| His�ria de Besouro Mangang� |
| A cren�a de que tinha poderes sobrenaturais veio logo, confirmando o motivo de ter ele sempre que carregar um "patu�". De trem, a cavalo ou a p�, embrenhando-se no matagal, Besouro dependendo das circunst�ncias, saia de Santo Amaro para Maracangalha, ou vice-versa, trabalhando em usinas ou fazendas. Conta o seu primo e aluno Cobrinha Verde que, estando Besouro sem trabalho ele foi a Usina Col�nia (hoje Santa Eliza) em Santo Amaro, l� estando trabalhando, uma semana depois no dia do pagamento o patr�o, como fazia com os outros empregados, disse-lhe que o sal�rio havia "quebrado" , Isto �: n�o pagaria coisa alguma. Quem se atrevesse a contestas era surrado e amarrado num tronco durante 24 horas. Foi ent�o que Besouro esperou que o empregador lhe chamasse e quando o homem repetiu a c�lebre frase, foi segurado pelo cavanhaque e for�ado a pagar depois de levar ma tremenda surra. Misto de vingador e desordeiro, Besouro n�o gostava de policiais e sempre se envolvia em complica��es com os milicianos e n�o era raro tomava-lhes as armas, conduzindo-os at� o quartel. Certo dia obrigou um soldado a beber grande quantidade de cacha�a. O fato registrou-se no Largo de Santa Cruz, um dos principais de Santo Amaro. O militar dirigiu-se posteriormente � caserna comunicando o ocorrido ao comandante do destacamento, Cabo Jos� Costa, que incontinente designou 10 pra�as para conduzir o homem preso morto ou vivo. Pressentindo a aproxima��o dos policiais, Besouro recuou do bar e, encostando-se na cruz existente no largo, abriu os bra�os e disse que n�o se entregava. Ouviu-se violenta fuzilaria, ficando ele estendido no ch�o. O cabo Jos� chegou-se e afirmou que o capoeirista estava morto. Besouro ent�o ergueu-se, mandou que o comandante levantasse as m�os, ordenou que todos os soldados fossem e cantou os seguintes versos: "L� atiraram na cruz, eu de mim n�o sei, se acaso fui eu mesmo, ela mesmo me perdoe. Besouro caiu no ch�o fez que estava deitado, A pol�cia, ele atirou no soldado, v�o brigar com caranguejos que � bicho que n�o tem sangue, Pol�cia se briga, vamos pra dentro do mangue". As brigas eram sucessivas e por muitas vezes Besouro tomou partido dos fracos contra os propriet�rios de fazendas, engenhos e policiais. Empregando-se na Fazenda do Dr. Zeca, pai de um rapaz conhecido por Memeu, Besouro foi com ele �s vias de fato, sendo ent�o marcado para morrer. Homem influente, o Dr. Zeca mandou pelo pr�prio Besouro, que n�o sabia ler nem escrever, uma carta para um seu amigo, administrador da Usina Mara cangalha, para que liquidasse o portador. O destinat�rio com rara frieza mandou que Besouro esperasse a resposta no dia seguinte e pela manh�, logo cedo, foi buscar a resposta, sendo ent�o cercado por cerca de 40 soldados, que incontinente fizeram fogo, sem contudo atingir o alvo. Um homem entretanto, conhecido por Eus�bio de Quibaca, quando notou que Besouro tentava afastar-se gingando o corpo, chegou-se sorrateiramente e desferiu-lhe violento golpe com uma faca de ticum. Manuel Henrique, o Besouro Mangang�, morreu jovem, com 27 anos, em 1924, restando ainda dois dos seus alunos Rafael Alves Fran�a, Mestre Cobrinha Verde e Siri de Mangue. Hoje, Besouro � s�mbolo da Capoeira em todo o territ�rio baiano, sobretudo pela sua bravura e lealdade com que sempre comportou com rela��o aos fracos e perseguidos pelos fazendeiros e policiais. |
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| Conta a historia que o velho escravo tio Al�pio tinha grande admira��o pelo filho de Jo�o Grosso e Maria Haifa. Era o menino Manuel Henrique que desde cedo aprendeu, com o Mestre Al�pio, os segredos da capoeira na rua do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purifica��o, sendo "batizado" como "Besouro Mangang�" por causa da sua flexibilidade e facilidade de desaparecer quando amea�ado. Negro forte e de esp�rito aventureiro, nunca trabalhou em lugar fixo nem teve profiss�o definida, Quando os advers�rios eram muitos e ele n�o tinha a vantagem da briga, "Besouro" sempre dava um jeito e desaparecia. |