| ?Artigo | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � tudo uma quest�o de vontade | VOLTAR | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Muitas vezes as pessoas reclamam da falta de oportunidades para se educar e poder levar urna vida melhor. � fato inconteste que osgovernos que se sucedem n�o t�m urna preocupa��o muito grande com as classes menos favorecidas, que sofrem mais com a l�gica perversa do Sistema onde ter mais invariavelmente se traduz por ser mais. Por isso algumas iniciativas isoladas, do que se pode chamar de bons cidad�os, quando descobertas devem ser divulgadas. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Um bom exemplo � o trabalho desenvolvido no Tendal da Lapa, uma casa de cultura da Secretaria Municipal de Cultura, pelo professor e maestro Walter Campelo. Como ele, outros professores e m�sicos ensinam gratuitamente pessoas que gostam de m�sica a tocar algum instrumento. Neste mesmo local funciona urna oficina de gaita, ministrada por Lu�s Audi. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| S�o nos espa�os como o Tendal da Lapa, que surgem oportunidades para as pessoas que t�m voca��o, vontade e que carecem apenas de uma chance para estabelecerem contato com arte e cultura, sem precisar pagar por isso. E o Tendal n�o � o �nico local na regi�o que oferece atividades gratuitas. Outro bom exemplo s�o as oficinas do Grupo Aba�a�, no Parque da �gua Branca, que ensinam dan�as e m�sicas folcl�ricas. A miscigena��o nestes trabalhos � fascinante, j� que adultos e jovens das mais diversas classes sociais se unem com o �nico objetivo de aprender. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Mas arte e cultura n�o s�o os �nicos temas abordados quando se trata de buscar uma oportunidade dedesenvolvimento cultural. A inform�tica e tecnologia tamb�m est�o presentes, j� que podem ser excelentes op��es para quem busca o mercado de trabalho. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Algumas institui��es na regi�o come�aram a pensar nessa quest�o, como o caso da Associa��o Crist� dos Mo�os de S�o Paulo (ACM) ? Lapa, que disponibilizou computadores para capacitar profissionalmente crian�as e jovens carentes. Com equipamentos doados pelo Rotary Club S�o Paulo, a ACM gera oportunidades para que jovens desenvolvam plenamente suas capacidades. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Quem tamb�m est� preocupado em oferecer novas chances de aprendizado � o Sesc S�o Paulo. Com a cria��o da lnternet Livre, na unidade da Pomp�ia, a entidade quer contribuir na prepara��o do cidad�o elevando o n�vel de alfabetiza��o digital e desfazer o medo provocado pelas inova��es tecnol�gicas. Monitores orientam o p�blico e se surpreendem com a curiosidade de crian�as, jovens e idosos, que demonstram nunca ser tarde demais para aprender... Nesta mesma linha de trabalho, temos a Esta��o Ci�ncia, com o Projeto Clicar que beneficia crian�as em situa��o de rua. Um projeto antigo que surgiu e cresce de acordo com a necessidade dessas crian�as e jovens, exclu�dos da vida em sociedade. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Os exemplos na regi�o se multiplicam demonstrando que, com disposi��o e boa vontade, � poss�vel mudar e criar a esperan�a de um futuro melhor para muitos. Essas iniciativas s�o excelentes exemplos para que outras institui��es e at� mesmo pessoas pensem que um pouco do seu tempo e de sua capacidade de trabalho podem representar muito para ajudar aqueles que t�m vontade e que apenas pedem uma oportunidade. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Rosane Neves � rep�rter da Revista Daqui Lapa | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Entrevista: Valter Campelo | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Popularizando a m�sica | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Omaestro Valter Cordeiro Campelo nasceu em Recife, mas mudou-se para S�o Paulo aos seis meses de idade por isso se considera um paulistano de cria��o e de costumes. Passou a inf�ncia na Vila Mariana e a adolesc�ncia na Ponte Pequena, aos 19 anos se instalou em Perdizes. Morando h� 30 anos na regi�o, h� quatro desenvolve um projeto chamado por ele de Escola Comunit�ria de M�sica no Tendal da Lapa, onde n�o s� ensina m�sica, mas tamb�m cultura e educa��o aos participantes. Com o interesse dos alunos, acabou desenvolvendo em paralelo, a lutearia, onde ensinou 12 de seus alunos a constru�rem e a reformarem instrumentos de corda, a maioria retirada do lixo. Nesta entrevista, Campelo fala do trabalho que desenvolve, dos projetos futuros e das dificuldades enfrentadas e ressalta a quest�o da oportunidade para gerar novos talentos. