado
da combinação de crenças e superstições religiosas dos
judeus, com as de outros povos com os quais conviveram.
Mateus
e Marcos afirmam enfaticamente que os discípulos de Jesus
abandonaram tudo para segui-lo, sem sequer perguntar antes quem
era ele.
Em
Mateus, lê-se que Jesus teria afirmado que não viera para abolir
as leis de Moisés. Contudo, esta seria uma afirmativa sem sentido
algum, visto que, hoje sabemos que os livros atribuídos a Moisés
são apócrifos.
Segundo
João, quando Jesus falou ao povo, foi por este acatado e
proclamado rei de Israel, aos gritos de "Hosanna". Mas,
um pouco adiante, ele se contradiz, afirmando que o povo não
acreditou em Jesus, e imprecando contra ele, ameaçava-o a ponto
de ele haver procurado esconder-se.
Mateus
diz que Jesus entrara em Jerusalém, vitoriosamente, quando a
multidão tê-lo-ia recebido de modo festivo, e marchando com ele,
juncava o chão com folhas, flores e com os próprios mantos,
gritando: "Hosanna ao Filho de David! Bendito seja o que vem
em nome do Senhor!" Aos que perguntavam quem era, respondiam
"Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia". No
entanto, outros evangelistas afirmam que ele era um desconhecido
em Jerusalém.
Disseram
que Pilatos estava convencido da inocência de Jesus, razão
porque teria tentado salvá-lo, abandonando-o logo a seguir,
indefeso e moralmente arrasado.
João
faz supor que Pilatos teria deixado matar a Jesus, temendo que
denunciassem sua parcialidade ao imperador. Se ele não castigasse
a um insurreto que se intitulara rei dos judeus, estaria traindo a
César. No entanto, tal atitude por parte de Pilatos não combina
com o seu retrato moral, pintado por Filon. Era um homem duro e tão
desumano quanto Tibério. A vida de mas um, menos um judeu, para
ambos, era coisa da somenos importância, Filon faz de Pilatos um
carrasco, e mostra que ele em Jerusalém, agia com carta branca.
Além disso, as reações de Pilatos com Tibério, eram quase
fraternais e ele era um delegado de absoluta confiança do
imperador. Mas, como os Evangelhos foram compostos dentro dos
muros de Roma, teriam de ser de modo a não desagradar às
autoridades Imperiais. Pilatos foi posto nisso, apenas porque os
bens e a vida dos judeus estavam sob sua custódia. Entretanto,
corno a ocupação romana foi feita em defesa dos judeus ricos,
contra os judeus pobres e os salteadores do deserto, as
autoridades romanas temiam muito mas ao povo do que a Roma.
Além
disso, multas eram as razões para não gostarem de Pilatos nem de
Herodes Antipas. Eles eram antipáticcs aos judeus pobres, por
isso, teriam temido a ira popular. Esta é a razão apresentada
pelos historiadores, que levam a sério os Evangelhos,
justificando assim o perdão do criminoso Bar Abbas e a condenação
do inocente Jesus Entretanto, se as legi5es romanas realmente ali
estivessem naquela época, nem Pilatos nem Herodes, tomariam em
consideração a opinião do povo, porque se sentiriam garantidos
nos seus postos.
Além
disso, a opinião popular é fator ainda bem novo na técnica de
formação dos governos.
Tudo
o que sabemos é o que está nos Evangelhos. Jesus era um homem do
povo e um dos que temiam o governo. Por isso é que em Marcos,
16-7, encontraremos Jesus aconselhando os discípulos a fuga. Em
Lucas, 10-4, Jesus está aconselhando aos disclpuler a não
falarem a ninguém em suas viagens.
Em
Mateus, 35-23 encontraremos Jesus reprovando os judeus que haviam
assassinado Zacarias, filho de Baraquias, entre o adro do templo e
o altar. A história, no entanto, afirma ser esse episódio imaginário.
Flávio Josefo relata um acontecimonto semelhante, registrado no
ano 67, 34 anos após a pretensa morte de Jesus referindo-se no
caso a um homem chamado Baruch. Isto evidencia o descuido dos
compiladores dos Evangelhos, que os compuseram sem levar em conta
que, no futuro as contradições neles encontradas, seriam a prova
da inautenticidade dos fatos relatados.
Nicodemos,
que teria sido um fariseu rico, membro de Senedrin, homem do
costumes morigerados e de boa-fé, não se fez cristão, apesar de
ter agido em defesa de Jesus contra os próprios judeus. Por
certo, ele, como João Batísta, não se convenceram da pretensa
divindade de Jesus Cristo, nem mesmo se entusiasmaram com suas
pregações.
Outra
ficção evangélica é debitada a Paulo, o qual inventou um
Apolo, que não figura entre os apóstolos e em nenhum
outro relato. Em Atos dos Apóstolos, 18, lê-se: "Veio de Éfeso
um judeu de nome Apolo, de Alexandria, homem eloqüente e muito
douto nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor,
falando com fervor de espírito, ensinando com diligência o que
era de Jesus, e, somente conhecia João Batista. Com grande veemência
convencia publicamente os judeus, mostrando-lhes pelas Escrituras
que Jesus era o Cristo". Seria um judeu fiel ao judaísmo
que, segundo Paulo procurava levar seus próprios patrícios para
o Cristo? Na epístola 1, aos Coríntios, diz que: "Apolo era
igual a Jesus".
Paulo
já no fim do seu apostolado, afirma que o imperador Agripa era um
fariseu convicto, e que sua religião era a melhor que então
existia. Era assim, um divulgador do cristianismo, afirmando a
excelência do farisaísmo. Falando de Jesus, Paulo descreve
apenas um personagem teológico e não histórico. Não se refere
ao pai nem à mãe de Jesus, sendo um ser fantástico, uma encarnação
da divindade que viera cumprir um sacrifício expiatório, mas, não
se reporta ao modo como teria sido possível a encarnação. Não
diz sequer a data em que Jesus teria nascido. Não relata como nem
quando foi crucificado. No entanto, estes dados tem muita importância
para definir Jesus como homem ou como um ser sobrenatural. Está
patente, desse modo, que Paulo é uma figura tão mitológica
quanto o próprio Jesus.
Em
Atos dos Apóstolos, 28-15 e em 45, Paulo diz que quando chegou a
Pozzuoli, ele e os seus companheiros foram ali bem recebidos,
havendo muita gente à beira da estrada, esperando-os. Entretanto,
chegando a Roma, teve de defender-se das acusações de haver
ofendido em Jerusalém, ao povo e aos ritos romanos.
Na
Epístola aos Romanos, 1-8, Paulo diz que a fé dos cristãos de
Roma alcançara todo e mundo, razão porque encerraria sua missão,
tão logo regressasse da Espanha, onde saudaria um grande número
de fiéis. Mas, se assim fosse, por que Paulo teve de se defender
perante os cristãos de Roma, contra o seu próprio judaísmo?
