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Vida e obras: Georg Wilhem Friedrich Hegel pode
ser considerado o maior e mais sistemático pensador alemão
do século XIX. Nasceu em Stuttgart, na Alemanha em 1770. Em 1806
foi professor na Universidade de Iena e assistiu, nessa época,
o assédio da cidade pelas tropas de Napoleão (o que supostamente
levou Hegel a elogiá-lo de sua janela dizendo: “Eis o absoluto
a cavalo!”); nesse período também redigiu sua mais importante
obra – Fenomenologia do Espírito. Em 1817 sucede seu amigo Fichte
(grande e influente filósofo alemão) como catedrático
na Universidade de Berlim – coroamento de sua carreira acadêmica;
ministra uma série de cursos que viriam gerar futuras publicações,
como as Lições de: história da filosofia, filosofia
da história, estética, filosofia da religião e
filosofia do direito. Morre em 1831 de cólera, como reitor da
Universidade, no auge do seu prestigio intelectual.
Doutrina filosófica:
“O real é racional e o racional é real”. A filosofia de
Hegel é dita por ele como “a ciência da experiência
da consciência”, teoria que se propõe a ser universal e
absoluta do conhecimento por meio da descrição dos fenômenos
que aparecem à consciência. O homem toma cada vez mais
consciência de si mesmo quando tem experiência dos fenômenos.
O filósofo pretende, assim, substituir o problema epistemológico
da fundamentação do conhecimento pela auto-reflexão
fenomenológica da mente, entendendo a fenomenologia como a “ciência
dos atos da consciência”.
Sua dúvida, que
o leva a superar o pensamento de Descartes e de Kant, é a seguinte:
como podemos investigar criticamente a faculdade cognitiva anteriormente
ao próprio conhecimento? É como querer nadar antes de
entrar na água! A investigação da faculdade cognitiva
é ela própria conhecimento, e esse objetivo já
é pressuposto (ou um pré-conceito). A filosofia, para
Hegel, não deve tratar do instrumento do saber antes do próprio
saber, nem um amor à verdade que não seja a própria
posse da verdade. Ao contrário de Kant (e de muitos pensadores
posteriores), Hegel é contrário ao privilégio da
ciência, que considera um pressuposto não justificado,
ou seja, a ciência é uma manifestação do
conhecimento, como qualquer outra, que precisa de um pressuposto justificado
na filosofia, enquanto esta (a filosofia) é ciência primeira;
i.é., o objetivo primeiro da filosofia é dar os preceitos
básicos para as demais ciências e o objetivo último
é o saber absoluto!
Entendamos isso à
luz da consciência individual e de um povo, formada pela história:
Cada indivíduo
é sempre filho de sua época; portanto a filosofia é
sua época tal como entendida pelo pensamento. É tão
absurdo imaginar que a filosofia pode transcender a sua realidade contemporânea
quanto imaginar que um indivíduo pode superar seu tempo.
A reflexão, portanto,
deve partir de um exame do processo de formação da consciência
até que essa se encontre puramente autoconsciente de si como
parte do Espírito Absoluto, que é a síntese máxima
de todos as suas manifestações, através do espírito
subjetivo, do espírito de um povo, de uma determinada época,
etc. Só podemos entender isso quando, através de nossa
consciência, compreendermos as leis da história e do desenvolvimento,
que são sempre explicados pelo seu famoso método dialético,
sempre composto por uma tríade: tese x antítese = síntese
(ou tese x ‘anti-tese’ = suprassunção), onde a tríade
maior é: arte (tese) x religião (antítese) = filosofia
(síntese). A arte como manifestação objetiva, extrínseca
ao sujeito; a religião como manifestação subjetiva,
intrínseca ao sujeito; e a filosofia como o conhecimento da manifestação
absoluta do Espírito. Portanto, para a Hegel, o filósofo
pode e deve compreender tudo o que é universal, entendendo que
o universal é formado pela idéia do particular. A história
é o meio necessário para que tenhamos consciência
do que são as coisas hoje, apreendida pela razão humana,
centelha do Absoluto. Ou seja, a consciência é resultado
do desenvolvimento do espírito através da história.
Há outra tríplice
básica do processo e que é fundamental para compreendermos
tudo isso e também o pensamento de muitos sociólogos ulteriores,
como Marx: relações morais x linguagem = trabalho. As
relações morais têm papel básico no desenvolvimento,
pois um indivíduo se reconhece como sujeito no outro e assim
forma sua própria consciência – daí deriva a família
e a sociedade, no amor e necessidade da alteridade do outro. A linguagem
é a necessidade que o homem tem de, ao reconhecer-se como sujeito
no outro, criar símbolos para, então, finalmente, poder
trabalhar, ou seja, extrair da natureza, com o outro, os meios para
sua subsistência.
Em suma, podemos dizer
que a partir da experiência completa de si mesma, podemos chegar
ao conhecimento do que é também em si mesmo. A fenomenologia
descreve o itinerário da alma que se eleva a espírito
por meio da consciência, da razão e dos fenômenos;
o individuo pode reparar o que há de comum entre todos os indivíduos,
atingindo, assim, um conhecimento conceitual e universal; este que é
absoluto. O individuo ao reparar que é filho de seu tempo, compreende
seu papel na historia podendo, conseqüentemente, se ver no meio,
como fase desse processo histórico. Não obstante, Hegel
reconheceu o mesmo na tradição filosófica, como
se Tales, Sócrates ou até mesmo Kant sustentassem pensamentos
necessários para o desenvolvimento do Espírito na história
da filosofia.
O filósofo, portanto,
é aquele que elevou seu conhecimento sensível ao saber
absoluto, que reconhece, no seu interior, o “fim da história”,
pois reconhece esse devir necessário e dialético em sua
consciência.
Sua reflexão
teve quase direta influência no pensamento de filósofos
e sociólogos, como Marx e Comte, como veremos mais adiante.
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i b l i o g r a f i a
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história
da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein.
   
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