POESIAS DE 1997 - M�RIO VIGNA
Evolu��o destrutiva�
Essa noite ganhei asas,
transformei-me num ser alado
com asas luminosas�
Depois de voar e pousar
� beira do Lago Azul,
voei pela noite fria,
voei sobre uma cidade enorme
e vi que l� todos obedeciam
as leis dos homens;
todos obedeciam os mandamentos
e os ju�zos de Deus;
todos se amavam,
todos eram conscientizados
e respeitavam a vida;
havia empregos para todos
e n�o havia ladr�es
nem foras da lei
de nenhuma esp�cie�
os pr�dios eram de �ltima gera��o,
as cal�adas eram largas
e as ruas, todas limpas;
n�o havia trai��o entre os casados
e todos os filhos
respeitavam seus pais�
Todos os carros eram el�tricos
inclusive os �nibus, os caminh�es
e o metr�;
- n�o polu�am
o meio ambiente
de nenhuma forma.
O sistema de sa�de
funcionava perfeitamente
e o sistema judici�rio
era uma maravilha;
Em cima dos poucos
muros que havia
ao inv�s de cacos de vidro
e lan�as, - havia flores!
At� que acordei
com o sol que sobe
e desce e com o vento
que vem para o sul
e volta para o norte�
Havia sonhado
com uma cidade
que n�o existe,
que nunca vai existir!
�- Acordei!�
�Acordei� com o cheiro
de �tomos queimados!
Olhei para o horizonte
e vi o cogumelo at�mico,
formado de gases aquecidos,
poeiras, cinzas, vapor d��gua
e outras part�culas.
1945, a bomba A
devasta Hiroshima!
Bomba A:
Bomba At�mica.
At�mica:
Referente ao �tomo;
�tomo:
A menor fra��o de um elemento;
� constitu�do essencialmente
de um n�cleo (que cont�m s� pr�tons
e el�trons onde praticamente
concentra-se a massa do �tomo)
e uma coroa externa
(constitu�da s� de el�trons)
�tomo, a menor part�cula da mat�ria,
ah! o homem j� descobriu uma part�cula menor,
o homem evoluiu, -
o homem evoluiu! ha! ha! ha!
Ur�nio:
Elemento qu�mico, metal radioativo,
s�mbolo U, de peso at�mico 238,14
e n�mero at�mico 92;
Plut�nio, n�mero 94;
estr�ncio, n�mero 38;
c�sio, n�mero 55;
Bomba B (evolu��o destrutiva�)
Calor at�mico:
Capacidade de derreter tudo
em fra��o de segundos�
Poderia falar e falar�
N�o estive l�, mas posso ver
o cogumelo at�mico
e tudo fritando,
posso ver os corpos esturricados,
posso ouvir os gemidos nos por�es,
posso ver as valas p�tridas
com dezenas de corpos,
�vitimas dos chefes de estado��
O homem vive em tempos modernos,
h� os que evolu�ram mentalmente,
mas os que ainda
pensam e agem quais
nossos �supostos� trogloditas ancestrais!
O mundo d� voltas:
Os insanos e os injustos
acumulam seus trof�us,
vencem as guerras,
mas nunca venceram
a guerra que travam
dentro de si mesmos!
�Felizes os homens honestos
que dentro de si
correm rios de paz!��
24/01/1998 - 11h13
Solid�o.
O trov�o ecoa
no precip�cio�
O vento assovia
no precip�cio�
A alma rasgada geme
no precip�cio�
�P�ssaros de ferro voam
cortando milhares de quil�metros.�
O pensamento vaga,
o homem segue para onde quer!
O homem � a dor;
O homem � a ang�stia;
O homem � a felicidade;
O homem pode ser tudo -
ou nada�
O leigo geme
no quarto escuro!
Indecisos vivem
em cima do muro�
O ladr�o vive sob a mis�ria�
O vampiro vive na noite�
O traidor paira na esquina�
- O viciado vive nas trevas!
(O pensamento vaga no precip�cio!)
06/12/1997 - Tel�maco Borba/PR
FUTURO ESCASSO.
O tempo segue
de segundo em segundo�
(- A vida passa!)
A cada p�r do sol
aproxima-se a morte�
(Sanguessugas aos redores�)
De passos em passos
caminha o presente:
- GENTE, GENTE!
Est�o varrendo
no repente,
devorando florestas,
matando le�es e serpentes�
Desvario, fartura agora;
Escassez no futuro:
- Castigo que vem
de um horizonte pr�ximo!
17h56 - 31/05/1997
Valor de uma conversa:
Sentimentos
tangem o seio do poeta�
Brotam da mente
versos e mais versos,
lentamente segue
construindo a estrofe,
expressando a id�ia,
numa oitava; - para.
(Pula para a d�cima, depois � quintilha
pausando na parelha.)
Escadas, portas, janelas,
tantas sa�das e entradas�
caminha o humilde poeta
entre as linhas do papel.
(Versos espremidos�)
[M�goas cercam,
sufocam o ignorante
que se fecha em seu mundo.]
Mundo confuso, estranho, vil;
- de um s� ser�
Mundo, mundo louco, confuso,
estranho, torto!
Por�m, mundo que pode ser vencido
sob uma conversa,
pura, sincera�
(Estado febril,
- que s� vive quem quer�)
11h45 - 26/07/1997
Lago Azul...
Ruflei as asas com viol�ncia
espanando o p� �cido
que impreguinava meu corpo nu.
Voei pela noite adentro
pousando �s margens
do profundo Lago Azul -
plano, silencioso�
Pousei:
- Olhei meu rosto p�lido
mergulhado na �gua escura:
A dor torturava minhas entranhas,
me impedia de pensar.
Contava triste os segundos, (tantos!)
que escorriam pelos buracos do tempo!
Sentia-me qual uma serpente sem presas
rastejando pelas areias
quentes da Costa do Esqueleto;
Sentia o buraco negro
que crescia dentro de mim,
quase dissolvendo minh�alma�
Olhei para as �guas frias do Lago Azul,
vi meu rosto cercado por diamantes
refletidos na �gua escura:
- Naquele momento estranho:
compreendi meu valor!
Voei de volta pela noite fria,
voei baixo para n�o me chocar
com o manto negro
forrado de diamantes�
(Ruflei as asas que a imagina��o me deu!�)
20/071997 - 10h20
AMOR SUPREMO
Sentindo a dor invocar
a morte num jogo negro,
triste e torpe do destino.
- Fixo, vi o futuro e gozo
desfazer-se em desatino...
Agonizante a rogar
pedi socorro ao Senhor:
(Estava atirado ao limo)
Mas ao Todo Poderoso,
o problema � pequenino!
Pedi que mandasse um anjo:
Veio um ser iluminado
de grandeza incalcul�vel;
dissipou toda a tristeza,
iluminou minha vida...
Considerou meu desejo,
finalmente fui curado,
de uma dor intermin�vel;
trouxe-me a maior riqueza;
- Ganhei Suprema guarida!...
22h13 - 08/07/1997
Vida nova...
Forma.
Forma branca:
Bela, bondosa...
Surgiu das nevoas
para guiar-me
na escurid�o!
Forma.
Forma que encanta:
Doce, carinhosa...
Aliviou minhas m�goas
libertou-me
da pris�o!
Forma.
Forma que espanta:
clara, vaporosa...
Ama as pessoas
trabalha
com venera��o!
� Deus pedi
num momento de medo,
d�vidas, tristeza, dor...
Rasgaram-se as cortinas
negras que barravam
o meu redor...
Obrigado, obrigado SENHOR...
11h05 - 09/07/1997