Com
pouco tempo, Paulo já pensava encerrar sua missão porque o
cristianismo já se universalizara. Entretanto, ele continuava
considerando como melhor religião, o farisaismo. O cristianismo a
que Paulo referia-se, deveria ser anterior a Jesus Cristo, que era
o seguido pelos cristãos de Roma, e não pelos cristãos dos
lugares por onde Paulo havia passado pregando.
Eusébio
disse que o cristianismo de Paulo era o terapeuta, do Egito, e Tácito
disse que os hebreus e os egípcios, formavam uma só superstição.
O
passado religioso do homem está repleto de deuses solares e
redentores.
Na
índia, temos Vishnu, um deus que se reencarnou nove vezes para
sofrer pelos pecados dos homens. No oitavo avatar foi Krishna e no
nono, Buda. Krishna foi igualmente um deus redentor, nascido de
uma virgem pura e bela, chamada Devanaguy. Sua vinda messiânica,
foi predita com muita antecedência, conforme se vê no Atharva,
no Vedangas e no Vedanta. O deus Vishnu teria aparecido à Lacmy,
mãe da virgem Devanaguy, informando que a filha iria ter um
filho-deus, e qual o nome que deveria dar-lhe. Mandou que não
deixasse a filha casar-se, para que se cumprissem os desígnios de
deus. Tal teria acontecido 3.500 anos a.C. no Palácio de Madura.
O filho de Devanaguy, destronaria seu tio. Para evitar que
acontecesse o que estava anunciado, Devanaguy teria sido encerrada
em uma torre, com guardas na porta. Mas, apesar de tudo a profecia
de Poulastrya cumpriu-se, "O espírito divino de Vishnu
atravessou o muro e se uniu à sua amada". Certa noite,
ouviu-se uma música celestial, e uma luz iluminou a prisão
quando Viscohnu apareceu em toda a sua majestade e esplendor. O
espirito e a luz de deus ofuscaram a virgem, encarnando-se. E ela
concebeu. Uma forte ventania, rompeu a muralha da prisão quando
Krishna nasceu. A virgem foi arrebatada para Nanda onde Krishna
foi criado, lugar este, ignorado do rajá.
Os
pastores teria recebido aviso celeste do nascimento de Krishna, e
então teriam ido adorá-lo, levando-lhe presentes. Então, o rajá
mandou matar todas as criancinhas recém-nascidas, mas Krishna
conseguiu escapar. Aos 16 anos, Krishna abandonou a família e
saiu pela Índia pregando sua doutrina, ressuscitando os mortos e
curando os doentes. Todo o mundo corria para vê-lo e ouvi-lo. E
todos diziam: "Este é o redentor prometido a nossos
pais". Cercou-se de discípulos, aos quais falava por meio de
parábolas, para que assim, só eles pudessem continuar pregando
suas idéias.
Certo
dia, os soldados quiseram matar Krishna, quando seus discípulos
amedrontados fugiram. O Mestre repreendendo-os, e chamou-os de
homens de pouca fé, com e que reagiram e expulsaram os soldados.
Crendo
que Krishna fosse uma das muitas transmigrações divinas,
chamaram-no "Jazeu", o nascido da fé. As mulheres de
povo perfumavam-no e incensavam-no, adorando-o.
Chegando
sua hora, Krishna foi para as margens do rio Ganges, entrando na
água. De uma árvore, atiraram-lhe uma flecha que o matou. O
assassino teria sido condenado a vagar pelo mundo. Quando os discípulos
procuraram recolher o corpo, não o encontraram mais porque, então,
já teria subido para o céu.
Depois,
Vishnu tê-lo-ia mandado novamente à terra, pela nona vez,
receberia o nome de Buda.
O
nascimento de Buda teria sido, igualmente, revelado em sonhos à
sua mãe. Nasceu em um palácio, sendo filho de um príncipe
hindu. Ao nascer, uma luz maravilhosa teria iluminado o mundo. Os
cegos enxergaram, os surdos ouviram, os mudos falaram, os paralíticos
andaram, os presos foram soltos e uma brisa agradável correu pelo
mundo. A terra deu mais frutos, as flores ganharam mais cores e
fragrância, levando ao céu um inebriante perfume. Espíritos
protetores vigiaram o palácio, para que nada de mal acontecesse
á mãe. Buda, logo ao nascer, pôs-se de pé maravilhando os
presentes.
Uma
estrela brilhante, teria surgido no céu no dia do seu nascimento.
Nasceu também, nesse mesmo dia, a árvore de Bó a cuja sombra o
menino deus descansaria. Entre os que foram ver Buda, estava um
velho, que como Semeão, recebeu o dom da profecia. Sua tristeza
seria não poder assistir à glória de Buda, devido ser muito
velho,
Buda
teria maravilhado os doutores da lei com a sua sabedoria. Com
poucos anos de idade, teria começado sua pregação. Teria ficado
durante 49 dias sob árvore de Bó, e sido tentado várias vezes
pelo demônio. Pregando em Benares convertera muita gente. O mais
célebre de seus discursos recebeu o nome de "Sermão da
Montanha". Após sua morte apareceria também aos seus discípulos,
trazendo a cabeça aureolada. Davadatta traí-lo-ia do mesmo modo
que Judas a Jesus. Nada tendo escrito, os seus discípulos
recolheriam os seus ensinamentos orais. Buda também tivera os
seus discípulos prediletos, e seria um revoltado contra o poder
abusivo dos sacerdotes bramânicos. Mais tarde, o budismo ficaria
dividido em muitas seitas, como o cristianismo.
Quando
missionários cristãos estiveram na índia, ficaram
impressionados e começaram a perceber como nasceu o romance da
vida de Jesus. O Papa do budismo, o Dalai-Lama, também se diz ser
infalível.
Mitra,
um deus redentor dos persas, foi o traço de união entre o
cristianismo e o budismo. Cristo foi um novo avatar, destinado aos
ocidentais. Mitra era o intermediário entre Ormuzd e o homem. Era
chamado de Senhor e nasceu em uma gruta, no dia 25 de dezembro.
Sua mãe também era virgem antes e depois do parto. Uma estrela
teria surgido no Oriente. anunciando seu nascimento. Vieram os
magos com presentes de incenso, ouro e mirra, e adoraram-no. Teria
vivido e morrido como Jesus. Após a morte, a ressurreição em
seguida.
Fírmico
descreveu como era a cerimônia dos sacerdotes persas, carregando
a imagem de Mitra em um andor pelas ruas, externando profunda dor
por sua morte.
Por
outro lado, festejavam alegremente a ressurreição, acendendo os
círios pascais e ungindo a imagem com perfumes. O Sumo Sacerdote
gritava para os crentes que Mitra ressuscitara, indo para o céu
para proteger a humanidade.
