Jorge Palma e os "Sindicato"


A primeira experi�ncia profissional de Jorge Palma foi como teclista e cantor dos Sindicato, banda rock que existiu de 1969 a 1971, com ambi��es a ser uma esp�cie de Blood Sweat & Tears portugueses, para o que muito contribuiu a inclus�o de uma sec��o de metais da qual fazia parte R�o Kyao. O facto dos Sindicato terem de coordenar uma s�rie t�o diferente de sonoridades inspirar� Palma a trabalhar como arranjador, carreira que o ajudar� a sobreviver durante parte da d�cada de setenta, ao regressar, depois do 25 de Abril, de uma estadia de um ano na Dinamarca para evitar a chamada � guerra colonial.


Em 1969 Jorge Palma integra o grupo hard/rock Sindicato, ao mesmo tempo que estuda na Faculdade de Ci�ncias de Lisboa. Com a inclus�o de uma sec��o de metais, d�-se a aproxima��o da banda a uma sonoridade mais jazz-rock, acabando por participar na hist�rica 1� edi��o do Festival de Vilar de Mouros, em 1971. Neste Festival coube aos Sindicato, por sorteio, fazer a abertura no dia 7 de Agosto. Para al�m de Jorge Palma em �rg�o, tocaram Edmundo Fal� (viola baixo) e R�o Kyao (sax-alto). O facto da sua actua��o ter decorrido ainda de dia n�o favoreceu a ades�o do p�blico, que parece tamb�m n�o ter apreciado a longa dura��o das m�sicas, que chegavam a atingir os 10 minutos.

Nessa altura, fruto do conv�vio com os v�rios m�sicos da banda - R�o Kyao, Jo�o Mal�, Rui Cardoso, V�tor Mamede, entre outros - come�a a trabalhar a n�vel da escrita musical e comp�e as suas primeiras can��es, curiosamente em ingl�s, acabando por gravar, com o Sindicato, um single e um �lbum de vers�es.


No Sindicato, tocavam Rui Cardoso, Jorge Palma, V�tor Mamede, R�o, entre os outros nove m�sicos que tentavam imitar os Blood Sweat and Tears.


Jorge Palma e Lena d'�gua




Jorge Palma no metropolitano de Paris.

1969 - Jorge Palma, R�o Ky�o, Jo�o Mal�, Vitor Mamede, Rui Cardoso, entre outros. Gravaram o single �Blue Cindy Sweet Sugar�. O �ltimo concerto do Sindicato [Edmundo Fal�, Jorge Palma (org�o) e R�o Kyao (sax alto)] foi em Vilar de Mouros, em 1971.

Doze anos depois, Palma lan�a novo �lbum

Entrevista conduzida por Ana Maria Fonseca in Urbi et Orbi (Maio de 2001) "

Urbi et Orbi - Como � que foi tocar hoje na Covilh�?

Jorge Palma - Foi porreiro, foi �ptimo. E h� v�rias raz�es. Houve muita simpatia, houve uma boa recep��o por parte do p�blico. As condi��es t�cnicas... Bom a ac�stica neste pavilh�o n�o � a melhor. J� toquei por duas vezes no Teatro-Cine e l� t�m melhores condi��es ac�sticas. Mas de resto, foi bom. Foi o reencontro com este guitarrista, o M�rio Delgado, j� n�o toc�vamos juntos h� uns tempos largos. E, foi bom, � sempre um gosto tocar.

U@O - Prefere tocar em espa�os maiores com mais p�blico ou em espa�os mais pequenos?

JP - Se as condi��es forem adequadas gosto de tocar em est�dios, para muita gente. Mas a� � preciso ter muito cuidado com o som, e tamb�m com as pessoas, para que se sintam envolvidas porque se houver falhas t�cnicas as pessoas come�am a dispersar e acabam por n�o captar o que estamos a fazer no palco. S�o coisas muito diferentes. Eu gosto de brincar das duas maneiras, ou das v�rias maneiras. Gosto do trabalho de est�dio tamb�m, gosto dos ensaios, trabalhar sozinho tamb�m � bom. Acordar e ir para o piano ou para a guitarra. Em termos de p�blico gosto porque tenho feito v�rias coisas. Teatros, audit�rios gosto porque as pessoas est�o no seu lugar, mais concentradas, h� mais sil�ncio, menos dispers�o. Mas tamb�m gosto desta brincadeira, com muita gente, alguns j� com os copos...(risos) nas semanas acad�micas normalmente...� o caso.