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Como o senhor come�ou na m�sica? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| N�o foi por acaso.tenho outras ditas forma��es, Sou R2, piloto de avia��o e tamb�m farmac�utico, formado pela Universidade de S�o Paulo, mas em nenhuma delas consegui me satisfazer Acabei me transformando em comerciante e comecei a estudar m�sica por hobby | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? E como o hobby se transformou em profiss�o? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Uma vez, na fila do teatro Cultura Art�stica, em um recital do Tur�bio Santos, conheci um senhor que se chamava Valfrides Brand�o e era muito amigo do Ronoel Sim�es, que � a maior autoridade de viol�o do mundo. Conversando, ele me indicou a Academia Brasileira de Viol�o, do Sim�es, que comecei a frequentar isso em 1977 e 1978. Conheci meu professor de viol�o l�, o Nelson Cruz. Ele me preparou, comecei a ganhar as bolsas de estudos. Acabei me bachalerando em viol�o e depois fui me especializando em m�sica de c�mara, reg�ncia e engenharia de instrumentos - para restaurar instrumentos, e me especializei em instrumentos de corda. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Como surgiu a oportunidade de desenvolver esse projeto? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Esse projeto � feito no Tendal da Lapa, uma casa de cultura da Secretaria Municipal de Cultura, aqui no bairro. A gente come�ou abrigado na casa, que precisava de uma atividade para preencher um espa�o vago... Comecei a notar que as pessoas que apareciam l� tinham aquele neg�cio de ficar batendo no viol�o e ficavam muito curiosas. Quando comecei a mostrar outras coisas para eles, come�aram a demandar mais conhecimentos. Tinham alguns funcion�rios bem intencionados que falaram para deixar rolar.. a gente foi e come�ou a engebrar uma pequena orquestra de c�mara, fazendo solo e acompanhando um coral. A coisa foi pegando no tranco e se expandiu. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Na verdade, o que � esse projeto? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Esse � um projeto tr�ade, que envolve tamb�m cultura, educa��o e informa��o. Porque l�, a gente se preocupa tamb�m com a educa��o das pessoas e em oferecer todas as informa��es que podem estar agregadas ao fato de ela estudar viol�o. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Quer dizer, n�o � simplesmente aprender viol�o... | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| N�o. Um exemplo � voc� ver um rapaz, um adolescente de periferia, que tinha a cabe�a h� dois anos voltada para o funk, para o rap e que hoje em dia toca Bach. . .Ele toca convicto, porque se empenhou, foi se envolvendo, foi gostando e ficando ambicioso, porque sabia que estava expert. O projeto vai trabalhando a auto-estima e eles v�o em busca de conhecimento, ent�o o camarada vai se aculturando mesmo. Do mesmo jeito que toca Bach, ele l� Fern�o Capelo e Saint Exup�ry. Na escola tamb�m v�o para outro caminho... Tem ainda a quest�o social, que a gente d� muita �nfase nesse projeto. Porque infelizmente existe um estere�tipo neste pa�s, de que as classes menos privilegiadas, t�m de estar dentro daquele padr�o raso de cultura, eles at� se sentem meio inibidos de entrar em uma livraria, em uma biblioteca, a gente abre a cabe�a e mostra que n�o � assim, que ele tem direito a isso e s� n�o aceita se n�o quiser. T�m ainda outros problemas que a gente resolve, que ser�o exemplificados no decorrer da conversa. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? � um projeto gratuito, qualquer pessoa pode participar? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Atendemos todo tipo de gente. L� n�o tem ,nem preconceito racial, nem social,nem t�o pouco conflito de gera��es. Ent�o voc� tem aluno de 80 anos os dando risadas, contando anedotas, se comportando exatamente como alunos de 10, 12 anos,s� voc� vendo, comprovando "In Locco". ?Isso � uma coisa que me deixa muito contente, pois s�o pessoas bem diferentes com um �nico ideal... | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Todos querendo aprender... | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Isso, eles discutem como aquela m�sica foi tirada, alguns trocam partituras, trocam letras. Trocam at� revistinhas de m�sica que t�m em casa, cria-se esse ambiente agrad�vel, de companheirismo e isso � mui­to legal, muito gratificante. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Como surgiu a id�ia de desenvolver um trabalho como este? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Quando estava na Europa, vi algumas coisas semelhantes a essa dentro de associa��es de bairro,mas s�o projetos incentivados, patrocinados. Alguns deles, inclusive atrav�s do Royal College Music, que mant�m alguns programas de cunho social cultural, com monitores. L� � bem diferente, a musica �obrigat�ria nas escolas, ent�o os monitores v�o at� as escolas. Ali eles mant�m um grande celeiro, um grande manancial para pescar valores, para depois ir e continuar carreira... Aqui no Brasil quando a gente elogia uma orquestra e pergunta porque n�o se faz aqui, � porque n�o se tem estrutura por baixo. A gente pode fazer uma escalada diferente, trabalhando a m�sica com as pessoas e aquelas que t�m mais cobi�a com certeza chegar�o l�. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Foi um projeto que o senhor viu l� fora e trouxe para o Brasil? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| E, s� que a gente teve de adaptar a nossa realidade. A gente cercou o bicho pelos sete lados. Acabou suprindo as necessidades da escola. Quer ­dizer; sab�amos que algumas coisas n�o ir�amos obter pela Secretaria Municipal de Cultura, pois existia um problema burocr�tico, ent�o a gente fez tudo o que precisava com material que pegou na ca�amba de lixo, como por exemplo as estantes de m�sica, a lousa. .S�o coisas que para se obter voc� precisa fazer um memorando para ver se � aprovado para entrar na licita��o e toda essa quest�o burocr�tica que todo mundo conhece bem... | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Quando o senhor fala a gente... | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � a gente; eu e os alunos. O projeto, veja bem, n�o � um projeto pessoal meu. � um projeto p�blico. Eu posso ter sido a cabe�a mas a cabe�a sozinha n�o existe, precisa existir tamb�m o corpo e os membros. Quando a gente fala, vamos fazer; a gente j� se organiza,se re�ne para ver como � que vai ser feito, v� quais s�o as dificuldades, equaciona todas elas e vamos tratando de resolver. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ?Tem algum patroc�nio, ou apoio? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| N�o tenho patroc�nio de empresa nenhuma. O �nico apoio que tenho � de meus alunos. J� at� pensei em procurar algo, mas a gente tem de ter primeiro o que oferecer para as empresas. O marketing cultural no Brasil est� de cabe�a para baixo, o nome do mega star est� muito acima do nome das institui��es que s�o mantenedoras do projeto. E esse pessoal de marketing esquece que h� 40 anos existia urna coisa chamada Festival da Record, que revelou grande talentos, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Carlos Lira... | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? A Secretaria Municipal de Cultura apoia o projeto? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| A gente tem o apoio do pessoal da Secretaria Municipal de Cultura, mas, infelizmente, dentro do Tendal da Lapa t�m alguns funcion�rios que nos sacaneiam h� quatro anos. E essa reclama��o n�o � s� minha n�o, tenho aqui um abaixo-assinado, com cerca de 300 assinaturas dos alunos que dever� ser entregue � Secretaria, com as reclama��es dos problemas que enfrentamos com a administra��o da casa. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Quantos alunos o senhor tem hoje no projeto? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Hoje temos 452 alunos, mas co­me�amos com cerca de 30. No in�cio, teve uma evas�o e o n�mero acabou caindo para 12. S� que eles come�aram a adquirir um certo patamar de conhecimento eforam trazendo amigos, primos e vizinhos. Assim foi aumentando a participa��o e crescendo o projeto. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ?S�o pessoas que t�m interesse por aprender m�sica, independente do estilo? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| S�o. Muitas dessas pessoas chegam ao projeto querendo aprender m�sica, vamos dizer m�sica s�ria. Se ele gosta de pop, pode fazer o pop t�o bem como escuta nos discos. Se gosta de rock, de erudita, sabe que pode fazer urna interpreta��o muito pr�xima daquilo, sabe que � poss�vel. H� cerca de um ano, a gente fez aquela m�sica terna do filme Titanic, com coral duas vozes, teclado, acordes. Igual, igual n�o ficou, mas ficou muito pr�ximo. Recebemos muitos elogios e sabe por qu�? Porque eles sabem m�sica, sabem a t�cnica, os conceitos. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Hoje, o senhor montou um coral? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| �, formamos o coral Grupo Orfe�nico Tendal, composto por quatro vozes, que faz apresenta��es. Inclusive, a �ltima que a gente fez, de mais express�o, foi na Alian�a Cultural Brasil Jap�o. Logo depois disso, teve uma reforma no Tendal e a gente fi­cou prejudicado na quest�o dos ensaios, por isso acabou n�o trabalhando mais. Ainda assim, teve um grupo de veteranos, que j� estava mais enturmado, que participou de uma apresenta��o no Shopping Market Place, no final do ano. Uma apresenta��o de Natal. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? O senhor falou que j� reaproveitou muito material de lixo paraproduzir pe�as para o projeto. O senhor ainda trabalha com isso? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Olha, todo o material, o ferramental, a oficina que a gente montou l�, veio toda do lixo. Quer dizer com peda�os de material de obras a gente fez bancada. Peda�os de madeirite, se transformaram em ferramental e f�rmas para os instrumentos. Tudo, at� mesmo os pregos que utilizamos na oficina vieram do lixo; � tudo reciclado. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ?Como surgiu a id�ia de criar lutearia? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Primeiro surgiu a hist�ria do restauro, j� que tinha gente que chegou dizendo que queria estudar mas que n�o tinha instrumento. Eu sugeri que arrumassem um quebrado mesmo, que seria consertado. Come�ou a surgir um monte de instrumento quebrado. Eu mesmo consertava. Arranjei um arm�rio, tipo de arquivo, onde fui colocando o material e consertava. S� que foi enchendo de alunos e muitos tamb�m se interessaram em aprender aquilo. Disse que n�o era t�o simples, que precisava aprender matem�tica. Eles entraram interessados, comecei com quatro e hoje temos 12 alunos, que s�o especializados, s�o construtores. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ?S�o pessoas que n�o sabiam nada e aprenderam no projeto? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| S�o. Eles n�o sabiam nada e hoje constr�em. Sabe, pessoas que nem gostavam tanto de c�lculos acabaram aprendendo para poder fazer seu pr�prio instrumento, j� que n�o tem dinheiro para comprar um. At� trabalham com regra de tr�s e c�lculos, assuntos que para muitos eram extremamente desagrad�veis, mas que, como se tratava de ele conseguir sua guitarra, seu viol�o, acabaram se tornando agrad�veis. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? A lutearia � de uso exclusivo do projeto? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| �, para restaurar e consertar para as pessoas que necessitam. Outro dia desses, um dos nossos alunos foi assaltado na esta��o da Lapa e disse que teria de parar com as aulas, pois roubaram seu viol�o e ele n�o tem condi��es de comprar outro. Ent�o, falei para ele pegar restos de folha em marcenaria. Ele arrumou e a gente est� fazendo um viol�o para ele. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ?Voc� tem alunos s� da regi�o ou de toda a cidade? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| O nosso maior p�blico est� nessa regi�o aqui. Morro Grande, Morro Doce, Jaragu�, Osasco, Itapevi, Barueri, mas tem gente de outros lugares como Osasco, de Guarulhos. Tem um senhor de 70 anos, que mora em Cumbica e vem em todas as aulas, n�o falta uma... | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Como � controlada a quest�o da freq��ncia. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Fa�o chamada e os alunos que faltam tr�s aulas consecutivas s�o eliminados a n�o ser que expliquem o porque das faltas. Muitos faltam na ter�a, mas no s�bado v�m na aula e explicam que faltaram, mas est�o repondo a aula. Eu marco presen�a e tudo bem. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Quando acontecem as aulas? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Acontecem �s ter�as, quintas e s�bados, a partir das 15h. O hor�rio e o dia � definido de acordo com a necessidade dos alunos. Tem alunos que vem de ter�a e s�bado ouquinta e s�bado, que s�o aqueles que fazem parte da engenharia tamb�m, por isso precisam de uma dedica��o maior. Tem tamb�m a parte de constru��o que � pegar a coisa do zero, fazer a planta. Eles fazem a planta do instrumento. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Quais instrumentos s�o restaurados e constru�dos por eles? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Todo instrumento de corda que voc� pode imaginar. Agora a gente come�ou a fazer o ferramental, que � at� uma coisa meio ambiciosa para montar uma orquestra de Cordas,construir viola, cello e violino. A gente j� come�ou o material que a gente tem em estoque, E j� estamos com as plantas prontas. Depois vamos come�ar a pensar no contra-baixo. Os outros instrumentos, como viol�o, viola Caipira e guitarra, j� est�o sendo produzidos. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? O senhor esperava que o projeto fosse crescer assim? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| N�o, n�o esperava que fosse entrar nessa progress�o. Sabia que teria um crescimento mas assim n�o. Sempre quis ter uma orquestra de c�mara, um coral. Poder fazer as pessoas ter contato com a m�sica, mas n�o esperava que fosse entrar nesse pique. Para mim, foi uma surpresa agrad�vel. Agora a gente precisa ver se o munic�pio reconhece o projeto como uma escola. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? E o que precisa para isso acontecer? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Na verdade, o projeto j� � uma escola de fato, porque todo o curr�culo de uma escola � visto hoje pelos alunos da oficina. L� voc� n�o tem aula s�de instrumento, voc� tem aula de harmonia, de hist�ria da m�sica. As aulas s�o agendadas com hor�rios espec�ficos. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? E ent�o, o que falta? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| O diploma ou um certificado. Acho que seria muito importante voc� prestar o reconhecimento ao esfor�o dessas pessoas com um diploma. Acho que o munic�pio deveria reconhecer como escola e a gente poder dar diploma, dar o certificado. Essa vai ser uma luta minha porque sei que tem muita gente refrat�ria a essa id�ia, mas vou lutar por essa conquista, por esse reconhecimento. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? O n�mero de alunos cresceu muito nesses quatro anos, o senhor esperava esse interesse todo das pessoas pela m�sica? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Sabia que existia uma demanda reprimida, mas n�o sabia em que n�vel essa demanda estava reprimida. � aquele caso que a gente j� comentou que todo mundo quer estudar m�sica, mas quer estudar o qu�? Aprender a fazer blin blin no viol�o. N�o isso, as pessoas querem ir mais longe querem aprender m�sica no sentido amplo da palavra, mas n�o t�m oportunidade j� que o Conservat�rio de M�sica � pago e � caro e a Escola Vergueiro, tamb�m n�o d� acesso, pois exige um n�vel de conhecimento. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? Ent�o, o que falta � oportunidade e n�o interesse... | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Com certeza absoluta. Acho que dentro da nossa sociedade a gente tem um celeiro grande de talentos que est�o precisando de uma chance. Isso n�o acontece s� na m�sica n�o.Se voc� democratizar mais a educa��o no Brasil, n�s vamos ter muitos bons m�dicos, muitos bons t�cnicos, muitos bons engenheiros. N�s vamos termuitas boas pessoas em todos os ramos de atividades. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? O senhor comentou que tem algumas hist�rias da quest�o social do projeto, quais s�o? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Tem a hist�ria de alguns alunos que chegam e falam que na semana seguinte n�o v�o poder assistir aula, v�o ter de faltar. A gente aperta daqui e dali e ele acaba confessando que n�o tem dinheiro para a condu��o. Ent�o, a gente estabeleceu uma caixinha, feita pelos que podem, e eventualmente a gente d� o passe para aqueles que necessitam. Tem tamb�m a hist�ria de um aluno que o viol�o levou dois tiros de calibre 44. Esse viol�o est� em fase de restauro, porque destruiu legal. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? O que precisa para participar do projeto. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| � s� ter vontade. A pessoa tendo vontade de aprender m�sica � o que importa, o resto a gente d� um jeito. Al�m disso, a pessoa precisa ser frequentadora, n�o pode ficar faltando, aparecer uma vez ou outra, pois al�m de atrapalhar o andamento , tamb�m � uma falta de respeito com aqueles que participam assiduamente. E l�gico que algumas pessoas t�m problemas de sa�de, mas � tudo uma quest�o de conversa. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ? O senhor falou dos talentos. Tem algum aluno que entrou despretensioso e que j� se profissionalizou? | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Que se profissionalizou n�o, mas t�m alunos de grande talento, que poder�o ser profissionais, mas t�m ainda que amadurecer para se tornarem profissionais, saberem enfrentar as dificuldades que a carreira de m�sica oferece no Brasil. Tem um aluno, o Tiago Beraldi, que toca muito bem, come�ou com Ciranda, Cirandinha e que hoje toca "Eu Sei Que Vou Te Amar"; com arranjos que ele fez.Al�m dele tem outros excelentes. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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