Os
ritos do budismo, do mitraísmo e do cristianismo são muito
semelhantes.
Horus
foi o deus solar e redentor dos egípcios. Horus, como os deuses já
citados, também nasceria de uma virgem. O nascimento de Horus era
festejado a 25 de dezembro.
Amenófis
III criou um mito religioso, que depois foi adaptado ao
cristianismo. Trata-se da anunciação, concepção, nascimento e
adoração de Iath. Nas paredes do templo, em Luxor, encontram-se
os referidos mistérios.
Baco,
o deus do vinho, foi também um deus salvador. Teria feito muitos
milagres, inclusive a transformação da água em vinho e a
multiplicação dos peixes. Em criança, também quiseram matá-lo.
Adonis
era festejado durante oito dias, sendo quatro de dor e quatro de
alegria; As mulheres faziam as lamentações, como as carpideiras
pagas de Portugal. O rito do Santo Sepulcro foi copiado do de
Adonis. Apagavam todos os círios, ficando apenas um aceso, o qual
representava a esperança da ressurreição. O círio aceso ficava
semi-escondido, só reaparecendo totalmente no momento da
ressurreição, quando então o pranto das mulheres era substituído
por uma grande alegria.
Também
os fenícios, muitos milênios antes, já tinham o rito da paixão,
do qual copiaram o rito da paixão de Cristo.
Todos
os deuses redentores passaram pelo inferno, durante os três dias
entre a morte e a ressurreição. Isto é o que teria acontecido
com Baco, Osiris, Krishna, Mitra e Adonis. Nestes três dias, os
crentes visitavam os seus defuntos, segundo Dupuis, em "L'
Origine des tous les cultes".
Todos
os deuses redentores eram também deuses-sol, como Átis, na Frígia;
Balenho, entre os celtas; Joel, entre os germanos; Fo, entre os
chineses.
Assim,
antes de Jesus Cristo, o mundo já tivera inúmeros redentores.
Com este ligeiro apanhado da mitologia dos deuses, deixamos
patente a origem do romance do Gólgota. Acreditamos ter
esclarecido, quais as fontes aonde os criadores do cristianismo
foram buscar inspiração.
O
precedente estudo permite-nos constatar que, nas diversas épocas
da história, as religiões transformam-se, variando em razão da
complexidade, cada vez maior das sociedades em que elas existem.
Vimos
que a crença em um deus redentor, é muito anterior ao judaísmo
sempre ligado à ânsia da necessidade de redenção das tremendas
aflições do populacho. Quanto a Jesus Cristo, resultou de uma série
de mitos, que os hebreus copiaram dos babilônicos, dos egípcios
e de outros povos, visando com isto dar consistência ao judaísmo.
Estudos
filológicos forneceram as bases para o estabelecimento de um traço
de união, entre as crenças dos deuses orientais e o judaísmo.
Tomemos por exemplo, as palavras Ahoura-Mazzda e Jeová, que
significam "O que é". Partindo de velhas lendas
orientais, e baseando-se na origem comum da palavra, foi compilado
o Gênese, numa tentativa de explicar a criação do mundo.
Segundo o Zend-Avesta, o Ser Eterno criou o céu e a terra, o sol
a lua, as estrelas, tudo em seis períodos, aparecendo o homem por
último.
O
descanso foi posto no sétimo dia.
Manu
havia ensinado muito antes, que no começo tudo eram trevas,
quando Bhrama dispersou-as, criou e movimentou a água, em seguida
produziu os deuses secundários, os anjos dirigidos por Mossura,
os quais posteriormente rebelar-se-iam contra Deus. Veio então
Shiva, e arrojou-os ao inferno. Shiva tornou-se a terceira pessoa
da Santíssima Trindade Bhramânica em conseqüência das
sucessivas invasões bárbaras sofridas pela Índia. Os bárbaros
crendo em Shiva, o deus da lascívia e do sensualismo, impuseram
sua inclusão, com o que surgiu a trindade divina de Bhrama.
Manu
ensinara igualmente que Deus criara o homem e a mulher, fazendo-os
apenas inferior a Devas, isto é, Deus. O primeiro homem recebera
o nome de Adima ou Adam, e a primeira mulher, Heva, significando o
complemento da vida. Foram postos no paraíso celeste e receberam
ordem de procriar. Deveriam adorar a Deus, não podendo sair do
paraíso. Mas, um dia, indo ver o que havia fora dali,
desapareceram. Bhrama perdoou-os mas, expulsou-os, condenando-os a
trabalhar para viver. E disse que por haverem desobedecido, a
terra, tornar-se-ia má, porque o espírito do mal dela se
apoderara.
Entretanto,
mandaria seu filho Vishnu, que se encarnando em uma virgem,
redimiria a humanidade, libertando-a definitivamente do pecado da
desobediência.
Ormuzd
teria prometido ao primeiro casal humano que, se fossem bons,
seriam felizes na terra. Mas, Arimã mandou que um demônio em
forma de serpente, aconselhasse a desobedecerem a deus. Comeram os
frutos que Arimã lhes deu, acabou a felicidade humana, e todos os
que nascessem daí em diante, seriam infelizes. Sendo levados
cativos para a Babilônia, os judeus ali encontraram tal lenda.
Libertos, voltando à Judéia, trouxeram essa crendice, como também
a crença da imortalidade da alma e da vida futura, dos espíritos
bons e espíritos maus, surgindo daí, os anjos Gabriel, Miguel e
Rafael, os querubins e serafins. Nasceu daí, o mito do diabo, o
anjo rebelado.
A
palavra paraíso é o termo persa que significa jardim. Os persas,
os hindus, os egípcios e os gregos criam no paraíso. Da mesma
forma, todos eles criam no inferno. Entretanto, as crenças
antigas desconheciam as penas eternas, que foram criadas pelo
cristianismo, aliás, uma das poucas coisas originárias dessa
crença. Também o purgatório, naturalmente, é outra novidade do
cristianismo, sendo desconhecido do judaísmo. A idéia do purgatório
vem de Platão, que havia dividido as almas em puras, curáveis e
incuráveis.
Os
filhos de Adima e Heva haviam-se tornado numerosos e maus. Por
isso, Deus mandou o dilúvio para matá-los. Mas, deu ordem a
Vadasuata para construir um barco e nele entrar com a família,
devido ao fato de ser um homem virtuoso. Deveria levar consigo, além
da família, um casal de cada espécie de animal existente: Esta
é a história do dilúvio relatada nos Vedas, e que foi incluída
na Bíblia dos cristãos.
As
origens do cristianismo repousam, incontestavelmente, nas lendas e
crenças dos deuses mitológicos, não apenas dos judeus, mas também
de outros povos.
