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INCIAÇÃO À REFLEXÃO
FILOSÓFICA
Palestra gratuita no Espaço Saúde
Realizada dia 12 de agosto de 2007
Com Prof. Victor Naine
Resumo doutrinal
É comum em nosso
tempo ouvir falar em diversos meios, a palavra “filosofia”. Filosofia
de vida, filosofia oriental, filosofia budista, filosofia hindu, etc.
Mas será que é simples responder a uma pergunta tão
básica e clássica, “o que é Filosofia?”
É preciso – pelo
menos inicialmente – categorizar o termo para bem compreender o seu
conceito.
“Filosofia” é
um termo com criação atribuída ao grande pai da
Metafísica, o filósofo Parmênides. Deriva dos vocábulos
gregos, filos (com tradução próxima a
amor ou verdadeira amizade) e sofia (a sabedoria);
portanto, filosofia, em sua etimologia (estudo da origem das palavras),
significa amor à sabedoria.
Pois bem, mas devemos
ir além, pois nenhum conceito restringe-se a sua etimologia.
Se assim o fosse, qualquer tipo de dedicação e busca com
amor seria destarte chamada de filosofia, como assim o é cotidianamente.
A Teologia, a Teosofia, a Cabala, qualquer religião e qualquer
ciência poderiam ser chamadas “filosofia”. Porém, devemos
agora continuar a dar nossos passos dialéticos, procurando compreender
uma alicerçada distinção: o latu sensu
(senso amplo) e o strictu sensu (senso estrito).
No latu sensu, filosofia
pode sim ser entendida como qualquer forma de reflexão. Mas estritamente
dizendo, existem diversas especificidades quanto ao seu termo. Então,
decodificaremos isso que chamamos amor à sabedoria.
Esse amor é um
dentre outros tipos de amor conhecidos pela Língua Grega: o filos,
distinto, por exemplo, do eros, o amor erótico,
o verdadeiro amor pela sensualidade e sexualidade do amado (que não
pejorativamente tinha extremo valor vital para os gregos).
O amor filos pode ser entendido como o verdadeiro amor por um conhecimento
que possibilita amar o próximo, essencialmente em sua identidade
(enquanto seres derivados e participantes da mesma idéia de raça),
e alteridade (enquanto pessoas, indivíduos concretamente diferentes).
A sofia – essa sabedoria
intrínseca ao termo – é especificamente a chamada
episteme, um tipo estritamente relativo à finalidade da
reflexão classicamente filosófica. Para entendermos então
que finalidade é essa, vamos nos ater ainda mais a uma paulatina
análise (porém aqui resumida) – separando as idéias
para depois unir e compreender.
A filosofia exige daquele
que busca a episteme, muita saúde psicossomática – mental/anímica
e física – para possibilitar a disposição da vontade
num rigoroso labor ócio-criativo. Assim, assentindo esse pressuposto,
busca encontrar um método de estudo e pesquisa que sejam convenientes
para com a sua intenção. Geralmente são usadas
a lógica e a dialética para isso (que veremos mais tarde
no decorrer do Curso de iniciação à reflexão
filosófica).
O método filosófico
tem como finalidade organizar os pensamentos para descobrir quais são
realmente os objetos da busca. Aqui, em conseqüência disso,
podemos já esboçar um entendimento sobre o que é
filosofia, o seu amor e a sua sabedoria.
A reflexão quase
que exclusivamente filosófica tem em geral um caráter
crítico. É preciso, de certa forma, diante de uma postura,
de um fenômeno, de uma realidade qualquer, suspender o juízo
para olhar de fora o que aquilo significa. Para isso se utiliza de um
dos mais fortes instrumentos providamente humano, a razão.
A filosofia (clássica)
é por excelência demasiadamente racional. Pela razão,
o filósofo busca distinguir as coisas e clarear sua mente, purificando-a
de preconceitos e pressupostos crentes. Ou seja, busca fundamentar,
demonstrando/provando racionalmente as suas prévias suposições,
ou refutando as prévias conclusões alheias, que muitas
vezes o filósofo pode julgar supersticiosas, desprovidas de uma
realidade universalmente objetiva.
Bom, nesse último
passo foram comentados fatores importantes para a reflexão filosófica:
a razão como instrumento para a fundamentação
universal e objetiva das realidades, o que chamamos também
de provas. Demonstrar é provar racionalmente!
Particularmente falando,
uma das mais importantes intenções da palestra ministrada
foi mostrar que a filosofia pode ser entendida como um meio para o saber
e não necessariamente como um fim (como julgam alguns pensadores).
Todavia, é de suma relevância degustar tudo isto sem preconceitos
para entender que é também possível o conhecimento
por outras vias de conhecimento, desde que fique claro o que é
(e o que não é) estritamente filosofia.
Isso tudo não
quer dizer que devamos restringir nossas reflexões e objetos
de busca, sendo esta universal e objetiva ou particular e subjetiva.
O pensamento oriental, aquele relativo as artes marciais ou ao Yoga,
por exemplo, são muitas vezes intuitivos, desprovidos de mediação
racional, o que é de um valor incomensurável. Não
obstante, podem-se encontrar aí objetos de cunho filosófico,
o que infelizmente não é muito comum na tradição
histórica da filosofia. Mas Schopenhauer, por exemplo, foi um
grande filósofo que trouxe ao ocidente o pensamento hindu e o
mesclou segundo seus critérios rigorosamente filosóficos.
Mesmo que criticando muito a tradição, estava também
dialogando e trazendo algo novo para apresentar ao mundo. Filósofos
da Antigüidade, com Pitágoras e Platão (ou da Modernidade,
como Descartes e Leibniz), são conhecidos por grandes feitos
onde, para estes, não era possível uma verdadeira filosofia
sem o conhecimento matemático, pois a matemática, indubitavelmente,
apontou-lhes um extremo rigor lógico e poder abstrativo para
a universalização dos conceitos descobertos.
Mesmo que não
nos tornemos verdadeiros filósofos, a filosofia está aí
para todos. Participar de uma mínima centelha dela já
é um grande feito para nos tornarmos homens mais elevados, providos
de uma virtude intelectual maravilhosa que nos permite discernir e valorar
as coisas de nosso mundo circundante.
Façam bom proveito
dela e de mim, um divulgador do pensamento livre.
Abraços fraternos,
Victor Naine
11.SET.07
Ementa
do curso básico
   
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