U@O - Qual � o instrumento preferido, a guitarra ou o piano?

JP - Eu tenho uma rela��o mais antiga, quase desde que nasci, com o piano. A guitarra vem da adolesc�ncia... � um bocado dif�cil responder a isso porque, por exemplo m�sicas que componho ao piano normalmente t�m um car�cter, uma personalidade diferente das que eu componho � guitarra... a guitarra � mais leve, mais transport�vel, leva-se para todo o lado...eu associo mais a guitarra a viagens, a comboios, a hot�is. O piano � mais sedent�rio, mas � o instrumento que conhe�o melhor, que estudei a fundo, de uma maneira organizada. Na guitarra sou um autodidacta, aprendo aqui e ali, com amigos, com pessoas que encontro, com os discos...

U@O - Onde � que se inspira para escrever as m�sicas?

JP - Nas pessoas, naquilo que vou vivendo, nas viagens, nos encontros, nas hist�rias, a que assisto e nas que ou�o contar, em livros, noutros discos e concertos. Em quadros, pe�as de teatro. Misturo um bocado de toda a experi�ncia que tenho. Tudo o que me chega fica c� e depois...�s vezes fa�o um trabalho mais regular, mais seguido, mais constante, no sentido de ...trabalho mesmo. Mas sobretudo acho que � o trabalho di�rio, a experi�ncia. Isto n�o presta, vai para o lixo. Isto j� pode valer qualquer coisa...

U@O - Bob Dylan foi, em termos musicais, uma grande inspira��o. Que outros m�sicos o influenciaram?

JP - Eu ouvi Dylan quando tinha 14, 15, 16 anos mas na altura n�o escrevia can��es. N�o me interessei particularmente por ele at� aos meus vinte e alguns anos. A� levo com o Dylan todo, come�o a receber a informa��o toda das letras, sobretudo das letras e comecei a receber a influ�ncia dele e de outros como o Paul Simon, o James Taylor, uma s�rie de grandes autores americanos. A� era mais virado para as am�ricas. Na minha adolesc�ncia era mais Inglaterra, Beatles, Stones, Animals... Led Zeppelin j� s�o americanos, e posteriores... Tenho tido nuances, por exemplo, abro bastante para o Jazz, at� aos 20 anos, depois para o Country, por causa de encontros que tive em Paris e por a� fora... A m�sica Cl�ssica, umas vezes com mais aten��o, outras... houve alturas em que me desinteressei completamente. Depois voltei... Portanto isto � assim um jogo...

U@O - A liga��o � m�sica � muito antiga. Come�ou a tocar piano tinha cinco anos, foi muito dif�cil o come�o de carreira?

JP - N�o... repare, eu acho que agora posso falar de uma carreira na medida em que h� de facto um compromisso. Neste momento n�o poderia fazer honestamente o que fiz h� vinte anos. � do g�nero, "Eh p�! Tchau, at� qualquer dia", ir-me embora sem prazo de regresso, ou sem saber se regressaria ou n�o. Posso falar em carreira agora, at� com a pr�pria reac��o do p�blico, que me compra mais discos. Porque eu nunca encarei a minha vida musical, ou a minha rela��o com a m�sica como uma carreira. Mas de um modo geral, a minha forma de ganhar dinheiro e de viver tem sido sempre atrav�s da m�sica, da guitarra, escrever e cantar...portanto n�o foi uma coisa premeditada, a minha rela��o com a m�sica foi uma coisa que foi acontecendo, e que eu, de facto, nem sequer considerava uma profiss�o, ou um trabalho.

