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Max
Weber
resumo de sua doutrina
Vida
e obra: Max Weber nasceu no dia 21 de abril
de 1864 em Erfurt, Turíngia, em uma família de alta classe
média. Seu pai era um conhecido advogado e orientou seu filho
nas práticas de disciplinas humanas. Na universidade dedicou-se
a economia, história, direito e filosofia. Em 1889 escreve a
tese de doutorado sobre a história das companhias de comércio
na Idade Média e em 1891 a tese História das instituições
agrárias. Em 1903, participa da direção de uma
das maiores publicações de ciências sociais da Alemanha.
Em 1904, publica ensaios sobre os problemas sobre a objetividade nas
ciências sociais e a primeira parte da Ética protestante
e o espírito do capitalismo.Em 1914 é dado início
da Primeira Guerra Mundial onde Weber foi capitão. Falece em
conseqüência de pneumonia aguda em 1920.
Contexto
histórico-social: Os estudos científicos dos fatos
humanos começaram a se constituir em meados do século
XIX ao lado do triunfo das ciências naturais (como biologia, física,
etc.) e transformações da vida material do homem depois
da Revolução Industrial. Depois do caminho metodológico
indicado por Galileu, os pensadores buscaram conhecer cientificamente
os fatos sócio-humanos. (Émile Durkheim é considerado
o fundador da sociologia como disciplina cientifica). Mas alguns pensadores
apontaram o problema que os fenômenos naturais são externos
ao homem e, assim, não prestaria um método cientifico
para estudar o aspecto social do homem. Pois o cientista social quer
saber o que é o homem junto a sua experiência, utilizando
a intuição direta (conhecimento imediato, sem mediação)
dos fatos e não buscar atingir generalidades matemáticas,
mas descrições qualitativas da vida humana.
Ao contrário, inspirados no romantismo de Hegel e Schleiermacher,
temos os antipositivistas que defenderam a distinção entre
ciências humanas e ciências naturais. Um dos expoentes desse
pensamento foi Wilhelm Diltley que discerniu ‘explicação’
de ‘compreensão’. ‘Explicação’ é o método
das ciências naturais, onde se estabelece relação
causal entre os fenômenos; e a ‘compreensão’ é o
método das ciências humanas, onde se visa o processo permanente
dos homens e donde se extrai dos sentidos que são dados na experiência
do investigador e que podem ser empaticamente apreendidos por outros
homens. Mas Diltley é considerado hoje um filósofo e não
um cientista social. Com os pressupostos de Diltley é que aflorará
Max Weber.
Compreensão
e explicação: No sentido de compreensão
apontada por Deltley e reafirmado (a seu modo) por Weber, compreende-se
qual o objeto da sociologia – “é a captação da
relação de sentido” da ação humana. Conhecer
um fenômeno social seria extrair o conteúdo simbólico
da ação que o configura. Ação é o
sentido pensado que é referido ao comportamento dos outros, orientando
por ele o seu próprio comportamento. Não é possível
‘explicar’ como por causas e efeitos, mas apenas compreende-lo como
um fato com sentido, i.é, como algo que aponta para outros fatos
e somente em função do que pode ser compreendido em sua
amplitude.
O método compreensivo consiste em entender o sentido do que as
ações de um indivíduo contêm e não
só o aspecto exterior das ações. Um exemplo: se
um homem dá um papel para alguém, isso não importará
para a ciência social, mas se esse pedaço de papel é
um cheque, p.ex, essa ação é carregada de sentido.
Esse fato não se esgota em si, mas aponta para um complexo de
significações sociais – essas duas pessoas do exemplo
atribuem aquele pedaço de papel uma função reconhecida
por uma comunidade inteira.
Essa captação de sentidos não pode ser realizada
apenas pelos procedimentos metodológicos das ciências naturais.
As leis sociais estabelecem relações causais em termos
de regras de probabilidade, que dessas, segue-se outros processos. Essas
leis referem-se aos comportamentos com sentido que explicam os processos
particulares. Para isso ser possível, Weber fala dos ‘tipos ideais’,
que representam o primeiro nível de generalização
de conceitos abstratos (extraídos dos fenômenos) ligados
ao particular.
O
tipo ideal: Opõe-se ao das ciências naturais. É
um processo de conceituação que abstrai de fenômenos
concretos o que há de particular construindo um “conceito histórico-concreto”.
A conceituação generalizadora das ciências naturais
(expressão) retira do fenômeno concreto o que ele tem de
geral, regularidades entre fenômenos de mesma classe.
O tipo ideal expõe como se desenvolveria uma forma particular
de ação social se o fizesse racionalmente em direção
a um fim e se fosse orientada de forma a atingir um e somente fim. Trata-se
de um desenvolvimento ideal, objetivamente possível. É
vazio de conteúdo real. Depuram-se os fenômenos reais por
análise dos mesmos para, depois, reconstruí-los. Em casos
de tipos complexos (com várias propriedades) essa reconstrução
assume a forma de síntese, o idealizando nas abstrações.
Não é nem de ordem hipotética nem de ordem proposicional.