Os
caldeus e os fenícios, como os judeus haviam-se especializado no
comércio, e por dever de ofício, alfabetizaram-se. Assim,
sabendo ler e escrever, puderam copiar as lendas e o folclore dos
povos com os quais comerciavam e conviviam, os quais puderam
adquirir longevidade e fixar-se melhor na memória humana.
Sendo
comerciantes por excelência, os judeus perceberam que a religião
poderia tornar-se uma boa mercadoria, através da qual adviria o
domínio de muitos povos e vontades. Desta forma, tendo compilado
o que julgaram mais interessante ou mais proveitoso em relação
aos seus propósitos, passaram a difundir pelo mundo as suas idéias
religiosas. Com isto, o conhecimento e a razão, foram substituídos
pelas crendices e superstições religiosas.
Desde
há muito, a religião tem servido para moderar os impulsos
humanos, sobretudo, daqueles que pertencem a uma classe social
menos favorecida.
Salientamos
o prejuízo que o mundo tem sofrido, com o rebaixamento mental,
imposto com as crenças e superstições religiosas, com o que o
conhecimento sofre uma estagnação sensível.
No
entanto, o homem tem-se deixado levar pelas crenças e práticas
religiosas, sem que nenhum benefício lhe advenha em retribuição.
O homem tem feito tudo por si mesmo, apesar de sua religiosidade.
A única classe beneficiada realmente com a religião, é a dos
sacerdotes.
Retornamos
ao assunto em pauta, após uma rápida digressão. A Bíblia cita
dez patriarcas que teriam morrido em idade avançada, antes do dilúvio.
Contudo, essa lenda provém da tradição caldáica, segundo a
qual, dez reis governaram durante 432 anos. Da mesma forma, as
lendas hindus, egípcias, árabes, chinesas ou germânicas fazem
referência a homens que teriam tido uma longa vida, como a do
Matusalém da Bíblia.
Igualmente
a lenda de Abraão, que deveria sacrificar o seu filho Isaac,
procede de lendas anteriores ao judaísmo. O livro das profecias
hindus, relata uma história igual. Ramatsariar conta que
Adgitata, protegido de Bhrama, por ser um homem de bem, teve um
filho que nasceu tão milagrosamente como Jesus. Entretanto,
Bhrama para experimentá-lo, ordena-lhe que sacrificasse o filho.
Ele obedece, mas Bhrama impede-o no momento exato, seu filho seria
o pai de uma virgem, a qual por sua vez, seria a mãe de
deus-homem.
José
e a mulher de Putifar, foi a cópia de uma velha lenda egípcia,
conforme documentos recentemente traduzidos. Era uma história
intitulada "Os dois irmãos".
Emílio
Bossi relatando o achado, dá a palavra a Jacolliot: "Um
homem da Índia, fez leis políticas e religiosas; chamava-se
Manu. Esse mesmo Manu, foi o legislador egípcio, Manas. Um
cretense vai ao Egito estudar as instituições que pretende dar
ao seu pais, e a história confirma-nos isto dizendo que esse
cretense foi Minos. Enfim, o libertador dos escravos judeus
chamava-se Moisés, que teria recebido as leis das mãos do próprio
Jeová. Temos então, Manu, Manes, Minos e Moisés, os quatro
nomes que predominaram no mundo antigo. Aparecem nos albores de
quatro diversos povos para representar o mesmo papel, rodeados da
mesma auréola misteriosa, os quatro são legisladores, grandes
sacerdotes e fundadores das sociedades teocráticas e sacerdotais.
Esses quatro nomes têm a mesma raiz sânscrita. O hinduismo deu
origem ao judaísmo. Por isso, de Jeseu Krishna fizeram Jesus
Cristo.
Documentos
recentemente estudados, mostram terem sido os hindus os prováveis
colonizadores do Egito. A documentação demonstra que o
conhecimento nasceu do saber hindu.
A
assiriologia mostra que a lenda de Moisés foi copada da de Sargão
I, rei acádio, que igualmente teria sido salvo em um cesto
deixado no rio, a deriva.
A
lenda de Sansão é outro exemplo. Sansão representa o sol. O
poder que lhe foi atribuído é o mesmo dos deuses solares. E
assim, examinando os escritos de antigas civilizações, chegamos
ao conhecimento das origens de tudo o que a Bíblia narra como
fatos reais. Concluímos então que Jesus Cristo nada mais
representa, que uma cópia das lendas e mitos dos deuses, adorados
por povos os mais remotos e variados.
Percebendo
a importância da luz do sol sobre a terra, o homem imaginou que
essa luz seria uma emanação protetora de Deus. Da idéia de que
existia um único sol, surgiu o monoteísmo, isto é, a crença em
um só Deus.
Das
palavras Devv e Divv, que em sânscrito significam sol e luminoso,
originou-se a palavra deus. Daí, em grego, a palavra Zeus; em
latim; deo; para os irlandeses, dias; em italiano dio, etc.
A
parte do tempo em que a terra recebe a luz do sol recebeu o nome
dia em oposição ao período de trevas, a noite. O dia teria sido
um presente divino, graças à luz solar. Conseguindo produzir o
fogo, aumentou a crença humana no deus sol. Graças ao fogo, o
homem pode libertar-se de um dos seus maiores inimigos que era o
frio, assim como passou a cozinhar os seus alimentos. Devendo,
cada vez mais a vida ao calor, a gratidão do homem para com o sol
cresceu ainda mais. Foi assim que nasceu o mito solar, do qual
Jesus Cristo é o último rebento.
Por
uma série de ilações, chegaram igualmente à concepção do
significado místico da cruz. Dos raios solares foi criada uma
cruz, espargindo raios por todos os lados. Da mesma forma foi a Idéia
do Espírito Santo, um espírito benfazejo, que irradia a bondade
divina. Depois a seqüência mística do sol, o fogo e o vento,
dando origem a Salvitri, Agni e Vayu, do mito védico.
O
rito védico celebra o nascimento de Salvitri, o deus-sol em 25 de
dezembro, no solstício, quando aparecem as refulgentes estrelas.
As estrelas trazem a boa nova, a perspectiva de boas colheitas. Daí,
os sacrifícios e os ritos propiciatórios, oferecidos ao
deus-sol.
Assim,
os cristãos encontraram o seu Jesus Cristo.
A
vida dos deuses redentores é a vida do sol. Por isso, todos eles
tiveram suas datas de nascimento fixadas em 25 de dezembro: Mitra,
Horus e Jesus Cristo. Também é simbólica a ressurreição na
primavera, tempo da germinação e das folhas novas. Baseando-se
nisto, Aristóteles e Platão admitiram uma certa racionalidade
dos que adoravam o sol.
Heródoto
e Estrabão diziam que Mitra era o deus-sol, tendo por emblema um
sol radiante. Plutarco conta que o culto de Mitra veio para a Sicília,
trazido pelos piratas do mar. Em escavações feitas no solo
italiano, foram encontradas placas de barro solidificados ao sol,
trazendo esta inscrição: "Deo Soli Invicto Mitrae",
lembrando o deus dos persas.
