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: v i c t o r . n a i n
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Platão nasceu a 428a.C em Atenas (Grécia), membro de uma
família aristocrata. Foi discípulo do filósofo
Sócrates durante os dez últimos anos de sua vida, antes
de ser condenado à morte (vide o resumo ‘Sócrates’). Antes
de retornar a Atenas e fundar a sua conhecida Academia (em 387 a.C,
que recebeu esse nome por se situar no ginásio de Academos),
Platão viajou muito em busca de conhecimento onde, em uma de
suas viagens, estudou com os pitagóricos, o que teve grande contribuição
em seu pensamento.
Para a história
da filosofia, Platão é considerado um dos mais influentes
e é dele (em conjunto com seus pensamentos socráticos)
que se origina a primeira formulação do pensamento clássico
que perpetua até os dias de hoje, devido as suas preocupações
éticas e políticas e a sua formulação da
teoria do conhecimento (epistemologia), que é o ponto de partida
do projeto filosófico, e que também envolve questões
de imensa relevância: qual a possibilidade do conhecimento e qual
o método para se chegar a ele? Em suma, a resposta pode ser resumida
pelos sentidos e a razão em vista dos objetos. O conhecimento
também pode ser caracterizado como a posse de uma representação
correta do real. Platão procura dar a resposta para como se formar
essa representação.
É importante reconhecer
o papel de árbitro da filosofia que passa a fundamentar toda
uma cultura com análise crítica, e também que a
filosofia é uma outra forma de reflexão diversa da retórica,
do mito e também da concepção pré-socrática
de filosofia. A filosofia deve buscar a certeza através da razão,
com um discurso legítimo e de caráter universal e necessário.
Portanto é a base para os demais discursos.
Platão busca demonstrar
as dicotomias naturais e importantes para o saber: opinião e
verdade, desejo e razão, interesse particular e interesse universal,
senso comum e filosofia. Para isso é importante saber do que
se trata o seu método dialético.
O método dialético
tem esse nome devido ao método de Sócrates de se extrair
(‘parir’), do interior do sujeito, a verdade a respeito do objeto em
questão discutido em um diálogo. Daí o nome de
muitos textos de Platão a respeito da filosofia de seu mestre.
Essa coletânea chama-se “Diálogos Socráticos”.
A metafísica e
a dialética buscam denunciar a ausência de fundamentos
nos discursos diversos, mostrando as aparências e opiniões.
É a resposta para a situação injusta do mundo histórico.
A filosofia para Platão
também é um projeto político que visa transformar
as realidades sociais, levando em conta que Platão era contra
a democracia e defendia o nascimento de uma aristocracia do saber.
A opinião não
da conta do caráter convencional da linguagem. É preciso
buscar, antes de tudo, as definições do que está
sendo abordado com toda a clareza possível, deixar claros os
significados em questão dos determinados significantes. A dialética
é um processo de abstração, o que permite a definição
dos conceitos. A dialética não substitui uma certeza por
outra, mas através das contraposições (antagonismo,
estado de oposição interna e externa) que se intui as
essências das coisas.
Entramos agora na fase
madura de Platão, onde ele sustenta como é possível
o conhecimento. Para isso devemos buscar compreender a suas teorias
das idéias e da reminiscência através de dois meios:
a Linha dividida e o Mito da caverna. É preciso estabelecer os
critérios para que o método seja correto e eficaz, para
determinar as definições que podem ser efetivamente consideradas
válidas.
Para chegarmos às
teorias mais platônicas (da fase ‘madura’) é importante
entendermos um pouco das diferenças entre ele e seu mestre: a
filosofia de Sócrates tem um método de reflexão
para levar o indivíduo a uma melhor compreensão de si
e da experiência que o cerca passando por um processo de reavaliação
de crenças; Platão procura estabelecer uma teoria, mostrando
a capacidade de ver, pela abstração, por superação
das experiências empíricas (sensíveis, relativas
aos cinco sentidos básicos), a verdadeira natureza das coisas.
Para isso é necessária uma metafísica – disciplina
que busca a natureza primeira de todas as coisas e que vai ser base
para o conhecimento – para Platão é o mundo das idéias.
