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Dia Ruim
O amor não existe
Sei que parece triste
Mas não existe.
O que posso fazer?
Também acreditei nele,
Mas deixei de ser tolo
O amor é uma sensação
Química? Biológica?
Tanto faz! Não tem lógica!
Nada tem a ver com o coração
Amor é cerebral.
Artificial, porém natural...
Se o amor existisse
Seria tão bom quanto dizem
Ninguém sofreria por ele.
Mas sofremos!
Sofremos vírgula!!!
Eu não sofro mais
Já chorei demais
Por sentimentos tão irreais
O mundo é irreal
Um monte de nada
Com pitada de coisa nenhuma
Onde pessoas fúteis
Fingem (e muito mal)
Ser quem não são
Para conquistar quem não querem
E fazem os outros sofrer...
Por amor?
Não, mil vezes não!
O amor não existe
Sofrem por burrice
Ah, isso sim existe
E muito,
Eu sei!
Clara veio pelo corredor estourando
as ventas. Ouviu nossas conversas. Queria saber que causos eram
aqueles! "Falamos de amor" e brilharam os olhos sonhadores
de Clarissa. Para quê! Clara a jogou na parede, e que parassémos
com essas besteiras. Amor não existe e era bom que eu aprendesse
ainda cedo. Depois disso a semana foi só de silêncio. |
Quantas Depois de ti?
Quantas haverão depois de ti?
A quantas mais entregarei parte de minh’alma?
Quantas luas mais terei de ver
Pensando, vazio, na presença de alguém?
Quanto tempo passará
Até o momento de me entregar?
Novamente um coração terei partido?
Depois da última lagrima que chorei por ti
Não mais pude me notar bem
É difícil admitir o amor que senti
Tímido, mas profundo:
Profano
Sabia que não deveria...
Como traidor fui encarado!
Amei
Mais uma vez a pessoa errada
Sofri
Menos que devia
Agi
Mais do que me julguei capaz
Sonhei
E transformaram tudo em pesadelo
Nunca mais serei teu
Assim como nunca fostes minha
Serena luz que iluminou minha vida
Depois partiu deixando-me à mercê
Da escuridão,
Do medo,
De mim!
Meus sorrisos hoje são falsos
Minha alegria fingida
As dores, escondi
“Sou forte” gritei
Depois, escondido, chorei
Um simples adeus
Achou que não mereci
Um breve até longo
Mas nem isso me deste
Sofro, mas sofres também
Pensou que ainda me teria
Mas sepultei meu coração
Não mais voltarei a ser teu
Amigo?
Amante?
Fui Anjo ou Demônio?
Nada mais serei
Minha existência separou-se da tua
Nem rastros ficaram do rumo que segui
Voltarás a me procurar?
Não permitireis me encontrar.
Um cristal raro
Quando quebrado não tem concerto
É possível refazer...
O Nascer de um pássaro?
O desabrochar de uma rosa?
O primeiro sorriso de uma criança?
O correr das águas de uma cachoeira?
A magia que era estar ao teu lado?
Ilusões vazias não encontram mais
Sua morada dentro de mim
Amei-te calado
Tão calado como amarei a morte
No último instante
Amei-te para sempre e o para sempre acabou
Tinha-me como teu
Preferiste me perder
Uma vez perdido
Sem ti não me encontrei
Fui obrigado a não ser eu
Não sendo eu te odiei
Agora nem sei quem sou
Só sei que um dia, acho que te amei
Clarissa em ares soturnos contou que
Clara já amou, e muito. Disse até que foi largada
às abas do altar. Desde então que traja preto e
é amarga assim. Mas não foi má pessoa... |
Choro e Sofrimento
Eu sofro
Mais uma parte de meu coração
Jogada foi ao vento
A culpa foi minha
Eu sei!
Agora pago pelo que fiz...
Se magoei foi tentando proteger
Se errei foi tentando acertar
Se odiei foi tentando amar
Porém, como sempre,
Estava enganado
Falei coisas sem pensar
Cheguei a ser ator
Agora sou só um sofredor
Por tanto fiz o que fiz
Fui obrigado ao desprezo
E não imaginam quanto é difícil
Sorrir
Mas sempre que as lágrimas
Teimam em surgir
Fico firme
Não por muito tempo
Sempre que estive só
Chorei
Sim chorei por tudo
Não pensei que assim fosse
Hoje prefiro morrer a encontrar
Os olhos e a ira que deles parte
E o desejo que tem por mim
Dias depois encontrei Clara na despensa, sentada sobre
um dos balcões. Ela chorava e tinha nas mãos uma
revista velha. Era de uma coleção antiga de minha
mãe, repousava sobre o colo envelhecido como pássaro
morto, a imagem de uma noiva, feliz ao lado do seu futuro marido.
Apenas a abracei, não perguntei nada e ela tampouco falou.
Dias depois encontrei sobre a minha cama a página rasgada
em pedaços. No maior deles estava escrito "Sim,
o amor existe, mas faz sofrer, meu menino, faz sofrer!".
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