U@O - De facto sua postura sempre foi descontra�da relativamente � fama e, no entanto, podemos consider�-lo uma lenda viva da m�sica portuguesa...

JP - (risos) Eu rio-me cada vez que me falam nisso. J� � a segunda vez que me chamam lenda viva num espa�o de quinze dias. Eu acho piada...Faz-me ficar um bocado babado. N�o sei, n�o tenho dissociado a m�sica dos outros assuntos da vida, portanto n�o me tem preocupado e mesmo hoje n�o me preocupo muito com o futuro...Apesar de...� evidente a longevidade de uma pessoa n�o tem prazo e gostava de deixar as coisas mais ou menos compostas em termos de...n�o fa�o ten��es de ser rico. Sobretudo de fazer fretes para ter mais dinheiro e isso � uma felicidade que eu tenho tido. Ter uma vida bastante digna e com uma qualidade muito superior, sobretudo � grande maioria das pessoas, portuguesas e no mundo em geral. Faz-me sentir bem, � fazer aquilo que gosto e isso � um privil�gio.

U@O - A preocupa��o com as letras que escreve � not�ria. Qual � a sua musa inspiradora?

JP - Tento equacionar de uma maneira saud�vel para mim, tudo o que me aparece, tudo o que tenho conhecimento. E � claro que isso depois se transmite para as outras pessoas. Procuro ser honesto comigo pr�prio, e n�o me considero nada est�pido. Acho que tenho uma sentido cr�tico apurado, em rela��o a mim pr�prio tamb�m. �s vezes cometo excessos... as minhas bebedeiras... Eu estou neste momento, por uma quest�o de sobreviv�ncia ... abandonei... Acabo por ser uma pessoa mais ou menos equilibrada... Eu tenho vivido mesmo, n�o me tenho deixado manipular, nem subjugar por regras, n�o me tenho deixado seguir por esquemas perigosos que cortam a nossa liberdade. E portanto, quando estou a escrever estou a dizer aquilo que sinto, e aquilo que penso.

Depois houve alguns acidentes de percurso, como por exemplo a tropa. No momento em que tive de ir para a tropa, para a guerra, isso obriga-me a desviar do meu circuito de Lisboa e atira-me para um fosso que � a Escandin�via. Para mim � um choque enorme. Venho de um pa�s latino que vive uma ditadura h� cinquenta anos, no qual eu vivi at� aos vinte e tal anos... Com essa idade, em que a minha personalidade, o meu car�cter est� formado, tem todas as virtudes, todos os v�cios...levo com este choque cultural tremendo. A viver numa comunidade em que eu e a minha namorada �ramos os �nicos portugueses, vamos com o esp�rito de que a mulher � que vai lavar a lou�a e fazer a comida, e l� n�o era nada assim. Um pa�s onde se discutia abertamente pol�tica na televis�o, e em Portugal nem pensar...

U@O - � dif�cil para n�s imaginarmos, apesar de tudo o que se diz, essa repress�o. Como era ser m�sico antes do 25 de Abril?

JP - Era tudo muito cinzento, a pr�pria m�sica... Tudo era apresentado de uma forma cinzenta, era uma chatice. Havia uma severidade, ainda por cima vendo bem, n�o era t�o s�rio como isso. Era um modo de estar muito autorit�rio que era end�mico... toda a gente era autorit�ria por natureza. E havia a inveja e a den�ncia. Havia um esp�rito de den�ncia, era horr�vel. A queixinha... havia uma s�rie de coisas tremendas para um mi�do. Eu fiz tudo o que consegui (nomeadamente as m�s companhias) para me escapar a essa rede e felizmente consegui.

U@O - Passaram cerca de doze anos desde o �ltimo �lbum de originais. Porqu� um interregno t�o grande?

