Soft Machine
Os Soft Machine foram uma das bandas pioneiras da cena psicad�lica brit�nica e tiveram um papel chave no surgimento do rock progressivo, bem como do jazz-rock. Formaram igualmente o eixo central da denominada fam�lia Canterbury, que inclu�a grupos como Caravan, Gong, Hatfield and the North, Matching Mole, National Health e solistas como Robert Wyatt e Kevin Ayers.
Wyatt (bateria/vozes) e Ayers (baixo/vozes) juntamente com Daevid Allen (guitarra) - que foram, em v�rias alturas, membros do grupo de Canterbury, os Wilde Flowers - juntaram-se a Mike Ratledge (teclados) em Londres para formar os Soft Machine, tocando pela primeira vez em p�blico em Agosto de 1966. O nome foi adoptado de um romance de William S. Burroughs; "soft machine", a "m�quina mole", � o ser humano.
Juntamente com os Pink Floyd e os Tomorrow, fizeram parte da emergente cena underground de Londres e atra�ram rapidamente um grupo de seguidores. Nesse tempo a sua m�sica era uma mistura de pop com extensas passagens instrumentais usando �rg�o, baixo, bateria e vozes. Fraseado surrealista e interactividade instrumental de alguma complexidade (para o rock) davam-lhes uma caracter�stica inovadora. Apenas produziram um single, Love Makes Sweet Music, sem sucesso comercial, at� que Allen, o mais esquizito de um colorido grupo de personagens, foi for�ado a abandonar o grupo por causa de irregularidades com o passaporte que o impediram de regressar ao Reino Unido.
Reduzidos a um trio, os Soft Machine foram ent�o contratados para acompanhar os Jimi Hendrix Experience, na sua tourn� americana de 1968. Pelo caminho conseguiram gravar, em Nova Iorque, e em circunst�ncias dif�ceis, o seu primeiro �lbum: um conjunto de can��es e de pe�as instrumentais que demonstrava capacidades de improvisa��o, surpreendentes para m�sicos com t�o pouca experi�ncia. Entretanto Kevin Ayers abandonou o grupo, devido � tens�o da toun�, e foi substitu�do no baixo pelo amigo Hugh Hopper.
Com seu primeiro �lbum a beneficiar de vendas prometedoras, come�aram a ensaiar para um novo disco no in�cio de 1969 na casa da m�e de Robert Wyatt, no sul de Londres, disco que foi gravado em Abril. A qualidade da grava��o deixava muito a desejar mas as composi��es eram fabulosas. No lado 1 estavam principalmente can��es de Hopper e Wyatt e fragmentos diversos, bem como o fabuloso Hibou, Anemone and Bear, de Ratledge. O lado 2 inicia-se com um par de can��es de Hopper e Ratledge e fecha com os ritmos irregulares e a gin�stica instrumental de Esther's Nose Job, que passou a ter lugar permanente nas actua��es ao vivo dos anos seguintes. Regressaram ent�o �s tourn�s americanas que, de novo, quase iam desfazendo a banda.
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� medida que as composi��es se tornavam mais ambiciosas e complexas, experimentaram com uma sec��o de metais, o que constituiu um desafio musical excitante, mas em termos pr�ticos muito dispendioso para gerir e o projecto acabou por ser abandonado.
Emagrecendo de novo para a forma��o de quinteto com Hopper e Wyatt mais Elton Dean e Lyn Dobson em sopros, o alinhamento respons�vel por Facelift, composi��o que constitui o lado um do �lbum Third, acabaram por regressar � celebrada forma��o de quarteto quando Dobson partiu.
Os dois primeiros �lbuns, baseados na forma��o de trio, tinham mais influentes da corrente rock do que esta nova fase, mas o grupo ajudou a abrir o caminho para muito do jazz rock que surgiu depois. No terceiro �lbum os lados 2 e 4 eram quase inteiramente ocupados com apenas duas extensas composi��es de Ratledge, com uma n�tida influ�ncia do Miles Davis da fase de Bitches Brew, mas com um acento ingl�s. O distintivo som do �rg�o de Lowry era soava nitidamente fora do comum neste contexto.
Come�ou igualmente a sobressair o novo elemento da banda, Elton Dean, com o seu saxello (com um tom ligeiramente mais baixo que o de sax soprano). O lado 1 era uma vers�o ao vivo de Facelift, duas perfomances distintas agrupadas, mas era o lado 3 que parecia em conflito com o resto do disco. Moon in June, de Robert Wyatt, n�o era menos brilhante mas, contudo, parecia pertencer a outra banda, j� que foi virtualmente gravada a solo em Nova Iorque. De certa forma este per�odo marcou o afastamento de Wyatt da banda de que fora co-fundador. As suas excurs�es vocais foram-se transformando numa esp�cie de componente do som de fundo.