Niceto
escreveu que certos povos adoraram a Mitra como o deus do fogo,
outros como sendo o deus-sol.
Júlio
Fírmino Materno disse que Mitra era a personificação do deus
fogo, enquanto Aquelau, considerava-o o deus-sol.
São
Paulino descreveu os mistérios de Mitra como sendo os de um deus
solar e redentor. Karneki, rei hindo-escita, no começo de nossa
era, mandou cunhar moedas em que se vê a efígie de Mitra dentro
de um sol radiante. Mitra ainda era representado com um disco
solar na cabeça, segurando um globo com a mão esquerda. Do mesmo
modo, os cristãos representam Jesus Cristo. Era o Senhor. Ao
surgir o cristianismo, os cristãos primitivos ainda chamavam o
sol de "Dominus", com o que, lentamente foi absorvendo o
ritual mitráico.
No
Egito, o sol era o "Pai Celestial". Um obelisco trazido
para o Circo Máximo de Roma, trazia esta inscrição: "O
grande Deus, o justo Deus, o todo esplendente", tendo um sol
espargindo seus raios para todos os lados.
Da
mesma forma, todos os deuses dos índios americanos, pertenciam ao
rito solar, assim como os deuses dos hindus, dos chineses e
japoneses. Os caldeus adorando o sol como seu deus, dedicaram-lhe
a cidade de Sípara, onde ardia o fogo sagrado, eternamente, em
sua honra. Em Edessa e em Palmira foram encontrados templos
dedicados ao deus-sol. Orfeu considerava o sol como sendo o deus
maior. Agamenon disse que o sol era o deus que tudo via e de que
tudo provinha.
Os
judeus e os líderes do cristianismo, para a formação deste, só
tiveram de adaptar as crenças e rituais antigos a um novo
personagem: Jesus Cristo. Toda a roupagem necessária para vestir
o novo deus preexistia. Apenas fazia-se necessário amoldá-la um
pouco.
Tendo
em vista o completo silêncio histórico a respeito de Jesus
Cristo, bem como as evidentes ligações deste com o mito dos
deuses-solares, Dupuis escreveu o seguinte: "Um deus nascido
de uma virgem, no solstício do inverno, que ressuscita na Páscoa,
no equinócio da primavera, depois de haver descido ao inferno; um
deus que leva atrás de si doze apóstolos, correspondentes às
doze constelações; que põe o homem sob o império da luz, não
pode ser mais que um deus solar, copiado de tantos outros deuses
heliosísticos em que abundavam as religiões orientais. No céu
da esfera armilar dos magos e dos caldeus, via-se um menino
colocado entre os braços de uma virgem celestial, a que Eratóstenes
dá como Ísis, mãe de Horus. Seu nascimento foi a 25 de
dezembro. Era a virgem das constelações zodiacais. Graças aos
raios solares, a virgem pode ser mãe sem deixar de ser virgem...
Via-se uma jovem "Seclanidas de Darzana", que em árabe
é "Adrenadefa", e significa virgem pura, casta,
imaculada e bela... Está assentada e dá de mamar a um filho que
alguns chamam de Jesus e nós, de Cristo.
Já
vimos que Jesus repete todos os mistérios dos deuses solares e
redentores, pelo que Heródoto, Plutarco, Lactâncio e Firmico
puderam afirmar que esse deus redentor é o sol. De modo que Jesus
é apenas mais um deus solar.
Ainda
hoje, grande parte do rito cristão é de origem solar. Na Bíblia,
encontramos estas palavras: "Deus estabeleceu sua tenda no
sol", e ainda "Sobre vós que temeis o meu nome,
levantar-se-á o sol da justiça e vossa vida estará em seus
raios".
João
diz que "o verbo é a lei, a luz e a vida, a luz que Ilumina
a vista de todos os mortais, a luz do mundo". E ainda chama a
Jesus de o "cordeiro", o "Agnus Dei qui tollit
peccata mundi". Com isto, o Apocalipse fez de Jesus o
"cordeiro pascal", e a Igreja adorou-o sob a forma de um
cordeiro até o ano de 680. Era o Cristo o Áries zodiacal, vindo
de Agnus, com a significação de fogo, o sol condensado.
Origenes
justificava a adoração do sol, tendo em vista a sua luz sensível
e também pelo aspecto espiritual.
Tertuliano
reconheceu que o dogma da ressurreição tem sua origem na religião
persa de Mitra. Para S. Crisóstomo, Jesus era o sol da justiça,
para Sinésio, o sol intelectual. Fírmico Materno descreveu Jesus
baixando ao inferno, esplendente como o sol.
O
domingo, o dia do Senhor. o dia do descanso, procede de Dominus, o
deus-sol. o Senhor.
Segundo
Teodoro e Cirilo, para o maniqueus Cristo era o sol. Os Saturnílianos
acreditavam que a alma tinha substância solar, deixando o corpo e
voltando para o sol, de onde proviera, após a morte.
O
antigo rito do batismo determinava que o catecúmeno voltasse o
rosto, em primeiro lugar para o ocidente, para retirar de si a
satanás, símbolo das trevas.
Igualmente
as festas do sábado santo, são reminiscências do mito da luta
do sol contra as trevas, na Páscoa. As orações desse ofício são
cópia dos hinos védicos. A palavra aleluia, que era o grito de
alegria dos persas, adoradores do sol, quando na Páscoa
festejavam a sua volta, significa: elevado e brilhante.
Foram
necessários muitos séculos para que a igreja pudesse alienar um
pouco do que lembrava que o seu culto era de um deus solar.
Entretanto, a história escrita é inflexível, e demonstra que
todos os deuses redentores ou solares foram tão adorados quanto o
mitológico Jesus Cristo. E embora tenham havido longas fases em
que foram impostos a ferro e fogo, nem por isto deixaram de cair,
nada mais sendo hoje do que o pó do passado religioso do homem.
O
certo é que Jesus Cristo é mitológico de origem, natureza e
significação. O seu surgimento ocorreu para atender ê tendência
religiosa e mística da maioria, que ainda hoje teme as realidades
da vida, e portanto, procura para orientar-se, algo fora da esfera
humana, na esperança de assim conseguir superar a si mesmo, e aos
obstáculos que surgem quotidianamente.
O
cristianismo é produto de tendências naturais de uma época;
aproveitadas espertamente pelos líderes do cristianismo. O judeu
pobre e oprimido não tendo para quem apelar, passou a esperar de
Deus aquilo que o seu semelhante lhe negava. O sacerdote
valendo-se do deplorável estado de espírito de uma população
faminta, e sobretudo desesperançada, ressuscitou a um, dentre os
velhos deuses, para restaurar a esperança do povo judeu. E assim,
surgiu mais um mito solar, mais um deus com todos os atributos
divinos, tal como os que antecederam. O novo deus solar em questão
é Jesus Cristo.
