Hist�ria do maculel�
O Maculel� passou  a  ser  coreografado  com uma entrada em fila indiana e com os figurantes fazendo evolu��es em duplas. Dentre todos os folguedos existentes em  Santo Amaro, cidade marcada pelo verde dos canaviais, o Maculel� era o mais rico em cores. Seu ritmo vibrante contagiava a todos.
De  impressionante  efeito  pl�stico, o  Maculel�  pode  ser  coreografado  com  bast�es,  fac�es  ou at� com bast�es terminando em chamas. Os  participantes  se  presentam com vistosas fantasias e pinturas pelo corpo, inspiradas nas tribos africanas. A fantasia do Maculel�  conta  de  uma  esp�cie de  sarongue  feito  om um tipo de "palha". Ao centro, participantes se apresentam com os rostos cobertos pelo mesmo material. Com os troncos nus,  os f igurantes  do Maculel�  ganham  maior  amplitude  de  movimentos para a pr�tica  da dan�a.  H� quem diga que  o Maculel� era um divertimento que os escravos praticavam nas senzalas, mas na verdade, s�o contradit�rias  e  pouco  esclarecidas suas  origens. Tem-se  como  um ato popular de origem africana que teria florescido no s�culo XVIII nos canaviais  santo-amarense  e que se integrara, h� mais de duzentos anos, nas comemora��es daquela cidade. Um dos seus registros mais significativos consta de nota f�nebre publicada pelo jornal "O Popular" (10/Dez/1873), que circulava em Santo Amaro: "Faleceu no  dia  primeiro  de  dezembro  a  africana Raimunda Quit�ria, com a idade de 110 anos. Apesar da idade, ainda capinava e varria o adro (terreno em volta) da igreja da Purifica��o, para as folias do Maculel�.
No in�cio deste s�culo, com  a morte dos grandes mestres de Maculel� daquela cidade, o folguedo come�ou a desaparecer, deixando de constar, por muitos anos, das festas da padroeira. Em 1943, outro mestre, Paulino Alu�sio de Andrade, conhecido como Pop� do Maculel�  e  considerado  como  "pai do Maculel�,  no Brasil", reuniu parentes e amigos para ensin�-los a dan�ar, com base nas suas lembran�as, pretendendo  inclui-lo  novamente  nos festejos  religiosos locais. Seu grupo passou a ser conhecido como "Conjunto de Maculel� de Santo Amaro".
A respeito,  a  pesquisadora  Hildegardes Vianna  chama  �  aten��o  para  uma  remota  efer�ncia quanto a exist�ncia de  "uma dan�a esquisita de  gente  preta da ro�a,  que  aparecia  nos  festejos  de N. S. da Purifica��o". Entretanto, � atrav�s dos estudos de Manoel Querino (1851-1923) que se encontram indica��es de tratar-se o Maculel� de  um fragmento  de Cucumbi, uma dan�a dram�tica em que  os  negros  batiam  peda�os  roli�os  de madeira, acompanhados por cantos. Em seu "Dicion�rio de Folclore Brasileiro", Lu�s da C�mara  Cascudo  aponta  a  semelhan�a  do Maculel�  com os Congos e Mo�ambiques. Em�lia Biancardi escreveu um livro de t�tulo "Olel� Maculel�", considerado como um dos estudos mais completos sobre o assunto.
Os exemplos acima citados j� servem para demonstrar o grau de incerteza que persiste com rela��o �s poss�veis interpreta��es sobre os prim�rdios  do Maculel�.  Mesmo  considerando  que  j� n�o vivem os praticantes primitivos dessa dan�a, devem por certo existir ainda valiosos documentos in�ditos  com  dados  esclarecedores,  para subsidiar elabora��o de hip�teses mais consistentes a respeito dessa manifesta��o, t�o pouco estudada nos dias de hoje.
Era em Santo Amaro da Purifica��o, no rec�ncavo  baiano, que se dan�ava o Maculel�, dentro das   celebra��es profanas locais, comemorativas do dia de  Nossa Senhora da Purifica��o (2/Fev.), a santa   padroeira da cidade. No restante  do  estado da Bahia,  desconhecia-se  o folguedo.  Essa manifesta��o de forte express�o dram�tica, ponto alto  dos folguedos  populares, destinava-se a  participantes do sexo masculino que dan�avam em grupo, batendo as grimas (bast�es) ao ritmo dos atabaques e ao som de c�nticos em linguagem popular, ou em dialetos africanos. Originalmente, o Maculel� era coreografado em c�rculo, com uma dupla de participantes dan�ando no centro, comandada pelo mestre. Atualmente, adaptou-se a dan�a para exibi��es folcl�ricas.
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