JP - O "Bairro do Amor" foi um disco que gostei muito de fazer e as pessoas, ainda hoje, gostam de ouvir. Sou eu e o piano. J� era a altura. Toda a gente me perguntava "ent�o, quando � que h� um disco novo?" Senti necessidade de me sentar e escrever, n�o uma m�sica, ou uma letra ou uma can��o, mas fazer um todo a que se pudesse chamar um disco. E trabalhei, dediquei-me um bocado a isso, no in�cio do ano passado. Entretanto assinei contracto com a Emi-Valentim de Carvalho para uma s�rie de tr�s discos, dos quais este � o primeiro, isto atrasou tudo. Isto porque h� uma altura antes do Ver�o em que eu fico satisfeito com aquilo que tenho, contacto m�sicos, produtores...Fa�o a lista de convites, combinamos, vamos para est�dio, gravamos o disco. O disco est� pronto em Setembro e era para ter sa�do em Novembro. Entretanto sai a colect�nea da outra editora, da editora anterior, a Universal, que foi um sucesso de vendas...

U@O - Estava � espera desse sucesso?

JP - N�o. De forma nenhuma. Aquilo sai, come�a a ter um impacto enorme... eu disse "Eh l�!" Por um lado foi bom, porque foi disco de ouro, foi o meu primeiro disco de ouro da minha vida, a solo, sem ser Rio Grande, sem ser a colaborar com outras pessoas, e aquilo est� bem feito, bem apresentado...Est� feito com gosto. Por outro lado atrasou-me a sa�da do disco de originais.

U@O - Tendo em conta o panorama musical da actualidade, acha que � poss�vel construir- se uma carreira sem ceder a press�es?

JP - Eu acho que agora � mais dif�cil, mas eu vivi a minha carreira assim. Para j� havia menos pessoas a fazerem aquilo que eu sabia fazer. O meio era muito mais pequeno, havia um canal de televis�o, s� depois surgiu a TV2, havia muito poucas editoras, e eu conhecia toda a gente, os m�sicos que andavam a�, toda a gente se conhecia. A gente fazia festas uns com os outros, havia poucos concertos tamb�m, mas era f�cil, se houvesse qualidade, era o meu caso... Tinha garra, tinha j� alguns conhecimentos musicais, tinha uma grande vontade de ouvir o que vinha l� de fora e o que era feito c� tamb�m, de fazer melhor...sobretudo a partir da minha tomada de conhecimento do S�rgio Godinho, do Jos� M�rio Branco, toda essa malta e Zeca Afonso tamb�m, � claro. E �ramos quase da mesma idade. Tenho menos tr�s, quatro anos do que eles, mas na altura era mais puto, era o puto.

Fui aprendendo...E de facto abriram-me as portas para muitas experi�ncias. � evidente que n�o se vendia discos quase nenhuns. Uma edi��o de quinhentos discos vendida j� era bom...Mas eu tinha capacidade de fazer arranjos, trabalhei com a Am�lia, com a Tonicha, com o Paco Bandeira, sei l�, com muita gente. Eu escrevia as partituras para v�rios instrumentos...Por isso, mesmo sem ser com as minhas m�sicas, eu a cantar, eu conseguia sobreviver da m�sica. E aprender ao mesmo tempo. Embora n�o seja evidente, n�o toco como um m�sico de jazz (a minha onda � mais blues e rock) � algo que eu ou�o muito. Claro que todas estas experi�ncias no mundo da m�sica me influenciaram.

E eu dei-me ao luxo de "adeusinho, vou-me embora", e gravo o primeiro LP e desapare�o... Depois quando volto digo "olha, j� tenho umas m�sicas novas. Quem quer gravar isto?" Sabia da primeira editora que estava interessada, "bora, grava-se".

U@O - Depois de tantos anos na estrada, ao olhar para tr�s que balan�o pode ser feito?

JP - Um balan�o da minha carreira... eu acho que tenho sido um privilegiado, por chegar aos 51 anos, ser o homem que eu sou, fazer tudo o que tenho feito, estou nisto h� vinte anos e d�-me imenso gozo. A idade para mim n�o tem constitu�do uma barreira, o que me deixa um bocado sossegado. Sempre me senti bem. Desde ir tocar para o metro, em Paris e por a� adiante, at� gravar discos, dar concertos, acho que tenho conseguido conjugar as coisas. At� inclusivamente a vida familiar, apesar de dar um bocado para o torto, �s vezes. De qualquer maneira, sinto-me contente com a vida que tenho levado.