Weber usa duas vias para compreensão desse método: primeiro
apreende-se dos fatos sua maior ou menor aproximação com
o tipo ideal. Depois levanta-se uma hipótese explicativa. Verifica-se,
racionalmente e idealmente, qual o fim e depois, se houver problemas,
observa-se os fatores irracionais que levaram à conturbação.
Uma ação é racional quando formulada claramente
em seu objetivo para um conjunto de valores. Weber estabelece um sistema
compreensivo de conceitos da análise inter-relacionais entre
os fenômenos sociais. Weber trata do problema de uma ação
tradicional (costumeira) ser desacreditada como possível de uma
ação pura. Dos conceitos mais gerais do comportamento
social formula-se novos conceitos mais específicos pormenorizando
as características concretas.
Observa-se que as singularidades históricas resultam de generalização
(síntese).
O
capitalismo e o protestantismo: Weber fez um estudo interpretativo
das relações entre as idéias e atitudes religiosas
e organizações econômicas no desenvolvimento histórico
em Sociologia da religião, assim como (a seu modo) fez Karl Marx.
O materialismo histórico de Marx transformava o fator econômico
no elemento determinante de todas as estruturas sociais e culturais,
o que não foge a religião. Semelhante a esse sentido,
outros autores buscaram examinar se não eram a raça, o
clima, as idéias filosóficas, o poder político
e as convicções morais esses fatores. A conclusão
de Weber a esse respeito é que o capitalismo não poderia
ter surgido sem uma natureza religiosa na base. Weber fez comparações
entre países capitalistas e alguns paises orientais. Descobriu,
com isso, que havia um vínculo entre o capitalismo e o protestantismo.
“Em países de composição religiosa mista é
fato que os líderes do mundo dos negócios e possuidores
do capital (principalmente os de empresas modernas), são protestantes”.
Os protestantes têm tendência a um racionalismo-econômico.
O ‘espírito do capitalismo’ é constituído pela
ética peculiar examinada nos discursos de Benjamim Franklin (1706
– 1790) – uns dos líderes na independência do EUA (representante
dos colonos americanos e do espírito pequeno-burguês) –
trata de um utilitarismo com conteúdo moral. O aumento do capital
é considerado um fim em si mesmo e dever do indivíduo.
É a ética de obtenção de mais e mais gozo
espontâneo de vida (mais dinheiro para ser feliz).
Examinando a influência do protestantismo no capitalismo, Weber
concluiu que essa fonte não pode ter vindo de Lutero, pois a
vocação religiosa aqui é algo aceito como ordem
divina e que o indivíduo apenas adapta-se, levando à submissão.
Mas o capitalismo teria forte influência na seita de Calvino.
O calvinismo trata do isolamento espiritual do indivíduo em relação
a Deus pela racionalização do mundo, que opõe-se
a uma mágica para a salvação. Só uma vida
reflexiva obtém vitória sobre o natural (volta ao ascetismo).
“O trabalho constitui (...) a finalidade da vida”. “A vida profissional
dá ao homem prova do estado de graça para a consciência
e o cumprimento da vocação”.
O trabalho, para os calvinistas, é o mais forte instrumento de
ascese e o mais seguro meio de preservação da redenção
da fé. (A maior alavanca de expressão da concepção
de vida constituída pelo espírito do capitalismo). O capitalismo
não é puramente conseqüência da Reforma, mas
ajudou a moldar e fazer o inverso: com o capitalismo influencia o protestantismo.
Autoridade: Weber fez
muitas investigações empíricas sobre assuntos de
economia e política. A política entendida de duas formas:
a política geral e a política restrita. A política
geral é relativa a “qualquer tipo de liderança independente
em ação”. A política restrita é relativa
a liderança do Estado, i.é, tipo de uma associação
específica. Weber se conduz a desdobrar a natureza dos elementos
essenciais que constituem o Estado e assim chega ao conceito de autoridade.
Para haver Estado é necessário que um conjunto de pessoas
obedeça à autoridade alegada pelos detentores do poder.
Esse conjunto de pessoas deve reconhecer a autoridade como legítima.
Weber trata de três tipos básicos de autoridade:
A autoridade racional-legal – que fundamenta a dominação
das virtudes da validade do Estado legal e funcionalidade, baseada em
regras racionais. É também universalista. Os limites desta
estão na competência. Quando se envolve um corpo administrativo
organizado torna-se uma estrutura burocrática.
A autoridade tradicional – considera a tradição reconhecida
como válida. O sistema é definido onde o poder é
prescrito segundo uma ordem tradicional.
A autoridade da dominação carismática – que se
opõe à ordem estabelecida. Tem um caráter revolucionário.
Onde o povo tem lealdade de tipo pessoal com o líder. Donde decorre
mudança estrutural.
::: b i b l i o
g r a f i a
História das grandes idéias do mundo ocidental.
São Paulo: 1972, Ed.Abril Cultural. V. III. p.725. (Os pensadores)
prof . v
i c t o r . n a i
n e
Petrópolis, dia 12 de Setembro
de 2005
   
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