Conforme
temos dito repetidas vezes, o cristianismo tomou por empréstimo
tudo quanto se fez necessário à sua formação Assim, todos os
ensinamentos atribuídos a Cristo, foram copiados dos povos com os
quais os judeus tiveram convivência. A sua moral, a moral que
Cristo teria ensinado, aprendeu-a com os filósofos que o
antecederam em muitos Séculos.
De
sorte que não há inovações em nenhum setor ou aspecto do
cristianismo. Antigos povos, milênios antes adoraram seus deuses
semelhantemente.
Dentre
as máximas adotadas pelo cristianismo, comentaremos a seguinte:
'Não faças aos outros o que não queres que a ti seja
feito". Este ensinamento não teria partido de Jesus,
conforme pretendem os cristãos, não sendo sequer uma máxima
cristã, originariamente.
Encontrá-la-emos
em Confúcio, e ainda no bhramanismo, no budismo e no mazdeismo,
fundado por Zoroastro. Era uma orientação filosófica e
religiosa, adotada pelos hindus.
A
originalidade do cristianismo, consistiu apenas em criar as penas
eternas, um absurdo desumano e irracional. Enquanto isso, o
mazdeismo cria a possibilidade de regeneração do pior bandido,
admitindo mesmo a sua plena reintegração no seio da sociedade.
O
perdão aos inimigos, foi muito antes de Jesus, aconselhado por
Pitágoras.
Os
egípcios religiosos praticavam uma moral muito elevada. No
"Livro dos Mortos" encontramos a confissão negativa, de
acordo com a qual, a alma do morto comparecia ante o tribunal de
Osiris e proferia em alta voz as suas más ações.
O
sentimento de igualdade e fraternidade para com os homens, foi
ensinado por Filon. O cristianismo adotou os seus ensinamentos,
atribuindo-os a Jesus. São de Filon, as seguintes palavras:
"Os que exaltam as grandezas do mundo como sendo um bem,
devem ser reprimidos." "A distinção humana está na
inteligência e na justiça, embora partam do nosso escravo,
comprado com o nosso dinheiro." "Porque hás de ser
sempre orgulhoso e te achares superior aos outros?"
"Quem te trouxe ao mundo? Nu vieste nu morrerás, não
recebendo de Deus senão o tempo entre o nascimento e a morte,
para que o apliques na concórdia e na justiça repudiando todos
os vícios e todas as qualidades que tornam o homem um
animal". "A boa vontade e o amor entre os homens são a
fonte de todos os bens que podem existir". Como vemos, não há
nada de novo no cristianismo.
Platão
salientou a felicidade que existe na prática da virtude. Ensinou
a tolerância à injúria e aos maus tratos, e condenou o suicídio.
Recomendou o humanismo, a castidade e o pudor, e condenou a volúpia,
a vingança e o apego demasiado aos bens. Sua moral baseou-se na
exaltação da alma, no desprezo dos sentidos e na vida
contemplativa. O Padre Nosso foi copiado de Platão. Quem conhece
bem a obra de Platão, percebe os traços comuns entre a mesma e o
cristianismo. Filon inspirou-se em Platão, e a Igreja, na obra de
Filon que helenizou o judaísmo.
Aristóteles
afirmou que a comunidade repousa no amor e na justiça. Admitia a
escravatura, mas libertou os seus escravos. Poderiam existir
escravos, mas não a seu serviço. A comunidade deveria instruir a
todos, independentemente da classe social, com o que ensinou o
evangelho aos Evangelhos.
A
abolição do sacrifício sangrento não foi introduzida pelo
cristianismo. Não lhe cabe tal mérito. Gélon, da Sicília,
firmando a paz com os cartagineses, estipulou como condição a
supressão do sacrifício de vidas animais aos seus deuses.
Sêneca
aconselhava o domínio das paixões, a insensibilidade à dor e ao
prazer. Recomendava igualmente a indulgência para com os
escravos, dizendo que todos os homens são iguais. Referia-se ao céu
como fazem os cristãos, afirmando que todos são filhos de um
mesmo pai. Concebia como pátria, o universo. Os homens deveriam
ajudarem-se e amarem-se mutuamente. Enquanto isso, o humanismo
cristão limitou-se apenas aos irmãos de fé. O bem, visa somente
a salvação da alma, o que é egoísmo, mas nunca humanismo. Sêneca
manifestou-se contrário à pena de morte, o cristianismo ao
contrario, é responsável por inúmera execuções. Admitia a
tolerância mesmo em face da culpa. Ao invés de perseguir e
punir, por que não persuadir, ensinar e converter?
Epícteto
e Marco Aurélio foram bons professores dos cristãos. Os filósofos
greco-romanos foram grandes mestres da moral cristã e da consolação,
sem que para isto criassem empresas, negócios nem castas. O
cristianismo existente antes de Jesus Cristo, já pregava a moral
anterior ao martírio do Gôlgota. A moral cristã não veio de
Jesus Cristo nem dos EvangeIhos, mas nasceu da tendência natural
para o aperfeiçoamento do homem. Não fosse a destruição sistemática
de antigas bibliotecas, determinada pelo clero no intuito de
preservar os seus escusos interesses, hoje seria possível
patentear com documentos à mão, que a moral anterior a cristã,
era bem melhor do que esta, tendo-lhe servido de modelo. Assim, vê-se
que a moral jamais foi patrimônio de castas ou de indivíduos,
sendo uma lenta conquista da humanidade, com ou sem religião e
mesmo contra ela. Por isso é que o mundo racionaliza-se
continuamente; e avança sempre no sentido do seu aperfeiçoamento.
A bondade humana independe da idéia religiosa. A razão
ensina-nos o que devemos ao nosso meio social, independentemente
da fé e da religião. Para justificar o aparecimento de Jesus,
fez-se necessário recorrer a uma moral, que no entanto, já era
um patrimônio da humanidade. Jesus nada mais foi do que a
materialização de qualidades que já existiam. Por isso, mesmo
em morai. Jesus foi ator e não autor. O cristianismo apenas
sistematizou e industrializou essa velha moral, estabelecendo-a
como um rendoso comércio. A Igreja é responsável pela deturpação
dessa moral. Havia a moral pela moral que foi substituída pela
moral bíblica em que só se é bom para ganhar o céu.
Superpondo-se
um grupo empresarialmente forte, extinguiu-se a moral individual.
Pesquisas
recentes e estudos comparados, têm demonstrado que a mitologia
judaico-cristã é bem anterior ao próprio judaísmo, quando se
percebe que dogmas como o da imortalidade da alma, da ressurreição
e do Verbo encarnado, são muito anteriores ao cristianismo.