A teoria das idéias
nos permite conhecer as coisas como elas são essencialmente.
A base do conhecimento está em uma lei fixa, natural e imutável,
uma unidade que é universal, que a partir desta nos permite conhecer
a essência de todas as coisas, estas que estão nas idéias.
Devido à abstração
do conhecimento sensível é possível, então,
meditar sobre a realidade ideal. Dentre a escolha do que fazer é
preciso um processo de decisão que deve ter base em algo maximamente
sustentável perpetuamente, o que envolve critérios rigorosos,
princípios. Tendo base universal, não é preciso
ter que fazer o mesmo esforço seletivo a cada decisão,
ou seja, a razão deve adequar-se, não com mero interesse
imediato, mas com princípios universais e necessários.
A humanidade seria caótica sem a racionalidade.
Para investigar o objeto
é preciso identificá-lo antes. O processo do conhecimento
tem sua origem na reminiscência, isto é, na capacidade
de reter coisas, o que fica na memória após a encarnação,
mas de forma obscurecida, ou seja, Platão afirma que todo homem
possui o conhecimento puro das essências, das idéias, desde
o nascimento, que alma contemplou no mundo das idéias antes de
encarnar. Pode-se dizer que Platão, dessa forma, estava interpretando
a maiêutica socrática – a parição de idéias
tem agora uma base metafísica. A ascensão da alma visa
um governo ideal com a idéia de justiça.
A Linha dividida:
Real (A, B); Estados Mentais (a, b).
A: Mundo inteligível (formas, idéias).
Aa: Conhecimento das idéias pelo dialético.
Ab: Conhecimento dos objetos matemáticos.
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B: Mundo material (objetos concretos).
Ba: Conhecimento dos objetos naturais.
Bb: Conhecimento de imagens das coisas concretas.
B representa o mundo
material composto de objetos naturais, particulares, concretos e mutáveis,
Bb é a visão das sombras, vê o mundo de forma imediata,
à obscuridade da doxa. Ba é o segundo momento de conhecimento
natural, é um conhecimento mais específico do mundo sensível
(botânica, zoologia, etc.). Ba é Bb, mas com mais clareza
e distinção, mais conhecimento, mas ainda está
na ordem das coisas mutáveis e ainda depende da relação
do objeto com o sensível.
Em A, há uma ruptura
com B. Em geral, A está vinculado ao inteligível, ao mundo
das idéias. Ab tem base na geometria, que ainda não é
idéia absoluta, mas já busca, por meio da abstração,
o objeto ideal (como a planta de um prédio ou um círculo
perfeito). A geometria depende de hipóteses para o que pretende
demonstrar (é um discurso mediato). Aa é a última
etapa do saber. Está à luz da intuição intelectual,
relativa a mais grandiosa faculdade da alma, que nos leva a conhecer
os fins primeiros de todas as coisas. Para passar por cada uma dessas
etapas é preciso muito labor, pois o caminho é árduo.
Depois de conhecer a
Linha dividida é interessante estabelecer a relação
desta com o Mito da caverna: B é relativo às sombras,
ao impacto da tradição, aos preconceitos, às práticas
comuns. As sombras que são partes do mundo real. Assim como a
fogueira já é o segundo passo para descobrir que as sombras
não são a única verdade. Nesse momento o homem
é forçado a se livrar das correntes devido ao conflito
interno entre a busca do saber e a força dos costumes – é
preciso se habituar ao real. Chegando ao sol que quer dizer a clareza
absolutamente intelectual e essencial, pois sem luz não poderia
haver nem as sombras. Por fim, a volta à caverna (que não
está explicita na Linha dividida) designa a missão político-pedagógica
do Mito, o que mostra mais um risco e trabalho árduo de ter que
lidar com a ignorância dos prisioneiros da caverna. Essa volta
faz alusão ao “maior de todos os homens” (Sócrates) que
buscou justamente essa volta, correndo o referente risco e morto pelas
mãos da ignorância.
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i b l i o g r a f i a
MARCONDES, Danilo. Iniciação
à história da filosofia: dos pré-socráticos
a Wittgenstein.
prof . v
i c t o r . n a i
n e
   
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