A m�sica dos Soft Machine come�ou a mover-se na direc��o do jazz e, uma a uma, as can��es come�aram a ser abandonadas, uma evolu��o que foi deixando Wyatt isolado. Apesar disto a banda fez tourn�s pela Europa e EUA e o desempenho da banda foi excelente e frequentemente inspirado, incluindo as presta��es de Robert.
O album Fourth foi lan�ado no in�cio de 1971 e constituiu o primeiro disco dos Soft Machine sem vocais. A bateria Robert Wyatt integrava-se bem no conjunto, embora mais apagada na mistura do que anteriormente. A caminhada pelo jazz atingiu novo �xtase com a composi��o Teeth, de Mike Ratledge, a sua mais avan�ada obra at� ent�o. Muda constantemente de ritmo e de melodia e o quarteto b�sico � acrescentado, em certos pontos, por sopros adicionais e um duplo baixo. J� n�o era rock, numa altura em que provavelmente tamb�m n�o era considerado jazz mas, fosse o que fosse, era inspirador e revigorante.
Hugh Hopper toma virtualmente conta de todo o lado 2 e cobre tudo desde a execu��o em conjunto at� tortuosas excurs�es de baixo. A presen�a de muito sopro free mostrava a crescente influ�ncia de Elton Dean e, de facto, algumas sec��es eram completas improvisa��es. A integridade art�stica destes desenvolvimentos certamente come�ou a afastar alguns dos f�s psicad�licos que tinham acompanhado o grupo desde o in�cio. Trata-se contudo de mais um brilhante disco de m�sicos talentosos.
Robert Wyatt acabou por abandonar o grupo em meados de 1971. Inicialmente, segundo sugest�o de Elton Dean, foi substitu�do por Phil Howard, um australiano exuberante cujo estilo de bateria era o da escola de Tony Williams. Dean and Howard continuaram a levar a m�sica para �reas de liberdade, talvez mais do que Ratledge e Hopper estavam preparados para aceitar. Os egos e as diferentes filosofias entraram choque e o resultado foi o despedimento de Phil Howard, felizmente n�o antes do in�cio das sess�es de grava��o do quinto �lbum, cujo lado 1 � provavelmente a �ltima afirma��o de for�a dos Soft Machine.
Howard levou a performance musical a novos extremos. All White e Drop eram composi��es de Ratledge de grande excita��o e beleza. Quando Howard foi despedido entrou John Marshall. Apesar das mudan�as, o lado 2 era ainda bom, e Dean em particular. Apesar disso a sensa��o era a de que o fogo do quarteto se tinha extinguido. Dean concordou em fazer mais uma tourn� mas saiu no Ver�o de 1972. O seu substituto, Karl Jenkins (anteriormente nos sopros dos Nucleus, e tamb�m teclista) assumiu a maior parte da composi��o seguinte e a banda integrou-se firmemente na corrente do jazz rock de meados dos anos 70.
O sexto �lbum era duplo, com um disco de est�dio e outro ao vivo. As composi��es de est�dio apresentavam mais qualidade. As contribui��es de Ratledge tinham t�tulos bizarros e eram musicalmente compensadoras. A composi��o de Hugh Hopper que finaliza o disco, 1983, relacionava-se com o seu �lbum a solo, 1984. Efeitos de grava��o, baixo difuzo e outros efeitos de som, bastante experimentais e asustadores.
Hugh Hopper acaba tamb�m por sair ap�s o lan�amento do �lbum Six, por j� n�o existir espa�o para os seus irregulares riffs de jazz. O novo homem foi Roy Babington, um duplo-baixo de jazz que tinha adoptado a guitarra-baixo. O �lbum Seven surgiu no in�cio de 1974, com alguns bons momentos, nomeadamente a escrita de Jenkins e o desempenho musical de Mike Ratledge, mas a m�sica tinha-se tornado um tanto est�ril.
A m�sica dos Soft Machine moveu-se ent�o para �guas de �xtase t�cnico quando a banda recrutou o guitarrista Allan Holdsworth, em finais de 1973. O �lbum subsequente, Bundles, marcou um certo regresso � forma, devido ao dextraordin�rio desempenho de Holdsworth. Allan Holdsworth acabou por sair ao fim de 18 meses e foi substitu�do pelo igualmente competente mas mais vers�til John Etheridge; entrou tamb�m Alan Wakeman (primo de Rick) para o sax.
O �lbum Softs, lan�ado em 1976, continuava o bom trabalho de Bundles, com uma grande variedade de solistas. Este �lbum marcou igualmente a �ltima participa��o de qualquer dos membros fundadores. Mike Ratledge, desiludido, acabou por sair pouco depois do in�cio das grava��es, mantendo-se duas das suas grava��es no final do disco.
Pode afirmar-se que depois da sa�da Ratledge os Soft Machine passaram a ser apenas uma marca comercial, j� que qualquer identidade ou alma do projecto acabou por desaparecer. Continuaram sob a lideran�a de Jenkins e do bateria John Marshall at� 1979, lan�ando mais um �lbum, gravado ao vivo em Paris com v�rios novos m�sicos em palco.
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