A
imortalidade da alma já era multimilenar quando os judeus foram
levados cativos para a Babilônia.
Zoroastro
ensinara, muito antes, ser a alma imortal, e que essa imortalidade
seria produto de uma opção humana. O livre arbítrio levaria o
homem a escolher uma vida que o levaria ou não à imortalidade. O
erro e o mal produziriam a morte definitiva, a prática do bem, a
imortalidade.
Do
mesmo modo, na Ciropédia, bem anterior a Zoroastro, lê-se que
Ciro, moribundo, disse: "Não creio que a alma que vive em um
corpo mortal se extinga desde que saia dele, e que a capacidade de
pensar desapareça apenas porque deixou o corpo que não tem como
pensar por si mesmo". Por outro lado, Einstein, pouco antes
de morrer declarou não crer que algo sobrasse do ser vivo, após
a morte.
Os
egípcios, os hindus, os sumérios, os hititas e os fenícios
criam na imortalidade da alma.
A
ressurreição foi um dos fundamentos do Zend-Avesta. Zoroastro
também ensinou que o fim do mundo seria precedido por um grande
acontecimento a ser predito por profetas. Os persas tiveram os
seus profetas que foram Ascedermani e Ascerdemat, os quais
passaram à Bíblia sob os novos nomes de Enock e Elias, entidades
míticas, como se vê. Desses mitos, surgiram o Talmud e os
Evangelhos, o que mostra que em religião, a idéia original
pertence à noite dos tempos.
A
doutrina do Verbo já era antiquíssima no Egito. Deus teria
gerado Kneph - a palavra, o Verbo - que é igual ao pai. Da união
de Deus com o Verbo nasceu o fogo, a vida, Fta, a vida de todos os
seres.
O
monoteísmo e a Santíssima Trindade eram crenças muito antigas
na Índia. Os deuses únicos e os deuses secundários são uma
velha doutrina oriental. A religião greco-romana já possuía o
seu Apoio e Zeus, acolitados por uma porção de deuses secundários.
Essas velhas lendas deram origem ao Deus do cristianismo, com toda
sua corte de santos e anjos. O politeísmo de há muito vinha
caminhando para o monoteísmo. Os gregos já haviam concebido a idéia
de um intermediário entre os homens e Júpiter, que era Apoio,
tendo-se encarnado para redimir os homens.
Porfírio
citou o seguinte oráculo de Serapis: "Deus é antes e depois
e ao mesmo tempo, é o Verbo e o Espírito, como um e outro".
O
mundo antigo cria em um Deus único, pai de todas as coisas,
afirmou Máximo de Tiro. O povo então já dizia: Deus o sabe!
Deus o quer! Deus o abençoe! Os oráculos só se referiam a Deus
e não aos deuses.
Os
apologistas do cristianismo, tais como Eusébio, Agostinho, Lactâncio,
Justino, Atanásio e muitos outros, ensinavam que unidade de Deus
era conhecida desde a mais remota antigüidade. Os órficos,
inclusive, admitiam-na.
Na
Bíblia, ao ser traduzida para o grego e para o latim, o nome de
Deus passou a ser muitas vezes Senhor, Dominus, para ficar
conforme o nome do Deus-sol do mitraísmo.
O
amor a Deus foi a base de todas as religiões copiadas pelo judaísmo.
Isaías falava de Deus como Pai Celestial. Ezequiel dizia que Deus
não queria a morte do pecador, preferindo antes a sua conversão.
O justo viverá eternamente pela fé. São palavras de Habacuc,
repetidas por Paulo em Gálatas, 3.2.
Como
vimos, a doutrina do Verbo vem de Platão, tendo sido este o
intermediário entre os metafísicos e os cristãos. Foi ele quem
concebeu a idéia de separação do corpo da alma, e pôs aquele
na dependência desta. Na sua opinião, a terra era o desterro da
alma. Foi o criador do sistema filosófico da decadência moral do
homem, fazendo dos sentidos uma ameaça, do mundo um mal, e da
eternidade o delírio, o sonho.
Cícero
e Sêneca tinham idéias cristãs, mas não conheceram a Jesus
Cristo nem ao cristianismo. Agostinho leu as obras de Cícero e
trocou o maniqueísmo pelo cristianismo. A Igreja procurou
destruir as principais obras de Cícero e de Sêneca para que a
posteridade não percebesse que eles não tinham sido cristãos,
seguidores de Cristo, mas, apenas as suas idéias coincidiam com
as que o cristianismo esposou.
O
cristianismo nasceu da helenização do judaísmo. Os cristãos
terapeutas abandonaram o judaísmo ortodoxo, porque este tinha
posto de lado o culto nacional do templo e o sacrifício Pascal,
retirando-se para uma vida contemplativa nos montes, longe dos
homens e dos negócios. Estabeleceram uma sociedade comunal,
considerando o casamento um apego à carne, um empecilho à salvação
da alma, com o que proscreveram os principais prazeres da vida,
exaltando o celibato e a pobreza, como os essênios, além de
aconselhar a caridade.
Eusébio
chamou aos terapeutas de cristãos sem Cristo. Para ele, um
terapeuta era um autêntico cristão. Isto levou Strauss a
escrever: "Os terapeutas, os essênios e os cristãos dão
sempre muito o que pensar
A
doutrina dos essênios, a moral dos terapeutas, a encarnação do
Verbo, vinda do judaísmo helenizado, é o cristianismo de Filon.
Desse modo, Filon foi criador do cristianismo, sem o saber. Ele
refere-se ao Verbo nos termos da mitologia egípcia, sem contudo,
mencionar a crença em Jesus Cristo.
Salomão
fez da sabedoria divina a criação. O Livro da Sabedoria define a
natureza desse principio intermediário, transformando o
pensamento vago do rei judeu sobre a sabedoria da doutrina do
Verbo.
Sirac,
em "Eclesiástico", faz a doutrina do Verbo ser mais
precisa: "A sabedoria vem de Deus, estando sempre com ele.
Foi criada antes de todas as coisas. A voz da inteligência existe
desde o principio. O Verbo de Deus no mais alto do céu, é a
fonte da sabedora"! Filon disse que o Verbo se fizera humano.
Segundo ele, Deus era infalível e inacessível a inteligência
humana, não nos alcançando senão pela graça divina. Para ele
ainda, o Verbo não era apenas a palavra, mas a imagem visível de
Deus. O Verbo seria o Ungido do Senhor, o ideal da natureza, o Adão
Celeste. ~ a doutrina da encarnação do Verbo, tomando a forma
humana. O Verbo é o intermediário entre Deus e os homens. Diz
ainda que o Verbo ~ o pão da vida. Por ai vemos que não foi o
Cristo o criador do cristianismo, mas este é que o criou.