U@O - Entre a aventura de andar pelo mundo, a tocar em ruas onde ningu�m o conhece, ou a estabilidade de contratos e concertos agendados, o que � que prefere?

JP - Eu sinto-me mais livre se me for embora amanh�, sem saber para onde, se for andando. E parar onde quiser, e tocar onde quiser...Em termos de liberdade isso � muito mais pleno. Por outro lado isso tamb�m tem um bocado a ver com a idade. Fazer isso aos cinquenta anos torna-se mais dif�cil. As pessoas acham menos gra�a. D�o menos dinheiro, n�o �? Uma pessoa est� numa esplanada, aparece um mi�do ou uma mi�da de 19 anos, cheio de vida, as pessoas t�m gosto em contribuir para que essa felicidade continue, essa alegria, esse esp�rito. Aparece um gajo j� de cinquenta e tal anos, o pessoal diz, "Eh, p�! Vai trabalhar!"

Eu houve vezes que (n�o foi h� muito tempo) eu �s vezes, quando vou l� fora fa�o essa experi�ncia, pegar na guitarra, por exemplo no metro de Paris, ou em It�lia, e tocar aquelas coisas..."How many roads must a man walkdown...",ou can��es minhas, tamb�m pode ser, para eles n�o perceberem. Lloyd Cole, ou Bowie... Hoje tenho umas amarras que n�o tinha, quando me atirei para o escuro...Para o escuro ou para a luz... Eu n�o sei se hoje aguentava tipo sete horas por dia em esplanadas, a berrar continuamente, depois vai mais uma imperial, mais dez can��es de seguida...Depois passar o chap�u, receber o dinheiro, parar cinco minutos e ir para outra esplanada. Ou para outra paragem de metro, ou para outra esta��o de comboio...


Discografia de Jorge Palma
�lbuns de Est�dio
  • Com Uma Viagem na Palma da M�o (1975)
  • 'T� J� (1977)
  • Qualquer Coisa P� M�sica (1979)
  • Acto Cont�nuo (1982)
  • Asas e Penas (1984)
  • O Lado Errado da Noite (1985)
  • Quarto Minguante (1986)
  • Bairro do Amor (1989)
  • S� (1991)
  • Jorge Palma (2001). Na capa: "� Proibido Fumar". Can��es:
  • Dormia T�o Sossegada
  • Tempo dos Assassinos
  • Sete (est�-se tudo a passar)
  • Quem �s Tu, de Novo
  • Olhos de Catarina
  • Duas Amigas
  • Esp�cie de Vampiro
  • Beijos e Papas de Leite
  • Disse F�mea
  • Sonhadores Inatos
  • Do Pobre B.B.
  • Trap�zio
  • Vinte e Cinco Raz�es de Esperan�a (c/ Ilda F�teira) (2004)
  • Norte (2004)
  • Voo Nocturno (2007)
  • Singles
  • The Nine Billion Names of God (1972)
  • O Pecado Capital (c/ Fernando Gir�o) (1975)
  • Viagem (1975)
  • Deixa-me Rir (1985)
  • Dormia t�o sossegada (2001)
  • Valsa de um homem carente (2004)
  • Encosta-te a Mim (2007)
  • EP's
  • A �ltima Can��o (1973)
  • Ao Vivo
  • Palma's Gang - Ao Vivo no Johnny Guitar (1993)
  • No Tempo dos Assassinos - Teatro Villaret - Junho de 2002 (2002)
  • Voo Nocturno ao Vivo (2008)
  • Colect�neas
  • Deixa-me Rir (1996)
  • O Melhor dos Melhores (1998)
  • Cl�ssicos da Renascen�a (2000)
  • D�-me Lume - O Melhor de Jorge Palma (2000)
  • O Melhor de 2 [CD 1: S�rgio Godinho] (2001)
  • A Arte e a M�sica (2004)
  • Estrela do Mar (2004)
  • Deixa-me Rir (2005)
  • Grandes �xitos (2006)

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