Clemente
de Alexandria, Origenes ou Paulo, assim como os primeiros padres
do cristianismo, jamais se referiram a Jesus Cristo como tendo
sido um homem que tivesse caminhado do Horto ao Gólgota, mas
tiveram-no apenas como o Verbo, conforme a doutrina de Platão e
de Filon.
Está
patente a existência do cristianismo sem Cristo. A existência do
clero, por outro lado, foi uma exigência bhramânica. Pregando
por meio de parábolas, os sacerdotes faziam-se necessários para
esclarecer o sentido das mesmas. Justifica-se assim, o pagamento
com as esmolas dos crentes. Ensinavam a religião e apoderavam-se
do dinheiro. Suas terras e os templos já eram isentos dos
impostos. O sumo-sacerdote não se casava e era venerado como um
deus.
No
budismo, tanto os bonzos como os mosteiros são mantidos pela
comunidade e os monges, igualmente não se casam. O Dalai-Lama é
o Vigário de Deus, o sucessor de Fó, sendo Infalível como o
Papa se diz ser. Nos mosteiros todos se chamam de irmãos.
O
clero persa era dividido em ordens hierárquicas, e tinha o
direito a um décimo da renda da comunidade. Os magos persas, como
os profetas judeus, eram puros e não trabalhavam.
No
Egito, a classe mais alta era a dos sacerdotes. Elegiam o rei e
limitavam a sua ação. O povo arrendava as terras do templo. Só
o clero ensinava a religião e presidia aos sacrifícios. O regime
era teocrata e todos tinham que submeter-se às regras eclesiásticas.
O sacerdote era o advinho, fazia os oráculos, as profecias, os
sortilégios e os exorcismo. Afirmava ter força sobre a natureza,
para o bem da humanidade.
Os
bhrâmanes procuravam afugentar os malefícios e as maldições.
Para isto, cultivam certas plantas como o lótus e o cânhamo, dos
quais faziam licores como o "amrita", que possuía
virtudes milagrosas. Tinham as mesmas modalidades de expiação
ainda hoje adotadas pelo cristianismo.
As
mortificações hindus são as mesmas praticadas pelos cristãos
medievais. Certos crentes carregaram durante toda a vida, enormes
colares de ferro, outros, pesadas correntes de ferro. Alguns se
marcavam com o ferro em brasa, avivando a ferida todos os dias.
Muitos vão rolando deitados até Benares, pagar ali suas
promessas. Também usam sandálias cravadas de finos pregos, os
quais entram pelas solas dos pés.
No
Egito, os sacerdotes de Ísis, açoitavam-se em sua honra,
expiando com isso, suas próprias culpas e as do povo.
Entre
os gregos, havia a água lustral para as expiações e para as
propiciações. Os sacerdotes de Dodona feriam-se e os de Diana
praticavam tais coisas em seus corpos, que as vezes punham em
perigo a própria vida.
Os
romanos procuravam livrar-se das calamidades públicas, oferecendo
aos seus deuses sacrifícios humanos. Os Indostânicos tornavam-se
celibatários, pediam esmolas, jejuavam e isolavam-se do convívio
com outras Pessoas.
No
budismo, as crianças eram ensinadas a fazer votos de castidade. O
governo concedia honras especiais ao que chegavam aos 40 anos,
castos. No Egito, existiam mosteiros apropriados para os que
faziam votos de castidade. Também os sacerdotes de Baco, na Grécia,
faziam tais votos. Os sacerdotes de Cibele eram castos e
castrados. Em Roma, as vestais viviam em mosteiros, indo para até
aos seis anos de idade, e juravam não deixar extinguir-se o fogo
sagrado e manterem-se virgens. A que faltasse ao juramento, seria
enterrada viva e o amante, condenado a morte.
Os
budistas consagravam o pão e o vinho, representando o corpo e o
sangue de Agni, quando os bonzos aspergiam os crentes.
Enquanto
aspergem água lustral, cantam hinos ao sol e ao Fogo, o
"Kirie Eleison" que os católicos copiaram e cantam ou
recitam durante a missa. Inicialmente o sacrifício constava da
imolação de uma pessoa, a qual posteriormente foi substituída
pela hóstia. Tal como o padre católico, o sacerdote budista também
lava as mãos, antes das libações. A cerimônia budista é em
tudo semelhante a missa da Igreja Católica.
Os
persas tinham em seus ritos religiosos, a eucaristia, ou seja, a
mesma oferenda do pão e do vinho que também constam do ritual da
missa, bem como o Pater Noster, o Credo e o Confiteor.
Na
Grécia, rezava-se pela manhã e a noite. Os etruscos juntavam as
mãos quando oravam. Também a confissão lá era praticada pelos
persas. O ritual do catolicismo tem muito do ritual mitraíco
assim como a vestimenta dos sacerdotes católicos foi copiada do
figurino dos sacerdotes de Mitra.
Muitas
das religiões pré-cristãs, já festejavam a Páscoa e a
Natividade. Os persas, inclusive, dedicaram um dia aos mortos. E
no dia em que o filho começava a receber Instrução religiosa,
havia festa na casa dos pais.
Entre
os gregos, cada dia da semana era dedicado a um deus.
Os
Hindus viviam peregrinando de um templo para outro. Criam na existência
de dias bons e dias maus, como também em sortilégios e malefícios.
Cada pessoa era dedicada a um anjo que a protegia desde o
nascimento. Benziam as vacas, os instrumentos agrícolas e animais
domésticos.
A
história do passado religioso do homem, está repleta de virgens
puras e belas, que são as mães dos deuses. Maria, mãe de Jesus
Cristo, é apenas mais uma, dentre tantas outras.
Igualmente,
as procissões constituem-se em práticas multimilenares. É
antiquíssima tal modalidade de culto. Juno e Diana passearam em
andores durante muitos séculos. As cidades sempre se enfeitaram a
passagem dos santos e dos deuses.
Por
aí, vemos que nem Jesus nem o cristianismo tem nada de original.
A veneração das Imagens já era multo anterior ao cristianismo.
Por outro lado, o judaísmo que as baniu, não foi entretanto, o
primeiro a tomar tal atitude. Plutarco disse que os tebanos não
as usavam, assim como Numa Pompílio proibiu aos romanos de
usarem-nas, durante o seu governo. O batismo era uma cerimônia
praticada pelos antigos, muito antes de se cogitar sequer, do nome
de cristão. Os hindus lavam o recém-nascido em água lustral,
dando-lhe um nome de um gênio protetor. Aos oito anos, a criança
aprende a recitar os hinos ao Deus-Sol. A extrema-unção também
de há muito, antes do cristianismo, era praticada pelos hindus.
Copiando
detalhes dos ritos e cultos de uma grande variedade de seitas, o
cristianismo constituiu o seu próprio ritual, tudo girando em
torno do Deus-Sol, no qual por fim, vestiram a roupa de Jesus
Cristo